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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quase 45% da população da cidade recebe até dois salários mínimos. Por outro lado, aproximadamente 12% possui a renda superior a dez salários mínimos


A cidade que tem a maior proporção de ricos no Brasil mostrou que ainda é desigual e forma bolsões de pobreza próximos aos bairros de luxo. Quase 45% da população de Niterói acima de 10 anos, que possui algum rendimento, recebe até dois salários mínimos. Por outro lado, aproximadamente 12% possui a renda superior a dez salários mínimos. A informação faz parte dos dados do Censo 2010 divulgados esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O extremo da cidade é o bairro de Jurujuba, onde mais de 51% dos moradores recebem até um salário mínimo. Na outra ponta, Camboinhas e Itacoatiara, com a maior proporção de moradores ganhando acima de 20 salários mínimos. De acordo com o professor de sociologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Ignácio Cano, os bairros apresentam características históricas sociais.

“Em Jurujuba, o bairro foi habitado por pescadores que utilizam o mar para tirar o seu sustento. Os pescadores dependem da produção da pesca para sobreviver. Do outro lado, os moradores de Camboinhas escolheram a proximidade do mar por questão de luxo e status. Ter uma casa próxima à praia é o sonho das classes mais altas”, explica o professor.

O pescador Luiz Cláudio Salena, de 54 anos, conhece bem esta situação. Nascido e criado em Jurujuba, aprendeu a profissão com o pai e passou para os dois filhos. Ele lembra que 20 anos atrás tirava até quatro salários mínimos do mar, mas hoje a situação é bem diferente.

“Eu sou pescador há 40 anos. No tempo de alta da pesca, eu conseguia trazer para a areia quase 50 toneladas de peixe por semana, que me rendia até quatro salários mínimos. Hoje, para trazer quatro toneladas por semana, é muito difícil, o mar tem que estar muito bom para peixe. Geralmente, consigo um pouco mais de um salário mínimo”, declara Luiz Cláudio.

Quando se avalia a renda mensal mediana, valor limite entre a metade da população que ganha mais e a metade que ganha menos, a diferença entre os bairros se torna mais visível. Jurujuba, Morro do Estado, Baldeador, Caramujo, Ititioca, Viradouro e Viçoso Jardim apresentam maioria de moradores ganhando menos de R$ 600. Enquanto, entre os moradores da Boa Viagem e Itacoatiara a renda mediana fica acima de R$ 3 mil. Segundo a coordenadora do Observatório Fundiário Fluminense da Universidade Federal Fluminense (UFF), Ana Maria Motta Ribeiro, as áreas mais pobres costumam dividir espaço com bairros ricos.

“A distribuição do espaço tem a ver com a renda. Geralmente, a disposição da classe alta atrai os bolsões de pobreza, já que a mão de obra não qualificada busca emprego de doméstica, babá, porteiro, pedreiro e outras atividades, nos bairros de classe alta. Este reservatório de mão de obra acaba morando em lugares sem planejamento urbano, dando origem ao crescimento desordenado e favelização. Por isso, a proximidade de bairros da Zona Sul com comunidades”, explica a especialista.

Para a dona de casa Jaqueline Pacheco de Souza, 33 anos, sustentar a casa com a renda de um salário mínimo é muito difícil. A moradora do Morro do Castro, no Fonseca, recebe uma pensão deixada pelo marido e tem que pagar as contas da casa, o seu sustento e o da filha de 10 anos. No início do mês, ela já tem anotado quanto pode gastar para cada situação.

“Assim que eu recebo, eu já separo o dinheiro da luz, que varia entre R$ 25 e R$ 35, e do gás, R$ 42. Como a casa é própria, eu não preciso pagar aluguel. Antes de ir ao supermercado faço a lista de compras e levo uma calculadora, geralmente reservo de R$ 300 a R$ 350 para as compras. Tudo tem que ser bem calculado, do contrário o dinheiro não dá”, conta.

O Censo 2010 também divulgou dados sobre o rendimento mensal per capita nos domicílios de Niterói. Neste quesito a comunidade Morro do Estado aparece como a menor renda, onde aproximadamente 73% das 1.139 casas têm renda per capita de até um salário mínimo. Em seguida aparece Jurujuba e Baldeador, com 66% das casas. Na outra ponta está Itacoatiara e Boa Viagem, ambos os bairros com aproximadamente 62% dos 468 e 843 domicílios, respectivamente, com renda per capita de mais de cinco salários mínimos. Em seguida, aparecem Camboinhas e Icaraí, com aproximadamente 53%.

Diferença nos sexos

Os dados do IBGE também apontaram que, no meio de tantas diferenças na distribuição de renda entre as regiões de Niterói, os bairros com maiores e menores rendimentos mensais medianos se assemelham na desvalorização dos salários das mulheres em relação aos homens, que na cidade é de 32%. Em todos os bairros, a renda mediana dos homens é maior do que das mulheres.

Na Ilha da Conceição, as mulheres ganham 55% a menos que os homens. No bairro, a renda mensal mediana dos homens é de R$ 1 mil, enquanto as mulheres recebem R$ 550. Em Viçoso Jardim, a diferença é de 32%. Baldeador, Ititioca e Viradouro, a diferença entre os rendimentos medianos é de 27%, os homens recebem R$ 700 e as mulheres R$ 510 (salário mínimo na época da pesquisa).

Entre os bairros com maiores rendimentos mensais medianos, a diferença entre homens e mulheres pode chegar a 66%, como é o caso de Gragoatá, onde os homens recebem o rendimento mediano de R$ 3 mil e as mulheres R$1 mil. Em Camboinhas e Santo Antônio, a diferença é de 50% nos salários de homens e mulheres e, na Boa Viagem e Itacoatiara, 40%.

O bairro do Badu é o que apresenta menor diferença entre as rendas, aproximadamente 12%, seguido do Fonseca e do Cubango, onde a diferença é em torno de 16%.

Fonte: Jornal o Fluminense.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Verdades da Profissão de Professor

Ninguém
nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda
que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus
filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de
educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais
continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio
social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e
continua apaixonada pelo seu trabalho.

A data é um
convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e
nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que
queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão
de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas
para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não
transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
(Paulo Freire).

15 de outubro dia do Professor

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Professor de história critica matéria da Veja sobre educação

Professor de história critica matéria da Veja sobre educação


Ao ler o artigo de Gustavo Ioschpe entitulado “Mudar os professores ou mudar de professores” na Veja de 02/06/2010, finalmente constato que vivemos a era dos “homo economicus”. Esta era em que o fascinío pelos números do “custo/benefício” econômico supera (e não auxilia ou não se soma a) qualquer outra explicação complexa que utilize variáveis psicológicas, pedagógicas, sociais, históricas, enfim, “humanas”. Não desmerecendo a análise econômica (que por si só é incrivelmente complexa) e também não desvinculando a Economia do rol das ciências “humanas” (apesar do desejo dos economistas e visto que – e não nos esqueçamos: a própria matemática é uma linguagem humana para desvendar a realidade, não se confundindo com a própria realidade).

Esforço-me no objetivo de compreender esse processo social não facilmente percebido pelos “peixes de aquário”: nós, cidadãos comuns. Processo que se traduz em realidade quando, por exemplo, é escolhida uma economista paulista para cuidar da educação carioca ou quando a revista Veja escolhe um economista filho de banqueiro, graduado e pós-graduado no exterior para redigir sobre educação nacional. Nada contra paulistas! Muito menos, contra economistas milionários! Escrevo um texto livre de preconceitos! Acredito que a secretária pode realizar um bom secretariado. Mais ainda: acredito que alguém que nunca entrou numa sala de aula no Brasil (ou que escreva melhor em inglês que na língua nativa) tem o direito de escrever um artigo para a Veja; e a Veja, de publicá-lo. A busca pela compreensão desse processo levou-me a uma resposta “natural” de tão óbvia, a democracia. Salve a democracia! Um sentimento que me impele a escrever: a esperança que a voz dos professores seja ouvida e publicada também pela mesma Veja, com o mesmo peso e medida do artigo do já referido autor.

Avisto o espectro do “homo economicus”. Sintetizando: torna-se triste encontrar artigos na Veja cuja explicação do real baseia-se tão e somente numa análise econômica simplista. Vejamos o argumento do autor: negar a existência da relação entre aprendizagem e a motivação do professorado gerada pelo pagamento de salários dignos. Para isso, baseia-se em somente um documento: uma pesquisa da Unesco publicada no livro O Perfil dos Professores Brasileiros, segundo a qual “apenas 12% se dizem insatisfeitos com a carreira (…), 48% estava mais satisfeita no momento da pesquisa do que no início de sua carreira e só 11% dos entrevistados gostariam de se dedicar a outra profissão no futuro próximo”. Assim, conclui que os professores já se encontram satisfeitos e motivados, sem, contudo, alterar o nível estatístico de aprendizagem.

O problema de se lidar com dados, com números, está na coleta e na interpretação deles. Em nenhum momento foi apontado quem são esses professores: do privado, do público, de ambos? De quais Estados? De quais municípios? De quais bairros? Aleatórios? Outra coisa: qual é o conceito de “satisfação” utilizado pelo autor? Puramente econômica? Abrangeria a área pessoal? Quiçá, emotiva? É extremamente vago quanto a isso e conclui a seu bel prazer. Eu, por exemplo, poderia muito bem concluir, com os mesmos dados, que os 48% estão muito satisfeitos por representarem algo de positivo na vida individual do aluno e na vida do todo social e, por isso, não se vêem em outra profissão, como os 11%. E ainda, note bem, o autor usou o mesmo tratamento para duas variáveis distintas; “estar mais satisfeito” (a dos 48%) e “as dos que gostariam de ter outra profissão” (a dos 11%). É possível estar plenamente satisfeito a nível profissional com o ofício e estar infeliz a nível financeiro com o mesmo.

Ainda tenta fundamentar o seu argumento no fato de que “a partir da década de 90, ocorreu um aumento substancial de salário nas regiões mais pobres do país através do Fundef, porém, não houve melhoria na qualidade de educação. De fato, ela piorou: o Saeb, teste do MEC para aferir a qualidade do ensino básico, mostra que em 2007 estávamos pior que em 1995.” Porém, um fato omitido ou esquecido pelo autor do artigo é que uma onda, ou melhor, uma verdadeira tsunami de pessoas que estavam abaixo do nível mínimo de dignidade social foi integrada aos projetos sociais dos governos Lula que utilizam o espaço físico e os serviços educacionais das escolas e dos professores públicos. Ou seja, não há meios de se comparar o alunado de 1995 com o de 2007. Foram incorporadas milhões de crianças e adolescentes de famílias das classes D e E com inúmeras, diferentes e incrivelmente mais profundas necessidades sociais que as existentes em 1995, ainda no primeiro ano do primeiro governo FHC. Professores e a escola pública tão e somente não são a panacéia universal para o desespero social. Usar esse argumento para basear a argumentação de que um professor bem remunerado não é um fator importante para melhorar a aprendizagem é uma grande covardia.

Outra grande covardia é o uso na matéria de uma foto de uma aluna dormindo sobre um livro numa sala de aula com a seguinte insinuante legenda: “Quem vai acordá-la?”. Posso imaginar uma longa lista de motivos para ela estar dormindo. O professor pode com certeza estar entre esses motivos, mas não é o único, como pretende subjetivamente a matéria. Minha lista pode ir desde o mal-estar, passando pela falta de limites familiares com os horários de sono, o trabalho infantil, a destruição da relação familiar de respeito e atenção, traumas, falta de estrutura física da sala de aula que propicie um aprendizado mais leve e antenado com as novas tendências tecnológicas, etc…

Poderia tecer uma série de outros problemas no artigo. Citarei rapidamente apenas mais dois para, enfim, concluir. O autor, em certo momento, usa de forma errada o conceito de evolução de Charles Darwin, confundindo- o com um conceito mesclado de uma pretensa evolução social rumo a algum tipo de progresso social. Ocorre quando o autor relaciona a evolução biológica do homem (a capacidade de linguagem) com a criação da democracia (uma invenção social). É tolerável que um cidadão de educação média confunda e misture os conceitos de evolução e progresso (coisas tão diferentes quanto feijão e chocolate!), mas vindo de um economista com formação internacional. .. E o autor não usa essa “mistura”de forma metafórica; usa-a cientificamente. Bem… esse uso conceitual “misturado” não é mais seriamente utilizado no meio acadêmico desde os finais do XIX. É algo que beira o darwinismo social. Uma visão ultra-iluminista da realidade. E ainda, quando afirma que esse tipo de progresso (e aí não dá pra saber se é a capacidade de fala ou a de democracia ou de ambas) se deu através de processos evolutivos, e não revolucionários. O autor deve lembrar que o conceito de evolução de Darwin não necessariamente é positivo para o ser mutante e que as mutações são na verdade “revoluções” sim, visto que tais mutantes se diferenciam dos demais entes da mesma espécie. Uma “revolução” no DNA.

Diagnosticar o segundo problema não requer grande energia intelectual: “Centenas de estudos, feitos ao longo de décadas, indicam que existem muitos caminhos baratos ou gratuitos para melhorar o aprendizado de nossas crianças: a prescrição e correção de dever de casa, a utilização de testes constantes para medir a aprendizagem e corrigir erros, o uso de bons livros didáticos, o conhecimento aprofundado do professor sobre a matéria que ensina, a abolição de tarefas mecânicas, como a cópia de material de quadro negro, (…). A existência dessas alternativas nos impõe a obrigação de tentá-las, antes de partir para soluções caras e incertas” (leia-se: maiores salários para professores) .

Diagnóstico: o autor nunca entrou numa sala de aula da rede pública com infiltração; mofo; chão alagado; suja; cadeiras, janelas, portas e ventiladores quebrados; elétrica em curto; um calor infernal; bebedouros e banheiros sujos e quebrados; um quadro negro, giz e, talvez uma tv de 20 polegadas com um dvd para uma turma de 40 alunos que receberam e recebem uma educação cotidiana (através do meio familiar, de sua vizinhança e da mídia) que desvaloriza qualquer empreendimento sério na sua educação (no sentido amplo e restrito da palavra), valorizando por vezes a pornografia, a violência e o consumo – vide os filmes da tv e as manchetes dos jornais de massa. O autor nunca entrou nessas nossas salas de aula para averiguar que já procedemos cotidianamente, há décadas, aquilo que ele chama de “muitos caminhos baratos ou gratuitos para melhorar o aprendizado de nossas crianças”. O que não ocorre, há décadas, é aquilo que ousou chamar de “soluções caras e incertas” que dignificariam o trabalho do profissional de educação – da merendeira, passando pelo porteiro e chegando ao professor. Vale lembrar que a remuneração total de um professor 20h/aula do Estado do RJ em início de carreira gira em torno de 700 reais e a de um do Município do RJ, em torno de 1300 reais.

Conclusão: Achar que melhorar tão e somente o salário do professor acarretará diretamente a melhoria na aprendizagem é ingenuidade. Culpar unicamente o professor por receber bem e não conseguir ser um “soldado da cidadania” e\ou alterar o quadro de desespero social e aprendizagem é covardia. Culpar o professor, recebendo um salário indigno, por ele não conseguir ser um “soldado da cidadania” pelo simples fato de não se perceber um cidadão pleno, é criminalizá-lo.

Nunca nadar com o “cardume” foi tão solitário como na época do “homo economicus”. Ser levado pela correnteza a concordar com as análises econômicas simplistas (maqueadas com o discurso de objetivismo e pragmatismo) não por imposição de um Estado, mas, antes, pelo discurso homogeneizado (conscientemente ou não) da sociedade globalizada de mercado: aquele supostamente democrático, porém, alinhado a interesses produtivos (ou empresariais, como queira) e reproduzido pela grande mídia.

Enquanto o autor se aquecia em algum café parisiense; enquanto ele entrava em contato com seus frios números, saboreando um croissant de damasco com brie ao enviar seu artigo para a revista, eu encontrava-me no calor da sala de aula convivendo com o calor de meus alunos:

Helena* veio me abraçar, como de costume. Ela não conseguia aprender por não ter ingerido proteína e calorias suficientes pelo cordão umbilical maternal durante a sua gestação em algum canto do Ceará. E depois dela também. Helena teve seu desenvolvimento cerebral comprometido. Ainda assim, poderia aprender, salvo motivo de estar sempre muito cansada devido a sua condição retirante e escrava infantil na casa de sua “tia” carioca.

Senti falta de Brenda* na sala. Ela largou o colégio: estava grávida. Grávida pela segunda vez. Grávida de seu padrasto. Pela segunda vez, seria mãe e irmã de seu filho.

O Diogenes* veio sorrindo me cumprimentar. Gosto dele! Rechochudo, muito carinhoso, carente e com roupas sempre sujas e rasgadas. Ele trabalha: vende picolé na praça. Sustenta a sua família. Sua mãe morreu com Aids. Não chegou a conhecê-la direito. Deve ter vagas lembranças de algum afago. Tem algum grau brando de retardo. Veio contente me dizer que “D” com “A” faz o som de “DÁ”. Ele tem 12 anos.

A mãe do Robson* era sempre zoada pelos colegas: “Maluca! Maluca!”, ouvia-se. Sua mãe desenvolveu uma patologia psiquiátrica, ou seja, é doida. Fala sozinha, vê vultos escuta vozes, grita e outras coisas comuns aos dementes! Robson foi criado por sua mãe num minúsculo barraco de um cômodo de paredes de papelão e chão de terra batida no alto do morro. Devido à criação e ao contato com o mundo através da mãe, Robson desenvolveu uma patologia social: não é biologicamente doido (segundo o especialista médico), mas comporta-se com tal. Além disso, é analfabeto. Está no 6o ano. Não me pergunte como! Após apartar a briga e acalmá-lo pude retomar a chamada.

Karina* acha que será modelo. Está muito preocupada em ouvir seu MP3 escondido para prestar atenção na aula. O MP3 veio pra escola; já seu caderno, não.

Romenique* – havia tomado seu o boné Nike na aula passada, era tempo de devolvê-lo. Ao procurá-lo no armário e pensando tê-lo perdido, alguns almofadinhas da classe média empobrecida começaram a zoação. Romenique chorou feito bebê. Aquilo me angustiou. Mas, ao encontrá-lo escondido entre os livros, assisti a uma “festinha de cachorro quando chega o dono”. Imagino como deve ser acordar num barraco de terra batida, olhar pro boné da Nike e sentir que sou algo nessa vida, que sou alguém.

André* está dormindo sobre o caderno. Anda muito cansado: é explorado como funcionário “fantasma” (sem carteira e direitos trabalhistas) em uma grande rede de supermercados e, à noite, é fogueteiro do tráfico.

Vários tomaram falta, pois o exército de 40 não dava trégua: um barulho infernal – risadas, gargalhadas, xingamentos, gritos. Retomei a chamada rouco, depois de impor ordem. Em vão, agora é no imenso corredor. Algo ocorreu. Uma imensa algazarra. Incontrolável. Uma escola gigantesca sem inspetores. Motivo: não há mais inspetores no quadro do funcionalismo. Argumento da prefeitura:é dever do professor a impor a ordem no seu ambiente de trabalho. Verdadeiro motivo: corte de custos com pessoal ou, no linguajar eufemístico economês, racionalização do sistema produtivo. Dúvida: qual o motivo que leva escolas privadas sérias, cujo objetivo primordial é o lucro, a ter um elevado número de inspetores por unidade escolar?

Tento continuar. Irineide* é inteligente, porém, rebelde. Tem traumas. Faz tratamento psicológico. Foi espancada pelo pai recentemente. Achamos que a mãe encobre um estupro paterno. Irineide faltou, mas sua falta é justificada. Está em isolamento tratando-se de tuberculose. Seu primo morreu recentemente desse mal. A tuberculose afeta principalmente os maus nutridos e ou que vivem em ambientes com péssimas condições de higiene.

Maicon* é magro e cabisbaixo. Mal escuto o seu “Presente!”. Ele adotou essa postura passiva depois de assistir seu pai ser humilhado, agredido e preso pela polícia.

Robinho* veio dançar e cantar uma rima de funk pra mim. Ele é descolado. Gosto dele. Bom menino. Porém, está ficando meio violento com os colegas. A mãe diz que é a influência do tráfico: seu barraco fica do lado da boca e ela tem que vigiá-lo, pois, volta e meia, ele foge para ficar com os seus amigos armados. São os seus ídolos do momento. Lembro que o meu era o Homem-Aranha.

Matheus* e tantos outros da classe média empobrecida não têm atenção e acompanhamento familiar. São maneiros, mas preferem a bola ao caderno. Sonham que terão a sorte do Romário. Lembro que eu também preferia a bola ao caderno, mas meus pais me direcionavam e exigiam estudo.

São tantos esses alunos que viram números frios nas mãos desse economista.. . São tantos professores que viram números frios nas mãos desse economista.. . E ele ainda afirma em seu artigo que não conhece quem não possa aprender e quem não consiga ensinar.

Convido Gustavo Ioschpe a conhecer-nos verdadeiramente.

* Nomes fictícios de alunos fictícios. Reproduzo situações similares que coleciono na memória a partir de experiências vividas como professor da rede privada e pública. Situações que são amplamente capazes de ainda ocorrerem no cotidiano escolar.

(*) Hélcio Araújo de Mello é professor de história no município do Rio de Janeiro e graduado pela UFF.

Fonte: http://www.fazendomedia.com/professor-de-historia-critica-materia-da-veja-sobre-educacao/

sábado, 6 de março de 2010

Desabafo de uma professora.

PROFESSOR – UMA ESPÉCIE EM EXTINÇÃO

Por Verônica Dutenkefer (20/06/2009)

Esse texto que escrevo precisamente agora é mais um desabafo.

Desabafo de uma profissional que está lecionando há mais de 22 anos e que não sabe se sobreviverá por mais dez anos, que é o tempo que ainda precisará trabalhar (por mais que ame muito o que faz).

Trago comigo muitas perguntas que não querem calar. E talvez a mais inquietante seja: O que será necessário acontecer para se fazer uma reforma educacional neste país????

Constantemente, ouço ou leio reportagens com as autoridades educacionais proclamarem a má formação de seus professores. Culpando as universidades, a falta de cursos de formação e culpando-nos, evidentemente.

questionamentos:

Como um professor de escola pública pode fazer o seu trabalho se ele precisa ficar constantemente parando sua aula para separar a briga entre os alunos, socorrer seu aluno que foi ferido por outro aluno, planejar várias aulas para se trabalhar os bons hábitos, na tentativa vã de se formar cidadãos mais conscientes e de melhor caráter?

Nos cursos de formação nos é passado constantemente a recusa de um programa tradicional e conteudista, mas nossas avaliações de desempenho das escolas, nossos vestibulares e concursos públicos ainda são tradicionais e nos cobram o conteúdo de cada disciplina.

Como pode num país.....num estado...num município haver regras tão diferentes entre a rede particular e pública?

Na rede particular as escolas continuam conteudistas, há a seriação com reprovação, a escola pode suspender ou até mesmo expulsar um aluno que não esteja respeitando as regras daquela instituição.

A rede pública vive mudando o enfoque pedagógico (de acordo com o partido que ganhou as eleições), é cobrado cada vez menos do aluno, não se pode fazer absolutamente nada com um aluno indisciplinado que até mesmo coloca em risco a segurança de outros alunos e funcionários daquela instituição.

Dia a dia...minuto a minuto... os professores são alvos de agressões verbais e até mesmo físicas pelos alunos. A cada dia somos submetidos a níveis de stress insuportáveis para um ser humano.

Temos que dar conta do conteúdo a ser ensinado + sermos responsáveis pela segurança física de nossos alunos + sermos médicos + enfermeiros + psicólogos + assistentes sociais + dentistas + psiquiatras + mãe + pai ......

E, quando ameaçados de morte, se recorremos a uma delegacia pra fazer um boletim de ocorrência ouvimos: “Isto não vai adiantar nada!”

Meus bons alunos presenciam o mal aluno fazendo tudo o que não pode ser feito e não acontecendo nada com ele. É o exemplo da impunidade desde a infância..

Meus bons alunos presenciam que o aluno que não fez absolutamente nada durante o ano, passou de ano como ele, que se esforçou e foi responsável.

Houve um ano que eu tinha um aluno que era muito bom. E ele começou a faltar muito e ir mal na escola. Os colegas diziam que ele ficava empinando pipa ao invés de ir pra escola. Um dia, tive uma conversa com ele, e perguntei o que estava acontecendo? E ele me disse: “Prá que eu vou vir prá escola se eu vou passar de ano mesmo assim?”

Então eu procurei aconselhar (como faço com meus alunos até hoje) que ele devia frequentar a escola, não para tirar notas boas nas provas ou passar de ano. Ele deveria vir à escola para aumentar seu conhecimento que é o único bem que ninguém poderá roubar.Que a escola iria ajudá-lo a aprender e trocar conhecimentos com os outros e ajudá-lo a dar uma melhor formação na vida..

Depois dessa conversa ele não faltou mais tanto...mas nunca mais voltou a ser o excelente aluno que era.

Qual a motivação de ser bom aluno hoje em dia?

Seus ídolos são jogadores de futebol que não falam o português corretamente e que não hesitam em agredir seus colegas jogadores e até mesmo os árbitros. Ensinando que não é necessário haver respeito às autoridades e aos outros.

Ou são dançarinas que mostram seu corpo rebolando na televisão e pousando nuas para ganhar dinheiro.

Para quê eu me matar de estudar se há tantas profissões que não são valorizados e nem respeitadas? ??

Conheci (e ainda conheço e convivo) ao longo de minha carreira na escola pública, inúmeros profissionais maravilhosos. Pessoas que amam a sua profissão, que se preocupam com seus alunos, que fazem trabalhos excepcionais. Que possuem um conhecimento e formação excelentes, mas que estão desgastados e quase arrasados diante da atual situação educacional.

Li, há poucos dias, num artigo que os cursos de filosofia, matemática, química, biologia e outros todos ligados à área de magistério não estão tendo procura nas universidades.

Lógico!!!!!Quem é que quer ser professor??? ??????

Quem é que quer entrar numa carreira que está sendo extinta, não só pela total desvalorização e respeito, mas também pela falta de segurança que estamos enfrentando nas escolas?

Fiquei indignada com uma reportagem na TV (que aliás adora fazer reportagens sensacionalistas colocando o professor sempre como vilão da história) em que relatava que numa escola um aluno ameaçava os outros com um revólver e, num determinado momento, o repórter perguntou:”Onde estava o professor que não viu isso??!!”

E agora eu pergunto: “O que se espera de um professor (ou de qualquer ser humano), que se faça com uma arma apontada pra você ou pra outro ser humano??? Ah...já sei...o professor deveria enfrentar as balas do revólver!!!! Claro!!! As universidades e os cursos de aperfeiçoamento de professores não estão nos ensinando isso..

Vocês tem conhecimento de como os professores de nosso país estão adoecendo??? ?

Vocês sabem o que é enfrentar o stress que a violência moral e física tem nos submetido dia a dia?

Você sabe o que é ouvir de um pai frases assim:

“Meu filho mentiu, mas ele é apenas uma criança!”

“Eu não sei mais o que fazer com o meu filho!”

“Você está passando muita lição para meu filho, e ele é apenas uma criança!”

“Ele agrediu o coleguinha, mas não foi ele quem começou.”

“Meu filho destruiu a escola, mas não fez isso sozinho!”

Classes super lotadas, falta de material pedagógico, espaço físico destruído, violência, desperdício de merenda, desperdício de material escolar que eles recebem e, muitas vezes, não valorizam (afinal eles não precisam fazer absolutamente nada para merecê-los), brigas por causa do “Leve-leite” (o aluno não pode faltar muito, não por que isso prejudica sua aprendizagem, mas porque senão ele não leva o leite.)

Regras educacionais dissonantes de acordo com a classe social dos alunos.

Impunidade.

Mas a educação não vai bem, por causa do professor..

Encerro esse desabafo com essa pergunta que li há poucos dias:

Essa pergunta foi a vencedora em um congresso sobre vida sustentável.

"Todo mundo 'pensando' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"


O BOM NESTE PAÍS É SER POLITICO. APOSENTA-SE COM 8 ANOS DE "TRABALHO(?) ", E QUE SALÁRIO!!! (sem contar que não precisa grande formação acadêmica pra isto, infelizmente...)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Alunos tentam matar professora em São Gonçalo

Uma professora de Língua Portuguesa sofreu um atentado à bomba, na última terça-feira, durante aplicação de provas no Vila Três, em São Gonçalo. A suspeita é de que alunos da 5ª série do Ensino Fundamental, revoltados por terem ficado em recuperação, teriam colocado o explosivo caseiro na bolsa da professora. A direção da escola frisou que não reconhece os autores do atentado como alunos, mas sim bandidos, acrescentando que foi praticado terrorismo com a classe docente e ameaçou acabar com o turno noturno, caso os responsáveis não sejam denunciados.

O caso aconteceu na Escola Estadual Desembargador Ferreira Pinto, às 19h30 de terça-feira. A explosão do artefato incendiou a roupa e a bolsa da professora, queimou seu braço esquerdo e a deixou com debilidade na audição. Os relatos dão conta de que um grupo de alunos da 5ª série teria distraído a vítima, enquanto outro colocava a bomba dentro da bolsa da vítima.

Segundo um perito-legista do Instituto Médico-Legal (IML), a professora foi salva pelo excesso de materiais didáticos que carregava: a bolsa estava repleta de diários de aula e provas, que ainda seriam aplicadas, o que sufocou o explosivo, minimizando o risco de uma perfuração abdominal. "Quando eu estava de costas para o pátio, contando as folhas das provas, a bomba explodiu. O barulho foi enorme, fiquei tonta, e sem entender de onde tinha vindo quando percebi que minha roupa e a bolsa pegavam fogo. Não posso acreditar que pessoas com quem eu convivi o ano inteiro tenham feito isso comigo. Mais do que os machucados, o que me dói é a impotência. Estou assustada, amedrontada, mas também me perguntando o que fiz de errado", disse a professora, de 31 anos, que há quatro leciona na rede de ensino.

A direção da escola acredita que identificou o núcleo de onde pode ter saído o criminoso. Neste último semestre, foram transferidos para a unidade alunos de outras escolas estaduais do Alcântara, Laranjal e Jardim Miriambi. Segundo os professores, alguns mal conseguem ler e, os que sabem, não interpretam textos. Anteriormente não havia registro de qualquer violência na instituição. Em 24 de novembro, no entanto, quando aconteceu um apagão na escola, os alunos do turno da noite fizeram um "corredor polonês" agredindo colegas, depredando o patrimônio do colégio e apedrejando o carro de uma professora.

A direção se reuniu na quinta-feira (10) com a Coordenadoria da Secretaria Estadual de Educação de São Gonçalo e cogita acabar com as aulas do turno da noite. "Tenho fé que alguém vai denunciar. A maioria dos alunos, que é de adultos e idosos, não pode ser prejudicada. Considero quem fez isso um bandido, não um aluno. Como machucou também poderia ter matado a professora, que sempre foi extremamente amável e atenciosa com eles. Vamos pedir para acabar com este turno, mas se houver a denúncia, repensaremos a decisão", disse a diretora Neusa Ribeiro da Silva.

A escola possui cerca de mil alunos. No turno da noite são 230. O caso está sendo investigado por agentes da 74ª DP (Alcântara), que vão chamar os alunos das turmas envolvidas para depor.

Fonte: O São Gonçalo

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

No escurinho da classe

No escurinho da classe

Professora explora a linguagem cinematográfica e turma começa a apreciar e produzir filmes

Cena de Matrix: relação entre arte e tecnologia

Cena de Matrix: relação entre arte e tecnologia

Pessoas voando e se movimentando devagar, em slow motion, objetos que adquirem vida e voz, outros planetas, outros mundos. A linguagem audiovisual (explorada por TV, cinema, videogame etc.) nunca esteve tão presente no universo da molecada. Por isso, ela deve estar integrada ao currículo e, para que os jovens não a consumam sem critério, precisa ser conhecida a fundo. Pensando nisso, a professora Regina Célia Gomes de Rezende, da EE Professor Oscar Salgado Bueno, de São José do Rio Preto, a 450 quilômetros de São Paulo, elegeu o cinema para tratar do tema. Seus alunos de 6a a 8a série reviveram parte da história dessa arte, produzindo objetos mágicos que na época colaboraram com sua criação, como o taumatrópio e o zootrópio (respectivamente disco e cilindro desenhados, que, ao girar, dão a ilusão de imagem em movimento) e o flip book (bloco de papel que dá a mesma sensação ao ser folheado).

Cena Tempos Modernos
Cena de Tempos Modernos

Ao assistir ao filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, às primeiras animações dos estúdios Disney e a alguns curtas e longas-metragens atuais, como Matrix, os estudantes discutiram a relação entre arte e tecnologia e conheceram os elementos que compõem essa linguagem, como efeitos especiais, enquadramentos, sonoplastia e planos. Nessa etapa, Regina colocou em jogo os conhecimentos adquiridos em cursos de capacitação e em leituras sobre o tema. A produção de filmes foi inevitável. "Deu trabalho, mas a recompensa apareceu em cada comando de ‘luz, câmera, ação!’", festeja a professora. R.B.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/arte/pratica-pedagogica/escurinho-classe-429647.shtml

As Três Ordens Medievais: Os laboratores.

As Três ordens medievais.

Seriam todos os camponeses os integrantes do Terceira Ordem, Lembrando as 3 Ordens:
1ª Os que Oram (Oratores)
2ª Os que combatem (Bellatores)
3ª Os que trabalham (Laboratores)

O texto abaixo se refere ao Livro A Civilização do Ocidente Medieval de Jacques Le Goff

" O laborator (camponês) é aquele cuja força econômica é suficiente para produzir mais do que os outros. Desde 926 uma carta vde Saint Vincent de Mâcon nomeia esta elite que são os laboratores. De onde virá, em francês, o termo lavradores, que desde o século 10º, designa a camada superior do campesinato, a dos que possuem , ao menos, uma parelha de bosi e seus instrumentos de trabalho."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Tire todas as suas dúvidas para entender as notas do Enem

Candidato deve acessar site do MEC para conferir resultado.
Sistema de escolha de vaga começa só na sexta-feira.

1 - Como tenho acesso às minhas notas no Enem?
É preciso acessar o site do MEC. Para conferir os desempenhos individuais é preciso informar o CPF do candidato e a senha contida no Cartão de Confirmação, enviado aos inscritos pelos Correios, ou com o número de inscrição ao exame, mais a senha.

2 - Não lembro da minha senha. Como faço?
É possível recuperá-la no próprio site do Inep: basta informar CPF, nome completo, unidade federativa e data de nascimento. É possível fazer o mesmo caso não se lembre do número de inscrição. Não é permitida a alteração de nenhum dado cadastral, nem mesmo a senha.

3 – Como são calculadas as notas do Enem?
Em vez da soma simples do número de acertos, as notas são calculadas por um sistema de computador que dá uma pontuação diferente de acordo com o tipo da questão –isso é chamado de Teoria de Resposta ao Item (TRI). As perguntas da prova avaliam competências diferentes e têm graus de dificuldade variados também. As mais complexas valem mais. Por isso, o candidato não consegue chegar à nota da prova simplesmente somando as suas respostas certas.

4 – Qual é a nota mínima e a máxima em cada prova?

Cada prova tem uma nota mínima e uma máxima. O Inep vai divulgá-las na tarde desta quinta-feira. A escala não vai de 0 a 1.000, ela varia conforme do nível de dificuldade das questões e do desempenho dos estudantes para cada questão. A escala de uma prova mais fácil começa mais embaixo na escala, perto de 200, por exemplo. No caso, esse 200 seria a nota mais baixa tirada pelos candidatos naquela prova.

5 - Como sei, então, se fui bem na prova?
500 é a média dos alunos concluintes no ano passado no Enem (excluidos treineiros e egressos). Quanto mais para cima de 500 você tiver tirado, melhor foi o seu desempenho. O inverso também vale: quanto mais abaixo de 500 tiver sido a sua nota, pior foi o seu resultado.

6 – Existe uma escala de proficiência, que dê para saber se a minha nota é boa ou não?
O Inep vai divulgar na tarde desta quinta-feira uma a escala de proficiência para cada prova, menos para a redação.


7 – Existe uma média final?
Não. O Inep divulgou as notas para cada prova e a redação. Assim, a instituição de ensino superior é que vai determinar quais provas vai considerar na sua seleção e os pesos para cada uma. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, já divulgou os pesos que vai adotar.

8 - No lugar da minha nota em algumas provas, aparece um traço. O que isso quer dizer?
Isso significa que essas provas foram anuladas porque não o candidato não informou na folha de respostas o tipo de prova que fez. Elas eram divididas por cor da capa (azul, amarelo, branco ou rosa) e os gabaritos eram diferentes.

9 - A nota da minha redação aparece zero - anulada. O que isso quer dizer?
A nota da redação vai de 0 a 1.000. O critério de correção é o mesmo de anos anteriores. Tira zero o candidato que tiver fugido do tema ou que a redação esteja sem coerência ou não tenha sido escrita em forma de dissertação.

10 – É possível pedir revisão das provas?
Não, as notas que estão na internet são as finais.

11 – Como sei se vou ser aprovado na instituição que eu quero?
O primeiro prazo de inscrições pelo Sistema de Seleção Unificada (SiSU) começa nesta sexta-feira (29) pelo site http://sisu.mec.gov.br/

12 – Como vai funcionar o sistema de escolha de vaga na instituição?
A seleção será dividida em três etapas. Na primeira, de 29/1 a 3/2, o candidato escolhe o curso que quer fazer. A cada dia, a partir do dia 30, o estudante vai saber qual a nota de corte do curso escolhido.