segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Nazistas pretendiam colonizar a Amazônia

Dirigentes do Terceiro Reich queriam fundar na Amazônia uma colônia baseada nos ideais nazistas de Adolf Hitler, povoando a região com arianos puros. A afirmação é do historiador alemão Jens Gluessing, e está contida em seu livro 'O projeto Guinea: uma aventura alemã na Amazônia'.
A teoria de Gluessing parte do descobrimento de um túmulo do nazista Joseph Greiner próximo ao rio Jari, que banha os estados do Pará e do Amapá e deságua no rio Amazonas.

Responsável pelo antigo Centro Alemão de Pesquisas, Greiner teria morrido de febre amarela em janeiro de 1936, sendo enterrado sob uma cruz formada por troncos que exibia uma suástica no topo.

Oficialmente, Greiner estava na região para recolher e catalogar espécies animais e vegetais presentes na Guiana Francesa.

O objetivo, porém, era outro. Segundo o então chefe do Centro Alemão de Pesquisas, Otto Shulz-Kampfhenkel, a Amazônia e a Sibéria são as duas regiões desabitadas mais ricas em recursos naturais, que oferecem ao povo ariano a possibilidade de emigrar e lá se instalarem com êxito.

- Para a raça branca mais avançada, (a Amazônia) oferece possibilidades de exploração extraordinárias - completou o cientista nazista.

O projeto expansionista só não foi levado adiante por causa da eclosão, em 1939, da Segunda Guerra Mundial

Fonte: Agência ANSA

domingo, 26 de outubro de 2008



Histórias que ficam à margem da História são a matéria-prima preferida de Isabel Lustosa, doutora em Ciência Política pelo Iuperj e historiadora da Casa de Ruy Barbosa. Autora de obras como Insultos impressos, D.Pedro - Um herói sem nenhum caráter e Brasil pelo método confuso, Isabel está relançando seu primeiro livro, Histórias de Presidentes - A República no Catete (1897-1960) (Agir, 296 páginas, R$39,90). Aqui ela reúne episódios inusitados, anedotas, curiosidades e indiscrições sobre os nossos governantes - que desde sempre foram vítimas de charges, caricaturas e ácidos comentários dos jornalistas. De Deodoro da Fonseca a Juscelino Kubitschek, Isabel recupera assim as impressões que esses homens públicos deixaram na sua época, numa reconstituição divertida mas nem por isso pouco rigorosa.

G1: Você pensa em escrever um segundo volume, abordando o período de 1960 para cá?

ISABEL LUSTOSA: Não. Histórias de presidentes foi o meu primeiro livro. Pude escrevê-lo sem qualquer tipo de pudor acadêmico, digamos assim. Então acho que é, dos meus livros, o que escrevi com mais liberdade e ousadia. Parti das caricaturas e das anedotas publicadas na imprensa, para entender como foram vistos aqueles presidentes, e associei essas informações com outras, bibliográficas e documentais, acompanhando com os meus comentários. Resultou num livro de formato inovador, cheio de elementos curiosos e de análises que têm uma marca muito pessoal. Quando o escrevi tinha menos de 30 anos. Pude juntar certa emoção em episódios como o suicídio de Vargas e manifestar simpatia por personagens da República Velha que, hoje, talvez merecessem de mim uma avaliação um pouco menos generosa. Não continuaria a história em um segundo volume porque, além de a autora ter mudado, a História posterior ao Catete tem outros elementos que não me interessariam trabalhar. A mudança de cenário do Rio para Brasília tirou muito do charme da Presidência. Ao mesmo tempo, a seqüência dos acontecimentos após o golpe militar de 1964 tirou toda a graça da política, até chegar a torná-la francamente trágica após 1968. Isso sem falar em que, com a ampliação do número de jornais e revistas, ainda mais com a força do rádio e da televisão, uma pesquisa assim implicaria um universo de fontes muito mais volumoso.

G1: Dos Presidentes citados no livro, quais tiveram a melhor e a pior relação com a imprensa?

ISABEL: Acho que pelo contraste que houve entre a liberdade de imprensa que havia no tempo de D. Pedro II, o empastelamento do jornal A Tribuna pelos sobrinhos do Marechal Deodoro da Fonseca marcou com uma nota negativa o começo da República. Enquanto o Imperador garantia a total liberdade de imprensa, o primeiro presidente patrocinava uma violência daquelas. Com Floriano Peixoto a situação ainda se agrava mais, com a prisão de muitos jornalistas e políticos. Na República Velha, uma franca aversão ao Presidente se manifestará no final do governo Artur Bernardes, que foi marcado pelo estado de sítio e pela repressão à imprensa. Apesar da ditadura de Vargas, em que houve censura e repressão aos jornais, não se verifica uma aversão à sua imagem. O ditador foi pessoalmente sempre amável e receptivo com jornalistas e intelectuais, em geral. Veja, por exemplo, o depoimento de Jorge Amado no livro. Isso fazia parte de sua esperteza. Por isso, nas caricaturas, Vargas aparece como um político ladino, mas esperto e simpático. A imprensa só vai mesmo destroçá-lo quando promover, a serviço da UDN e dos interesses norte-americanos, a campanha difamatória que o levou ao suicídio.

G1: Quais tiveram apelidos mais curiosos?

ISABEL: Gosto do apelido de Biriba que os cariocas deram a Prudente de Moraes. Tanto pela explicação que lhe dá Francisco de Assis Barbosa, de que era assim que os cariocas chamavam os matutos paulistas, quanto pela que lhe dá Raimundo Magalhães Junior, de que esse era o nome de um macaco barbudo do zoológico do Barão de Drummond, que era a cara do presidente. As duas explicações são mostras da verve carioca, que tornava tão divertida a presidência no Rio. Outros que gosto são o de Dudu, do Marechal Hermes, pelo caráter intimo que sugere e que aliado aos demais - Urucubaca, Corta-jaca, Cheirosa Criatura - contam muito do quanto a imagem de Hermes ocupou o repertório humorístico dos cariocas. Também gosto do apelido de Epitácio Pessoa, Tio Pita, e do de Artur Bernardes, Seu Mé, consagrado pela famosa marchinha.

G1: Quais foram mais citados nas marchinhas carnavalescas e nas charges dos jornais?

ISABEL: O campeão de todos é Hermes da Fonseca. A freqüência das anedotas sobre Hermes era tanta que a Revista Careta tinha até uma seção chamada “A última do Marechal”. Tudo colava nele: fama de burro, de pé-frio, de apaixonado, de festeiro, de submisso a Pinheiro Machado. O tipo físico ajudava, e acho que ele foi o primeiro presidente que teve máscara de Carnaval com a sua cara. Isso em 1915. Outro que foi tema constante foi Vargas. Seu tipo também favorecia, e sua personalidade, que os caricaturistas logo associaram à esperteza dos políticos, fez com que ele figurasse em chave bem diversa da de Hermes. Ao contrário do Dudu, ninguém chamou o seu Gegê de burro, nem de pé-frio, e muito menos de pau mandado de alguém. Reservado com relação à vida pessoal, sua única paixão fora do casamento só se tornou amplamente conhecida há pouco tempo, muitos anos depois de sua morte. A reserva em que conservava sua privacidade também tinha utilidade política e ajudava a compor o seu personagem.

G1: Se o Palácio do Catete ainda sediasse o Governo, o que você imagina que seria diferente na política brasileira?

ISABEL: É difícil dizer. Tudo mudou no Brasil, de lá para cá. Se o Rio ainda fosse capital federal, dificilmente a Presidência da República se conservaria no Catete, espaço hoje acanhado até para abrigar as instalações do Museu da República. Eu vejo a ida da capital para Brasília como algo que prejudicou o Rio, mas que foi bom para o Brasil. Era um sonho antigo interiorizar a capital de forma a valorizar o centro-oeste e criar uma capilaridade, digamos assim, entre as várias regiões. Bem ou mal isso aconteceu, e Brasília é hoje uma grande cidade. Com muitos problemas, como todas as grandes cidades, mas uma metrópole no coração do Brasil, como sonharam José Bonifácio e Hipólito da Costa no começo do século XIX.

G1: Qual dos personagens do livro teria mais chances de se eleger Presidente hoje, e por quê?

ISABEL: Na República Velha, creio que a figura mais charmosa de político foi Rodrigues Alves. Tinha savoir-faire e passava uma imagem paternal muito capitalizável politicamente. Talvez também tivesse chance Epitácio Pessoa, que juntava a habilidade de político nordestino com uma rara inteligência, ou ainda Nilo Peçanha, político campista que conseguiu crescer num cenário dominado por São Paulo e Minas gerais. Páreo duro seria uma disputa entre Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. No embate entre o carisma, a esperteza e o apelo nacionalista do pai dos pobres e a simpatia, o charme e o empreendedorismo de JK, a disputa seria dura.

G1: Em que medida a vida privada e a vida pública desses presidentes se confundiram?

ISABEL: Creio que, na República Velha, a vida privada e a vida pública do Presidente se confundia por conta dessa mistura da habitação com o lugar de trabalho, da presença da mulher e dos filhos no Catete. Filhas de Rodrigues Alves e de Afonso Pena, por exemplo, casaram com auxiliares próximos dos pais. A vida pessoal adquiria ainda maior visibilidade por conta da localização do palácio, situada na esquina de uma rua em região da cidade densamente povoada. O uso do Palácio Guanabara pela família dos presidentes a partir do Governo Hermes da Fonseca contribuiu para separar um pouco essas esferas. Mas nem todos optaram por usar o Guanabara como residência, ou o fizeram durante todo o mandato. De qualquer maneira não há muitos exemplos de primeiras damas influentes. Carmela Dutra, a mulher de Eurico Gaspar Dutra, é a primeira que aparece como tendo influído em decisões do marido, como a proibição dos jogos de azar em 1946. Apesar de D. Darcy ter sido a primeira a ter uma atuação pública, foi sua filha Alzira Vargas quem mais apareceu junto ao pai, nos momentos dramáticos de seu segundo governo. O irmão de Vargas, Benjamin, o Beijo, tipo controverso, meio valentão, foi o alvo preferencial da imprensa durante a crise que levou ao suicídio.

G1: Um mordomo teve grande influência na gestão de Hermes da Fonseca. Esse tipo de situação é comum na História do Brasil? A quê atribuir isso?

ISABEL: Na verdade o Sogra, como era chamado o mordomo Oscar Pires, não teve qualquer influência política. Ele só mereceu a atenção da imprensa justamente pelo fato de que aquilo que se passava no ambiente doméstico dos Presidentes era muito facilmente conhecido. No livro também falo de outro mordomo, o Albino, que teria começado a trabalhar no Catete no governo Nilo Peçanha, em 1909 e chegou até o governo JK. O presidente Washington Luis, quando percebeu que ia ser deposto, antes de deixar o Governo pediu a Albino que guardasse a faixa presidencial e só a entregasse ao Presidente que fosse legitimamente eleito. Na República não há essa influência tão grande de funcionários subalternos como houve no começo do império, quando mesmo os cargos mais modestos, como o de varredor do Palácio ou barbeiro do Imperador eram posições privilegiados. Entre os mordomos domésticos e o Presidente havia muitas instâncias e interesses intermediários, incluindo os dos familiares, que também estavam bem próximos.

G1: Como especialista na História da imprensa, como você analisa as tentativas do Governo atual de criar mecanismos de controle da atividade jornalística?

ISABEL: Confesso que não tenho acompanhado essa polêmica, nem sei bem em quê consistem esses mecanismos de controle. De modo que não tenho opinião formada sobre o assunto.

G1: E como analisa o crescimento da mídia eletrônica? O jornal impresso vai acabar?

ISABEL: Tenho o maior entusiasmo pela mídia eletrônica. Vejo com otimismo as perspectivas que ela abre para a liberdade de comunicação. Essa liberdade desperta hoje as mesmas polêmicas que a liberdade de imprensa despertou, em seu começo. Discute-se sobre os sites que incitam a violência, o racismo, a homofobia, a pedofilia e outros crimes. Coisas que são mais facilmente controláveis na mídia impressa. No entanto, ao criar controle para uns, pode-se abrir a porta para outros. É uma difícil decisão, e creio que essa discussão ainda vai dar muito pano pra manga. Mas o fato é que, gradativamente, a mídia eletrônica, que possibilita a notícias em tempo real, vai modificando o papel não apenas do jornal impresso, como também do telejornal, que vai precisar se adaptar à nova realidade, talvez investindo no conteúdo analítico. Não sei se as futuras gerações terão o mesmo fetiche que a nossa, em relação à folha impressa. E como essa revolução ainda está em curso, e não se sabe o seu destino, é possível que um Bill Gates da vida invente um derivativo até mesmo para essa nossa tradição.

g1.com.br/maquinadeescrever/

quarta-feira, 22 de outubro de 2008


Crise expõe perigo de fortalecimento da direita, diz Hobsbawm

O britânico Eric Hobsbawm, considerado um dos historiadores mais influentes do século 20, disse à BBC nesta terça-feira que o maior perigo da atual crise financeira mundial é o fortalecimento da direita.

“A esquerda está virtualmente ausente. Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita”, disse Hobsbawn, em entrevista à Rádio 4.

O historiador marxista comparou o atual momento “ao dramático colapso da União Soviética” e ao fim de “uma era específica”.

“Agora sabemos que estamos no fim de uma era e não se sabe o que virá pela frente.”

Hobsbawn diz não acreditar que a linguagem marxista, que lhe serviu de norte ao longo de toda sua carreira, será proeminente politicamente, mas intelectualmente, “a análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante”.

Abaixo, os principais trechos da entrevista.

Muitos consideram o que está acontecendo como uma volta ao estadismo e até do socialismo. O senhor concorda?

Bem, certamente estamos vivendo a crise mais grave do capitalismo desde a década de 30. Lembro-me de um título recente do Financial Times que dizia: O capitalismo em convulsão. Há muito tempo não lia um título como esse no FT.

Agora, acredito que esta crise está sendo mais dramática por causa dos mais de 30 anos de uma certa ideologia “teológica” do livre mercado, que todos os governos do Ocidente seguiram.

Porque como Marx, Engels e Schumpter previram, a globalização - que está implícita no capitalismo -, não apenas destrói uma herança de tradição como também é incrivelmente instável: opera por meio de uma série de crises.

E o que está acontecendo agora está sendo reconhecido como o fim de uma era específica. Sem dúvida, a partir de agora falaremos mais de (John Maynard) Keynes e menos de (Milton) Friedman e (Friedrich) Hayek.

Todos concordam que, de uma forma ou de outra, o Estado terá um papel maior na economia daqui por diante.

Qualquer que seja o papel que os governos venham a assumir, será um empreendimento público de ação e iniciativa, que será algo que orientará, organizará e dirigirá também a economia privada. Será muito mais uma economia mista do que tem sido até agora.

E em relação ao Estado como redistribuidor? O que tem sido feito até agora parece mais pragmático do que ideológico...

Acho que continuará sendo pragmático. O que tem acontecido nos últimos 30 anos é que o capitalismo global vem operando de uma forma incrivelmente instável, exceto, por várias razões, nos países ocidentais desenvolvidos.

No Brasil, nos anos 80, no México, nos 90, no sudeste asiático e Rússia nos anos 90, e na Argentina em 2000: todos sabiam que estas coisas poderia levar a catástrofes a curto prazo. E para nós isto implicava quedas tremendas do FTSE (índice da bolsa de Londres), mas seis meses depois, recomeçávamos de novo.

Agora, temos os mesmos incentivos que tínhamos nos anos 30: se não fizermos nada, o perigo político e social será profundo e ainda mais depois de tudo, da forma com a qual o capitalismo se reformou durante e depois da guerra sob o princípio de “nunca mais” aos riscos dos anos 30.

O senhor viu esses riscos se tornarem realidade: estava na Alemanha quando Adolf Hitler chegou ao poder. O senhor acredita que algo parecido poderia acontecer como conseqüência dos problemas atuais?

Nos anos 30, o claro efeito político da Grande Depressão a curto prazo foi o fortalecimento da direita. A esquerda não foi forte até a chegada da guerra. Então, eu acredito que este é o principal perigo.

Depois da guerra, a esquerda esteve presente em várias partes da Europa, inclusive na Inglaterra, com o Partido Trabalhista, mas hoje isso já não acontece.

A esquerda está virtualmente ausente, Assim, me parece que o principal beneficiário deste descontentamento atual, com uma possível exceção – pelo menos eu espero – nos Estados Unidos, será a direita.

O que vemos agora não é o equivalente à queda da União Soviética para a direita? Os desafios intelectuais que isto implica para o capitalismo e o livre mercado são tão profundos como os desafios enfrentados pela direita em 1989?

Sim, concordo. Acredito que esta crise é equivalente ao dramático colapso da União Soviética. Agora sabemos que acabou uma era. Não sabemos o que virá pela frente.

Temos um problema intelectual: estávamos acostumados a pensar até então que havia apenas duas alternativas: ou o livre mercado ou o socialismo. Mas, na realidade, há muito poucos exemplos de um caso completo de laboratório de cada uma dessas ideologias.

Então eu acho que teremos de deixar de pensar em uma ou em outra e devemos pensar na natureza da mescla. E principalmente até que ponto esta mistura será motivada pela consciência do modelo socialista e das conseqüências sociais do que está acontecendo.

O senhor acredita que regressaremos à linguagem do marxismo?

Desde a crise dos anos 90, são os homens de negócio que começaram a falar assim: “Bem, Marx predisse esta globalização e podemos pensar que este capitalismo está fundamentado em uma série de crises”.

Não acredito que a linguagem marxista será proeminente politicamente, mas intelectualmente a natureza da análise marxista sobre a forma com a qual o capitalismo opera será verdadeiramente importante.

O senhor sente um pouco recuperado depois de anos em que a opinião intelectual ia de encontro ao que o senhor pensava?

Bem, obviamente há um pouco a sensação de schadenfreude (regozijo pela desgraça alheia).

Sempre dissemos que o capitalismo iria se chocar com suas próprias dificuldades, mas não me sinto recuperado.

O que é certo é que as pessoas descobrirão que de fato o que estava sendo feito não produziu os resultados esperados.

Durante 30 anos os ideólogos disseram que tudo ia dar certo: o livre mercado é lógico e produz crescimento máximo. Sim, diziam que produzia um pouco de desigualdade aqui e ali, mas também não importava muito porque os pobres estavam um pouco mais prósperos.

Agora sabemos que o que aconteceu é que se criaram condições de instabilidades enormes, que criaram condições nas quais a desigualdade afeta não apenas os mais pobres, como também cada vez mais uma grande parte de classe média.

Sobretudo, nos últimos 30 anos, os benefíciários deste grande crescimento têm sido nós, no Ocidente, que vivemos uma vida imensuravelmente superior a qualquer outro lugar do mundo.

E me surpreende muito que o Financial Times diga que o que se espera que aconteça agora é que este novo tipo de globalização controlada beneficie a quem realmente precisa, que se reduza a enorme diferença entre nós, que vivemos como príncipes, e a enorme maioria dos pobres.

sábado, 18 de outubro de 2008

Os dados são da Antropos Consulting:

1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.

5.. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.

6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.

8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.

Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.

10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.

11. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?

1. Por que não se orgulham em dizer que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

2. Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?

3. Que suas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

4. Por que não falam que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

5. Por que não dizem que são hoje a terceira maior democracia do mundo?

6. Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

7. Por que não se lembram que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?

Por que não se orgulham de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando.

É! O Brasil é um país abençoado de fato.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.


Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.
Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Bendita seja, querida pátria chamada
Brasil!!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O Analfabeto Político
(Bertolt Brecht)

"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia
a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A complexa gênese do povo judeu

Descobertas arqueológicas e etnográficas recentes revelam: a idéia de que os judeus seriam descendentes diretos de Moisés, Davi e Salomão é uma farsa ideológica. Como tantos outros povos, eles formaram-se num processo histórico rico e contraditório, que envolve múltiplas etnias e não cabe na descrição religiosa e fundamentalista que ainda prevalece

Shlomo Sand - Diplo-Br

Qualquer israelense sabe que o povo judeu existe desde a entrega da Torá [1]no monte Sinai e se considera seu descendente direto e exclusivo. Todos estão convencidos de que os judeus saíram do Egito e fixaram-se na Terra Prometida, onde edificaram o glorioso reino de Davi e Salomão, posteriormente dividido entre Judéia e Israel. E ninguém ignora o fato de que esse povo conheceu o exílio em duas ocasiões: depois da destruição do Primeiro Templo, no século 6 a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C.

Foram quase 2 mil anos de errância desde então. A tribulação levou-os ao Iêmen, ao Marrocos, à Espanha, à Alemanha, à Polônia e até aos confins da Rússia. Felizmente, eles sempre conseguiram preservar os laços de sangue entre as comunidades, tão distantes umas das outras, e mantiveram sua unicidade.

As condições para o retorno à antiga pátria amadureceram apenas no final do século 19. O genocídio nazista, porém, impediu que milhões de judeus repovoassem naturalmente Eretz Israel, a terra de Israel, um sonho de quase vinte séculos.

Virgem, a Palestina esperou que seu povo original regressasse para florescer novamente. A região pertencia aos judeus, e não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso. Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa.

De onde vem essa interpretação da história judaica, amplamente difundida e resumida acima?

Trata-se de uma obra do século 19, feita por talentosos reconstrutores do passado, cuja imaginação fértil inventou, sobre a base de pedaços da memória religiosa judaico-cristã, um encadeamento genealógico contínuo para o povo judeu. Claro, a abundante historiografia do judaísmo comporta abordagens plurais, mas as concepções essenciais elaboradas nesse período nunca foram questionadas.

Em Israel, há departamentos acadêmicos especiais para o estudo da “história do povo judeu”. Lá prevalecem temerosos e conservadores, revestidos por uma retórica apologética baseada em idéias preconcebidas

Quando apareciam descobertas capazes de contradizer a imagem do passado linear, elas praticamente não tinham eco. Como um maxilar solidamente fechado, o imperativo nacional bloqueava qualquer espécie de contradição ou desvio em relação ao relato dominante. E as instâncias específicas de produção do conhecimento sobre o passado judeu contribuíram muito para essa curiosa paralisia unilateral: em Israel, os departamentos exclusivamente dedicados ao estudo da “história do povo judeu” são bastante distintos daqueles da chamada “história geral”. Nem o debate de caráter jurídico sobre “quem é judeu” preocupou esses historiadores: para eles, é judeu todo descendente do povo forçado ao exílio há 2 mil anos.

Esses pesquisadores “autorizados” tampouco participaram da controvérsia trazida pela revisão histórica do fim dos anos 1980. A maioria dos atores desse debate público veio de outras disciplinas ou de horizontes extra-universitários, inclusive de fora de Israel: foram sociólogos, orientalistas, lingüistas, geógrafos, especialistas em ciência política, pesquisadores em literatura e arqueólogos que formularam novas reflexões sobre o passado judaico e sionista. Dos “departamentos de história judaica” só surgiram rumores temerosos e conservadores, revestidos por uma retórica apologética baseada em idéias preconcebidas.

Ou seja, após 60 anos recém-completos, a historiografia de Israel amadureceu muito pouco e, aparentemente, não evoluirá em curto prazo. Porém, os fatos revelados pelas novas pesquisas colocam para todo historiador honesto questões fundamentais — ainda que surpreendentes, numa primeira abordagem.

Considerar a Bíblia um livro de história é um dos debates. Os primeiros historiadores judeus modernos, como Isaak Markus Jost e Léopold Zunz, não encaravam o texto bíblico dessa forma, no começo do século 19. A seus olhos, o Antigo Testamento era um livro de teologia constitutivo das comunidades religiosas judaicas depois da destruição do Primeiro Templo. Foi preciso esperar até 1850 para encontrar historiadores como Heinrich Graetz, que teve uma visão “nacional” da Bíblia. A partir daí, a retirada de Abraão para Canaã, a saída do Egito e até o reinado unificado de Davi e Salomão foram transformados em relatos de um passado autenticamente nacional. Desde então, os historiadores sionistas não deixaram de reiterar essas “verdades bíblicas”, que se tornaram o alimento cotidiano da educação israelense.

Nos anos 1980, as descobertas arqueológicas abalam os mitos fundadores. Moisés não conduziu à “terra prometida”. Não houve revolta dos escravos egípcios. O reinado suntuoso de Davi e Salomão foi inventado. A “segunda diáspora”, também

Mas eis que, ao longo dos anos 1980, a terra treme, abalando os mitos fundadores. Novas descobertas arqueológicas contradizem a possibilidade de um grande êxodo no século 13 antes da nossa era. Da mesma forma, Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à “terra prometida” — pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! Aliás, não existe nenhum traço de revolta de escravos no reinado dos faraós, nem de uma conquista rápida de Canaã por estrangeiros.

Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico.

E o exílio do ano 70 d.C. teria efetivamente acontecido?

Paradoxalmente, esse “evento fundador” da história dos judeus, de onde a “diáspora” tira sua origem, não rendeu sequer um trabalho de pesquisa. E por uma razão bem prosaica: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo.

Uma parte deles se converteu ao cristianismo no século 4, enquanto a maioria aderiu ao Islã, durante a conquista árabe do século 7. E os pensadores sionistas não ignoravam isso: tanto Yitzhak ben Zvi, que seria presidente de Israel, quanto David ben Gurion, fundador do país, escreveram sobre isso até 1929, ano da grande revolta palestina.

Ambos mencionam, em várias ocasiões, o fato de que os camponeses da Palestina eram os descendentes dos habitantes da antiga Judéia [2].

O êxito da religião de Jesus não colocou fim ao judaísmo. Cem anos depois, surgiu o vigoroso reino judeu de Himiar, onde atualmente está o Iêmen. Após o século 7, berberes judaizados participaram da conquista da Península Ibérica

Mas, na falta de um exílio a partir da Palestina romanizada, de onde vieram os judeus que povoaram o perímetro do Mediterrâneo desde a Antigüidade? Por trás da cortina da historiografia nacional, esconde-se uma surpreendente realidade histórica: do levante dos macabeus, no século 2 a.C., à revolta de Bar Kokhba, no século 2 d.C., o judaísmo foi a primeira religião prosélita. Nesse período, a dinastia dos hasmoneus converteu à força os idumeus do sul da Judéia e os itureus da Galiléia, anexando-os ao “povo de Israel”. Partindo desse reino judeu-helenista, o judaísmo se espalhou por todo o Oriente Médio e pelo perímetro mediterrâneo. No primeiro século de nossa era surgiu o reinado judeu de Adiabena, no território do atual Curdistão, e a ele seguiram-se alguns outros com as mesmas características.

Os escritos de Flávio Josefo são apenas um dos testemunhos do ardor prosélito dos judeus: de Horácio a Sêneca, de Juvenal a Tácito, vários escritores latinos expressaram seu temor sobre a prática da conversão, autorizada pela Mixná e pelo Talmude [3].

No começo do século 4, o êxito da religião de Jesus não colocou fim à expansão do judaísmo, mas empurrou seu proselitismo para as margens do mundo cultural cristão. Cem anos depois, surgiu o vigoroso reino judeu de Himiar, onde atualmente está o Iêmen. Seus descendentes mantiveram a fé judaica após a expansão do Islã e preservam-na até os dias de hoje. Da mesma forma, os cronistas árabes nos contam sobre a existência de tribos berberes judaizadas: contra a pressão árabe sobre a África do Norte, no século 7, surgiu a figura lendária da rainha judia Dihya-el-Kahina. Em seguida, esses berberes judaizados participaram da conquista da Península Ibérica e estabeleceram ali os fundamentos da simbiose particular entre judeus e muçulmanos, característica da cultura hispano-arábe.

A conversão em massa mais significativa ocorreu, no entanto, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no imenso reino Cazar do século 8. A expansão do judaísmo do Cáucaso até as terras que hoje pertencem à Ucrânia engendrou várias comunidades que seriam expulsas para o Leste europeu pelas invasões mongóis do século 13. Lá, os judeus vindos das regiões eslavas do sul e dos atuais territórios alemães estabeleceram as bases da grande cultura ídiche [4].

Desde os anos 1970, uma sucessão de pesquisas “científicas” israelenses se esforça para demonstrar, por todos os meios, a proximidade genética dos judeus do mundo inteiro

Esses relatos sobre as origens plurais dos judeus figuraram, de forma mais ou menos hesitante, na historiografia sionista até o início dos anos 1960. Depois disso, foram progressivamente marginalizados e, por fim, desapareceram totalmente da memória pública israelense. Afinal, os conquistadores de Jerusalém em 1967 deveriam ser os descendentes diretos de seu reinado mítico, e não de guerreiros berberes ou cavaleiros cazares. Com isso, os judeus assumiram a figura de éthnos específico que, depois de 2 mil anos de exílio e errância, voltava para a sua capital.

E os defensores desse relato linear e indivisível não mobilizam apenas o ensino de história: eles convocam igualmente a biologia. Desde os anos 1970, uma sucessão de pesquisas “científicas” israelenses se esforça para demonstrar, por todos os meios, a proximidade genética dos judeus do mundo inteiro. A “pesquisa sobre as origens das populações” representa hoje um campo legítimo e popular da biologia molecular, e o cromossomo Y masculino ganhou um lugar de honra ao lado de uma Clio judia na busca desenfreada pela unicidade do “povo eleito”.

Essa concepção histórica constitui a base da política identitária do estado de Israel e é exatamente seu ponto fraco. Ela se presta efetivamente a uma definição essencialista e etnocentrista do judaísmo, alimentando uma segregação que mantém a distância entre judeus e não-judeus.

Israel, 60 anos depois de sua fundação, não aceita conceber-se como uma república que existe para seus cidadãos. Quase um quarto deles não é considerado judeu e, de acordo com o espírito de suas leis, esse estado não lhes pertence. Ao mesmo tempo, Israel se apresenta como o estado dos judeus do mundo todo, mesmo que não eles não sejam mais refugiados perseguidos, e sim cidadãos com plenos direitos, vivendo como iguais nos países onde residem. Em outras palavras, um etnocentrismo sem fronteiras serve de justificativa para uma severa discriminação ao invocar o mito da nação eterna, reconstituída para se reunir na “terra dos antepassados”.

Escrever uma nova história judaica, para além do prisma sionista, não é tarefa fácil. A luz que se refrata ao passar por esse prisma se transforma, insistentemente, em cores etnocêntricas. Mas, se os judeus sempre formaram comunidades religiosas em diversos lugares e elas foram, com freqüência, constituídas pela conversão, obviamente não existe um éthnos portador de uma mesma origem, de um povo errante que teria se deslocado ao longo de 20 séculos.

Sabemos que o desenvolvimento de toda historiografia — e, de maneira geral, as da modernidade — passa pela invenção do conceito de nação, que ocupou milhões de seres humanos nos séculos 19 e 20.

Recentemente, porém, esses sonhos começaram a ruir. Cada vez mais pesquisadores analisam, dissecam e desconstroem os grandes relatos nacionais e, principalmente, os mitos da origem comum, caros aos cronistas do passado. Certamente os pesadelos identitários de ontem darão espaço, amanhã, a outros sonhos de identidade. Assim como toda personalidade é feita de identidades fluidas e variadas, a história também é uma identidade em movimento.



[1] Texto fundador do judaísmo, a Torá é composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia, ou Pentateuco: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

[2] Cf. David ben Gurion e Yitzhak ben Zvi, Eretz Israel no passado e no presente (1918, em ídiche), Jerusalém, Yitzhak ben Zvi, 1980 (em hebraico), e Yitzhak ben Zvi, Nossa população no país (em hebraico), Varsóvia, O Comitê Executivo da União da Juventude e o Fundo Nacional Judeu, 1929.

[3] A Mixná, considerada como a primeira obra de literatura rabínica, foi concluída no século 2 d.C. O Talmude sintetiza o conjunto dos debates rabínicos referindo-se à lei, aos costumes e à história dos judeus. Há dois Talmudes: o da Palestina, escrito entre os séculos 3 e 5, e o da Babilônia, concluído no fim do século 5.

[4] Falado pelos judeus da Europa oriental, o ídiche é uma língua eslavo-germânica, com palavras vindas do hebraico

Uma Mensagem aos Companheiros Professores


Quem somos nós, Professores?
Agentes na tentativa de mudança da sociedade?
Ou espectadores passivos da chegada da barbárie?
Somos transformadores? Ou reprodutores?
Como podemos agir?
Não devemos? O preço a pagar pela luta é caro demais?
É mais caro que o preço da inércia, da passividade?
Como comparar os dois preços?
A nossa profissão é desvalorizada?
Será que não seríamos nós mesmos os primeiros a nos desvalorizar?
Será que não seria a covardia, o comodismo medíocre e a obediência bovina, os
Alimentos principais desse descaso conosco e com a educação?
Não deixemos que a nossa indignação seja testemunhada apenas por nossos
Enfadados colegas e pelas paredes da sala de professores!
Organize-se! Vá pra rua, professor! Pode ter a mais absoluta certeza que a sua
Passividade diante do descaso é muito mais prejudicial para o estudante e para você,
Do que qualquer justa paralização!
Eles encaram a educação como uma forma de extrair dos explorados uma mais-valia
Maior ainda! Você vê a educação como mais do que um mero meio de vida!
Não permita que ela se torne mais um meio de morte!
Perdoem-me a franqueza e a dureza. Mas, diante do que está aí, não cabe outra forma
De falar!
Mesmo assim: FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!! VOCÊ, DEFINITIVAMENTE MERECE!

Um abraço do amigo,


João Mauro Amaral dos Santos.

domingo, 12 de outubro de 2008

Revisando as aulas sobre Adam Smith

O mercado é o Estado?

  • Rogério Simões

O governo britânico acaba de seguir os Estados Unidos e anunciar um pacote de ajuda ao sistema bancário do país. Os números são modestos em comparação aos US$ 700 bilhões aprovados pelo Congresso americano, mas os 50 bilhões de libras (US$ 88 bilhões) a serem gastos pela Grã-Bretanha mostram quão interligados estão Estado e mercado. Como dizem por aqui, esse não é um pacote para salvar os bancos, mas sim uma ação emergencial para salvar a economia. A discussão não é mais sobre manter a estabilidade ou entrar em recessão. As opções agora são uma recessão ou uma depressão.

A Islândia, com seus pouco mais de 300 mil habitantes, é o melhor exemplo de quão trágica a situação pode se tornar. Com uma economia que nos últimos 15 anos deu um salto impressionante, graças ao seu envolvimento com a onda fenomenal de crédito nos mercados no mundo todo, a pequena ilha gelada está à beira do precipício econômico. Avanços que deram aos islandeses uma das melhores qualidades de vida do mundo levaram a uma conta estratosférica que terá de ser paga. Europa e Estados Unidos querem evitar o mesmo destino.

O exemplo islandês reforça a idéia de como o Estado, nas nações que mais abraçaram o capitalismo neo-liberal, tornou-se intimamente conectado com o setor financeiro, com o mercado, com a iniciativa privada. Mas seria isso apenas uma relação de colaboração e interdependência? Ou estaríamos falando de uma verdadeira simbiose? Estaria o mercado hoje se tornando a base do Estado ou o próprio Estado? É o que sugere uma das teses mais discutidas em geo-política internacional nos últimos anos.

O americano Phillip Bobbitt, em sua impressionante obra A Guerra e a Paz na História Moderna (The Shield of Achilles - War, Peace and the Course of History), sugere que o Estado nacional, ou Estado-nação, nascido há cerca de 500 anos, está sendo substituído por uma nova entidade: o Estado-mercado. Basicamente, segundo Bobbitt, o Estado nacional tornou-se incapaz de prover a sociedade com aquilo que ela almeja e por isso está sendo passado para trás. No seu lugar, vem um Estado promotor da competição, do multiculturalismo, desprovido de valores morais rígidos. "No Estado-mercado, o Estado é responsável por maximizar as opções disponíveis aos indivíduos", diz Bobbitt. "No Estado-mercado, o mercado torna-se a arena econômica, substituindo a fábrica. No Estado-mercado, homens e mulheres são consumidores, não produtores." Para o autor, tal meritocracia sem bases morais consolidadas, estimulando uma competição extrema, seria o único modelo capaz de, diante dos avanços tecnológicos e das novas demandas da população, atender às expectativas da sociedade.

Esse seria um processo ainda em andamento. Mas Bobbitt, cujo livro foi publicado em 2002, já dizia: "Os Estados Unidos estão incrivelmente bem posicionados para se tornarem um Estado-mercado". Se tal simbiose já é um fato, nada mais natural que o Estado (seja nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha) faça de tudo para socorrer o mercado (bancos e aqueles que deles dependem). A morte de um levaria à falência do outro.

A tese de Bobbitt é muito mais complexa do que o descrito acima e envolve transformações políticas, culturias e sociais, além das econômicas. Mas pode-se dizer que o Brasil ainda está longe dessa realidade, e é questionável se precisaria abraçá-la algum dia. O presidente Lula, por exemplo, disse recentemente que a era da engenharia havia voltado, depois de décadas de domínio da economia. Ele quis dizer: mais obras de infra-estrutura e menos ciranda financeira. Se Estados Unidos e Grã-Bretanha já são Estados-mercado, eles enfrentam sua primeira crise de extrema gravidade, que testa a resistência desse novo modelo. Ou a resistência de outros modelos que ainda não se adaptaram à suposta nova ordem. Enquanto isso, o presidente do Banco Mundial já defende que o G7 incorpore as grandes economias emergentes, como o Brasil, o que sugere uma democratização do poder econômico inédita na história mundial. O Estado-mercado de Bobbit é um caminho, mas pode não ser o único.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br

sábado, 11 de outubro de 2008

Aos meus alunos.

Para aqueles alunos que questionaram se uma crise financeira nos EUA afetariam o Brasil:

Comércio com o Brasil (2007):

Exportações do Brasil para os EUA: US$ 25,065 bilhões
Exportações dos EUA para o Brasil: US$ 18,722 bilhões
Saldo comercial a favor do Brasil: US$ 6,342 bilhões
Total do intercâmbio comercial: US$ 43,787 bilhões
Principais produtos exportados pelo Brasil para os EUA: aviões, calçados, produtos siderúrgicos, telefones celulares, motores para automóveis e autopeças.
Principais produtos exportados pelos EUA para o Brasil: componentes de aeronaves, petróleo e derivados, medicamentos, produtos petroquímicos, trigo.

100 ANOS DO POETA DO SAMBA


terça-feira, 7 de outubro de 2008

Não deixe de ler!

Estudo do Exército detalha presença militar norte-americana na América do Sul

André Deak*
Repórter da Agência Brasil


Brasília – Há muito tempo a América do Sul tem sido uma área estratégica para os Estados Unidos, o que levou os norte-americanos a trazerem militares na região. Exemplo maior talvez tenha sido a Doutrina Monroe, aprovada pelo Congresso norte-americano em 1823. Surgida como forma de impedir a recolonização européia da América, com o tempo serviu para o intervencionismo norte-americano em diversos países, e prolongou até mesmo durante a guerra fria, quando foi reutilizada pelo presidente John Kennedy (1962) para justificar a luta contra o comunismo na região, especificamente contra Cuba.

Atualmente, os EUA não justificam mais sua presença militar na América do Sul com a Doutrina Monroe, mas, principalmente, com a necessidade de combater o narcotráfico. Um estudo militar brasileiro fornece detalhes sobre a localização dos militares norte-americanos na região. O trabalho, apresentado em 2002 na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, questiona se "o verdadeiro cinturão de forças em torno das fronteiras brasileiras, particularmente na área amazônica, seria utilizado para outros fins, ainda não declarados".

O professor aposentado da Universidade de Brasília Luiz Alberto Moniz Bandeira, que há mais de 50 anos tem os Estados Unidos como objeto de estudo, vê com preocupação a presença norte-americana na região. "As bases permitem a manutenção de grandes orçamentos para o Pentágono. Por causa da indústria bélica, eles precisam gastar seus equipamentos militares para novas encomendas. É um círculo vicioso", explica.

Em outubro, Brasil e Uruguai se manifestaram contra a possibilidade da construção de uma base americana dentro do Mercosul, no Paraguai – boato negado pelo governo paraguaio. A suspeita surgiu a partir de um acordo que o país fez para que militares dos EUA façam treinamentos conjuntos na região da Tríplice Fronteira até 2006. Os Estados Unidos têm acordos similares com diversos outros países da América, muitos deles vizinhos brasileiros.

Clique aqui para acessar o gráfico que detalha a presença dos norte-americanos em cada região. O mapa traz os principais destaques do estudo do Exército brasileiro, atualizado com dados do livro Formação do Império Americano, de Moniz Bandeira.

*Colaborou Bianca Paiva


Clique e saiba mais sobre empresas que exploram trabalhadores em todo o mundo

Historiadora diz que candidato republicano pode ter política agressiva para América Latina

Sabrina Craide
Enviada especial






Nova York (EUA) - A vitória do republicano John McCain nas eleições para a presidência americana poderia resultar em uma política externa mais agressiva dos Estados Unidos para a América Latina. A avaliação é da historiadora Barbara Weistein, da Universidade de Yale.

Para ela, no caso de vitória dos republicanos, a política externa de McCain será ainda mais agressiva do que a do atual presidente George W. Bush. "Bush agora, por ter uma aprovação muito baixa, não assume mais aquela agressividade dos velhos tempos. Mas o McCain, entrando no poder, vai assumir uma posição mais agressiva em termos de política externa”, prevê.

Segundo a historiadora, essa postura pode ser negativa para o Brasil, porque qualquer problema na região vai ter implicações para o país. “Em termos de política externa, McCain vai ser um problema para o Brasil”, diz.

Já o democrata Barack Obama poderá possibilitar novos tratados de comércio na região. “Não vou dizer que Obama vai fazer milagres, mas, mesmo sem fazer nada, existe uma boa vontade entre ele e as lideranças latino-americanas, que pode criar um ambiente melhor de cooperação política, econômica e energética”, avalia.

Barbara acredita que Obama será melhor recebido pelos líderes latino-americanos. “A grande diferença entre eles é que o Obama entende que outros países têm outros interesses. Bush e McCain acham que todos devem ter a mesma posição dos Estados Unidos”, critica.

Em relação à crise financeira americana, ela acredita que, embora haja um pequeno grupo de republicanos que ainda está contra qualquer tipo de resgate ao setor financeiro, a maioria dos políticos aceitam que é preciso fazer alguma coisa. “O debate não é sobre o resgate, mas sobre a sua natureza. Temos que garantir que isso não é simplesmente um presente para os mais ricos”, disse.

Ela acredita que a crise vai ainda mais e poderá ter impactos no Brasil. “Não tem país no mundo que pode escapar totalmente de uma forte crise financeira nos Estados Unidos”, avalia.

Fonte: http://www.agenciabrasil.gov.br/

sexta-feira, 3 de outubro de 2008


Palácio de Maria Antonieta é reaberto após reforma.

Após um ano fechado para obras, o Petit Trianon, no Palácio de Versalhes, residência de Maria Antonieta, será reaberto nesta quinta-feira e permitirá, pela primeira vez, a visita da área total do local utilizado pela jovem rainha para escapar da etiqueta da Corte.

No dia 5 de outubro de 1789, Maria Antonieta, então esposa do rei Luís 16, estava no Petit Trianon quando foi levada por revolucionários e nunca mais retornou a Versalhes. Ela foi guilhotinada em Paris em 1793.

O objetivo das obras foi reconstituir com exatidão o pequeno castelo como ele foi deixado por Maria Antonieta e mostrar o cotidiano da rainha, que recebia convidados nesse local e organizava vários eventos.

A área de visita foi triplicada: o andar térreo, onde funcionavam serviços administrativos do museu, e o segundo andar, ocupado por arquivos, foram transformados de acordo com suas funções de origem, segundo documentos de arquivos.

Uma das principais novas atrações é a chamada "sala dos espelhos movediços", ligada ao seu quarto. Um engenhoso e inédito (na época) sistema mecânico fechava as janelas, permitindo que Maria Antonieta se isolasse completamente e escapasse dos olhares externos.

A sala provocava inúmeros rumores, já que as pessoas tentavam imaginar com quem ela estaria fechada no local.

Entre outras novidades, a inauguração da "sala da prataria", onde são expostos pela primeira vez móveis, objetos de prata e porcelana, alguns deles criados especialmente para Maria Antonieta.

Artesãos

Cerca de 250 pessoas trabalharam nas obras, entre elas inúmeros artesãos especializados no patrimônio histórico francês.

A restauração desse pequeno castelo e seus jardins custou 5,3 milhões de euros (R$ 14,2 milhões), financiados por mecenas.

Considerado uma obra-prima do estilo neoclássico francês, o Petit Trianon foi construído entre 1762 e 1768 pelo rei Luís 15 para abrigar suas “favoritas”.

O rei Luís 16 deu esse castelo e a área dos jardins para Maria Antonieta como presente de casamento. Na época, ela tinha apenas 15 anos.

Ela tomou posse do local quatro anos depois, em 1774, e decorou o local à sua maneira, com desenhos de flores, frutos e plantas, estilo que depois ficou conhecido como Maria Antonieta.

No espaço denominado “área da rainha” no Palácio de Versalhes, a rainha também criou um jardim anglo-chinês, em moda na Europa na época, e locais como o “Templo do Amor”, uma pequena fazenda com animais e a “Gruta”, onde ela estava quando os revolucionários chegaram para levar a família real.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br

EDUCADORES DIVULGAM REPÚDIO À VEJA

Por Redação - contato@fazendomedia.com

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, juntamente com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, divulgou nota em repúdio à reportagem ofensiva aos professores veiculada no dia 20 de agosto de 2008 na Revista Veja. Por meio de informe publicitário, publicado em duas revistas de circulação nacional, Época e Istoé, a Confederação manifesta sua indignação em relação à referida reportagem, sob o título: "Você sabe o que estão ensinando a ele?", por considerá-la ofensiva aos professores e toda a sociedade brasileira.

Veja abaixo a íntegra da nota:

NOTA DE REPÚDIO

Você sabe o que estão querendo dizer?

Mais uma vez, a Revista Veja (Editora Abril) se superou em superficialidade e falta de compromisso com os valores éticos da prática jornalística e da função social da comunicação. Em matéria intitulada: "Você sabe o que estão ensinando a ele?" (Edição nº33, de 20 de agosto de 2008), assinada por Monica Weinberg e Camila Pereira, desfere raivoso ataque contra os docentes brasileiros. Sob aparente pretexto de discutir a educação no Brasil, a publicação conclui de forma simplista e com intenção duvidosa que a baixa qualidade de ensino no País é responsabilidade dos professores que, ao invés de ensinarem o conteúdo de suas disciplinas, dedicam-se ao discurso ideológico dentro das salas de aula.

Agarrado ao pouco que restou de sua credibilidade, especialmente no meio midiático, mas também junto aos leitores mais atentos, o veículo sai em defesa da necessidade de neutralidade e, de maneira irresponsável, conclama os pais a promoverem patrulha ideológica nas escolas, controlando o que é ensinado pelos professores.

A temerosa reportagem insinua ainda que a responsabilidade em relação à qualidade da educação está vinculada apenas à ação individual dos professores, desconsiderando propositalmente o complexo fenômeno educacional, que envolve ações e políticas públicas, condições de trabalho e gestão, questões sociais e culturais.

Por meio desta reportagem, Veja presta um desserviço à sociedade. E diante da oportunidade de realizar um debate sério se revela novamente porta-voz de segmentos conservadores e antidemocráticos que sob a égide da "pseudo" neutralidade apregoam uma educação conservadora e acrítica - distante de preceitos reais de qualidade de educação capazes de oferecer uma formação cidadã e de contribuir para a consolidação democrática da sociedade brasileira.

Declaramos nosso compromisso com a luta pela educação como um direito, bem público e de qualidade a todos, e conclamamos a sociedade brasileira a se solidarizar com que dignamente faz da sua atividade docente instrumento da construção da cidadania e do desenvolvimento nacional.

CONTEE - Confederação Nacional dos trabalhadores em estabelecimentos de ensino
CNTE - Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

VITÓRIA DE RAFAEL CORREA

Referendo aprova nova Constituição para o Equador

Pesquisas indica vitóriam do "sim" ao projeto da nova Constituição, com índices que variam entre 65% e 70% dos votos. Presidente Rafael Correa diz que vitória foi "esmagadora. Entre seus pontos, projeto amplia os direitos dos indígenas, reconhece a natureza como um "ser dotado de direitos", proíbe a instalação de bases militares estrangeiras no país e estabelece um novo modelo de desenvolvimento, que deixa de ser o progresso econômico e é substituído pelo ideal do "bem viver".

Data: 29/09/2008

QUITO, 28 SET (ANSA) - Da opositora cidade de Guayaquil, local escolhido para acompanhar o referendo de hoje, o presidente do Equador, Rafael Correa, comemorou a aprovação da nova Constituição do país, que segundo pesquisas de boca de urna foi aceita por 70% dos eleitores. Para o presidente, a vitória foi "esmagadora".

Enquanto comemorava aquele que talvez seja o maior triunfo de seu governo, o presidente chamou a oposição a estabelecer uma "unidade" em benefício do futuro do país. "Vamos juntar ombros, mãos e esforços para avançar nesta nova direção, que o povo por esmagadora maioria e de maneira absolutamente democrática acaba de decidir neste dia histórico", disse.

Abandonando o tom cordial, lançou uma advertência aos que durante toda a campanha política lançaram ataques ao projeto constitucional. "Vamos ver se a nova Constituição é abortista, centralista, hiperpresidencialista, que consagra uma ditadura. Vamos ver se tudo isso é verdade", afirmou.

Embora o Tribunal Superior Eleitoral do Equador ainda não tenha divulgado números oficiais, pesquisas de boca de urna indicam que a nova Constituição foi aprovada pela ampla maioria dos eleitores que foram às urnas.

Segundo levantamento da consultoria Cedatos, o projeto impulsionado por Correa obteve 70% dos votos. Já a Santiago Pérez Investigación y Estudios indica uma vitória do "sim" com 66,4% da preferência popular.

Caso estes resultados se confirmem, o triunfo do governo será maior que o previsto por pesquisas realizadas nas últimas semanas, segundo as quais a aprovação se daria com porcentagens entre 50% e 60%.

Na rica cidade de Guayaquil, reduto da oposição encabeçada pelo prefeito Jaime Nebot, a nova Carta obteve 49,9%, segundo a Cedatos. Apesar do atraso no início da votação, o referendo constitucional transcorreu sob um clima de tranqüilidade.

Durante o dia, o coordenador da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) enviada ao país, o chileno Enrique Correa, disse que nenhum contratempo havia sido registrado.

Para que seja aprovada e se torne a 20ª constituição do Equador, a proposta precisa de 50% dos votos mais um. Uma vez aprovada, a nova Carta estabelecerá um período de transição que será concluído em fevereiro de 2009, quando ocorrerão eleições antecipadas para escolher um novo presidente e membros do Poder Legislativo. Rafael Correa poderá se candidatar.

Redigida entre novembro de 2007 e julho deste ano por uma Assembléia Constituinte de maioria governista, a nova Constituição pretende levar ao Equador o chamado "socialismo do século XXI", avançando para a fundação da "revolução cidadã" sempre evocada por Correa.

Entre seus pontos, o projeto amplia os direitos dos indígenas, reconhece a natureza como um "ser dotado de direitos", proíbe a instalação de bases militares estrangeiras no país, ratifica o direito universal de migrar, aumenta o peso estatal sobre a economia e a exploração dos recursos naturais e estabelece um novo modelo de desenvolvimento nacional, que deixa de ser o progresso econômico e é substituído pelo ideal do "bem viver", conceito traduzido do termo indígena "sumak kawsay"

A oposição denuncia que a Constituição é centralista e poderá ampliar excessivamente os poderes do presidente Correa, limitando a atuação de governos locais. Cerca de 9,7 milhões de equatorianos estavam habilitados para votar hoje, mas ainda não há detalhes sobre o nível de participação no processo eleitoral. (ANSA)