Professor de História com pós-graduação em História da África e do Negro no Brasil.CONTATO PROFISSIONAL: 21-9439-5803 (Niterói e São Gonçalo.)
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Sobre o Oriente Médio
"Milhares de israelenses que serviram no Exército têm as mãos manchadas de sangue de palestinos e não foram julgados e nem mesmo interrogados"
A libertação dos 198 prisioneiros palestinos dos calabouços israelenses está gerando polêmica.
“Dois dos prisioneiros libertados têm as mãos manchadas de sangue” proclama a mídia servil.
Leiam a seguir a opinião da professora de Literatura da Universidade de Tel Aviv Nurit Peled Elhanan que perdeu sua filha, Smadar, de 14 anos, em um atentado suicida cometido em Jerusalém em 1997.
“Esse discurso contra libertar prisioneiros com as “mãos manchadas de sangue” é um absurdo".
"Milhares de israelenses que serviram no Exército têm as mãos manchadas de sangue de palestinos e não foram julgados e nem mesmo interrogados", disse.
"Tenho uma amiga palestina, Salwa Aramin, que está em uma situação intolerável", contou. "Sua filha, Abir, de 10 anos, foi morta por um soldado israelense há um ano."
"Abir foi assassinada, com um tiro na cabeça, quando saía da escola, em Anata (Jerusalém Oriental). O soldado nem foi interrogado, a queixa da família foi arquivada", disse.
"No nosso caso, o assassino de Smadar se suicidou, mas no caso de Abir, o assassino continua livre, impune. Tanto nós, as mães israelenses que perderam seus filhos, como as mães palestinas somos vitimas da ocupação."
"Nós, os civis, somos todos vítimas dessa política cínica", afirmou Elhanan.
Em Israel há mais de 11 mil palestinos padecendo nas prisões. Eles não foram presos, mas seqüestrados, já que viviam em Território palestino.
Ninguém sabe qual é o estado de saúde deles. Entre os prisioneiros
há centenas de mulheres, idosos e crianças.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
EU NÃO ACEITO SER CO-AUTOR DE GENOCÍDIO
Luiz Carlos Azenha
Denver, Colorado -- Estou no Colorado para a Convenção que indicará Barack Obama oficialmente candidato do Partido Democrata à Casa Branca. Porém, antes de entrar neste assunto pretendo falar de outro, que julgo mais importante: a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira, em que os juízes decidirão se consideram ou não inconstitucional a demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima.
Quando fui convidado pela TV Cultura para fazer um documentário a respeito não conhecia quase nada sobre o assunto. Passei dez dias entre Boa Vista, a reserva e Brasília entrevistando dezenas de pessoas a respeito. Li muito. Discuti o assunto com especialistas. O material que coletei foi entregue a uma equipe da TV paulista, que fez um belíssimo trabalho de edição. O documentário já foi ao ar duas vezes. Acredito que oferece um panorama a respeito da polêmica, em que vários pontos-de-vista foram contemplados. Falaram tanto o líder dos arrozeiros, Paulo César Quartiero, quando os representantes dos indígenas.
É um assunto complexo, que merece reflexão. Numa entrevista que dei ao Jornal da Cultura eu mesmo disse que não se deve tratar deste assunto com o coração -- ou o figado, como preferirem -- mas com a cabeça.
Porém, não é o que tenho visto desde que estive em Roraima. Infelizmente tenho testemunhado algo que me surpreende: o racismo, o preconceito e o desprezo de muitos brasileiros pelos indígenas. Os próprios indígenas costumam dizer que isso se deve à desinformação. É o que ouvi, por exemplo, da advogada que os representa no STF, Joênia Wapixana, a primeira indígena que se formou em Direito no país.
Talvez seja, de fato, desinformação. Mas, sinceramente, acredito que é algo mais perverso: é racismo. É intolerância. É desprezo pelo diferente, por algo que no inconsciente coletivo do brasileiro representa "atraso", um alvo conveniente contra o qual dirigimos nosso ressentimento pelos fracassos do Brasil de brancos, negros e europeus.
São freqüentes, neste e em outros endereços da internet, as referências ao tratamento que os Estados Unidos deram aos indígenas, como se o genocídio cometido em outros lugares fosse justificativa para o genocídio no Brasil. "Se os americanos fizeram, nós também podemos fazer", argumentam. É vergonhoso, para dizer o mínimo. Quando se trata dos indígenas, queremos ser tão criminosos quanto os americanos? É isso? Ou nós seremos melhores do que eles?
A ignorância é, de fato, a maior inimiga dos indígenas brasileiros. Os brasileiros brancos ignoram a riqueza étnica do País, ignoram as condições em que vivem os indígenas, ignoram as leis que amparam as demarcações. E os ignorantes são muito mais suscetíveis às campanhas de desinformação movidas contra os indígenas, que tiram proveito do preconceito existente na sociedade brasileira. "Índio não dá audiência", costumava dizer a diretora de um programa da TV Globo quando eu trabalhava na emissora, supostamente apoiada em pesquisas de opinião. "Índio é bêbado e vagabundo", costumava dizer um parente meu, testemunha de conflitos fundiários no interior do País. As manifestações de racismo explícito envolvendo violência se cristalizaram no caso do índio Galdino Pataxó, aquele que foi queimado por jovens brancos de classe média alta em Brasília.
A violência institucional contra os indígenas não é uma novidade no Brasil. Foi política de estado o confinamento dos indígenas em territórios exíguos, verdadeiros campos de concentração em que se misturaram povos de diversas etnias, inclusive de famílias inimigas. Uma visita às aldeias da região de Dourados, no Mato Grosso do Sul, dará ao leitor uma idéia do que estou falando.
Lá, milhares de indígenas foram concentrados em pequenos territórios, sem assistência médica, educação ou apoio para cultivar a terra. Aos jovens resta mendigar nas ruas das cidades próximas ou trabalhar como bóias frias. Os homens deixam as reservas em busca de trabalho temporário nas lavouras. As mulheres ficam sós para cuidar dos filhos. E o Brasil só se dá conta dessa situação calamitosa quando bebês começam a morrer ou jovens, sem perspectiva, cometem suicídio.
A Constituição de 1988 reconheceu o direito dos indígenas à terra e obriga o Estado brasileiro a garantir a eles o espaço necessário para a sobrevivência. É óbvio que a população indígena cresce e que as demarcações precisam levar em conta isso. Justamente para evitar que situações como a verificada em Mato Grosso do Sul se repitam.
Não estamos tratando de um favor, mas do cumprimento da lei.
O estereótipo de que os índios são "bonzinhos", ou "selvagens" ou "inocentes" ou "manipuláveis" é só isso: um estereótipo.
Perguntem à advogada Joênia Wapixana e ela diz: "Não é pelo fato de que um índio fala português ou usa um laptop que ele deve abrir mão dos seus direitos constitucionais".
Estes são direitos coletivos ao usufruto da terra.
Terra indígena, como já escrevi aqui, é terra da União, ou seja, do Brasil, de toda a sociedade brasileira. Ao reconhecer o direito de uso da terra o Brasil não está abrindo mão de sua soberania ou "entregando" terra. Está reconhecendo a sua obrigação de preservar as diferentes etnias e de conceder aos indígenas o usufruto de território essencial para sua preservação.
Pessoalmente, entre conceder o usufruto da terra aos indígenas ou aos arrozeiros eu, Azenha, prefiro conceder aos indígenas. Sei que eles vão preservar a terra muito melhor do que agricultores, cujo principal objetivo é o lucro pessoal. Eu prefiro sustentar 500 indígenas do que uma família de classe média alta branca que se apropriou de terras públicas, tem outras propriedades e pode muito bem produzir fora de áreas demarcadas.
É disso que o STF vai tratar: de uma disputa POR TERRA entre alguns fazendeiros brancos e milhares de indígenas.
De uma disputa que já causou muitas mortes. Sabe quantas? Vinte e uma, na contabilidade dos indígenas. Nenhum homem branco. Todos os 21 mortos são indígenas. Todos morreram em conflito fundiário desde que a FUNAI começou o trabalho de reconhecimento da Raposa/Serra do Sol. Quantas vezes a mídia corporativa brasileira deu espaço para as teorias conspiratórias da extrema-direita, que em nome de beneficiar o agronegócio e as mineradoras tenta transformar os indígenas em uma ameaça à soberania?
Essa ameaça inexiste. Todas as terras indígenas pertencem à União e a presença de autoridades brasileiras nelas é garantida por decreto. A fantasia dos "vazios demográficos" não é mais que isso: uma fantasia de militares de extrema-direita que, com o fim da guerra fria, procuram "inimigos" que justifiquem a Doutrina de Segurança Nacional, uma doutrina que eles aprenderam com os americanos e que exige a existência de "inimigos internos".
É irônico que os "inimigos internos" de hoje sejam os indígenas, agora supostamente aliados dos americanos e europeus.
Não é nada irônico que gente que se diz "de esquerda" ou "progressista" se junte à extrema-direita para fazer dos indígenas "inimigos".
Por não terem voz na mídia, nem na academia, nem nos partidos, nem no Congresso, os indígenas são um inimigo conveniente.
São a garantia de que nós, brasileiros brancos, que nos sentimos tão pequenos ou derrotados diante de americanos, suecos, franceses e argentinos, podemos finalmente dizer que "ganhamos uma".
"Ganhar uma" sobre os direitos dos indígenas, em minha opinião, é genocídio. Não a limpeza étnica clássica, evidente, de grandes proporções.
A limpeza étnica malandra, nas sombras, a conta-gotas, justificada pomposamente por tribunais, jornalistas, partidos e políticos com citações jurídicas e a "produção" de fatos consumados a posteriori para forçar a "desdemarcação".
Os brasileiros brancos querem, aos poucos, matar os indígenas?
Não contem comigo. Não aceito ser co-autor de genocídio.
PS: Por um erro meu, esse texto foi publicado de forma incompleta. Os primeiros comentários foram feitos com base numa versão menor, mas o sentido do texto permanece o mesmo. Peço desculpa ao leitores e comentaristas.
www.viomundo.com
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Uma questão interessante!
Museu Ripley's Believe it or Not
sábado, 23 de agosto de 2008
BRASIL TERÁ PLANO NACIONAL DE DEFESA
Lourenço CanutoRepórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber no dia 7 de setembro, quando se comemora a Independência do Brasil, o Plano Nacional de Estratégia de Defesa, considerado pelo ministro Mangabeira Unger, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, "uma iniciativa sem precedentes na nossa história". Trata-se, segundo ele, de proposta de "qualificação abrangente das Forças Armadas, por meio do vínculo indissolúvel entre o desenvolvimento do país e a Defesa".
Segundo o ministro, a estratégia não está sendo formulada a propósito de qualquer sentimento de "ameaça por qualquer país do mundo. "Na América do Sul ou em qualquer parte do mundo não temos inimigos. Por isso, o nosso trabalho tem como foco o futuro do Brasil", asseverou.
"Nós nunca tivemos em toda a nossa história nacional uma grande discussão civil a respeito da Defesa e agora estamos determinados a ter", disse o ministro. Em entrevista à Agência Brasil, Mangabeira afirmou que a proposta foi encomendada por Lula no dia 6 de setembro do ano passado, e não objetiva apenas equipar as Forças Armadas. Ela envolve a qualificação e a reorganização das Forças Armadas "em torno de uma cultura militar pautada pela flexibilidade, pela imaginação e pela audácia. Elas devem ter capacidade para surpreender e desbordar. A estratégia de Defesa prevê a reorganização da indústria brasileira de defesa quanto na parte privada quanto na estatal", conforme o ministro, e propõe também "o aprofundamento do serviço militar obrigatório".
Mangabeira conversou com a Agência Brasil, por telefone, de Porto Alegre, antes de embarcar para Brasilia. Ele se reuniu durante a tarde de hoje (22) no Comando Militar do Sul com oficiais-generais do Exército, Marinha e Aeronáutica para discutir o Plano de Estratégia Nacional de Defesa, que é presidido pelo ministro Nelson Jobim.
"Se o Brasil quiser desbravar um caminho próprio no mundo, precisa poder dizer não quando tiver que fazê-lo e ter escudo contra ameaças e intimidações. Precisa ter espaço para afirmar rigorosamente nossa originalidade coletiva. É tudo isso que está proposto na discussão nacional da estratégia de defesa", afirmou Mangabeira.
O ministro disse que está muito animado com o plano, discutido com os oficiais do Exército, Marinha e Aeronática. "O plano que será apresentado exigirá sacrifícios da Nação e por isso mesmo toda a Nação deve participar do debate", acrescentou.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Obama e McCain partem para a baixaria
Ia acontecer, mais cedo ou mais tarde. Em geral acontece só depois das convenções. Mas, com as pesquisas demonstrando equilíbrio entre os dois candidatos à Casa Branca a campanha desandou para a baixaria.
Você, leitor deste site, deve se lembrar quando eu escrevi que Barack Obama tinha dado um fora ao promover um comício em Berlim. Funcionou para o público externo, que não vota nos Estados Unidos. Para alguém que mora em Boise, Idaho, a Europa é um lugar distante e a cena de um candidato americano fazendo campanha fora do país, francamente, é esdrúxula. O mesmo que a Marta Suplicy num comício em Manaus para demonstrar que se preocupa com o ar respirado pelos paulistanos.
Não deu outra: os republicanos usaram as imagens e o som do comício -- em que a multidão gritou "Obama, Obama" -- em comerciais de campanha dizendo que o democrata é a maior celebridade do mundo, mais preocupado em aparecer do que com os problemas reais do eleitor americano. Deu certo. Uma série de pesquisas demonstrou que a vantagem de Obama foi reduzida.
Há alguns dias a mídia brasileira divulgou um levantamento da Zogby dando vantagem a John McCain "pela primeira vez". A Zogby não é confiável. A Zogby é aquela empresa que, na véspera da eleição presidencial americana de 2004 deu que John Kerry derrotaria George Bush.
Parece claro, no entanto, que contra todas as previsões McCain se mantém competitivo -- apesar da crise econômica -- por três motivos:
1) Racismo. Tudo o que um candidato precisa fazer é levantar dúvidas sobre a honestidade de um negro para que o eleitor branco vote contra. Jamais ele vai votar contra dizendo: "Não voto em negro". Mas o racismo existe e está lá, na cabeça de muitos eleitores. Os republicanos operam uma máquina de calúnia e difamação poderosa, que combina blogs na internet com programas de rádio populares. Ela se ocupa de disseminar boatos, ilações, meias-verdades e suposições. Muitas vezes faz isso através do humor. As "informações" disseminadas através dessa rede informal de campanha são incorporadas ao dia-a-dia do americano. Ele ouve no rádio e comenta com o amigo no trabalho ou com a família em casa. Até que as "informações" sejam desmentidas a campanha eleitoral já acabou.
2) Hillary Clinton. Há sinais de desunião entre os democratas. Os eleitores de Hillary Clinton dizem, majoritariamente, que não votarão em Obama. Preferem votar em McCain. O casal Clinton representa a ala centrista do Partido Democrata. Obama é de outra turma. Mas não se trata de uma disputa ideológica. Obama rompeu o controle que os Clinton exerciam sobre a máquina partidária desde o início dos anos 90. É uma revolução interna. Eleitoras de Hillary dizem que Obama foi "sexista". O ex-presidente Clinton reclama que foi injustamente acusado, durante a campanha, de "racismo". Na verdade parece haver aí um cálculo político: se Obama perder para McCain a ex-primeira-dama volta a ser a favorita para concorrer à Casa Branca em 2012. Até agora as declarações públicas de apoio a Obama, por parte dos Clinton, foram "tépidas", para dizer o mínimo. Perguntaram a Bill Clinton se Obama estava preparado para ser presidente: "Ninguém está preparado", disse o ex-presidente.
3) Falta de empatia. Barack Obama não demonstrou, até agora, empatia com o eleitor de classe média. Ele e John McCain são milionários e é difícil vê-los, feito o Lula, se agarrando no povão sem que pareça forçado. Obama disse recentemente, pela primeira vez, que quando ele era criança a mãe teve que usar cupons do governo para comprar comida. Mais ou menos como um candidato no Brasil dizer que usou o bolsa família. Obama também usou muito bem a extraordinária declaração de John McCain que não soube dizer aos repórteres quantas casas tem. Isso mesmo: McCain não soube dizer quantos imóveis tem em seu nome (quatro, de acordo com assessores; McCain e a mulher usam oito casas, de acordo com a campanha de Obama). Mas os republicanos são rápidos no gatilho. Trouxeram de volta o nebuloso negócio envolvendo a mansão que Obama comprou em Chicago com a aparente ajuda de Tony Rezko, um lobista condenado este ano por fraude e pagamento de propina. E acusaram Obama de não ajudar o próprio meio-irmão, que uma agência de notícia italiana descobriu vivendo em uma favela de Nairobi, Quênia. Essa campanha promete.
Fonte: www.viomundo.com.br/
O mal ataca outra vez!
Um comunicado do Ministério diz que o incidente ocorreu no distrito de Shindan, na província de Herat, e que o incidente está sendo investigado.
O ataque chegou inicialmente a ser anunciado como um “sucesso” pelo Ministério afegão, que disse que um líder da milícia Talebã tinha morrido na operação.
O chefe da polícia local disse que entre os mortos há muitas mulheres e crianças.
As forças armadas americanas admitiram que houve uma operação na região, mas disseram que não havia informação sobre vítimas civis.
O correspondente da BBC em Cabul Alastair Leithead disse que é impossível confirmar de forma independente se as mortes de fato ocorreram.Fonte: www.bbcbrasil.com.br
Comentários: E assim a potência do mal vai levando a sua "democracia" aos povos deserdados da Terra.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
O jornalismo medieval de "Veja"
Atualizado em 20 de agosto de 2008 às 12:27 | Publicado em 20 de agosto de 2008 às 12:22
Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
E quem nos livrará do jornalismo das trevas de Veja?
por Conceição Oliveira, no História em Projetos
Esta semana Veja reedita a cruzada iniciada por Kamel em setembro de 2007 contra os autores de livros didáticos de História. Desta vez, a revista símbolo dos neocons tupiniquins inclui em seus processos inquisitoriais travestidos de reportagens os professores de História e Geografia concluindo que são todos uns 'incompetentes', passadistas ultrapassados e maus-caráteres por 'incutir ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas nos alunos'.
Não há nada de novo na matéria de Veja que Kamel já não tenha feito e seus asseclas dado continuidade em matérias publicadas na Época, Estadão, Folha e afins em 2007.
Na reedição de Veja estão presentes as mesmas estratégias que buscam validar o antiesquerdismo doentio de seus editores neocons travestidas de 'verdades científicas'; 'jornalismo de isenção' e outras inverdades que a grande mídia neoconservadora deseja incutir na mente dos leitores.
Pergunto-me como os professores Romano, Villa e Schwartzman ainda se prestam a falar para Veja. Não está suficientemente claro para esses intelectuais que esta revista símbolo do anti-jornalismo buscará encaixar as opiniões acadêmicas (sempre retirando-as de seus contextos) para legitimar a caçada de Veja contra tudo o que se opõe ao seu projeto 'arremedo de liberalismo'?
Dentre tantas bobagens, repletas de juízos de valor, tão ideologizadas quanto a crítica que Veja pretende fazer a seus opositores, destaco um trecho no qual a revista acusa os professores brasileiros de idolatrarem figuras que, segundo ela, não trouxeram nenhuma contribuição significativa ao país e/ou humanidade:
"Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado."
Como levar a sério uma revista que tem a pretensão de qualificar pejorativamente de 'arcano' um dos pensadores mais significativos do século XX , cujas contribuições para a filosofia da educação são reconhecidas entre seus pares no mundo todo?
Como levar a sério um periódico que obriga seus leitores a escolherem (sob pena de serem taxados de ultrapassados e equivocados) entre um educador e um físico teórico e que, excetuando o que a revista denomina de 'civilização ocidental', não reconhece humanidade no resto do planeta?
Como levar a sério uma revista que sequer se dá ao trabalho de conhecer a vasta produção de Paulo Freire e a reduz a 'um método de doutrinação esquerdista'?
Freire afirma que a pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, é feita de dois momentos distintos: o primeiro, 'em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis, com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a realidade opressora, esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação'. E o pensador complementava que em qualquer um destes momentos, fosse nos trabalhos educativos como parte do processo de organização dos oprimidos ou na educação sistemática como projeto político educacional de uma sociedade revolucionária, 'será sempre a ação profunda, através da qual se enfrentará, culturalmente, a cultura da dominação". (FREIRE, 1968: 44)
Não podemos afirmar que uma revista tão desinformada e capaz de subverter tanto os fatos e valores é um representante genuíno da 'cultura de dominação' da qual falava Freire e diante da qual os educadores comprometidos com a transformação da realidade opressora deveriam se opor. Veja não pode ser associada à cultura de espécie alguma, nem mesmo à dominante, pois o que esta revista produz é lixo cultural.
Veja sequer tem um pensador conservador à altura capaz de debater com um pensamento de esquerda do naipe da produção de Paulo Freire. Esse arremedo de revista nem é original em suas acusações a Freire: repete as mesmas falas dos ditadores e censores do período militar dirigidas ao educador libertário, reproduz a mesma ladainha preconceituosa contra a pedagogia freiriana que recentemente alguns procuradores ultraconservadores do MP-gaúcho que desejavam criminalizar o MST produziram. Veja só se dá ao trabalho de papagaiar tudo que existe de mais retrógrado no país, incluindo aí o jornalismo kameliano.
Não há debate no mundo de Veja, não há conflitos de interesses e projetos políticos que se opõem. Em Veja existe o dicotômico e tedioso mundo do 'bem contra o mal', do 'liberalismo estereotipado versus o esquerdismo estereotipado', do Brasil 'ame ou deixe-o', dos 'cristãos versus os infiéis'. O mundo de Veja é um binômio irreal, sem graça e sem importância no qual somos obrigados a escolher entre a filosofia da educação de Paulo Freire e teoria da relatividade de Albert Einstein. Não podemos buscar conhecer as diferentes contribuições destes dois importantes homens do século XX.
Talvez seja por isso que ao comemorar 40 anos, Pedagogia do Oprimido segue viva e original estimulando historiadores e educadores a refletirem sobre as contribuições e os limites da extensa e rica produção freiriana e Veja (que também faz quarenta anos) no máximo servirá aos historiadores interessados em pesquisar a capacidade de degradação de um veículo de comunicação: ao longo de quatro décadas quais diferenças existem entre a época áurea sob direção de Mino Carta e a era dos bobos da corte feito os Reinaldos e Mainardis, arremedos mal feitos dos neocons? Quem tiver paciência que faça a análise.
O que é patente aos leitores críticos que Paulo Freire ajudou a formar é que na atualidade Veja não faz jornalismo, ela arroga a si o direito de julgar produções, personalidades, projetos, políticas públicas e insiste em nos enfiar goela abaixo a sua visão pobre e restrita e deturpada do mundo.
Veja, tal qual os velhos senhores feudais encastelados que dominavam o governo, o poder de legislar e o poder de Justiça em suas possessões, sequer chegou ao século XIX onde ela julga estarem estagnados os professores que critica. A revista parou na Idade das Trevas seja qual for esse tempo-espaço (façam suas escolhas, qualquer um serve, desde que tenha sido uma era de truculência, intolerância e sectarismo bem ao estilo Veja - inquisição moderna, o terror, a ditadura, o fascismo, o nazismo, o macarthismo ou a era Bush de Guantânamo e Abugrai).
O que Veja ainda não descobriu é que os professores, proprietários de escolas e pais cada dia mais sabem distinguir o jornalismo medieval do estilo Veja do bom jornalismo produzido por profissionais menos subservientes e ignorantes. Veja precisa entender que quarenta anos de Pedagogia do Oprimido fizeram diferença positiva em nosso país, que grande parte da população pouco a pouco briga por sua cidadania, pelo direito de pensar, opinar, refletir e se recusa a permanecer na Idade das Trevas sob a batuta do tribunal arrogante de Veja. Pais e professores cada vez mais abrem mão, de bom grado, do jornalismo medieval produzido por Veja.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Christiane F. voltou às drogas, dizem jornais alemães
A alemã Christiane Felscherinow - protagonista do best-seller da década de 70, Eu, Christiane F., 13 anos, drogada, prostituída - voltou a ganhar destaque na imprensa alemã por, supostamente, ter voltado ao vício, aos 46 anos de idade.
Uma reportagem do tablóide berlinense B.Z. diz que a recaída foi um dos motivos que levou as autoridades do país a assumir a guarda do filho de Christiane, de 11 anos.
De acordo com o jornal, o menino está morando em um abrigo para crianças nas redondezas de Berlim. As autoridades estudam entregar o garoto à avó materna dele, e Christiane poderá visitá-lo regularmente.
Christiane F. tomou a primeira dose de heroína aos 13 anos e aos 14 começou a se prostituir para sustentar o vício.
Fuga
O novo drama de Christiane teria começado no começo desse ano, quando ela e o namorado decidiram emigrar para Holanda, levando o menino.
Ao tomar conhecimento do plano, o juizado de menores tomou a criança da mãe, com ajuda de policiais.
Pouco tempo depois, ela seqüestrou o próprio filho e fugiu para Amsterdã. Na capital holandesa, Christiane teria voltado a consumir heroína.
Após brigar com o namorado, a alemã voltou no fim de junho à Alemanha e, ainda no trem, entregou seu filho à Polícia Federal alemã.
Segundo a imprensa local, amigos e conhecidos contam que Christiane tem buscado as antigas amizades da época das drogas, passa a noite na casa de amigos e freqüenta uma praça de Berlim famosa como ponto de venda de entorpecentes.
O tablóide Bild cita a mãe de Christiane, que teria visitado o neto duas vezes no abrigo infantil. Ela se disse “chocada” com a situação e não sabe o que fazer para ajudar a filha.
De acordo com o periódico, o juizado afirmou que a criança só poderá voltar ao convívio da mãe caso Christiane supere seus problemas psiquiátricos e a dependência de drogas.
Recaídas
Após uma trajetória de repetidas tentativas de desintoxicação, a alemã parecia ter vencido a luta contra as drogas apesar de ter admitido, durante uma entrevista à televisão alemã em maio do ano passado, que temia “recaídas”.
Christiane ainda disse que ingeria com freqüência a metadona, um medicamento usado na terapia para dependentes de heroína.
"Tomo diariamente uma dose pequena", afirmou, contando ter medo de enfrentar novos problemas que a impedissem de criar seu filho.
“De outra forma, não sei o que aconteceria", disse Christiane F. na época. "A metadona é para mim uma segurança, para que eu não caia num buraco."
Desempregada, dizia ainda se sentir à margem da sociedade, tendo como sua principal fonte de renda o dinheiro que recebe mensalmente pelos direitos do romance que a tornou famosa.
Fonte: www.bbcbrasil.com.br
Guerra Fria ?
EUA e Polônia assinam acordo de defesa antimíssil
Os Estados Unidos e a Polônia formalizaram o acordo que prevê a instalação de parte de um escudo de defesa antimísseis americano em território polonês.
Na manhã desta quarta-feira, em Varsóvia, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice e o ministro do Exterior da Polônia, Radek Sikorski, assinaram o acordo, fechado na última quinta-feira, encerrando 18 meses de negociações.
O documento inclui as exigências feitas pela Polônia com relação à segurança do país como compensação por abrigar o escudo americano. Pelo plano, a Polônia aceita a instalação de dez mísseis interceptadores em uma antiga base militar perto da costa polonesa do Mar Báltico.
Em troca, os americanos se comprometem a ajudar o país a melhorar suas forças armadas, além de remanejar para a Polônia mísseis tipo Patriot e militares americanos, com o intuito de reforçar as defesas aéreas polonesas.
Rússia
Enquanto os EUA afirmam que o escudo irá proteger os países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de possíveis ataques de longo alcance, Varsóvia vê a ameaça mais próxima e por isso exigiu reforço na defesa do país em troca de abrigar o escudo.
A Rússia se opõe ao plano e afirma que a base poderia se transformar em alvo para um ataque nuclear e enfraquecer as defesas polonesas. Além disso, o país argumenta que a instalação de um sistema antimísseis americano no Leste Europeu “complica” a segurança global ao afetar o equilíbrio militar na Europa e estimula uma corrida armamentista.
Os russos já haviam ameaçado apontar seus mísseis para a Europa caso os EUA instalassem partes de seu sistema de defesa antimísseis perto da fronteira com a Rússia.
No entanto, Washington argumenta que o sistema irá proteger não só os Estados Unidos, mas a Europa contra mísseis e afirma que os alvos do sistema de defesa seriam países considerados perigosos, como o Irã.
Segundo a correspondente da BBC Kim Ghattas, que acompanhou a viagem de Rice até a Polônia, o momento da assinatura do acordo – durante o conflito com a Geórgia – deixou os russos ainda mais furiosos. Segundo ela, a Rússia já alertou que a Polônia está se colocando em risco de ataque com essa negociação.
Outro correspondente da BBC em Varsóvia, Adam Eston, afirma que tanto o momento escolhido para a assinatura do acordo quanto as exigências sobre a segurança e defesa do país feitas pela Polônia não contribuíram em nada para apaziguar Moscou.
Comentários: As coisas estão esquentando nesta nova Guerra Fria! Ou Não ?
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Arqueólogos alemães encontram palácio da rainha de Sabá na Etiópia
Qui, 08 Mai, 12h15
Berlim, 8 mai (EFE).- Arqueólogos alemães encontraram os restos do palácio da lendária rainha de Sabá na localidade de Axum, na Etiópia, e revelaram assim um dos maiores mistérios da Antigüidade, segundo anunciou a Universidade de Hamburgo.
"Um grupo de cientistas sob direção do professor Helmut Ziegert encontrou durante uma pesquisa de campo realizada nesta primavera européia o palácio da rainha de Sabá, datado do século X antes de nossa era, em Axum-Dungur" , destaca o comunicado da universidade.
A nota diz que "nesse palácio pode ter ficado durante um tempo a Arca da Aliança", onde, segundo fontes históricas e religiosas, foram guardadas as tábuas com os Dez Mandamentos, que Moisés recebeu de Deus no Monte Sinai.
Os restos da casa da rainha de Sabá foram achados sob o palácio de um rei cristão.
"As investigações revelaram que o primeiro palácio da rainha de Sabá foi transferido pouco após sua construção, e levantado de novo orientado para a estrela Sirius", dizem os cientistas.
Os arqueólogos acreditam que Menelik I, rei da Etiópia e filho da rainha de Sabá e do rei Salomão, foi quem mandou construir o palácio em seu lugar definitivo.
Os arqueólogos alemães disseram que havia um altar no palácio, onde provavelmente ficou a Arca da Aliança, que, segundo a tradição, era um cofre de madeira de acácia recoberto de ouro.
As várias oferendas que os cientistas alemães encontraram no lugar onde provavelmente ficava o altar foram interpretadas pelos pesquisadores como um claro sinal de que a relevância especial do lugar foi transmitida ao longo dos séculos.
A equipe do professor Ziegert estuda desde 1999, em Axum, a história do início do reino da Etiópia e da Igreja Ortodoxa Etíope.
"Os resultados atuais indicam que, com a Arca da Aliança e o judaísmo, chegou à Etiópia o culto a Sothis, que foi mantido até o século VI de nossa era", afirmam os arqueólogos.
O culto, relacionado à deusa egípcia Sopdet e à estrela Sirius, trazia a mensagem de que "todos os edifícios de culto fossem orientados para o nascimento da constelação", explica a nota.
O comunicado também diz que "os restos achados de sacrifícios de vacas também são uma característica" do culto a Sirius praticado pelos descendentes da rainha de Sabá.
EFE jcb/wr/gs
- Fonte: Yahoo Notícias.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Terrorismo Midiático
A “proibição” de Os Simpsons na Venezuela
(ou Como usar uma matriz de opinião)
por Jadson Oliveira
A “notícia” sobre a suposta proibição da série estadunidense Os Simpsons, determinada pelo governo da Venezuela, correu o mundo em meados do mês de abril. Na Internet, apareceram matérias com títulos como: “Venezuela não verá mais Os Simpsons”, “Chávez censurou Os Simpsons”, “Chávez 'estrangula' Os Simpsons”, “Hugo Chávez ataca até os desenhos animados”, conforme registra Javier Adler, em Kaosenlared.net. Ele anota também títulos da imprensa espanhola considerada “séria”: “Os Simpsons, proibidos para crianças na Venezuela” (jornal El País), “O governo venezuelano proíbe a emissão de Os Simpsons e em seu lugar passará Os Vigilantes da Praia” (La Vanguardia, que se refere ao nome em espanhol da série Baywatch, também norte-americana, que a TV Globo apresentou no Brasil, às 17 horas, com o nome SOS Malibu), “Os Vigilantes da Praia, mais educativos que Os Simpsons” (El Mundo).
O que teria acontecido realmente? Qual seria a notícia? Pura e simplesmente, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), órgão encarregado do setor, determinou à Televen, emissora de TV privada que transmite a série, que mudasse o horário do programa, fora do período considerado apropriado para crianças e adolescentes (entre as 7 e 19 horas), em atendimento a reclamações de telespectadores. (Uma orientação comum adotada pelos países ditos civilizados, como o Brasil, por exemplo). A série ia ao ar às 11 horas da manhã. A Televen a substituiu por Os Vigilantes da Praia (Baywatch) e logo depois passou a exibi-la às 19 horas.
Se isso houvesse ocorrido em outro país “normal” (como certamente ocorre), não seria nem notícia. Mas na Venezuela de Hugo Chávez... tudo vira um Deus nos acuda! Por que? Porque Venezuela lidera hoje um processo de integração soberana dos povos da América Latina, com a perspectiva do socialismo como alternativa ao capitalismo. (Além do olho grande nas imensas reservas de petróleo). E isso bate de frente com os interesses de um inimigo poderoso, o império estadunidense, que necessita, a todo custo, desqualificar o principal líder de tal processo. Então, utiliza, dentre suas ferramentas, uma poderosíssima: a manipulação da informação. E para que a coisa funcione bem, os laboratórios da “inteligência” dos Estados Unidos (a CIA e seus tentáculos nos meios de comunicação) fabricam o que se chama “matriz de opinião”.
O que é isso? Emissoras de rádio e TV e jornais batem quase todos os dias numa mesma tecla e aquela “informação”, sempre repetida, com um mesmo viés, termina se transformando num senso comum na cabeça das pessoas. Então, acabam acreditando na “notícia”: Hugo Chávez proibiu que os venezuelanos assistam às aventuras de Os Simpsons. Porque já está implantada, na cabeça das pessoas, uma matriz de opinião, segundo a qual o presidente venezuelano é capaz de tudo, aquele ditador, truculento (quiçá um terrorista!), apesar de ter vencido uma dezena de eleições. Não é por acaso que a discussão sobre matriz de opinião, terrorismo midiático e guerra de quarta geração faz parte do dia-a-dia na terra da revolução bolivariana.
Assim, enquanto os venezuelanos continuam a ver as peripécias da família Simpsons, às 19 horas, através da Televen, quantas pessoas pelo mundo têm hoje a falsa informação de que a série está proibida no país? A “notícia” transforma a determinação de mudança de horário em proibição total, evolui para envolver o presidente “despótico” e chega até a insinuar que tem o dedo do governo na troca por Os Vigilantes da Praia, o que seria risível, já que esta tem um conteúdo ideológico muito mais dentro do padrão dos heróis estadunidenses.
Jadson Oliveira é jornalista.Novo Mico do Sr. da Guerra
| Milhares de manifestantes repudiam Bush na Coréia do Sul SEÚL.— O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, viajou à Tailandia, depois de ter permanecido menos de 24 horas na capital sul-coreana onde se produziram manifestações de repúdio. Segundo a Efe, Bush tentou exercer pressão contra a República Popular Democrática da Coréia, ao demandar uma verificação de sua desnuclearização, tanto suas declarações de apoio ao presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, estiveram acompanhadas dum pedido para que envie tropas ao Afeganistão. Entretanto, nas ruas de Seúl, a polícia reprimiu com canhões de água e gases lacrimogêneos milhares de manifestantes que rejeitavam a política de guerra norte-americana, a presença e os acordos econômicos com os EUA, qualificados de desvantajosos e lesivos à soberania nacional. |
Evo Morales ratificado
LA Paz, 10 de agosto. — O presidente boliviano, Evo Morales, foi ratificado no referendo revogatório, efetuado na Bolívia, este domingo, com mais de 60% dos votos a favor, segundo os resultados de boca de urna e de vários meios e entrevistadores, informaram as agências de notícias.
O presidente expressou que a consulta popular foi um sucesso e elogiou o comportamento do povo.
Em declarações à imprensa, em uma sede sindical da cidade central de Cochabamba, aonde se deslocou depois de votar em Vila 14 de setembro, na região de Chapare, Evo disse que “se aprecia um sentimento do povo boliviano para a democracia e um sentimento de apoio a este processo de mudanças” .
Observadores eleitorais nacionais e internacionais certificaram a transparência do processo eleitoral, precisou a agência ABN.Fonte: http://www.granma.cu/portugues/2008/agosto/lun11/evo.html
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Professora: Esther Kuperman
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Assim caminha nossa política. Lamentável!
Vereador que tenta a reeleição pelo PR e foi defendido por Crivella responde por mais um homicídio, em 31 de dezembro. Acusado garante à polícia que nunca ouviu falar de milícias em Jacarepaguá
Rio - O vereador e candidato à reeleição Luiz André Ferreira da Silva, o Deco (PR), foi indiciado pelo homicídio de um policial militar e um professor horas antes do último Réveillon. As vítimas foram enforcadas em um campo de futebol na Estrada da Chácara no dia 31 de dezembro e largadas na Rua Arroio Pavuna, em Curicica. Segundo testemunhas ouvidas na 32ª DP (Taquara), o assassinato ocorreu devido a uma confusão entre integrantes da milícia de Praça Seca, Jacarepaguá. Deco — que é investigado pela Secretaria de Segurança por ligação com grupo paramilitar — também responde por um homicídio ocorrido em 2003.
O fato aconteceu por volta das 17h do último dia do ano passado. O cabo Marcílio Barbosa Macedo, 33 anos, lotado no Departamento Geral de Saúde da PM, e seu amigo, o professor de Informática Washington Estevam Ribeiro, 27, foram abordados na Rua Quiririm, em frente ao número 1.591. A pedido de um amigo, eles iam pegar um cartão de crédito numa casa e depois seguir para a festa de Réveillon na Praia de Copacabana.
Segundo testemunhas, o vereador Deco e Hélio Albino Filho, o Lica, também indiciado no inquérito, discutiram com Marcílio por ele não estar mais repassando a arrecadação que fazia no comércio da região. O PM e o amigo foram colocados em um carro e levados para um campo próximo ao local.
No dia seguinte, por volta das 11h40, dois policiais do 18º BPM (Jacarepaguá) encontraram os corpos com as mãos amarradas para trás e a mesma corda passando pelo pescoço das vítimas. Outras pessoas estão sendo investigadas pela polícia.
VEREADOR NEGA
Em depoimento na 32ª DP há duas semanas, Deco negou todas as acusações. Procurado por O DIA, o parlamentar contou que na hora do assassinato estava com a família na casa de sua sogra e que só saiu de lá no dia 2 de janeiro.
Ele ainda afirmou que “é morador da localidade há 34 anos e nunca ouviu falar em milícias no bairro de Jacarepaguá”. Lica informou a polícia que passou o Ano-Novo em uma festa atrás da creche Irmã Dulce, na Chacrinha.
Reduto dividido com Doen
No depoimento à 32ª DP, Deco afirmou “desconhecer a existência de ‘gatonet’, monopólio da venda de gás e cobrança por segurança aos moradores” nas comunidades da Chacrinha e Mato Alto, na Praça Seca. O parlamentar ainda disse “desconhecer totalmente a divisão de áreas” na região, apesar do lançamento da candidatura do policial militar Luiz Monteiro, o Doen (PTC), que buscará votos no mesmo reduto de Deco.
Os dois ‘racharam’ Praça Seca. O PM tem base eleitoral nas comunidades de São José Operário, Urucuia e Quiririos. Segundo o relato de Deco à 32ª DP, Doen ainda freqüenta as comunidades do Bateau Mouche e Ipase. Já o rival comanda as favelas da Chacrinha e Mato Alto, onde mantém um centro social com atendimento médico. No depoimento à polícia, Deco afirma que o responsável por “abrir e fechar” o centro é um PM lotado em seu gabinete na Câmara de Vereadores.
Deco recebeu 5.348 votos em 2004 e virou suplente da Senhorita Suely (Prona) no Legislativo municipal. Ele só ganhou a vaga de vereador há dois anos, quando Suely foi eleita deputada federal. Doen o apoiou.
‘PESSOA QUE ILUMINA AS TREVAS’
Dois dias antes de Deco depor na 32ª DP como indiciado por homicídio, o candidato à Prefeitura do Rio Marcelo Crivella (PRB) fez defesa veemente do vereador. Em 29 de julho, o parlamentar visitou Praça Seca, reduto eleitoral do vereador, e o definiu como "uma das pessoas que iluminam as trevas”.
O vereador, que foi pára-quedista do Exército, também responde a outro inquérito por homicídio na área da 28ª DP (Campinho), junto com Lica.
“É um rapaz que tem passado e presente dignos. Conheço sua mãe, sua família e sei onde mora. Ele vive em condições humildes. Não há vestígio de estar coligado a nenhuma milícia”, afirmou Crivella, que, no dia, visitou as favelas da Chacrinha e Mato Alto.
Fonte: www.odiaonline.com.br
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
TBILISI (Reuters) - A Geórgia pediu na segunda-feira uma intervenção internacional e recuou suas forças para proteger a capital, enquanto tropas russas ignoravam os apelos ocidentais e continuavam avançando.
"O Exército georgiano está recuando para defender a capital. O governo busca urgentemente uma intervenção internacional para evitar a queda da Geórgia", disse o governo em nota.
O presidente Mikheil Saakashvili disse que as forças russas assumiram o controle da principal rota leste-oeste, o que na prática significou dividir o país em dois. Ele pediu aos seus cidadãos que fiquem em casa e não entrem em pânico.
Moscou ignorou o apelo de cessar-fogo feito pelo G7, grupo dos maiores países industrializados, e disse que a Geórgia, descumprindo a promessa de trégua, continuava bombardeando a região separatista da Ossétia do Sul, onde o conflito começou, na quinta-feira.
O clima na capital Tbilisi é de intranquilidade. Pela primeira vez em quatro noites, as ruas ficaram vazias, sem manifestações em prol do governo. O Parlamento realizará uma sessão de emergência na terça-feira.
"Estamos trabalhando com a comunidade internacional, mas tudo o que temos até agora são palavras, declarações, apoio moral e ajuda humanitária", disse Saakashvili pela TV.
"Mas precisamos de mais: queremos que contenham este bárbaro agressor. A situação na Geórgia é extremamente difícil, já que a Rússia está usando todos os seus recursos para ocupar o país", acrescentou, referindo-se à ocupação da rodovia.
Uma testemunha da Reuters viu helicópteros georgianos bombardeando alvos perto de Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul. Um outro jornalista ouviu bombardeios numa estrada ao norte da dilapidada cidade.
MERCADOS ABALADOS
O conflito afeta o mercado do petróleo porque pela Geórgia passa um importante duto que abastece o Ocidente. A situação também alarmou os investidores na Rússia e despertou temores de uma guerra mais ampla nesta região vizinha a Irã, Turquia e Rússia.
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, que preside a União Européia neste semestre, embarca na terça-feira para Moscou e talvez Tbilisi para tentar uma mediação, embora os russos não pareçam dispostos a concessões.
As tropas de Moscou avançaram 40 quilômetros pelo território de uma outra região separatista da Geórgia, chamada Abkházia, e capturaram a cidade georgiana de Senaki. O ministério russo de Defesa disse que suas forças já se retiraram da cidade após "eliminar" a possibilidade de bombardeios contra a Ossétia do Sul.
As autoridades russas dizem não ter a intenção de ocupar nenhum território além das repúblicas separatistas sob sua proteção.
Mas uma autoridade georgiana posteriormente disse que as tropas russas ocuparam a cidade georgiana de Gori, a cerca de 40 quilômetros da Ossétia do Sul.
Correspondentes da Reuters não viram sinais de presença militar russa na cidade, embora tenham visto uma coluna de caminhões militares georgianos deixando Gori na direção de Tbilisi.
O influente parlamentar Nika Rurua afirmou posteriormente que as forças russas estão posicionadas nos arredores de Gori.
O premiê da Geórgia afirmou que tropas russas haviam entrado no porto de Poti, no mar Negro, mas a Rússia negou a informação.
RUAS VAZIAS
O conflito começou repentinamente na quinta-feira, quando o governo georgiano enviou tropas para retomar o controle da Ossétia do Sul, uma região etnicamente diversa da Geórgia, que na prática já goza de autonomia desde a década de 1990, mas sem reconhecimento internacional.
Moscou reagiu com um contra-ataque das suas forças, muito mais numerosas, e no domingo já havia expulsado as tropas adversárias de Tskhinvali, a devastada capital local. A Rússia diz que 1.600 pessoas morreram nos confrontos e que há milhares de desabrigados -- cifras impossíveis de verificar de forma independente.
Saakashvili havia dito anteriormente que aceitara um plano da França para o fim das hostilidades, o envio de uma força de paz internacional e o retorno às posições prévias.
Na segunda-feira, ainda sob bombardeio georgiano, mulheres e crianças choravam ao ver os estragos provocados pelos bombardeios. Caminhões russos distribuíam água e comida.
Uma idosa contou como se escondeu com um neto de 7 anos num porão durante os bombardeios: "Meu neto gritava: 'Tio Putin, por favor nos ajude, por favor nos ajude para que os georgianos não me matem!' Foi um pesadelo, (mas) graças a Deus os russos chegaram e está melhorando."
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, criticou os EUA por ajudarem as tropas georgianas a deixarem o Iraque às pressas, e afirmou que o Ocidente está confundindo vítimas com agressores -- uma referência ao decidido apoio ocidental à Geórgia.
"É claro que (os norte-americanos) tiveram de enforcar (o ex-ditador iraquiano) Saddam Hussein por destruir várias aldeias xiitas. Mas os atuais governantes georgianos, que em uma hora simplesmente varreram dez aldeias ossétias da face da Terra, os governantes georgianos que usaram tanques para atropelar crianças e idosos, que jogaram civis em porões e os queimaram -- esses são os atores a serem protegidos", disse Putin.
A Rússia diz ter perdido 4 aviões e 18 soldados desde o início do conflito, havendo ainda 14 militares desaparecidos e 52 feridos.
Na manhã de segunda-feira, a Bolsa de Moscou entrou em pânico e caiu ao seu menor nível em dois anos. Ela recuperou parte das perdas depois de o presidente Dmitry Medvedev declarar que a guerra já pode estar terminando.
(Reportagem adicional de Tanya Mosolova e Guy Faulconbridge em Moscou, Dmitry Solovyov em Buron, Denis Sinyakov em Tskhinvali, James Kilner em Tbilisi e Margarita Antidze em Gori)
Comentários: ONU e Estados Unidos pressionando a Rússia? Mas estes são os primeiros a apoiarem intervenções e invasões tais como as que ocorrem na Ossétia. Quem teria moral para pedir a retirada da Rússia?
sexta-feira, 8 de agosto de 2008

"UM MUNDO, UM SONHO"
A China e os Jogos Olímpicos de Pequim
Estes Jogos celebram os 30 anos das reformas impulsionadas em 1978 por Deng Xiaoping que permitiram o milagre econômico e o renascimento da China. Mas esse milagre tem vários lados ocultos. Entre eles, as graves violações de direitos humanos e o desastre ecológico. A análise é de Ignácio Ramonet.
Ignacio Ramonet
Com o lema "Um Mundo, Um Sonho", os Jogos Olímpicos de Pequim deveriam oferecer aos dirigentes chineses, de 8 a 24 de Agosto, a oportunidade para uma reabilitação internacional depois da condenação mundial que sofreram após a matança na Praça de Tiananmen em 1989. Por isso o êxito das Olimpíadas é tão primordial para eles e o primeiro-ministro Wen Jiabao insiste nas consignas de "harmonia" e de "estabilidade".Isso também explica a brutalidade da repressão contra a revolta do Tibete em março passado, assim como o furor das autoridades contra as manifestações que perturbaram, em alguns países, a passagem da tocha olímpica. Ou a rapidez no envio de auxílio aos afetados pelo terremoto de Sichuan de 12 de maio. Nada pode perturbar a consagração mundial da China neste ano olímpico.
Estes Jogos celebram os trinta anos desde o início das reformas impulsionadas em 1978 por Deng Xiaoping que permitiram o milagre econômico e o excepcional renascimento da China. Certo é que os seus triunfos impressionam. O PIB chinês duplica a cada oito anos e, em 2008, o seu crescimento pode ultrapassar os 11%. Com uma população de 1,35 bilhões de habitantes - igual à soma das Américas (900 milhões) com a Europa (450 milhões), este país já é a terceira economia do planeta: ultrapassou a Alemanha, ultrapassará o Japão em 2015 e pode superar os Estados Unidos em 2050. A China tornou-se o primeiro exportador mundial e o principal consumidor do planeta.
Mas esse milagre tem vários lados ocultos. Em primeiro lugar, as graves violações em matéria de direitos humanos, que contradizem os valores do olimpismo. Por exemplo, a China leva a cabo mais de 7.000 execuções capitais por ano, ou seja, 80% de todas as penas de morte aplicadas no mundo. Além disso, a estabilidade deste colosso vê-se ameaçada por outros perigos: uma previsível quebra bolsista, uma inflação desmedida, um desastre ecológico e motins sociais que se estão multiplicando.
O próprio vice-presidente da Assembléia Popular, Cheng Siwei, alertou: "está se formando uma bolha especulativa. Os investidores deveriam preocupar-se com os riscos" (1). E Alan Greenspan, ex-presidente do Banco Federal dos Estados Unidos, acaba de afirmar que os mercados financeiros chineses estão "sobrevalorizados" e alcançaram níveis "insustentáveis". O índice da Bolsa de Xangai multiplicou por cinco desde 2006 e o seu crescimento desde princípios de 2008 é de 106%. Quando uma bolsa atinge picos deste gênero, o afundamento poucas vezes está longe.
Neste momento, o número de ricos não pára de aumentar. A China já tem 250.000 milionários em dólares. Mas as políticas liberais do sistema também fizeram aumentar as desigualdades entre ricos e pobres, entre ganhadores e perdedores. 700 milhões de chineses (47% da população) vivem com menos de dois euros por dia; destes, 300 milhões vivem com menos de um euro diário.
O "milagre" assenta na repressão e exploração de um imenso exército de trabalhadores (os que fabricam para o mundo inteiro todo o tipo de bens de consumo baratos). Às vezes trabalham entre 60 e 70 horas por semana, recebendo menos do que o salário mínimo. Mais de 15.000 operários morrem em cada ano em acidentes de trabalho. Os conflitos sociais têm aumentado anualmente 30%: greves selvagens, revoltas de pequenos agricultores, além do escândalo das crianças escravas.
O atual contexto é propício ao descontentamento, pois na China, como em muitos países, o incremento do preço dos alimentos e da energia (a 19 de junho passado, o governo aumentou o preço dos combustíveis em 18%) traduz-se numa subida da inflação (que alcançava os 7,7% em maio) e uma consequente degradação do nível de vida. As autoridades temem a ameaça de uma inflação desestabilizadora que poderia provocar manifestações de massas semelhantes às que foram afastadas da Praça Tiananmen em junho de 1989.
A tudo isto soma-se o perigo de uma catástrofe ecológica que cada dia preocupa mais os cidadãos. O próprio ministro do Meio Ambiente, Pan Yue, admitiu a enormidade do desastre: "Cinco das cidades mais contaminadas do planeta encontram-se na China; as chuvas ácidas caem sobre um terço do nosso território; um terço da nossa população respira um ar muito contaminado. Em Pequim, 70% a 80% dos casos de câncer têm por causa o meio ambiente degradado" (2).
Todos os descontentes da China vão querer aproveitar o grande evento das Olimpíadas e a presença de 30 mil jornalistas estrangeiros para expressar as suas iras. As autoridades encontram-se em estado de alerta máximo. Sonham poder desativar o gigantesco barril de pólvora social a ponto de rebentar. Para que os Jogos de Pequim não incendeiem a toda a China.
Tradução de João Romão (Esquerda.Net)
(1) Financial Times, Londres, 30 de janeiro de 2007.
(2) Der Spiegel, Hamburgo, abril de 2005
Fonte: www.cartacapital.com.br


