domingo, 22 de novembro de 2009

O profundo ódio de classe no Brasil

por Luiz Carlos Azenha

Francamente, acho estranho que um filme sobre a vida de um presidente da República consiga atrair tanto esculacho: é dramalhão, é tosco, é ruim.

Tudo indica que eu não vá ver, por não ter paciência com o tema. Mas começo a gostar do filme pelos críticos que ele atraiu!

"Lula, o filho do Brasil", é ficção roliudiana, se entendi bem. Apenas um filme. Qualquer semelhança com personagens da vida real é mera coincidência. Mas toca colocar repórter para investigar a relação de gente remotamente ligada ao filme e o governo. Logo vão descobrir algum carrinho de pipoca em que o pipoqueiro vende maconha e vão culpar o filme por isso. Vão dizer que "Lula, o Filho do Brasil", incentiva o tráfico de drogas. Que incentiva o subperonismo. Que provoca lavagem cerebral. Que incentiva a caspa e o chulé.

Eu sabia da existência do ódio de classe no Brasil. Mas nunca imaginei que poderia chegar a esse ponto. Eles não só odeiam o Lula. Eles odeiam qualquer coisa que passe perto do Lula. Não basta dizer que foi tudo sorte, foi tudo por acaso, que os oito anos de Lula foram apenas continuação de FHC, que Lula apenas esquentou a cadeira para José Serra. É preciso matar, salgar e enterrar. Se os pobres brasileiros odiassem os ricos tanto quanto os ricos odeiam os pobres, o Brasil viveria um banho de sangue. Em não sendo assim, ficamos restritos a este espetáculo de manifestações explícitas e implícitas de preconceito de classe.

O filme pode até ser ficção grotesca. Mas provocou algo mais grotesco ainda, por ser real e revelador. Essa gente precisa, urgentemente, de um divã.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao/o-profundo-odio-de-classe-no-brasil/


sábado, 21 de novembro de 2009

Comunidade História Antiga e Colonial da África.

Sejam bem-vindos a este espaço para debates e trocas de informações pelo continente mãe de todos nós seres humanos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares. Os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas. O artigo é de Carlos Castilho, do Observatório da Imprensa.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa. Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares. Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19° lugar e O Globo, em 15° lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009. São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas. Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: as classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais. O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional. Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais. Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado. O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista. Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior. O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16245

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Petróleo é Nosso. Entenda!

Assista o Vídeo
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Reeleger Uribe é sacramentar corrupção e impunidade

A Unasul (União das Nações Sul-Americanas) enfrenta um impasse diante da teimosia do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de ampliar a instalação de bases usamericanas no território de seu país. Os demais presidentes estão contra. Preferem preservar a soberania e a independência da América do Sul.

Por Frei Betto*

Na reunião de Bariloche, em agosto, o presidente Lula bem argumentou: se desde 1952 as tropas estadunidenses não conseguiram erradicar o narcotráfico na Colômbia, por que agora estariam aptas a fazê-lo?

Funcionam na Colômbia três Estados paralelos: a guerrilha das FARC; o narcotráfico; e os grupos paramilitares, criados supostamente para combater os dois primeiros. Desde 1991, cerca de 2.500 sindicalistas foram assassinados naquele país, 500 sob o governo de Uribe. Os paramilitares puxam o gatilho, mas quem os financia são empresas nacionais e transnacionais.

A Coca-Cola sofre processo judicial por ter apelado aos paramilitares para reprimir atividades sindicais, entre 1992 e 2001, que resultaram na morte de sete sindicalistas. A Chiquita Brands, exportadora de banana, admitiu ter financiado o grupo terrorista Autodefesa da Colômbia. A Dyncorp foi acusada de contaminar com substâncias tóxicas lavouras de pequenos agricultores na fronteira entre Colômbia e Equador, visando a erradicação do plantio de coca. Tais fatos têm impedido que o governo dos EUA, empenhado na investigação dessas empresas, realize o grande sonho de Uribe: assinar o tratado de livre comércio entre os dois países.

A empresa Drummond, com sede no Alabama, explora minas de carvão e é acusada de ordenar o assassinato, por mãos de paramilitares, de três dirigentes sindicais. Ela extrai da Colômbia mais de 16 milhões de toneladas de carvão/ano. Seu faturamento anual está calculado em US$ 500 milhões, graças ao trabalho de 3.000 mineiros remunerados a US$ 2,5/hora.

A Justiça de Atlanta acusou a empresa de acobertar os assassinos dos sindicalistas colombianos e condenou a empresa, baseada numa lei de 1789, promulgada para punir ações de pirataria e crimes cometidos fora do território dos EUA. O processo correu sob segredo de Justiça, mas a mídia de Alabama pressionou e, agora, sabe-se que Rafael García, ex-chefe do departamento de informática do DAS (Departamento Administrativo de Segurança), órgão máximo da segurança do Estado colombiano, preso por haver destruído informações sobre os narcotraficantes de seu país, revelou as conexões entre parlamentares e funcionários comprometidos com os paramilitares.

García confessou que pouco antes do assassinato dos sindicalistas presenciou uma reunião entre o presidente da filial colombiana da Drummond e o chefe paramilitar que controlava a região. Viu quando o empresário entregou ao paramilitar US$ 200 mil para assassinar os sindicalistas. Contou ainda que os paramilitares usavam barcos da Drummond para transportar cocaína à Europa e Israel.

Favorecer na Colômbia um terceiro mandato de Uribe é sacramentar a corrupção e a impunidade.

* Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros.

Fonte: Brasil de Fato

sábado, 14 de novembro de 2009

Família Velloso pede desculpas a Lula

A dica do leitor é do leitor André Silva, acompanhada desta observação: "Nem a família do Caetano aguentou".

do Jornal Correio da Bahia

Rodrigo Velloso, irmão de Caetano Veloso (foto) e Secretário Municipal de Cultura de Santo Amaro fez questão de esclarecer, através de um pedido de desculpas, que a família Velloso não tem nada a ver com a declaração do mano famoso. Eis o teor do documento:

"Venho a público esclarecer que a recente declaração, feita pelo cantor e compositor Caetano Veloso sobre o Presidente Lula, não expressa, em nenhuma hipótese, a opinião da família Velloso. Sua matriarca, Dona Canô, por meu intermédio, deseja se dirigir ao Governador Jaques Wagner, a todos os brasileiros e, principalmente, ao Presidente da República, com um sincero pedido de desculpas".

Rodrigo Velloso

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/familia-velloso-pede-desculpas-a-lula/

Educação que sempre funcionou.

Ensinamentos de MÃE DE ANTIGAMENTE:

Pra lembrar e rir!

Coisas que nossas mães diziam e faziam...
Uma forma que hoje é condenada pelos educadores e psicólogos, mas funcionou com a gente. Talvez senão tivessem mudado tanto, nosso mundo estaria melhor...

Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
'ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!'

Minha mãe me ensinou
a RETIDÃO.
'EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!'

Minha mãe me ensinou a
DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS..
'SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!'

Minha mãe me ensinou
LÓGICA E HIERARQUIA..-.
'PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?'

Minha mãe me ensinou o que
é MOTIVAÇÃO...
'CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!'

Minha mãe me ensinou a
CONTRADIÇÃO...
' FECHA A BOCA E COME!'

Minha Mãe me ensinou sobre
ANTECIPAÇÃO...
'ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!'

Minha Mãe me ensinou sobre
PACIÊNCIA...
'CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ...'

Minha Mãe me ensinou a
ENFRENTAR OS DESAFIOS...
'OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!'

Minha Mãe me ensinou sobre
RACIOCÍNIO LÓGICO...
'SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!'

Minha Mãe me ensinou
MEDICINA...
'PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.'

Minha Mãe me ensinou sobre o
REINO ANIMAL...
'SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!'

Minha Mãe me ensinou sobre
GENÉTICA...
'VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!'

Minha Mãe me ensinou sobre minhas
RAÍZES...
'TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?'

Minha Mãe me ensinou sobre a
SABEDORIA DE IDADE...
'QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.'

Minha Mãe me ensinou sobre
JUSTIÇA...
'UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO QUE ELES FAÇAM PRA VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!'

Minha mãe me ensinou
RELIGIÃO...
'MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!'

Minha mãe me ensinou o
BEIJO DE ESQUIMÓ...
'SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!'

Minha mãe me ensinou
CONTORCIONISMO.-..
'OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!'

Minha mãe me ensinou
DETERMINAÇÃO..-.
'VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!'

Minha mãe me ensinou habilidades como
VENTRÍLOQUO...
'NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?'

Minha mãe me ensinou
a SER OBJETIVO...
'EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!'

Minha mãe me ensinou a
ESCUTAR ...
'SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!'

Minha mãe me ensinou a
TER GOSTO PELOS ESTUDOS..
.'SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!...'

Minha mãe me ajudou na
COORDENAÇÃO MOTORA...
'AJUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!'

Minha mãe me ensinou os
NÚMEROS...
VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!'


Brigadão Mãe !!!HOJE SOU UMA PESSOA BEM MELHOR , MAIS EDUCADA E HUMANA QUE ESSA NOVA GERAÇÃO...

A ESTRATEGIA DE OBAMA NA ÁSIA CENTRAL INSTAURA A BARBÁRIE E AGRAVA O TERRORISMO

Miguel Urbano Rodrigues

Transcorridos oito anos dos atentados que destruíram o World Trade Center e atingiram o Pentágono, o terrorismo assume proporções cada vez maiores nas áreas do planeta onde George W Bush pretendia enfrentá-lo e erradicá-lo.

O presidente Barack Obama, cuja eleição suscitou a nível planetário uma grande esperança, foi distinguido com o Premio Nobel da Paz, mas a sua intervenção na Historia, contrariando um discurso humanista, não tem contribuído para combater e superar a crise de civilização existente.

Ocorre o contrário. A sua estratégia no Médio Oriente e na Ásia Central instaura a barbárie e agrava o terrorismo.

O esforço desenvolvido por uma gigantesca e perversa engrenagem mediática que desinforma os povos não tem o poder de inverter o rumo dos acontecimentos.

Os Estados Unidos estão presentemente envolvidos na Ásia em duas guerras perdidas e atolados na pantanosa situação criada na Palestina pelo sionismo neonazi.
O primeiro grande erro de Obama foi, ao entrar na Casa Branca, definir o Afeganistao como a primeira prioridade da sua politica internacional.

Na sua opinião o Iraque estava quase “pacificado” e tomou a decisão de transferir alguns milhares de soldados para o Afeganistão onde a insurreição alastrava numa guerra que, assim o afirmou então, se comprometia a vencer porque dela dependia “a segurança dos EUA”.

O optimismo sobre a situação no Iraque foi sem tardança desmentido pelo aumento da violência no país. No centro de Bagdad e nas principais cidades explodem todas as semanas carros armadilhados e bombas que matam centenas de pessoas. A resistência contra a ocupação militar norte-americana cresce e o governo fantoche tutelado por Washington está totalmente desprestigiado. O Pentágono já reconheceu que será quase impossível respeitar o compromisso de retirar do pais as tropas estadunidenses na data prevista, ou seja dentro de dois anos.

A nomeação do general Stanley McChrystal para comandante supremo na área Afeganistão-Paquistão foi muito bem recebida pelo Congresso e suscitou inicialmente grandes esperanças no establishment.

Mas a atmosfera de euforia durou pouco. A estratégia inovadora concebida pelo general, apresentado como um intelectual brilhante, com diplomas de história e ciências políticas, não parece entusiasmar os analistas militares dos grandes media.

McChrystal pediu a Obama o envio de 30 a 40.000 homens, advertindo num dos seus dois relatórios que sem esse reforço a guerra será perdida. Entretanto, em pleno Verão, desencadeou na Província do Helmand uma ofensiva em que participaram aproximadamente 15.000 soldados americanos e britânicos. Não obstante a escolha ter recaído sobre tropas de elite, o resultado foi decepcionante. A força empenhada sofreu grandes baixas e nos combates travados os guerrilheiros afegãos evitaram o choque em campo aberto, permanecendo quase sempre invisíveis.

No começo do Outono a guerra entrou pelo Paquistão, na chamada Fronteira do Noroeste, um território que durante séculos pertenceu ao Afeganistão, habitado por tribos pachtun que ignoram a fronteira artificial que os ingleses impuseram em 1880 após a segunda guerra anglo-afegã. Sob pressão de Washington, o Paquistão mobilizou milhares de soldados para os lançar contra os “terroristas” do Waziristao. Simultaneamente, aviões não tripulados da Força Aérea dos EUA começaram a bombardear indiscriminadamente aldeias da região, alegando que eram redutos dos talibans paquistaneses.

Essas operações conjugadas não atingiram os objectivos fixados. As baixas no exercito são elevadas. Os combates desenrolam-se num terreno montanhoso onde os moradores, waziris, shinwars, momands e de outras tribos da região, opõem uma forte resistência. O balanço do apoio aéreo americano é também negativo. Os aviões não tripulados voando a grande altitude lançam as bombas sem um mínimo de precisão. As principais vitimas são camponeses das aldeias, o que contribui para aumentar o ódio das populações locais aos EUA.

A primeira consequência da intensificação das acções militares americano-paquistanesas foi a multiplicação de atentados terroristas nas grandes cidades do país.

No próprio dia em que Hillary Clinton pronunciava em Islamabad um discurso palavroso e ridículo em que apresentou a solidariedade dos EUA com o Paquistão como contribuição decisiva para “a paz, o progresso e a democracia” no país, um atentado em Peshawar matava quase duas centenas de pessoas.

A visita e as palavras da secretária de Estado suscitaram protestos. O alinhamento do actual governo de Islamabad com os EUA é mal recebido pela grande maioria da população. Tudo indica que a vaga de terrorismo vai prosseguir.

O desfecho das eleições presidenciais no Afeganistão criou mais um problema aos EUA porque não correspondeu ao objectivo de Washington ao promovê-las . As insistentes criticas dos generais Petraeus e Mc Chrystal a Hamid Karzai, responsabilizando-o pela corrupção generalizada e pela nomeação para altos cargos de destacados criminosos de guerra, persuadiram Obama de que o afastamento do presidente através de eleições era uma necessidade. Mas Karzai e a sua gente montaram uma gigantesca fraude com a cumplicidade da Comissão Eleitoral. O escândalo da proclamação de Karzai como vencedor por maioria absoluta foi tamanho a nível internacional que a ONU declarou a nulidade das eleições e exigiu a realização de uma segunda volta. O tiro saiu, entretanto, pela culatra. Perante a iminência de uma nova fraude, Abdullah Abdullah - o candidato de Washington - renunciou a disputar o segundo turno quando as exigências mínimas que apresentou foram recusadas pelo governo. Logo Karzai, sem adversário, se autoproclamou presidente reeleito.
A Casa Branca teve de engolir o sapo e Obama, numa mensagem confusa, concluiu que, apesar de tudo, o processo eleitoral fora positivo. Mentiu.

O SONHO DO GENERAL MCCHRYSTAL
RESSUSCITA O FANTASMA DO VIETNAM


Obama tinha adiado para depois das eleiçoes a decisao sobre a nova estrategia proposta pelo general Mc Chrystal .

Num contexto desfavorável, consciente de que o povo afegão atribui a Karzai pesadas responsabilidades pelo caos instalado no pais, o presidente norte-americano terá agora de aprovar ou recusar o pedido do general McChrystal , isto é o envio de cerca de 40.000 soldados para o Afeganistão, onde o total das forças de ocupação ronda já os 100.000 entre norte-americanos e tropas da NATO.

As cadeias de televisão e os grandes jornais especulam sobre o tema e a reacçao do Congresso, prevendo uma solução salomónica, isto é, o envio de metade dos efectivos solicitados.

Uma extensa entrevista concedida em Kabul pelo general McChrystal ao diário francês Le Figaro (29 .09.2009) veio criar novos problemas à Casa Branca porque as suas declarações tiveram repercussão internacional, ampliando a polémica nos EUA.

O general começa por afirmar que será o povo afegão “a decidir quem ganhará a guerra. O Estado afegão e o exercito afegão são - assim se expressa - quem no fim de contas tomará a decisão. Nós, os Ocidentais devemos ser os seus leais aliados”.

A esse começo pouco sensato seguem-se criticas à estratégia da União Soviética que, na sua opinião, criou nos anos 80 um exercito afegão visto como “ilegítimo”pela população.

Instado a pelo entrevistador, Renaud Girard, a comentar as reacções do Pentágono e do Presidente Obama aos dois relatórios que lhes enviou, o general considerou-as positivas.

Sublinhando que o seu primeiro dever é a “humildade”, McChrystal chamou a atenção para uma faceta mais do que polémica do seu ambicioso plano de pacificação do país. Lembrando que os militares estadunidenses têm ainda muito a aprender, o general declarou: “os nossos oficiais devem progredir no conhecimento das línguas e dos costumes deste país. Devemos aproximar-nos da população, desembaraçados de todas as blindagens e outros coletes anti-estilhaços. Os nossos homens devem conhecer melhor a história e a cultura afegãs, a fim de actuar em cooperçao com os seus camaradas afegãos”.

Não é surpreendente que essas sugestões tenham embaraçado historiadores e sociólogos convidados a pronunciar-se sobre elas.

Visitei varias vezes o Afeganistao e julgo útil esclarecer que o pais tem duas línguas oficiais – o dari (variedade do persa) e o pachto, e que alguns milhões usam como idioma materno o turco usbeque e o turcumano. Mesmo libertando a imaginação, admito que seria uma tarefa homérica para a soldadesco americana a aprendizagem dessas línguas para ela impenetráveis. Não concebo também que a oficialidade, cujo conhecimento da própria historia dos EUA é na generalidade muito deficiente, possa dedicar-se com proveito à historia dos povos que ao longo de 25 séculos desde os Aquemenidas persas e Alexandre da Macedónia criaram no espaço afegão civilizações brilhantes que deixaram marcas inapagáveis no rumo da humanidade.

Interrogado sobre a insurreição, o general lançou-se numa dissertação algo confusa. Na sua opinião o que existe é “uma confederação de insurreições, com fins políticos diferentes”. Mencionou especificamente três, “os talibans históricos, o grupo Haqqani, e a Hesbe Islami de Gulbudin Hekmatiar, além de outros gruposculos dispersos. O seu único cimento é o ódio ao governo instalado”.

Do intenso ódio aos invasores americanos não fala.

Independentemente do juízo que se faça dessa reflexão do estratega sobre a insurreição, a continuidade de Hamid Karzai como presidente não vai contribuir para a conquista das populações mediante o dialogo e o estudo das línguas afegãs.

O general, que é um estudioso das guerras coloniais do seu pais e da França, esclarece que as lições dos generais franceses Lyautey e Galieni no tocante à contra-insurreição não foram por ele esquecidas. Porque não se trata de matar “um máximo de talibans”, mas sim de “proteger as populações”. Omite, porem, um pormenor importante. Os nomes de Lyautey e Galieni, o primeiro em Marrocos, o segundo em Madagascar, ficaram ligados a acções repressivas maciças do exército francês. McCarthy vai mais longe. “Sou – confessa - um grande admirador do exército francês e estudei o seu trabalho contra-inssurrecional na Indochina e na Argélia”.

São conhecidos os resultados desse “trabalho”, mas o general norte-americano não os menciona. É também omisso no tocante à política de “protecção” às populações do Vietname aplicada no terreno pelo seu compatriota general Westmoreland. O seu discurso apresenta, contudo, muitas afinidades com o daquele derrotado cabo-de-guerra norte-americano.

Somente com o rodar do tempo saberemos se o desfecho será similar ao do Vietname. Cabe, porém, lembrar que o responsável pelo ambicioso plano de “pacificação” do Afeganistão e a estratégia global de McChrystal é um general paraquedista francês.

*
* *

O general Stanley McChrystal comandou durante cinco anos, de 2003 a 2008, as forças especiais dos EUA. Segundo os especialistas militares é um “duro”. Do seu currículo não consta políticas de diálogo com os povos, mas acções de genocídio que levaram alguns analistas a qualifica-lo de “criminoso de guerra”.

Foi a esse soldado, com pretensões académicas, que o Presidente dos EUA confiou a tarefa de ganhar a guerra do Afeganistão, primeira prioridade da politica externa da Casa Branca.

Enquanto medita sobre a nova estratégia para a Ásia Central, o presidente Obama, Premio Nobel da Paz, propõe ao Congresso o maior orçamento militar da História dos EUA. Se for aprovado, excederá os orçamentos militares somados de todos os demais países do planeta.

Fonte: http://odiario.info/articulo.php?p=1371&more=1&c=1


O Campeão Voltou!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Obama consegue 1ª vitória da reforma do sistema de saúde

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na noite deste sábado a reforma do sistema de saúde no país, uma das prioridades da política interna do presidente Barack Obama, que obtém assim uma primeira grande vitória no Congresso. A aprovação foi pela margem mínima: 220 a 215 - votaram contra 176 republicanos (só um apoiou), e 39 democratas. Agora, falta o Senado.

Obama classificou de "votação histórica" a aprovação da lei e disse que estava confiante de que iria assinar a reforma ainda em 2009.

"Hoje à noite, numa votação histórica, a Câmara aprovou um projecto de lei que, finalmente, cumprirá a promessa de dar cobertura de saúde de qualidade, a preços acessíveis, ao povo americano", disse.

O presidente afirmou ainda que a votação prepara terreno para uma batalha igualmente difícil no Senado, onde os líderes democratas se têm esforçado para obter os 60 votos necessários para aprovação.

"O Senado dos Estados Unidos deve acompanhar e aprovar a sua versão desta lei. Confio completamente que ele o vai fazer", disse Obama.

O Senado irá votar a sua própria versão da lei, após o que uma comissão formada por parlamentares das duas casas fará uma versão conjunta. Caso essa versão seja então aprovada pelas duas casas, será enviada ao presidente Obama para ser sancionada.

Durante o debate, que durou 12 horas, o deputado John Dingell, do Partido Democrata, disse que "(a proposta) oferece a toda a gente, independentemente da saúde ou do rendimento, a paz de espírito que vem de saber que terá um seguro de saúde acessível quando precisar".

Antes da votação de sábado, Barack Obama fez uma visita ao Congresso para tentar convencer alguns indecisos do seu próprio partido a apoiar a reforma.

Depois da votação, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, agradeceu ao presidente "pela sua tremenda liderança", afirmando que sem Obama na Casa Branca, "esta vitória não teria sido possível".

Os democratas fizeram, porém, uma concessão importante: para garantir a adopção da proposta, a Câmara adoptou também uma emenda proposta por um grupo de democratas anti-aborto que visa reforçar a proibição do uso de dinheiros públicos para realizar interrupções de gravidez, excepto em casos de violação, incesto ou quando a vida da mãe está em perigo. A emenda foi aprovada por 240 votos contra 194.

Para a deputada democrata Dianna DeGette, a ideia de comprar seguros separados para aborto é "uma ofensa para as mulheres"

A proposta aprovada tem quase 2.000 páginas e prevê estender a cobertura a 36 milhões de norte-americanos sem seguro de saúde. Assim, se for finalmente aprovada, 96% dos cidadãos norte-americanos ficarão abrangidos (ainda haverá dez milhões de fora). Os cidadãos terão de pagar mensalidades a seguradoras privadas ou a um plano público, com a ajuda de subsídios.

O plano proíbe, além disso, as seguradoras privadas a recusarem-se a fornecer uma nova apólice a pessoas que sofram de alguma doença, coisa que fazem actualmente e prejudica gravemente quem contrai uma doença quando estava sem seguro.