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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Estudantes britânicas desesperadas "recorrem à prostituição"

Por Michael Holden

LONDRES, 14 Dez (Reuters) - Estudantes britânicos desesperados, com crescentes problemas de custos por conta das medidas de austeridade do governo, estão se voltando para a prostituição, os jogos de azar e outras atividades perigosas para financiar seus estudos, disseram líderes estudantis e de cooperativas de trabalhadores na quarta-feira.

A Cooperativa Inglesa de Prostitutas (ECP, na sigla em inglês), uma entidade que cuida das trabalhadoras do sexo, disse que o número de pessoas que procurou a organização em busca de ajuda dobrou no último ano, com estudantes se esforçando para cobrir as despesas.

"(O governo) conhece os cortes e os programas de austeridade e a remoção dos empréstimos, ele sabe que quando remove esses recursos empurra as mulheres para a pobreza", disse Sarah Walker da ECP à Reuters.

"O modo como as mulheres sobrevivem à pobreza geralmente é pela prostituição. O governo sabe disso e, francamente, não parece se importar."

Jovens foram os mais atingidos pela recessão econômica, com o desemprego juvenil agora totalizando 1,03 milhão dos 2,64 milhões de desempregados, o maior índice desde 1992.

No ano passado, o governo disse que iria se desfazer da Pensão para a Educação, um subsídio para estudantes adolescentes para ajudá-los a permanecerem na escola, e permitiu que as taxas de mensalidade subissem para 9.000 libras (14.000 dólares) por ano a partir de 2012.

Com empregos de meio período escassos e o custo de vida apertado pela inflação, a União Nacional dos Estudantes (NUS) disse que os jovens estavam adotando medidas desesperadas e perigosas para pagar por sua educação.

TRABALHO PERIGOSO

"Em alguns casos é a prostituição, mas também escutamos histórias de testes como cobaia em clínicas, jogos de azar... atividades perigosas, em que praticamente não há nenhum tipo de direito trabalhista", disse Estelle Hart, da NUS.

"Você sempre escuta que é muito fácil conseguir um trabalho em um bar. Bem, não é fácil conseguir trabalho em bar nesse clima econômico, não é fácil conseguir trabalho nenhum."

Um estudo feito por pesquisadores de uma universidade londrina, publicado no ano passado, mostrou que 16 por cento dos alunos estavam dispostos a se prostituir para pagar sua educação e 11 por cento iria trabalharia para agências de acompanhamento.

Hart disse que um estudo recente da Universidade de Leeds, no norte da Inglaterra, revelou que 25 por cento das strippers eram estudantes Ela disse que o governo tinha o dever de investigar quais eram os efeitos de suas mudanças e cortes nos orçamentos da educação.

A cooperativa das prostitutas disse que mulheres de todas as idades estavam sendo afetadas.

"Com a prostituição você pode trabalhar por talvez uma noite por semana e conseguir dinheiro para cobrir suas despesas", disse Walker.

O governo disse que estava providenciando 180 milhões de libras por ano para ajudar as adolescentes mais vulneráveis, e que nenhum estudante teria que pagar adiantado por seus estudos.

"Nossas reformas tornarão o sistema ainda mais justo, com mais apoio financeiro e menos mensalidades para pagar o empréstimo quando se conseguir um emprego bem remunerado", disse um porta-voz do Departamento para Negócios, Inovação e Habilidades do governo.

Fonte: http://br.finance.yahoo.com/news/Estudantes-brit%C3%A2nicas-rbr-863305768.html?x=0

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mulher condenada a 10 chibatadas por dirigir pode ser perdoada

Riad, 28 set (EFE).- O rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, perdoará Shaima Ghassaniya, condenada na terça-feira a receber dez chibatadas por dirigir, atividade proibida às mulheres no país.

A decisão, não confirmada por fontes oficiais, foi divulgada nesta quarta-feira nas redes sociais por um membro da família real wahhabista, a princesa Amira Tawil, esposa do príncipe Al Walid bin Talal.

A divulgação da informação ocorreu junto com a publicação de uma carta na qual um grupo de ativistas sauditas pediu o indulto para a condenada. O documento dizia que o monarca deveria reconsiderar a injustiça e permitir que as mulheres sauditas dirijam.

Shaima foi condenada na cidade de Yeda, no mesmo dia em que uma mulher foi detida e outra interrogada por suspeitas de terem conduzidos veículos.

A Arábia Saudita adota uma interpretação severa das leis islâmicas. O país impõe a segregação dos sexos em espaços públicos e as mulheres não podem viajar sem a permissão ou companhia de um homem, além de várias outras restrições. EFE

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/mulher-condenada-10-chibatadas-dirigir-pode-ser-perdoada-203605902.html

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

MPF denuncia Edir Macedo por evasão de divisas

O bispo Edir Macedo Bezerra, líder religioso da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), e outras três pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem dinheiro e evasão de divisas, formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato contra fiéis para a obtenção de recursos para a IURD.

Os três dirigentes da igreja denunciados são o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa. Eles são acusados de pertencer a uma quadrilha usada para lavar dinheiro da Iurd, remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos por meio de uma casa de câmbio paulista, entre 1999 e 2005.

Segundo a denúncia, do procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, o dinheiro era obtido por meio de estelionato contra fiéis da Iurd, por meio do "oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja".

Os quatro também são acusados do crime de falsidade ideológica por terem inserido nos contratos sociais de empresas do grupo da Iurd composições societárias diversas das verdadeiras. O objetivo dessa prática era ocultar a real proprietária de diversos empreendimentos, qual seja, a Iurd.

O Procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira também encaminhou cópia da denúncia à área Cível da Procuradoria da República em São Paulo, solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da Iurd.

Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/mpf-denuncia-edir-macedo-evas%C3%A3o-divisas-144300242.html

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ecos da Tunísia e do Egito: revoluções sem revolucionários autoproclamados

Há um padrão de auto-organização, que contém o gérmen de uma nova estratégia para as revoluções do século XXI. A forma como este gérmen se desenvolverá depende do grau em que a organização da não-violência revolucionária e da autodefesa se enraíze. Por Horace Campbell [*]

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«Foi uma parada da vitória - sem a vitória. Vieram centenas de milhares de pessoas, alegres, cantando, rezando, uma grande massa compacta de egípcios, subúrbio após subúrbio, aldeia após aldeia, esperando pacientemente para atravessarem as barreiras de “segurança popular”, envoltos na bandeira egípcia vermelha, branca e negra, com o símbolo da águia brilhando dourado ao sol. Eram um milhão? Talvez. Contado todo o país, certamente eram. Todos estávamos de acordo que se tratava da maior manifestação política na história do Egito, o último esforço para livrar este país do seu menos estimado ditador. A única falha foi que ao pôr do sol - e quem sabia o que a noite traria? - Hosni Mubarak ainda se proclamava “Presidente” do Egito.»

Foi assim que Robert Fisk, do Independent, do Reino Unido, capturou o clima de otimismo dos povos na Praça Tahrir (também chamada Praça da Libertação) no Cairo, antes de o punho velado da contra-revolução ter desencadeado seu chicote para reverter a iniciativa da insurreição popular no Cairo. Na terça-feira, 1º de fevereiro, havia mais de 2 milhões de pessoas reunidas na Praça Tahrir para exigir a demissão de Hosni Mubarak, e na quarta-feira, 2 de fevereiro, policiais à paisana e capangas armados, montados em camelos e cavalos, atacaram os cidadãos desarmados, procurando matar e brutalizar quem quer viver em liberdade. Mas o povo se manteve firme em suas posições e rechaçou os capangas do governo.

O povo do Egito concentrou a atenção do mundo, insuflando, com sua determinação, uma nova coragem em todos os povos oprimidos. A confiança que demonstram e o desprezo pelo medo inspiram povos oprimidos em todas as partes do mundo, e já ocorrem revoltas populares e protestos na Jordânia, no Iêmen e no Sudão. Não falta muito para que suceda o mesmo na Argélia, nos Camarões e na Líbia, onde começou a haver agitação e exigência de mudanças políticas e sociais.

Os povos do Egito e Tunísia deixaram sua marca no cenário mundial e inverteram o equilíbrio do poder em benefício das pessoas comuns. Restabeleceram a essência da participação democrática popular e colocaram num plano mais elevado as questões da política de inclusão. Esta mudança está dando de novo uma sensação de poder aos explorados de todo o mundo. Os povos oprimidos de todo o mundo sentem-se agora encorajados com a determinação mostrada pelos manifestantes.

Não há dúvida de que os jovens estão dando um novo significado à organização revolucionária e, ao mesmo tempo, expondo a superficialidade e a hipocrisia da postura “democrática” liberal dos imperialistas ocidentais. Foram estas mesmas forças liberais ocidentais que apoiaram o regime egípcio como um baluarte da “estabilidade e do antiterrorismo” na África do Norte e do Oriente Médio. Com os capangas e o pessoal da segurança do Estado atacando civis desarmados, a revolução egípcia enfrenta agora o desafio da quarta etapa da revolução: como aproveitar as noções da não-violência revolucionária para conseguir se manter firme e lutar contra as provocações internas e as externas. Neste equilíbrio precário, o exército será posto à prova quando os apoiantes externos do moribundo regime de Mubarak tentarem esmagar o espírito revolucionário do povo. Uma das tarefas mais importantes dos movimentos internacionais de paz e justiça é se oporem aos militaristas que tentarem aproveitar o momento de transição para fomentar guerras e intervenções militares.

Milhões na Praça da Libertação e por todo o Egito

Com milhões de pessoas a irromperem pelas ruas de Alexandria, Assuã [Assuão], Cairo, Port Said, Suez e outras cidades egípcias, as manifestações de protesto contra a ditadura no Egito prosseguiram além da terceira etapa do processo revolucionário tunisino e trouxeram uma força inteiramente nova, a do poder dos números e do teste de meios criativos de autodefesa. Segundo certos relatos, na terça-feira, 1º de fevereiro, calcula-se que mais de 2 milhões de pessoas estariam nas ruas do Cairo, exigindo o fim do regime ditatorial de Mubarak. Outros milhões se reuniram em todas as cidades e comunidades do Egito. No nosso último artigo definimos três etapas fundamentais da revolução tunisina. Em nossa análise identificamos a primeira etapa como a auto-imolação e o sacrifício de Mohamed Bouzazi. A segunda etapa correspondeu à automobilização das forças populares de Tunis, levando à queda do governo de Ben Ali. A terceira etapa correspondeu às caravanas de libertação, quando até mesmo das partes mais rurais da Tunísia as pessoas deslocaram-se em suas caravanas rumo a Tunis, para acelerar o desmantelamento dos remanescentes do regime de Ben Ali.

arabes-4A emanação maciça de energia popular exigindo justiça social não só propalou as idéias de libertação de cidade para cidade, mas também para além das fronteiras. Neste artigo buscamos compreender como a revolução da Tunísia se cruzou com o levantamento do Egito, e o que isso significa para as revoluções do século XXI. No Egito, o povo mostrou muito claramente que a sua revolta é uma revolta popular de caráter revolucionário. Nos dois países, o caráter revolucionário potencial pode desenvolver-se ao ponto de ganhar as fileiras das forças armadas e policiais para criar uma sociedade nova, o que poderia ser a base de um salto qualitativo nas mudanças que acabem com a ditadura e a repressão brutal.

arabes-16Uma coisa que se destaca em ambas as revoluções é que pessoas comuns e pessoas de todas as esferas da sociedade procuram pôr fim a um sistema que reprime a sua dignidade humana e gera medo e submissão. As revoltas egípcia e tunisina são também revoltas contra o capitalismo neoliberal e os remédios do FMI (Fundo Monetário Internacional) e das instituições de Bretton Woods, que impuseram receitas de miséria em nome da saúde econômica da sociedade. Não só a implementação de um programa econômico neoliberal, apoiado pelo FMI e o Banco Mundial em 2004-2005, estimulou diretamente a desigualdade de renda e de condições de vida que os tunisinos e os egípcios estão agora tentando mudar, mas durante este período aquelas mesmas instituições “aplaudiram” os governos pelo sucesso desses programas, por terem alcançado taxas mais elevadas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e terem aumentado o investimento estrangeiro. Assim como a Irlanda foi aplaudida pelo “êxito” do seu modelo econômico antes de implodir, é evidente que o “êxito” foi alcançado enquanto estavam aumentando o empobrecimento e o desemprego para a maioria dos cidadãos.

Tanto os tunisinos como os egípcios sofreram desemprego maciço, péssimas condições de vida, falta de habitação decente, exploração e baixos salários, corrupção estatal, repressão e brutalidade policial, inflação e outras formas de terrorismo de Estado. Esta situação ocorreu numa sociedade de bilionários, com despesas maciças no aparato de segurança do Estado e um clima geral que forneceu condições para os capitalistas acumularem grandes fortunas.

A desumanização dos jovens egípcios tem ido a par com a desumanização dos povos da região. Esta desumanização chegou mais longe no território palestino. E não foi por acaso que o mesmo governo egípcio que desumanizou aquelas pessoas ajudou Israel no bloqueio de Gaza, em um esforço para subjugar os palestinos pela fome.

A enorme discrepância entre ricos e pobres no Egito tornou-se agora evidente, fazendo esta rebelião ir além do discurso da mídia ocidental sobre a fúria, a raiva, o caos e o extremismo islâmico. A transformação operada na consciência dos povos egípcio e tunisino coloca as questões da transformação social no centro da política. Assim, para o povo do Egito não se trata simplesmente de acabar com Mubarak, mas também de acabar com o aparelho local e internacional que durante 30 anos manteve Mubarak no poder. É importante entender isto, porque uma das coisas que se diz é que estas pessoas estão se rebelando em nome de uma maior liberdade política e econômica, como se a pobreza e o desemprego tivessem sido causados por ditadores políticos “controlando” a economia. Ora, isto é falso. No âmbito dos programas neoliberais na Tunísia e no Egito, as economias foram “liberalizadas” e empresas estatais foram “privatizadas” com o argumento de promover liberdade econômica. Em tal contexto, as elites políticas e econômicas (locais e estrangeiras) foram capazes de se apoderar da maior parte de quaisquer proventos obtidos graças à maior liberdade econômica suscitada pela política neoliberal.

Desde o assassinato de Khaled Said em Alexandria, no último verão, até à auto-imolação do tunisino Mohammed Bouazizi, apareceu uma nova geração de jovens capazes de usar as ferramentas de redes sociais para mobilizar a imaginação de outros jovens de modo a erguerem-se contra a brutalidade policial. Sabemos agora que o espancamento policial de Khaled Said em junho de 2010 desencadeou “protestos inflamados no Cairo e em Alexandria e reinvindicações de justiça propagaram-se em blogs e sites de redes sociais”. Com a implementação de novas ferramentas de organização dos jovens através da mídia social e com os esforços de segurança coletiva do povo para defender as suas comunidades no Egito, há um padrão de auto-organização, que contém o gérmen de uma nova estratégia para as revoluções do século XXI. A forma como este gérmen se desenvolverá depende do grau em que a organização da não-violência revolucionária e da autodefesa se enraíze até conseguir fazer frente à violência estatal organizada, que foi desencadeada para desestabilizar a revolta popular.

Revoluções sem revolucionários autoproclamados

Khaled Said foi morto porque ousou denunciar a gravidade da corrupção da polícia e dos agentes do partido no poder, o Partido Nacional Democrático (PND). Originariamente fundado por Anwar Sadat para conferir legitimidade a uma ditadura militar, o PND tem dominado a vida política, expulsando outras forças sociais do centro do palco político legal. Mubarak dominou este partido e tratou-o como seu feudo pessoal, prometendo que faria do seu filho o herdeiro, como se o Egito se tivesse tornado uma monarquia. Este exemplo de um líder usurpando o papel desempenhado pelo partido em uma sociedade comprometeu o significado e a essência dos partidos políticos como instrumentos de organização popular.

arabes-15Até agora, uma característica saliente das revoluções na Tunísia e no Egito tem sido a ausência de partidos de vanguarda ou de personalidades como líderes das revoltas. Durante o século XX predominou a noção de que as revoluções necessitavam de um partido de vanguarda ou de grupos compostos pelos setores mais avançados da classe operária e da intelectualidade na sociedade. No passado, esta vanguarda tinha de estar preparada para travar lutas armadas para conquistar o poder de Estado. A tese fundamental sobre a necessidade de a revolução ser dirigida pelos elementos mais avançados da classe operária foi explicitada por Lênin em dois importantes documentos, Que Fazer? e O Estado e a Revolução. Estes documentos constituíram um guia para os revolucionários e houve revoluções vitoriosas na China, em Cuba e no Vietnã. Estas revoluções diferiram das deformidades do vanguardismo desenvolvido na União Soviética sob Stalin e copiadas por Mubarak. As experiências negativas do vanguardismo não se limitaram a déspotas como Mubarak e Stalin. Pessoas que não eram socialistas nem comunistas em sociedades como o Zaire de Mobutu e o Irã praticaram o vanguardismo. O caso do Irã tem uma especial importância porque os Mullahs adotaram algumas das táticas do vanguardismo, com resultados desastrosos para o povo do Irã após a derrubada do Xá, comprometendo assim os objetivos emancipatórios do processo revolucionário. Como se as experiências do vanguardismo tivessem sido estudadas pelos jovens do Egito e da Tunísia, eles tiveram o cuidado de não promover nenhum indivíduo ou partido que pudesse comprometer ou personalizar a sua luta pela liberdade. Esses jovens esforçaram-se por desenvolver a confiança e a cooperação entre as redes de forças sociais em luta pela liberdade.

À medida que a revolução egípcia ganhou força, o laureado com o Prêmio Nobel, Mohamed El Baradei, deixou Viena e aderiu ao movimento, oferecendo-se como um dos líderes da revolta popular. No sétimo dia da revolta popular, a aglutinação das forças de oposição em torno de El Baradei constituiu um ato de defesa, pois a mídia ocidental vinha a colocar insistentemente o estigma do extremismo islâmico no que era uma oposição pacífica à ditadura.

Essas experiências fazem com que seja fundamental enunciar a importância das revoluções realizadas sem autoproclamados revolucionários e líderes. No Egito, jovens e mulheres do Movimento 6 de Abril surgiram para organizar e inter-relacionar as redes de redes sociais. Pode-se admitir que eles estavam cientes das lições positivas e negativas do vanguardismo, seja na antiga União Soviética ou no Irã. Por isso ouvimos a palavra de ordem nas ruas do Egito: «esta é a revolução de todas as pessoas».

Sabemos agora que esta revolta no Egito ocorreu depois de alguns anos de trabalho paciente e consistente de jovens, tanto homens como mulheres, que se organizaram no que hoje é chamado de Movimento 6 de Abril. Este é um grupo de jovens que usou o instrumento de rede social, Facebook, para apelar para que os jovens do Egito apoiassem as lutas dos trabalhadores. Desde 6 de abril de 2008 esses jovens vêm se reunindo e se organizando para criar um movimento que se ligue às comunidades por todo o Egito e que se ligue a ativistas de base em outras partes do mundo. Ao estabelecerem os princípios de compartilhar e cooperar em vez da competir, estes jovens do 6 de Abril esforçam-se por ser mais eficazes na construção de um novo tipo de campanha para uma mudança política.

arabes-13Em meu livro Barack Obama e a política do século XXI apresentei os princípios do Ubuntu - uma filosofia da humanidade compartilhada - como ideal revolucionário básico para o século XXI. O cerne desta idéia é a luta para nos tornarmos humanos e para nos elevarmos acima das hierarquias humanas, das divisões e xenofobia e das compartimentações. Os ecos do Ubuntu repercutiram nas ações e nas palavras das pessoas comuns na primeira linha das revoluções da Tunísia e do Egito. Em algumas ocasiões, durante os protestos, quando setores islâmicos se manifestavam gritando «Allah Akbar!» [Deus é o maior!], um cântico mais alto surgiu, fazendo ouvir «muçulmanos, cristãos, ateus, somos todos egípcios». Por detrás destes cânticos houve atos concretos de cristãos que se ofereceram para organizar a segurança dos muçulmanos enquanto eles rezavam durante as manifestações. Estas pequenas ações de Ubuntu e do reconhecimento da humanidade de cada um têm que ser celebradas, promovidas e difundidas por toda a África e no Oriente Médio para que ocorra a transformação no século XXI.

Os jovens prosseguiram uma longa tradição de lutas oriunda da população trabalhadora do Egito. Em África, é no Egito que se encontra um dos mais fortes movimentos sociais em prol da paz e da justiça. Umm Kalthum ainda é reverenciada em suas canções nacionalistas de autodeterminação e dignidade. Importantes pensadores e ativistas egípcios, como Samir Amin e Nawal El Saadawi, são nomes familiares entre os progressistas de todas as partes do mundo. Com a idade de oitenta anos, Nawal El Saadawi, em particular, falou em nome de milhões de mulheres, narrando como ela havia sido presa duas vezes – uma vez nas celas do regime e outra vez na prisão que é a sociedade egípcia. Seu livro Mulher no Ponto Zero tem uma declaração apelando para as mulheres em todas as partes da África e do Oriente Médio «se mobilizarem contra a opressão de gênero».

Os jovens e as mulheres que noite e dia têm se organizado são os herdeiros de tradições de organização devidas aos sindicalistas, escritores, jornalistas, agricultores, artistas, intelectuais progressistas, mulheres, forças religiosas e homens e mulheres de negócios patriotas. O vigor dessas forças sociais é tão notável que os elementos dominantes tiveram de recorrer à violência. O bloqueio ao acesso da internet e o fechamento de serviços de telefonia celular [telemóveis] e da mídia não-governamental foram apenas as manifestações mais modernas de uma longa tradição de repressão, que pôs militaristas conservadores no topo da hierarquia política no Egito. Anwar Sadat foi explícito em seu empenho para reverter os esforços populistas de Gamal Abdel Nasser, um dos principais nacionalistas do período da luta pela independência em África. Quando Sadat foi assassinado a tiros por elementos de dentro do próprio exército, Hosni Mubarak assumiu a presidência em 1981.

A ditadura de Mubarak foi uma aliança entre os opressores locais e os EUA e Israel para derrotar as demandas legítimas dos povos do Egito. Nunca houve um momento na história dos povos do Egito no século passado em que eles não estivessem se organizando e reclamando melhores condições de vida. Com a consolidação do regime militarista, os partidos políticos foram banidos, os líderes foram presos, mortos ou enviados para o exílio e a expressão política genuína foi sufocada. Os jovens estudaram as lições positivas e negativas da organização política para forjar novas ferramentas de luta política.

Auto-organização revolucionária e não-violência revolucionária

Todos os casos de jovens, tanto homens como mulheres, de ricos e pobres estarem se organizando nas comunidades assinalam o nível de consciência social e política que tem motivado as pessoas a se mobilizar para defender seus interesses. Esses milhões de egípcios não têm medo de lutar por seus direitos. Essas pessoas têm dado mostras de uma liderança revolucionária crucial e têm desenvolvido táticas que já conquistaram a maioria do povo egípcio para a causa da revolução. Neste processo, minaram a coesão da classe dominante política e econômica egípcia, formada com o auxílio do complexo militar-industrial e dos elementos da Wall Street dos EUA. Não foi por acaso que, quando a revolução se estava expandindo, os chefes do exército egípcio estavam em Washington em consulta com o estado-maior, conjunto das forças armadas dos EUA. Os bilhões [milhares de milhões] de dólares obtidos dos cidadãos dos EUA para apoiar a ditadura de Hosni Mubarak suscitaram divisões nas forças armadas egípcias, criando uma classe de oficiais cujos interesses se aliavam aos dos EUA e de Israel, contra os interesses dos egípcios. É para este grupo que os líderes dos EUA e da Europa se estão a voltar a fim de quebrar a coesão das forças revolucionárias nas ruas. Com a mídia ocidental apresentando a revolta popular como cenas de caos e raiva, o regime de Mubarak lançou elementos armados nas ruas para se encaixar na imagem ocidental convencional, enquanto tentava destruir o poder popular que havia ocupado a Praça Tahrir [Praça da Libertação]. Quando as forças estatais atacaram a Praça da Libertação, as pessoas se mantiveram firmes, defendendo-se. Centenas foram feridos, mas este teste trouxe a quarta etapa importante da revolução: a reconsolidação das forças populares para afiar as ferramentas revolucionárias da não-violência e autodefesa.

arabes-14Estas forças revolucionárias nas ruas compreenderam as divisões sociais internas das forças armadas e fizeram apelos diretos aos soldados. Estes apelos condizem não apenas com as ferramentas de organização, mas também com as formas de organização. Tendo conceituado [conceptualizado] antecipadamente a auto-organização, os revolucionários ultrapassaram o governo, de tal modo que mesmo quando a internet foi encerrada as táticas de auto-organização deram lugar a meios sofisticados e criativos de comunicação. Foi esta organização sofisticada que derrotou as tentativas do governo para esmagar o movimento de massas. Esta organização sofisticada será também necessária se as forças contra-revolucionárias escolherem a guerra como a melhor arma para reverter a revolução.

Na verdade, o modelo de organização e liderança revolucionárias nas revoluções tunisina e egípcia neutralizou até agora as conspirações de elementos contra-revolucionários do Egito e dos EUA, que estavam empenhados em utilizar a propaganda anti-islâmica e contra-terrorista para derrotar as revoltas populares. A centralidade das forças armadas egípcias para conferir legitimidade ao regime no Egito tem sido invariável nos últimos 50 anos. No entanto, no auge da Guerra Fria os EUA passaram a apoiar os fundamentalistas egípcios mais conservadores, a fim dos EUA reforçarem os seus objetivos na Guerra Fria. Talvez os leitores mais jovens não se lembrem de que foi no Egito que os EUA recrutaram muitos dos seus combatentes Mujahideen para lutar contra a União Soviética no Afeganistão. Os combatentes Mujahideen também foram mobilizados contra os sindicalistas, os socialistas, as mulheres e outras redes de justiça social no Egito. O sectarismo e o fundamentalismo serviram tanto os ditadores quanto os seus apoiadores imperialistas.

É imperioso observar que uma das lições positivas tanto do Egito quanto da Tunísia é a unidade do povo ultrapassando as demarcações regionais. Neste processo, as mulheres da Tunísia e do Egito destacaram-se entre os setores mais avançados e esclarecidos da revolução. Durante décadas, as mulheres egípcias têm vindo a lutar contra um governo que reprime o fundamentalismo islâmico, mas usa as idéias do fundamentalismo islâmico para dominar as mulheres. As imagens de mulheres decididas definindo os objetivos do movimento de massas que varre o Egito e a Tunísia continuam a inspirar as mulheres na África e no Oriente Médio. Queremos reiterar que a luta pelos direitos reprodutivos, pela integridade física e a oposição à opressão sexual elevou a luta democrática para além dos direitos à liberdade de expressão, de reunião e de organização dos trabalhadores.

Acerca das revoluções do século XXI na África e no Oriente Médio

As revoluções egípcia e tunisina alteraram agora os cálculos políticos e as considerações sobre a política e a revolução. Não só essas revoluções transformaram a consciência do povo, mas deram origem também a um novo surto de energia criativa e tornaram-se uma escola de novas técnicas revolucionárias para o século XXI. Estas energias podem ser traduzidas em inúmeras ações voltadas para transformações revolucionárias em toda a África e Oriente Médio. Não há dúvida de que as mudanças nas condições econômicas que as pessoas estão exigindo não serão obtidas graças aos tipos de reforma financiados por doadores estrangeiros para promover “maior” liberdade econômica. Elas só serão alcançadas se os povos elegerem novos líderes e governos com coragem para implementar políticas econômicas alternativas que se concentram na abordagem das condições de vida, em oposição aos interesses dos investidores estrangeiros e das elites locais.

arabes-7A revolta no Egito chegou a um ponto em que as forças contra-revolucionárias estão em desordem e não podem acompanhar o ritmo da mudança. Existe um modelo de efusão popular que se difunde da Tunísia e do Egito para todas as sociedades sob regime ditatorial na África e no Oriente Médio. A tarefa dos progressistas é celebrar as lições positivas de auto-organização e os ventos de auto-emancipação soprando através da África. Os progressistas não podem estar à margem e têm que descobrir as suas próprias formas de se mostrarem solidários para com as pessoas que estão sendo dizimadas nas ruas.

Explicamos o que estamos aprendendo com algumas das características destas revoluções do século XXI. As características mais importantes que até agora destacamos são:

1. As revoluções são feitas por pessoas comuns, independentemente de partidos de vanguarda e de revolucionários autoproclamados.
2. O caráter das redes de redes sociais independentes e a sofisticação das ferramentas da revolução.
3. A liderança das pessoas comuns que se automobilizaram para a revolução.
4. A construção de uma não-violência revolucionária para autodefesa.
5. As idéias revolucionárias do povo, cujo objetivo final é serem seres humanos dignos e não robôs nem fanáticos de ditadores.

Cabe agora a nós, progressistas, apoiar e aderir a este modelo de revolução, para iniciar um salto qualitativo além do neoliberalismo, do capitalismo, do militarismo e da ditadura na África e no Oriente Médio.

[*] Horace Campbell é professor e escritor. Seu site é www.horacecampbell.net. Seu livro mais recente é Barack Obama e a política do século XXI: um momento revolucionário nos EUA, publicado pela Pluto Press.

O original em inglês encontra-se em http://www.pambazuka.org/en/category/features/70670
Tradução: Passa Palavra

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Regimes ditatoriais são fundamentais para EUA

Publicado no Portal vermelho

Embora ainda se considere cedo para analisar as relações entre as recentes revoltas populares, a combinação entre a rapidez da comunicação no mundo globalizado, o empobrecimento relativo de algumas regiões da Europa e até mesmo a resistência do mundo ocidental ao programa nuclear iraniano tem influenciado diretamente a “onda democratizante” nos países árabes.

Para o professor Carlos Eduardo Vidigal, doutor em Relações Internacionais e professor de história pela Universidade de Brasília (UnB), é certo que há um “efeito dominó” influenciado por esses e outros fatores, mas é incerto o futuro desses países e a nova configuração geopolítica do mundo árabe. “São anos de regimes autoritários, muitos deles contando com a simpatia norte-americana. Há um choque entre a manutenção desses regimes e o mundo globalizado, com tamanha velocidade de informações”, comentou.

O primeiro governo a ruir diante das manifestações populares foi o da Tunísia, que hoje está sob um governo de transição. As revoltas culminaram com a deposição do presidente Zine El Abidine Ben Ali, que foi obrigado a deixar o país após 23 anos no poder. No Egito, os protestos levaram à renúncia o presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.

Neste domingo (13), em mais um Dia da Raiva, manifestantes no Yemen exigiram a saída imediata do presidente Ali Abdullah Saleh, que está no poder há 32 anos. Abdullah Saleh já anunciou que não diputará as eleições presidenciais em 2013, mas os manifestantes querem sua renúncia imediata, como fez o presidente do Egito.

Na Argélia, mais de 3 mil argelinos se concentraram na Praça Primeiro de Maio, pela redemocratização do país, no entanto a polícia conseguiu impedir que os manifestantes percorressem as ruas da cidade contra o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, que governa o país desde 1999. O movimento de oposição argelino já está organizando uma marcha para o próximo sábado (19).

Para Vidigal, as redes sociais representam um fato novo com grande influência nesse processo. “O uso das redes sociais para as mobilizações, sem dúvida alguma, é um fato novo, como também é um fato novo o surgimento de democracias verdadeiramente populares”, destacou o professor.

“No Brasil, por exemplo, temos uma democracia que coexiste com a miséria, com muitos grupos empobrecidos. A princípio, vejo essas revoltas como algo positivo. A expectativa é que isso se transforme em uma melhor distribuição de renda. Mas é preciso ficar atento porque o povo nas ruas não agrada muito a qualquer governo, nem mesmo aos regimes democráticos”, criticou.

Nesse contexto, para o professor, os Estados Unidos têm muito a perder com uma reconfiguração do mundo árabe. "Os atuais regimes ditatoriais são fundamentais para o atual equilíbrio dos Estados Unidos. Um exemplo disso é o que ocorre na Arábia Saudita. Além da questão econômica, essas revoltas também podem despertar um sentimento de nacionalismo contrário aos Estados Unidos, o que seria contraproducente para os negócios norte-americanos."

As sanções internacionais ao programa nuclear iraniano influenciaram as revoltas, na opinião de Vidigal, ao criarem a simpatia dos povos árabes ao programa do país persa. “Há o seguinte questionamento: Por que outros países puderam desenvolver seus programas nucleares, e até mesmo chegar ao artefato atômico, sem sofrerem pressão do Conselho de Segurança da ONU, liderado pelos Estados Unidos, França e Grã Bretanha?”, analisou. “Existe um sentimento de solidariedade com o Irã, mesmo não sendo um país árabe”, destacou.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O ditador caiu; o mundo árabe nunca mais será o mesmo

por Luiz Carlos Azenha

Estou em Caracas, na Venezuela, mas acompanho pela Telesur, ao vivo, a festa pela renúncia de Hosni Mubarak (a emissora reproduz a imagem da Al Jazeera e tem correspondentes no Cairo e em Damasco).

[É inacreditável que a Venezuela tenha uma emissora pública de alcance regional, que retransmite em espanhol conteúdo da Al Jazeera, enquanto no Brasil o modelo da TV pública parece ser o de copiar mal a Globo]

Seja qual for a composição do futuro governo egípcio, o pilar central da política externa dos Estados Unidos no Oriente Médio desabou com Mubarak. Essa política estava assentada na clientela de regimes autoritários, na exclusão dos partidos islâmicos e numa paz de cemitério com Israel em relação aos direitos dos palestinos.

Qualquer regime que responda mais às ruas que aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos vai reavaliar as relações do Egito com Israel e especialmente a política egípcia de se aliar a Israel para sufocar a faixa de Gaza. Dificilmente será possível manter a política de alinhamento automático a Washington, que no passado incluiu a prestação de serviços sujos (tortura e outros).

Mas o mais animador será a repercussão do que aconteceu no Egito em outros países árabes, da Síria à Jordânia, da Argélia à Arábia Saudita, da Líbia ao Iêmen.

O “wishful thinking” do governo da Venezuela é que renasça o nacionalismo árabe de Gamal Abdel Nasser. Pode ser, talvez até aconteça.

O fato é que a queda de Mubarak transformará o mundo árabe, a política externa dos Estados Unidos e de Israel e deixará clara a hipocrisia dos que acreditam que os direitos humanos dos iranianos, por exemplo, importam mais que os direitos humanos dos egípcios ou sauditas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

WikiLeaks: EUA seguem ditadores e tratam Dilma como a “Joana D’Arc da Subversão”

Dilma Rousseff, na saúde e na doença


Não foi só a saúde da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que foi alvo da curiosidade do governo americano. A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, também teve detalhes do seu estado de saúde investigados pela embaixada americana em meados do ano passado, quando sofreu de câncer linfático. Documentos publicados hoje pelo WikiLeaks também revelam que o ex-embaixador americano em Brasília, John Danilovich, relatou que ela havia planejado três assaltos quando era integrante da organização VAR-Palmares. Dilma Rousseff nega qualquer participação em ações armadas durante o regime militar. Ao todo, o WikiLeaks publica hoje 9 documentos que mostram como a representação americana acompanhou de perto a trajetória de Dilma e o processo eleitoral brasileiro – que, aliás, a própria Hillary Clinton classificou de “bizantino”. Joana D´Arc Dilma Rousseff começou a chamar a atenção da embaixada quando tomou posse como Ministra-Chefe da Casa Civil. Um relatório especial a seu respeito foi elaborado e enviado em 22 de maio de 2005. Apesar de “não classificado”, o telegrama traz uma porção de temas sensíveis e algumas gafes. Um dos títulos é, por exemplo, “Joana D’Arc da Subversão se torna Chefe da Casa Civil” – uma referência à alcunha dada pelos agentes da repressão. O documento afirma que ela teria planejado o “legendário” roubo ao cofre do corrupto prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros, no qual a VAR-Palmares obteve 2,5 milhões de dólares. “Integrando vários grupos clandestinos, ela organizou três assaltos a banco e depois co-fundou o grupo guerrilheiro Vanguarda de Palmares”, diz. Dilma sempre negou qualquer participação em ações armadas.

O documento escrito pelo embaixador John Danilovich observa que ela foi presa por mais de três anos e torturada de forma “brutal” com eletrochoques. A seguir, entra em detalhes pessoais ao estilo de uma revista de celebridades: “Ela tem uma filha, Paula, em Porto Alegre, onde passa os fins-de-semana. Gosta de filmes e música cássica. Perdeu peso recentemente após ter adotado a dieta do presidente Lula”. O documento diz ainda que Dilma é vista como “cabeça-dura, uma negociadora difícil e detalhista” e revela que as empresas americanas tiveram receio quando ela se tornou ministra de Minas e Energia, mas “agora admitem que ela fez um trabalho competente”.

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2010/12/10/wikileaks-eua-seguem-ditadores-e-tratam-dilma-como-a-joana-d%E2%80%99arc-da-subversao/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma análise da violência no Rio. Antes que a Globo destrua o Rio

Só o Carlos Lacerda para dar um jeito nisso
A Globo e os membros da elite que representa sofrem do medo de que, um dia, a favela vá descer.

É o temor do contágio com o pobre.

Pobre é bom na senzala, ou lá em cima, no morro.

Clique aqui para ler “preconceito contra nordestino é contra o pobre”, entrevista da professora Tânia Bacelar.

A primeira página do Globo de hoje – clique aqui para ver – leva o leitor para o Haiti.

A Globo tem uma incompatibilidade genética com o Rio: o Rio tem pobre e não vota na elite.

Enquanto Carlos Lacerda não voltar a governar o Rio – e mandar os pobres para a Vila Kennedy – a Globo não sossega.

Por isso, para refletir sobre a violência do Rio, uma respeitável instituição britânica – e tinha que ser estrangeira ! -, a BBC, entrevistou pesquisador da UERJ.

Amigo navegante, cuidado com a Globo: ela emburrece.

Sociólogo vê alarme exagerado com arrastões no Rio de Janeiro
Júlia Dias Carneiro

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Ignacio Cano diz que não há uma contabilidade oficial de arrastões

Apesar dos arrastões registrados no Rio no fim de semana e nesta segunda-feira, o sociólogo Ignácio Cano diz que ainda é cedo para falar em uma “onda” de crimes do tipo.
Pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ele prefere se ater às taxas oficiais de violência – que indicam queda na incidência de roubos nos últimos anos.
De acordo com Cano, a ideia de que os assaltos seriam uma retaliação de criminosos às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como afirmado nesta segunda-feira pelo governador Sérgio Cabral, ainda é mera especulação.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Governo do Rio atribui arrastões a pacificação de favelas

O Rio vive em clima de tensão com uma série de assaltos a motoristas em vias da cidade e da região metropolitana desde o fim de setembro. Nos ataques, criminosos bloqueiam o trânsito com seus carros e assaltam motoristas e pedestres, às vezes levando seus carros ou mesmo ateando fogo a eles.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Cano:

BBC Brasil – Em sua opinião, a que se deve a onda de arrastões na cidade?
Ignácio Cano – Tenho ressalvas em relação a afirmar que temos uma onda de arrastões. Não há uma contabilidade oficial de arrastões, porque não é um termo técnico na área de segurança, e sim um termo difuso aplicado a um roubo em série.
Mas tem muito peso no Rio, porque remete àqueles arrastões na praia que geraram um pânico muito grande nos anos 1990. A praia é o lugar de lazer por excelência no Rio, e a ideia de que poderia se tornar um espaço perigoso teve um impacto muito grande na época.
Os arrastões remetem a esse mesmo temor. Mas, se você analisa o número de roubos, houve uma redução muito grande nos últimos anos. Acho que não precisaria desse nível de alarme social que está sendo criado.
BBC Brasil – O senhor acha que existe uma tendência à dramatização?
Cano – Sim, com certeza. As pessoas lidam com insegurança no Rio de forma cíclica e dramática. Para conviver com o alto nível de violência na cidade, as pessoas tratam como se ela não existisse. Mas, então, surge um evento de grande repercussão e vira uma pauta central na cidade, todos discutem, é uma grande catarse.
Você pode escrever o histórico da segurança pública no Rio a partir desses eventos, como o ônibus 174, a chacina da Baixada, o caso do menino João Hélio, os traficantes no hotel de São Conrado.

Na verdade, o que acontece na cidade é muito mais amplo e muito mais grave, mas as políticas públicas são desenvolvidas em função desses grandes eventos, que estão sempre vinculados à classe média alta ou às áreas mais nobres. A atenção depende basicamente do perfil das vítimas.
Para democratizar a segurança pública, as políticas públicas devem vir não em função desses grandes eventos, quase sempre em áreas da zona Sul, e sim basear-se nas taxas de violência.

BBC Brasil – Nesta segunda-feira, o governador Sérgio Cabral afirmou que os arrastões são claramente uma reação ao cerco imposto aos traficantes pelas UPPs. O senhor concorda com essa teoria? Cano – Não temos como avaliar. Pode ser ou pode não ser. Gostaria de ter uma contabilidade mais confiável para saber se é uma onda de arrastões ou não, e o que está aumentando. Para mim, é mais importante observar número de roubos que vem diminuindo do que o de arrastões.
É claro que, na zona Sul, o perfil do crime vem mudando com o avanço das UPPs. O tráfico perdeu o controle territorial e teve que mudar de estratégias. Mas não sabemos como isso está afetando esses grupos financeiramente. Se a coisa tiver apertando, o roubo pode ter passado a ser uma alternativa.

BBC Brasil – O reconhecimento de uma relação com as UPPs por parte do governo pode mudar algo nas estratégias de Secretaria de Segurança do Rio? Cano – Acho que essa afirmação é uma forma de o governador dizer que isso está acontecendo porque estamos ganhando uma batalha maior. Como se fossem os efeitos colaterais, diante de um trunfo maior.
O perigo, aqui, é as classes médias acharem que a sua segurança está sendo comprometida por causa das UPPs.
Se passarem a acreditar que o investimento nas UPPs é contraproducente para quem não mora nas favelas, isso poder acabar com a sustentabilidade política do projeto. Sérgio Cabral sempre fez questão de associar a expansão das UPPs a benefícios também para o asfalto, justamente para não correr esse risco.

BBC Brasil – Tirar o tráfico das comunidades é um mérito reconhecido das UPPs. Mas o que precisa ser feito para erradicá-lo? Cano – O objetivo das UPPs não é e nem pode ser erradicar o tráfico. Ninguém erradica o tráfico, ele existe na Dinamarca, no Canadá. A questão é conseguir reduzir os níveis da violência e de controle da população por grupos armados. Os moradores agora podem voltar para casa quando quiserem, andar pelos becos, não há confronto armado.

BBC Brasil – Diante da queima de carros e do lançamento de uma granada em um veículo da Aeronáutica, no domingo, alguns jornais falaram no uso de táticas de guerrilha. Cano – Mas não se pode falar nisso aqui. Não há uma guerrilha que queira tomar o poder. O verdadeiro crime organizado não é o que vemos nas favelas, e sim o que está infiltrado em todos os Poderes. Esse crime organizado existe, e seu objetivo é parasitar o aparato do Etado para continuar extraindo lucros. Mas é outro nível, bem diferente de distribuir papelotes de cocaína.
No Brasil, há um medo de que a exclusão social se traduza, em algum momento, em violência política, como na Colômbia. Cada vez que há um episódio mais grave, cada vez que um preso menciona o Che Guevara ou apresenta ideias mais politizadas, volta a se falar em guerrilha, em terrorismo, no perigo de uma “colombianização” do Brasil.

BBC Brasil – Como o senhor acha que a população deve avaliar a situação? Cano – Acho que a gente tem que olhar mais para os números e para as taxas de incidência criminal, que estão caindo, e menos para o que aconteceu (nos últimos dias). Antes, 20 pessoas podiam morrer numa madrugada e ninguém ficar sabendo. Agora, se tem um arrastão, isso gera um pânico e ninguém pensa em outra coisa. Então, é importante olhar para o quadro mais geral.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Números da “democracia” estadunidense no Iraque.

Desde 2003:

Soldados estadunidenses mortos: 5 mil

Feridos: mais de 34 mil

Aproximadamente 106 mil iraquianos foram assassinados

3 Trilhões de dólares gastos pelo Governo Estadunidense

Fonte: Revista Caros Amigos nº 163/2010

sábado, 23 de outubro de 2010

Violência em Conacri, após novo adiamento das eleições


A Guiné-Conacri é palco de nova onda de violência, após mais um adiamento das eleições presidenciais, inicialmente marcadas para este domingo.

Várias notícias dão conta de conflitos nas ruas da capital entre apoiantes dos dois candidatos a Presidente - Cellou Dalein Diallo e Alpha Condé.

A votação agendada para este fim-de-semana completaria o primeiro processo eleitoral democrático da Guiné-Bissau, depois de 52 anos sob um regime autoritário.

Mas o chefe da Comissão Eleitoral, Gen Tourmany Sangare, considerou que a votação ainda não era viável, e que uma nova data iria ser anunciada posteriormente.

Segundo o Sangare, o material para a votação não foi distribuído e os computadores que se destinavam à contagem de votos foram roubados.

As Nações Unidas já avisaram, contudo, que um novo adiamento pode ameaçar a estabilidade do país.

Rivalidade étnica

Esta é a terceira vez que os eleitores assistem a um atraso da data apontada para a segunda volta. A primeira volta teve lugar em Junho passado.

Em Julho, o primeiro adiamento deveu-se a investigações de fraude eleitoral, e em Setembro foi a vez dos conflitos entre apoiantes dos dois candidatos interromperem o processo.

Correspondentes explicam que as tensões entre os apoiantes dos dois candidatos são provocadas pela rivalidade entre os dois maiores grupos étnicos do país - Diallo é Peul, enquanto Condé é Malinke.

O antigo primeiro-ministro Diallo é visto como o favorito à vitória, tendo alcançado 44% dos votos na primeira ronda.

Alpha Condé chegou apenas aos 18%,mas acusou existência de fraude eleitoral, dizendo ter sido lesado em 600 mil boletins de voto.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br

domingo, 19 de setembro de 2010

Como a máquina de moer republicana espalhou boatos

Barack Obama, na infância, passou alguns anos morando com a mãe e o padrasto na Indonésia. A Indonésia é um país majoritariamente muçulmano. De onde se tira que Barack Obama estudou em uma madrassa, uma escola religiosa muçulmana. Falso, era uma escola secular, mas até hoje milhões de americanos acreditam que Obama é muçulmano.

Como este e outros boatos se espalharam nos Estados Unidos, especialmente durante a campanha presidencial de 2008?

1. Corrente de e-mail ou blog anônimo;

2. Neste último caso, link pronto para disseminação;

3. Link plantado em comentários de blogs e, inadvertidamente, disseminado pelos próprios democratas que se sentiram ultrajados com “os golpes da direita” (mal sabiam que estavam sendo usados); o replicar de e-mails com nomes de gente conhecida na caixa de destinatários acresce “credibilidade” ao teor das mensagens, por associação;

4. Depois de um tempo, a “notícia” foi parar na revista Insight e dali pulou para a Fox News.

Mais tarde foi desmentida pela rede CNN.

Em The New Right-Wing Smear Machine, o repórter Christopher Hayes fez, na revista The Nation, um raio-xis da máquina de moer carne republicana, que nunca deixou de funcionar e deve estar pronta para atacar em 2012.

Detalhe: quase sempre é possível chegar à origem dos boatos, mas politicamente isso sempre acontece quando já é tarde.

Se algum leitor que souber inglês quiser traduzir o texto, aceito a ajuda.

PS: O texto será traduzido pela nossa queridíssima Caia Fittipaldi.

PS2: O homem que espalhou o boato de que Obama era muçulmano voltou atrás e agora espalha que Obama não é filho do pai dele, mas de um jornalista de esquerda que vivia no Havaí quando o pai dele, Obama, tinha voltado para o Quênia. Essa é impossível de desmentir. Se desmentir, Obama acaba propagando o boato que não tem como desprovar.

Abaixo, um vídeo que já teve mais de 3 milhões de views no You Tube diz que Obama admite ser muçulmano, baseando-se em trechos de discursos editados do atual presidente dos Estados Unidos:

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Eleitor tem até 23 de setembro para pedir segunda via do título

Por Haroldo Silva Filho

Nassif:

Segue uma informação que acredito ser da maior relevância, mas que não tem recebido a devida divulgação por parte dos órgãos de comunicação.

Da Agência TSE

Eleitor tem até 23 de setembro para pedir segunda via do título

Para votar em 3 de outubro, o eleitor que perdeu ou teve o título extraviado têm até o dia 23 de setembro para pedir uma segunda via (reimpressão) do documento, em qualquer cartório eleitoral do país. Com o objetivo de garantir o direito do voto de todos os cidadãos, em junho deste ano o Tribunal Superior Eleitoral autorizou a reimpressão até esta data, mesmo daqueles eleitores que estiverem fora do seu domicílio eleitoral. A legislação anterior previa que quem estivesse fora do seu local de votação tinha somente até 4 de agosto para pedir a segunda via do título.

Só podem pedir a reimpressão os eleitores que já tinham ou pediram o título até 5 de maio deste ano, data em que foi fechado o cadastro eleitoral de 2010.

Dois documentos

Na mesma sessão em que o TSE decidiu estender o prazo para pedido de reimpressão do título, o tribunal reiterou a obrigatoriedade da apresentação do título e de um documento oficial com foto para votar nas próximas eleições. A exigência da apresentação dos dois documentos foi introduzida na Lei das Eleições por meio da Lei 12.034/09.

Como documento oficial serão aceitos a carteira de identidade ou documento de valor legal equivalente (identidade funcional), carteira de trabalho ou de habilitação com foto e certificado de reservista. Já as certidões de nascimento ou casamento não serão admitidas como prova de identidade.

Estão aptos a votar nessas eleições 135.804.433 brasileiros. No dia 3 de outubro, serão escolhidos o novo presidente da República (e seu vice), 27 governadores, 54 senadores (renovação de 2/3 do Senado Federal), 513 deputados federais e 1.069 deputados estaduais/distritais. Caso nenhum candidato a presidente ou a governador alcance a maioria dos votos válidos neste dia, haverá segundo turno no dia 31 do mesmo mês.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-cuidados-com-o-voto?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O imperialismo planeja novas guerras

O imperialismo planeja novas guerras

O aprofundamento da crise estrutural do capitalismo e as consequências econômicas e políticas da decadência relativa dos EUA e dos países imperialistas da Europa, estão gerando novos conflitos potenciais em uma situação internacional de transição. A história nos diz que essas situações podem redundar em mais instabilidades, tensões e conflitos armados. E existem planos de guerra dos EUA e da OTAN para vários continentes.

Por Ricardo Alemão Abreu

O imperialismo não está disposto a ceder poder sem opor resistência. Um exemplo recente é o que acontecido depois do Acordo Brasil-Irã-Turquia. O acordo diplomático foi uma vitória das forças defensoras da paz, da soberania e da autodeterminação dos povos, e desmascarou as reais intenções do imperialismo dos EUA e seus aliados europeus, que não estão interessados na paz, mas em limitar o desenvolvimento tecnológico de outras nações para assegurar o seu monopólio da energia nuclear, mesmo para fins pacíficos; e ainda promover a subordinação dos países a uma ordem internacional baseada na opressão e na guerra imperialista.

Os EUA podem desencadear uma “guerra preventiva” contra o Irã

A aprovação de novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, e a imposição de sanções unilaterais adicionais pelos EUA e pela União Européia, visam a manutenção do atual sistema de poder mundial, caracterizado pela hegemonia dos EUA, e sufocar as tendências à multipolaridade e a novos papéis internacionais que podem ter países como o Brasil.

As novas estratégias militar e de segurança nacional dos EUA do presidente Barack Obama retoricamente prometem cooperação e multilateralismo. Na prática, todavia, mantém o rumo de impor seus interesses pela força e pela guerra. Segundo essas novas estratégias, os EUA, alegando a prioridade para a prevenção da proliferação nuclear, autorizam a si mesmos, em nome dos seus “interesses vitais” ou de seus aliados, como Israel, a realizar um ataque com armas nucleares, em condições “extremas”, contra qualquer país, ainda que este não detenha armamento nuclear, como é o caso do Irã. Na verdade, é a continuidade da política de “guerra preventiva” e de “guerra infinita” de George Bush. Em outras palavras, manter o poder dos EUA pela força militar, custe o que custar à humanidade.

Os fatos contradizem a retórica. Depois de um ano e meio de governo Obama, fica cada vez mais claro que os interesses de potência imperialista falaram mais alto que os discursos de campanha. Os EUA investirão em 2011, 780 bilhões de dólares em suas forças armadas, orçamento recorde desde o final da Segunda Guerra que supera em 49% o orçamento de 2000, e que é maior que os gastos militares somados de todos os demais países do mundo. Os EUA insistem em manter bases militares por todo o globo terrestre, como na ilha africana de Diego Garcia, direcionada a um possível ataque ao Oriente Médio e à Ásia Central.

Os EUA e a OTAN se capacitam para o que chamam de “Ataque Global Imediato Convencional”. Com a alteração do caráter da OTAN, que passará a atuar em todos os continentes e mares, até as Ilhas Malvinas e outros territórios próximos da América do Sul são reais ou potenciais bases militares da aliança agressiva. As forças especiais dos EUA, especializadas em ações clandestinas de guerra, em missões de inteligência, subversão e “desestabilização”, já operam em 75 países, sendo que há um ano atrás estavam em 60 países. “O mundo é o campo de batalha”, disse um alto oficial das forças especiais estadunidenses.

As agressões ao Irã se intensificam. Para o imperialismo é preciso conter o Irã e reconquistar a Turquia, antiga aliada e membro da OTAN, para não “desestabilizar” o seu controle na região do Oriente Médio e da Ásia Central. EUA e Israel se preparam para uma possível intervenção militar, deslocando forças navais através do Canal de Suez rumo ao Golfo Pérsico, próximo às costas marítimas iranianas. Negociam com a Arábia Saudita o uso do espaço aéreo em eventuais bombardeios.

O roteiro dos EUA é similar ao da guerra contra o Iraque, com pressões diplomáticas, medidas cerceadoras na ONU, campanha midiática com base em falsidades, a alegação de eventual descumprimento das sanções, e o acionar do plano de intervenção militar, direta ou através de Israel. Muitas lideranças políticas, intelectuais e especialistas no tema militar, inclusive nos EUA, levantam a possibilidade da guerra contra o Irã ser “a guerra de Obama”, assim como a guerra do Afeganistão e do Iraque foram as guerras de Bush, que Obama continua.

Escalada militar estadunidense no Oriente Médio, na Ásia e na América Latina

Na Ásia Central e no Oriente Médio, região estratégica para o domínio imperialista global, os EUA e seus aliados da OTAN aumentam seus efetivos militares no Afeganistão, prolongam a guerra que já é mais longa que a agressão contra o Vietnã, e prorrogam a ocupação militar no Iraque. Mesmo assim não conseguem vencer a resistência nacional e popular nesses países. Recentemente esse fracasso no Afeganistão derrubou o presidente da Alemanha, que foi obrigado a renunciar após cometer indiscrição e confessar publicamente os reais interesses neocolonialistas na região. A diplomacia ianque pressiona o Azerbaijão para instalar novas bases militares nesse país, similares às que existem no Quirguistão e em outras nações próximas.

Os EUA e Israel ameaçam a Síria e as forças patrióticas no Líbano, sustentam a ocupação na Palestina e o bloqueio criminoso contra a Faixa de Gaza, que a flotilha humanitária, covardemente atacada pelos militares israelenses, tão bem denunciou.
Na Ásia os EUA realizaram recentemente, em conjunto com a Coréia do Sul, manobras militares de grande porte. Em seguida acusaram o governo norte-coreano de afundar um navio de guerra sul-coreano, quando surgem fortes suspeitas de que as próprias forças militares e de inteligência ianques teriam colocado uma mina na embarcação para criar artificialmente uma tensão com a Coréia Popular e tentar isolá-la internacionalmente.

Além desses objetivos, os EUA queriam influenciar as eleições na Coréia do Sul e pressionar o premiê do Japão a manter bases militares estadunidenses em seu território, em especial a de Okinawa, e assim romper uma promessa feita na campanha eleitoral. No Japão o resultado foi a manutenção das bases estadunidenses e a renúncia do premiê japonês.

Diante do anúncio de novas e ainda maiores manobras militares navais EUA-Coréia do Sul no mar Amarelo, que contarão com o famigerado porta-aviões George Washington, o “Diário do Povo”, jornal do Partido Comunista da China, advertiu para os “riscos para a paz e a estabilidade regional”, e declarou “firme oposição” a mais esta “hostilidade contra a China”.
Na América Latina recrudescem as pressões contra a Revolução Cubana e as ameaças à Venezuela, considerada pelos centros de inteligência de Washington “a principal ameaça” contra os EUA nas Américas. Após a reativação da 4ª Frota, os EUA instalam novas bases militares, como em Honduras, onde ajudaram a promover um golpe de estado. A pretexto de ajuda humanitária ao Haiti, após o terremoto no início deste ano, forças militares estadunidenses com mais de 15 mil soldados desembarcaram no país.

Nos últimos dias mais de 7 mil soldados, 46 navios de guerra, porta-aviões, submarinos e helicópteros dos EUA instalaram-se em bases na Costa Rica, supostamente para combater o narcotráfico. O governo colombiano segue a linha traçada pelos EUA de tornar o país uma Israel da América Latina e do Caribe.

Hillary Clinton, chanceler de Obama, comanda a reação diplomática imperialista contra o Brasil. Depois dos países que detém armas nucleares, o Brasil é o país que possui o programa nuclear para fins pacíficos mais avançado, até mais avançado que o iraniano. Por isso, a ameaça ao Irã é também indiretamente uma ameaça ao Brasil, que já recebe pressões e pode ser a próxima vítima. É justamente isso que explica a iniciativa brasileira e turca que resultou no Acordo Brasil-Irã-Turquia.

Os EUA, surpresos com o êxito do acordo, e contrariados pela política externa do governo Lula em diversos temas como na resistência aos golpistas de Honduras, fazem de tudo para isolar o Brasil. Logo depois do anúncio do acordo, a Agência Internacional de Energia Atômica alertou para o risco do Brasil estar gestando armas nucleares e anunciou novas investigações intrusivas em nosso programa nuclear.

A resistência antiimperialista obtém vitórias

A ofensiva militar imperialista global atinge escala inédita, entretanto, não há como colocar travas na roda da história. O capitalismo na sua fase imperialista é um sistema historicamente superado que espalha sangue e destruição em sua rota decadente. A resistência dos povos e países oprimidos está impondo derrotas ao imperialismo, no Oriente Médio, na Ásia Central e em outros cantos da Terra. Em nosso continente, a América Latina, continuam a florescer as forças populares, democráticas e antiimperialistas. O povo brasileiro luta para que, nas eleições de outubro próximo o Brasil siga avançando e mantenha a sua política externa independente e soberana, em defesa da paz, do direito ao desenvolvimento, e de um mundo multipolar. A paz mundial e o socialismo nunca foram tão necessários à humanidade.

* Secretário de Relações Internacionais do PCdoB

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O voto feminino é importante, mas Dilma segue em desvantagem

O voto feminino é importante, mas Dilma segue em desvantagem

Voto feminino será um dos pontos centrais da campanha de Dilma

do Vermelho

Dilma Rousseff (PT) foi lançada candidata à Presidência da República sob o lema “Pátria Mãe, Pátria Mulher”, em evento no qual a questão do gênero foi abordada como um dos pontos centrais da campanha eleitoral. Uma ação na área já mencionada abertamente pela presidenciável diz respeito à construção de 6 mil creches no país num período de quatro anos — o que auxiliaria as mães trabalhadoras.

Segundo o comando da campanha, a candidata vai elucidar mais propostas “ao longo do processo eleitoral” — e o combate à desigualdade entre homens e mulheres permeará todas as políticas públicas de um eventual governo Dilma. “Estamos coletando propostas de outros partidos da coligação”, disse o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP), um dos coordenadores políticos.

Saudações e referências especiais às mulheres são frequentes nos discursos da candidata, que busca reduzir a desvantagem entre o eleitorado feminino. Nesse segmento, seu principal adversário, José Serra (PSDB), tem vantagem de sete pontos porcentuais (41% a 34%), conforme a pesquisa Ibope feita entre os dias 27 e 30 de junho.

As diretrizes do programa de governo de Dilma pregam a necessidade de políticas públicas para “desconstruir a cultura machista e patriarcal que aprofundam a desigualdade e a exclusão social de mulheres”. No programa protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a questão da mulher também é abordada em capítulo intitulado Fortalecer o Estado e construir a igualdade para aprofundar a autonomia política, econômica e social das mulheres.

“O terceiro governo do PT deve ter como eixo estruturante do seu programa a construção da igualdade entre mulheres e homens”, diz trecho do documento. As propostas pregam o “fortalecimento da Secretaria Especial para as Mulheres” e citam como prioridades a promoção da saúde da mulher, o combate à violência e a ampliação da participação de mulheres em espaços de poder.

Presidente do PMDB Mulher, a ex-deputada federal Maria Elvira reclamou com o candidato a vice-presidente na chapa de Dilma, Michel Temer (PMDB), da ausência de tópicos específicos sobre políticas de gênero e defesa das minorias. A peemedebista prometeu entregar a Temer amanhã, na ocasião da inauguração do comitê de campanha de Dilma, em Brasília, ideias compiladas e sugestões do PMDB Mulher para o programa de Dilma.

“O governo Lula avançou bastante no setor, mas ainda temos que avançar muito na política reprodutiva, na construção de creches, na educação”, opina Maria Elvira. Para o PMDB Mulher, os temas que devem merecer a atenção da candidata petista são violência familiar, habitação e saúde da mulher.

Da Redação, com informações do O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 25 de março de 2010

O Bolsa-família na Europa

Juremir Machado - blog do correio do povo

Dizem que bolsa-família é coisa de país atrasado. Concordo. Todo país europeu desenvolvido e com algum senso de responsabilidade social tem bolsa-família. Sem esse nome, claro. A Alemanha tem. A França tem. Os países escandinavos tem. Até a Inglaterra tem. Os europeus são dinossauros. Na França, o bolsa-família atende pelo nome de “aides sociales” (ajudas sociais). A França é totalmente insensível aos novos tempos. O seguro-desemprego francês pode durar até 36 meses. Depois disso, se a vida continua dura, o sujeito pode ter acesso ao RMI (renda mínima de inserção): 447 euros para uma pessoa só, 671 euros para quem tiver um filho. Quase 2 milhões 500 mil franceses recebem o RMI (nome válido até este ano). A partir dos 59 anos de idade, a pessoa pode receber o RMI sem sequer ter a obrigação de procurar trabalho. Não dá!
As famílias francesas recebem ajuda financeira conforme o número de filhos. O Estado ajuda a alugar apartamento e até a tirar férias. O sistema de saúde é universal e gratuito, inclusive os medicamentos. Que atraso! Um estudante estrangeiro em situação regular na França pode receber ajuda do Estado para ter onde morar. É muita mamata. Lembrete: o governo francês atual é, como eles dizem, de direita. Mas o Estado francês é republicano. A concepção de Estado dos europeus é muito esquisita: uma instituição para ajudar a todos e proteger os interesses da coletividade, devendo estimular a livre-iniciativa e dar condições de vida digna aos mais desfavorecidos. Agricultores recebem subsídios. Empresas ganham incentivos. A universidade é gratuita para todos os aprovados no BAC, o Enem deles. Há vagas para todos. Obviamente não há necessidade de cotas. Que loucura!
Existem instituições privadas de ensino, cujos salários dos professores são, em geral, pagos pelo Estado, pois se trata de um serviço de utilidade pública. Aí os nossos liberais adoram dizer: “E por isso que a França está quebrada”. Tive a impressão de que a crise mundial mostrou os Estados Unidos mais quebrados do que a França. Os mesmos liberais contradizem-se e afirmam: “A França é rica e pode se dar esse luxo...” É rica ou está quebrada? Quase 30% do PIB francês é distribuído em ajudas sociais. O modelo francês enfurece os capitalistas tupiniquins, leitores de revistas como a Veja, cujas páginas pingam ideologia. Visto que dá mau exemplo de proteção social, o Estado francês é chamado de anacrônico, ultrapassado, assistencialista e outros termos do mesmo quilate usados na guerra midiática. Está certo. Moderno é ajudar a turma dos camarotes e mandar a plebe se virar. Acontece que a plebe do Primeiro Mundo não aceita esse tipo de modernidade tão avançada.
É plebe rude. Se precisa, quebra tudo, mas não cede. Os ruralistas de lá são mestres em incendiar prefeituras quando falam em cortar-lhes os subsídios estatais. Nas cidades, a turma adora queimar uns carros para fazer valer seus direitos. Na Europa, pelo jeito, não se melhora o Estado piorando a sociedade. A França tem muito a aprender com o Brasil. Somos arcaicamente modernos. Numa pesquisa recente, a França tem a melhor qualidade de vida da Europa. Nada, claro, que possa nos superar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

EUA recusa proposta do Irã para permuta de urânio enriquecido

EUA recusa proposta do Irã para permuta de urânio enriquecido

Apesar de o governo do Irã ter aceitado plano da agência da ONU para energia nuclear (AIEA) para que o urânio enriquecido internamente a 3,5% fosse processado no exterior e devolvido com grau de 20%, os EUA forçaram o fracasso do acordo e prosseguiram as ameaças ao país.

O urânio enriquecido a 20% é necessário para abastecer um reator médico de Teerã usado para fins médicos. Washington recusou que a troca fosse simultânea, com urânio a 3,5% entregue em troca de urânio enriquecido a 20%. Com o hábito dos EUA de não cumprir seus tratos, o Irã não tem porque entregar urânio e receber um “cheque em branco”.

Fonte: www.horadopovo.com.br

Acreditando no fechamento do acordo, o Irã chegou a enviar o chanceler Manouchehr Mottaki à Alemanha. “Estão brincando com a gente”, retrucou o presidente Ahmadinejad, que ordenou aos cientistas e técnicos iranianos que “passem a produzir urânio a 20% com nossas centrífugas”.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Prefeitura de Nova Iorque decide fechar 20 escolas públicas na cidade

Prefeitura de Nova Iorque decide fechar 20 escolas públicas na cidade

As vaias ecoaram pelo auditório da escola Cristopher Columbus (Cristóvão Colombo) no momento em que um funcionário municipal da cidade de Nova Iorque lia a decisão de fechar o educandário, um dos últimos que restam entre os grandes colégios públicos do Bronx.

Segundo este funcionário, Santiago Taveras, a Columbus tem tido “uma longa história de fracasso acadêmico e como resultado deveria ser fechada”, como se isso não tivesse nada a ver com a administração educacional do município.

Além disso, os estudantes e professores presentes tinham uma opinião totalmente distinta. A escola recebera, nos anos em que lutava contra a falta de verba e abandono, alunos vindos dos setores mais empobrecidos entre os novaiorquinos.

“E agora que estes alunos encontraram uma casa aqui e foram recebidos de braços abertos, vocês querem tirar também isso deles”, declarou o professor Jaime Allen, encarando o oficial.

A iniciativa asinina de fechar escolas por “baixo desempenho” é do prefeito Michael Bloomberg, que acaba com grandes estabelecimentos e cria miniescolas muitas vezes várias distribuídas em um só prédio onde os alunos passam a se encolher em pequenas salas de aula. Este ano a prefeitura propõe fechar 20 escolas.

O governo federal de Obama colocou um prêmio para as escolas chamado Race to The Top (Corrida Para o Topo) que oferece bilhões de dólares de acordo com a performance dos alunos.

Como resultado disso as pequenas escolas de Bloomberg recusam-se a aceitar alunos com mais dificuldades (normalmente vindos das famílias mais pobres) e os de fala espanhola, ou ex-detentos menos ainda. Estes recorrem às antigas escolas como a Columbus que os absorvem mas apresentam notas mais baixas dos alunos em seu conjunto.

Fonte: www.horadopovo.com.br

O jornalismo de torcida do Estadão

Por Pasti

Nassif, o Estadão deu a pesquisa agora:

“SERRA É FAVORITO NA CORRIDA PRESIDENCIAL”
aheuahueahueahea é pra rir não é?

Serra é favorito na corrida presidencial, segundo Vox Populi

Governador São Paulo obteve 34% das intenções de voto; Dilma cresceu, mas ainda está em segundo lugar

São Paulo - Uma nova pesquisa da Vox Populi, encomendada pela TV Bandeirantes e divulgada ontem apontou que o atual governador de São Paulo, José Serra (PSDB), leva vantagem na corrida presidencial, com 34% das intenções de voto. Dilma Rousseff (PT), ministra-chefe da Casa Civil, está em segundo lugar, com 27%.

Na pesquisa anterior, divulgada em dezembro pela Vox Populi, apontava que Serra obteria 39% dos votos contra 18% de Rousseff. Em pouco tempo, a favorita do Presidente Lula conseguiu um crescimento de 9%
nas intenções de voto.

A pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 23 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 14 a 17 de janeiro. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais. Essa é a primeira pesquisa eleitoral a ser
divulgada em 2010.

O deputado federal Ciro Gomes aparece com 11% das intenções de voto, seguido pela senadora e ex-ministra de Lula Marina Silva, com 6% da preferência dos entrevistados.Os brancos e nulos ficaram em 10%, sendo que 9% se disseram indecisos ou não opinaram.

Fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/31/o-jornalismo-de-torcida-do-estadao/

Comentário

O Estadão passou uma semana sustentando que Aécio Neves desistiu da candidatura à presidência para ser o vice de José Serra. Remou contra todas as evidências, contra as análises mais comezinhas, contra todas as negativas do Aécio. A torcida no jornal está afetando o jornalismo.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pré-Vestibular Social Apenas R$ 20,00

O curso pré-vestibular Pedro Pomar, voltado para estudantes de baixa renda em Niterói (RJ), está com inscrições abertas. O prazo termina no dia 10 de fevereiro.

O cursinho, que funciona há mais de 12 anos, começará as suas aulas a partir de 1º de março. As aulas serão de segunda a sexta à noite e aos sábados pela manhã. As mensalidades custam R$ 20.

Para inscrever-se, os interessados devem levar um original e uma cópia dos seguintes documentos: contas de água, luz e telefone; documentos de identidade do candidato e de todos os membros da família; comprovante de renda familiar (contracheques do candidato e de quem mais trabalha na família); duas fotos 3x4 e declaração de conclusão do ensino médio.

O pré-vestibular funciona de segunda a sexta-feira, das 19h às 21h, e sábado, das 9h às 12h, e fica no prédio da Escola de Enfermagem da UFF (Universidade Federal Fluminense). O endereço é: rua Doutor Celestino, 74, no centro de Niterói (RJ).

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Estudante da Arábia Saudita é condenada a 90 chicotadas após bater na diretora da escola com um copo

Um tribunal saudita condenou um adolescente a receber 90 chicotadas e a dois meses de prisão. De acordo com o jornal saudita "Al-Watan", ela agrediu a diretora de sua escola na cabeça com um copo. O incidente aconteceu no ano passado na cidade oriental de Jubail após a diretora confiscar o celular da menina porque ela tinha uma câmera que é proibido nas escolas da Arábia Saudita.

A pedido da diretora a flagelação será feira dentro da escola "para educar" os outros estudantes. O sistema de justiça saudita tem sido criticada por grupos internacionais de direitos humanos para a aplicação de castigos corporais para pequenos delitos, bem como as amputações de ladrões e decapitações de assassinos.

Autoridades sauditas rejeitam as críticas e dizem que a prática é amplamente aprovada pela sociedade e impede o aumento da criminalidade.

Reuters