quarta-feira, 24 de setembro de 2008


BANGU: PIONEIRO DO FUTEBOL NO BRASIL?


Há uma suspeita, ainda não comprovada, de que o futebol possa ter dado seus primeiros passos, ou chutes, em terras bangüenses, antes que o paulista, filho de ingleses, Charles Miller trouxesse bolas da Inglaterra e iniciasse a prática do esporte em São Paulo. Roberto Assaf, jornalista especializado em futebol, reforça a tese no seu livro(1), e que também é mencionada por Gracilda de Azevedo(3). Consta que a primeira bola entrou em Bangu escondida por Thomas Donohoe, um dos técnicos britânicos contratados pela fábrica Bangu. No campo que existia nos jardins da fábrica, Donohoe, que ficaria conhecido como Danau, jogava futebol com outros funcionários britânicos. “Donohue teria promovido uma animada partida em terreno próximo ao prédio da Companhia, seis meses antes que Miller voltasse da Inglaterra”(1). Vale ressaltar que os imigrantes especializados começaram a chegar em 1891, na maioria britânicos.

Imigrantes e brasileiros, contagiados por aquele que seria o esporte mais popular do país, tentaram fundar um clube de futebol em 1897, mas a fábrica não permitiu. Só em 1904, quando o administrador era João Ferrer, o clube foi fundado. Sua primeira sede foi na rua Estêvão, numa casa emprestada pela fábrica. O clube só ganharia um estádio em 1947, também construído pela fábrica, bem perto da sede e com o nome “Estádio Proletário Guilherme da Silveira”, homenagem a uma pessoa que, como se verá mais adiante, teve uma grande importância para o bairro. Em 1933, ano em que foi inaugurada a iluminação pública do bairro, o Bangu ganhava o Campeonato Carioca, o primeiro título profissional do futebol brasileiro.

Muita gente, no entanto, conhece o estádio como “Moça Bonita” e a razão está no início do século 20, quando uma moça, provavelmente bem bonita, morava naquela área, “numa vila com chafariz em frente”(2). O autor diz que ela atraía a atenção principalmente dos cadetes da antiga Escola Militar do Realengo. Se ela era linda e cheia de graça, como a garota mais famosa, de Ipanema, não se sabe, pois não ficou nenhum registro de sua aparência. Mas o nome como ela ficou conhecida está aí até hoje.

(André Luis Mansur)

Fontes consultadas:

1 - Bangu - Roberto Assaf - Editora Relume Dumará - Coleção Cantos do Rio - 2001.
2 - Histórias das ruas do Rio - Brasil Gerson - Lacerda & Editores - 2000.
3 - Bangu 100 anos: a fábrica e o bairro - Gracilda Alves de Azevedo Silva - Sabiá Produções Artísticas - 1999.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Reflexões sobre o poder.


Enquanto assistimos os BBBs, lemos a "Caras" e nossos representantes políticos jogam por seus interesses de poder, a Igreja Universal do Reino de Deus constrói uma base sólida de fiéis em busca do poder ainda não anunciado. Com a promessa de felicidade ainda terrena através de um futuro médio e virtual, a IURD vem crescendo na mídia, na política e, por consequência, na sociedade brasileira e mundial.

Segundo a revista "Veja", os fiéis brasileiros já passam de 24 milhões, gerando uma arrecadação superior a 2 bilhões por ano! Que empresa em qualquer ramo fatura tanto?! Lembre-se que impostos inexistem para instituições religiosas. O agraveante maior é que este faturamento não é gerado por uma empresa que tenha um produto de boa qualidade, como a contestada Coca-Cola, por exemplo, e sim, como um serviço completamente superficial: a auto-afirmação de um indivíduo através de um pacto com Deus. Sendo mais claro, a construção de um indivíduo baseado na negação da sua individualidade.

Fica claro que a salvação nunca está em nós mesmos mas no "Reino de Deus", o qual não podemos mensurar a imensidão. Desta forma, prometendo que a infelicidade momentânea se torne uma realização no futuro, o dinheiro, tão detestado pelas crenças tradicionais, é visto com bons olhos e tem até um caráter sagrado, visto que 10 % da renda de uma família deve ser depositada na conta do pastor, em uma "caixinha" anunciada nos cultos semanais.

Com este faturamento bilionário, Edir Macedo e seus obreiros investem pesado na comunicação massiva. São donos de diversas concessões de rádio, TV e mídia impressa e seguem ampliando o leque de controle via meios de comunicação. Neles são expostos casos "reais" de pessoas que deram um chute na bundinha do capeta e atingiram um ideal de vida com Deus. Largaram a bebida, o fumo, compraram uma casa, um carro e peidam perfume.

Para você ter uma idéia do que estou dizendo, a Igreja Universal acaba de comprar os direitos do grupo gaúcho Caldas Junior. Explicarei melhor: com 2% de sua receita anual, a IURD adquiriu a segunda maior rede de comunicação do Rio Grande do Sul, responsável pela rádio e TV Guaíba e pelo tradicional jornal "Correio do Povo". Nota-se que a liberdade de imprensa é algo praticamente utópico nessas condições.

Com esse poderio midiático todo, cria-se um paradigma político muito interessante. Nossos representantes politicos começam a ter duas escolhas: para se manterem eleitos ficam em silêncio e se aliam a IURD ou passam a questionar a nova cultura de massa correndo o risco de serem destruídos pelos meios de comunicação administrados pela instituição. Provavelmente, grande parte escolherá o apoio e ficará eternamente refém da moral universalista. Os poucos que questionarão terão suas integridades fritadas na panela de pressão que é a realidade dos meios de comunicação. Isto fortalece o poder político de Edir Macedo e companhia, sempre lembrando que a cada eleição cresce o número de representantes da bancada da Universal.

Você continua achando que a Igreja Universal do Reino de Deus tem como finalidade principal ser uma instituição religiosa orientadora ou já começa a cogitar um projeto de poder não anunciado?

Percebemos que o número de fiéis assumidos passa de 28 milhões. Soma-se a isto os telespectadores, "rádio ouvintes" e leitores de seus meios de comunicação de massa. Aliados a fidelidade de voto aos representantes de tal igreja nas eleições, os 100 milhões de membros votantes no Brasil e o apoio político de nossos representantes para se manterem na vitrine. Tudo isto me leva a crer que em muito pouco tempo a IURD consegue ultrapassar os 50 milhões de votos na nossa "democracia" e conquista de vez o Brasil. Estamos prestes a ver mais uma ditadura, construída sob forte influência na identidade dos brasileiros, tendo na comunicação um aliado para mascarar os reais anseios de uma instituição ideológica baseada no pensamento primário da cultura homogênea para controlar os ânimos da sociedade, cultivando o Deus punitivo e salvador que tudo vê e está em todos os lugares para consolidar-se no poder. Um plano perfeito, digno de filme e que só atesta a falta de consciência de nossa sociedade.

Pra finalizar, um recadinho do nosso futuro gestor:
"Na força do espírito de Deus vamos vencer. O mundo ocidental, a África, a Ásia, o comunismo e o islamismo precisam ser ganhos para o Reino de Deus". Edir Macedo, principal ideólogo da universal
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Fotos Históricas


Frontline trenches. Group of French servicemen, "Poilus", in front of the entrance of a cote. Woods of Hirtzbach. (Haut-Rhin. France. June 16th, 1917).
From David Latapie (merci beaucoup!)
"Poilus" (hairy) is the nickname to French WWI soldiers, since they could not afford the luxury of regular shaving. It is a term of affection, especially now.

Tranchée de 1ère ligne. Groupe de militaires Français "Poilus", devant l'entrée d'un abri. Bois d'Hirtzbach. (Haut-Rhin. France. 16 juin 1917).

James Morgan
Da BBC News

Cientistas datam construção de Stonehenge de 2300 a.C.

Arqueólogos dataram a construção de Stonehenge, o conhecido conjunto pré-histórico de círculos de pedras na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, para o período em torno de 2300 a.C. - um passo importante para descobrir como e porque o misterioso monumento foi criado.

A data, definida pelo método de datação por radiocarbono, é considerada a mais precisa já realizada e significa que as pedras foram colocadas no local 300 anos depois do que se imaginava antes.

A determinação da data foi o principal resultado de uma grande escavação no local por pesquisadores britânicos.

Por séculos, arqueólogos se maravilham com o monumento, já que análises minerais indicam que o círculo original de pedras gigantes foi transportado à planície de um local a 240 km de distância, no sul do País de Gales.

Essa façanha fez com que muitos acreditassem que as pedras tivessem 'poderes'.

Até agora, acreditava-se que a construção do primeiro círculo datava do período entre 2600 a.C. a 2400 a.C.

Para definir a data exata, o professor Tim Darvill, da Universidade de Bournemouth, e o arqueólogo Geoff Wainwright, receberam permissão das autoridades para escavar um pedaço de terra de apenas 2,5 m x 3,5 m entre dois círculos das pedras gigantes.

A escavação produziu cerca de 100 peças de material orgânico das bases das pedras, agora enterradas. Dessas peças, 14 foram enviadas para a Universidade de Oxford para uma análise com radiocarbono.

O resultado indicou a construção para o período "entre 2400 a.C. a 2200 a.C" - o ano de 2300 a.C. foi tirado como uma média.

Uma data ainda mais precisa será revelada nos próximos meses.

"É uma sensação incrível, um sonho se tornando realidade", disse Wainwright, ex-arqueólogo-chefe da English Heritage.

Centro de curas

Darvill e Wainwright acreditam que Stonehenge era um centro de curas – “uma Lourdes neolítica” para a qual os enfermos viajavam para serem curados pelos poderes do arenito cinzento, conhecido como “pedras azuis.”

Eles apontam para o fato de que “um grande número” de cadáveres encontrados em túmulos perto do local mostra sinais de doenças e ferimentos físicos sérios e uma análise dos dentes mostra que “cerca de metade” dos corpos era de pessoas que “não eram nativas da região de Stonehenge.”

Mas sem uma data precisa para a construção de Stonehenge tem sido difícil provar essa ou qualquer outra teoria.

Curiosamente, o período estabelecido pelo método de radiocarbono bate com a data do enterro do chamado "Arqueiro de Amesbury", cujo túmulo foi descoberto a cerca de 4,8 km de Stonehenge.

Alguns arqueólogos acreditam que ele seja a chave para entender a razão pela qual Stonehenge foi construído. Os restos mortais dele foram datados para o período entre 2500 a.C. e 2300 a.C.

Análises do cadáver do arqueiro e de artefatos encontrados no túmulo dele indicam que ele seria um homem rico e poderoso, com conhecimento de trabalho com metais, e que tinha viajado da região dos Alpes europeus para Salisbury por razões desconhecidas.

Análises também indicaram que ele sofria de um ferimento no joelho e de um problema dentário potencialmente fatal, o que fez com que Wainwright e Darvill acreditassem que o arqueiro tenha ido para Stonehenge em busca de cura.

Debate

Mas outros pesquisadores acreditam que não se pode descartar outras teorias para a construção do monumento.

“A teoria de que foi um centro de curas é plausível, mas eu não acredito que possamos descartar outras – que o templo era um ponto de encontro entre a terra dos vivos e a dos mortos, por exemplo”, disse Andrew Fitzpatrick, da Wessex Archaeology.

“Eu não estou convencido de que o 'Arqueiro de Amesbury' tenha vindo para Stonehenge para ser curado. Eu acredito mais que ele era um metalúrgico que viajou para o local para vender seus conhecimentos”, afirmou.

“De qualquer forma, ainda não está claro se o enterro dele aconteceu mesmo antes de Stonehenge”, concluiu.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


O Vaticano disse nesta terça-feira (16) que a teoria da evolução é compatível com a Bíblia, mas não planeja um pedido de desculpas póstumo a Charles Darwin (1809-1892) pela fria recepção dada a ele há 150 anos.

Igrejas cristãs costumam ser hostis a Darwin por conta dos conflitos entre sua teoria e a acepção bíblica da criação. O criacionismo defende que Deus teria criado o mundo em seis dias, como é descrito na Bíblia.

O arcebispo Gianfranco Ravasi, ministro da Cultura do Vaticano, deu a declaração durante o anúncio de uma conferência de cientistas, teólogos e filósofos que acontecerá em Roma em março de 2009, marcando os 150 anos da publicação da obra "A Origem das Espécies".

"Talvez devêssemos abandonar a idéia de emitir pedidos de desculpas, como se a história fosse um tribunal que está eternamente em sessão", disse, acrescentando que as teorias de Darwin "nunca foram condenadas pela Igreja Católica e nem seu livro havia sido banido".

Reuters, na Cidade do Vaticano

OS RICOS PODEM...


Lembro que nos anos 90, muitos bailes funks foram proibidos por serem um estímulo ao consumo e ao tráfico de drogas. Me pergunto, o motivo pelo qual a PF ou a PM não tomam a mesma atitude em relação às festas raves. Será o fato dos frequentadores das tais festas pertencerem a classe de privilegiados? Será pelo fato destes mesmos jovens serem filhos e parentes de ministros, deputados, senadores, empresários e etc?
Atualmente, a droga da moda nas festas reves é a piperazina que dá sensação de humor ao usuário e é tão forte, que é usada como princípio ativo de medicamentos usados para sedar esquizofrênicos em crises. Mesmo assim a coisa toda caminha firme e forte, respaldada pela impunidade das autoridades brasileiras que dá porrada e proibe a diversão e consumo de drogas somente de pobres e favelados.
E a bagunça continua...

Professor Édney Mesquita

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Enquanto isso na Bolívia...

Mídia acoberta terroristas da Bolívia

É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país.

Data: 14/09/2008

“Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz”.
Jorge Chávez, líder da oligarquia racista de Tarija.

“Não vejo razão pela qual se deve permitir o Chile se tornar marxista pela irresponsabilidade de seu povo”. Henry Kissinger, secretário de Estado do EUA, poucos dias antes do golpe de 11 de setembro de 1973 que derrubou Salvador Allende.

É repugnante a cobertura que o grosso da mídia hegemônica tem dado aos trágicos confrontos na já sofrida Bolívia. Os serviçais da TV Globo tratam os chefões golpistas como “líderes cívicos” e “dirigentes regionais”. Miriam Leitão, que esbanjou valentia ao sugerir que o governo brasileiro retirasse o nosso embaixador de La Paz e enviasse tropas às fronteiras quando da estatização do petróleo, agora é toda afável com a oligarquia racista deste país. Outros “colunistas” bem pagos da mídia chegam a insinuar que a culpa pelos violentos conflitos, que já causaram oito mortes, é do presidente Evo Morales, “um radical e populista” que instigou o separatismo regional.

A manipulação é grotesca até na terminologia. No caso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que há décadas enfrentam as oligarquias paramilitares e que foram excluídas violentamente da luta institucional no país, os guerrilheiros são estigmatizados como terroristas, narcotraficantes, bandidos. Já os bandos terroristas da Bolívia, organizados e armados pela elite racista que desrespeita o voto popular, são tratados como “comitês cívicos” e “grupos rebeldes”. O embaixador estadunidense Philip Goldberg, que acaba de ser expulso da Bolívia por estimular abertamente a divisão do país, é apresentado pela mídia subserviente como “negociador”.

A triste lembrança do Chile
O que está em curso na Bolívia é um golpe fascista organizado pela oligarquia local e teleguiado pelos EUA. Seus métodos terroristas lembram o ocorrido no Chile, em setembro de 1973, noutro golpe sangrento orquestrado pelo “império do mal”. Visam desestabilizar e derrubar o governo democraticamente eleito de Evo Morales, confirmado em agosto num referendo. Poucos são os veículos midiáticos e os “colunistas” que denunciam esta conspiração, talvez porque torçam pela derrota do que FHC chamou num paper ao governo Bush de “esquerdização da América Latina”. Como verdadeiro “partido da direita e do capital”, a mídia burguesa não tolera a democracia!

Uma das raras exceções foi o lúcido artigo de Clóvis Rossi, que há muito estava adormecido por seu rancor antiesquerda. “O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas as que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales. Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são uma cópia dos locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende... Nem o governo nem a oposição no Brasil têm o direito ao silêncio”, escreveu, relembrando sua perspicácia e coragem do passado.

O criminoso Philip Goldberg
A conspiração golpista na Bolívia, acobertada pelo grosso da mídia nativa, exige rápida resposta das forças progressistas e democráticas do Brasil. Como afirmou Evo Morales, trata-se de “uma violência fascista com o objetivo de acabar com a democracia e dividir o país”. Sob o biombo da autonomia regional, governadores de cinco departamentos (estados) e abastados empresários têm financiado bandos terroristas que já assassinaram oito camponeses favoráveis ao governo eleito, saquearam prédios públicos, destruíram uma emissora estatal de televisão, sabotaram gasodutos, bloquearam rodovias e proibiram o próprio presidente de pousar em três aeroportos do país.

Segundo relatos de Marco Aurélio Weissheimer, da Carta Maior, na semana passada “grupos de jovens de setores da classe média branca, que não escondem seu sentimento racista em relação a Evo Morales, lideraram as manifestações. Capitaneados pela União Juvenil Cruzense (UJC), eles invadiram o prédio da empresa estatal de telecomunicação para ‘entregá-lo à administração do governo Rubén Costas’, de Santa Cruz. Na Televisión Boliviana/Canal 7, saquearam o escritório, destruíram computadores e fizeram uma fogueira na entrada do prédio”. Além de Santa Cruz, as ações terroristas ocorrem em outros quatro departamentos – Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca.

Os EUA estão diretamente metidos no complô. O embaixador Philip Goldberg já foi fotografado em eventos da União Juvenil Cruzense (UJC), grupo terrorista de Santa Cruz que utiliza o slogan “terminemos com os ‘collas’ [indígenas], raça maldita”. A embaixada ianque até contratou vários destes bandidos. Goldberg é um fascista convicto. Como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, ele orquestrou a crise no Kosovo e a sangrenta guerra civil separatista naquele país. Declarado persona non grata, ele finalmente foi expulso da Bolívia. “Não queremos aqui gente separatista, divisionista, que conspira contra a unidade do país”, justificou o presidente Evo Morales.

Intensificar a solidariedade internacionalista
O governo, mesmo aberto ao diálogo, não tem se submetido à pressão dos golpistas, que exigem a anulação da nova Constituição e do referendo que aprovou a manutenção do mandato de Evo Morales. Ocorrido em 10 de agosto, por demanda da própria oposição, o referendo confirmou a força do atual presidente. Evo foi ratificado em 95 das 112 províncias do país e, apesar do caos promovido pelos golpistas, teve mais votos do que na eleição presidencial – obteve 67,41% dos votos, bem acima dos 53,3% em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos e o referendo ainda revogou o mandato de dois governadores ligados às oligarquias racistas.

Desesperada, a elite investe no terrorismo e esbarra na resistência do governo e do povo. “Vamos agir com serenidade, mas também com firmeza”, diz Alfredo Rada, ministro da Defesa. Walker Sam Miguel, ministro do Interior, garante que “os fascistas não passarão”. O governo já decretou estado de sítio, ameaça deter os chefes terroristas e acionou tropas do exército nos departamentos para garantir o fornecimento de gás e a ordem pública. A derrota dos fascistas, porém, exige o apoio dos governos e dos movimentos sociais na América Latina. O que está em jogo é o avanço da democracia, é a derrota das oligarquias, do “império do mal” e da mídia mentirosa.

sábado, 13 de setembro de 2008

Imagens da Fome.


Tempos interessantes!

Gerdau, P-SOL & Cia. Ilimitada

É impressionante, mesmo para quem é do ramo, a pasmaceira que reina entre o que deveria ser a “direita” no Brasil. Em qualquer país do mundo a notícia que comentarei a seguir daria pano para manga, aqui nem para lencinho de limpar batom de madame.

Segundo despacho de 30/08 da repórter Sinara Sandri, da Agência Reuters, “Doação da Gerdau ao Psol abre debate ideológico na esquerda”, noticia-se que a Metalúrgica GERDAU doou R$ 100.000,00 à campanha da candidata do Psol, Luciana Genro à prefeitura de Porto Alegre. A doação, que representaria cerca de 15% de todo o orçamento da sua campanha, causou frisson entre as esquerdas, abrindo “uma batalha ideológica entre integrantes de partidos de esquerda”.

Segundo o despacho “a questão se transformou em disputa ideológica já que o financiamento de campanha é apontado como origem das práticas de corrupção e vem sendo criticado por políticos de esquerda. No caso de Luciana Genro, a doação já serve como combustível para seus adversários. ‘A Luciana era vista como alguém que não se entregava (aos interesses econômicos). Infelizmente, ela aceitou o financiamento da Gerdau’, disse Fernando Correa, assessor de imprensa do PSTU em Porto Alegre”.

Segundo o Psol, a Gerdau teria procurado a candidata para oferecer o financiamento, o que é contrariado pelo grupo empresarial que declarou à Reuters, por meio de nota, que “apoiou de forma igualitária” doando 100 mil aos “candidatos à Prefeitura de Porto Alegre que procuraram a empresa”.

Enquanto a esquerda debate se a doação – e sua aceitação - é ou não uma atitude ética, onde está a “direita”? Ah, a direita brasileira, cad’ela? Pelo andar da carruagem foi passear com a Conceição, aquela que, “se sumiu, ninguém sabe, ninguém viu!” Mas não é que a direita é representada exatamente pelo “Dr. Jorge”, como é carinhosamente chamado pelos seus pupilos ao dono do grupo, Jorge Gerdau Johannpeter?

A tal direita, em Porto Alegre e adjacências, é controlada com mão de ferro - e subsidiada - pelo “Dr. Jorge” através do IEE (Instituto de Estudos Empresariais) e do IL (Instituto Liberdade). Desde 1989 promovem anualmente um tal de “Fórum da Liberdade”, o “maior espaço de debate político, econômico e social da América Latina” que chamam de contraponto do Fórum Social Mundial. A agenda para o próximo, abrilde 2009, “Agora o Mercado é o Mundo” já está pronta. Nestes fóruns geralmente são convocados palestrantes direitistas do quilate de Frei Betto e Ciro Gomes, supostamente para debater com intelectuais ‘liberais’.

De há muito se conhece a história do financiamento das esquerdas pelos empresários. A doação dos banqueiros à campanha do Lula tornou-se pública e a razão para tal estão aos olhos de quem quiser ver: os banqueiros jamais ganharam tanto dinheiro quanto nos últimos seis anos – melhor seria dizer 14, pois FHC os beneficiou quase tanto quanto Lula, vide o vergonhoso PROER. Desde então, os bancos imperam soberanos, cobram o que querem dos correntistas.

Historicamente, nenhum movimento revolucionário conseguiu nada sem o financiamento do empresariado. No Capítulo XVI do livro O Eixo do Mal Latino-Americano (Uma aliança improvável... mas real) abordo este assunto, mas para maiores detalhes ver de Anthony C. Sutton, Wall Street and the Bolshevik Revolution (Buccaneer Bokks, NY) e The Wall Street and the Rise of Hitler (GSC Associates, San Pedro, CA).

Enquanto as esquerdas debatem se é ou não moral receber a doação, ninguém do outro lado contesta a moralidade da doação feita por “Dr. Jorge”. Ninguém se pergunta: qual o interesse do Grupo Gerdau em doar dinheiro para um partido que tem em seu programa a destruição do capitalismo e da livre empresa? Ninguém pergunta por que exatamente para a filha do Ministro da Justiça de um governo com o qual o Grupo tem milionárias parcerias. Uma amiga e correspondente comentou comigo: “Imoral não é o P-SOL aceitar, mas a Gerdau oferecer (ou aceitar doar)”.

Além do aspecto moral existe aqui a hipocrisia de se travestir de paladino da liberdade. Não creio que empresários deste tipo estejam comprando a corda com que serão enforcados, como dizia Lenin: estão comprando a corda com que seremos nós os enforcados, tal qual Armand Hammer, que morreu de velho freqüentando os círculos do poder de Washington enquanto seu amigo e aliado Lenin – e seus descendentes diretos – trucidaram dezenas de milhões.

Fonte:http://www.midiasemmascara.com.br/index.php?language=pt

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Ainda sobre a tentativa de Golpe contra Morales.

Protestos dividem Bolívia ao meio; país decreta luto oficial

Sex, 12 Set, 01h39

Por Eduardo Garcia

SANTA CRUZ, Bolívia (Reuters) - A Bolívia foi dividida ao meio por protestos e bloqueios de estrada na sexta-feira, um dia depois de oito pessoas terem morrido em choques entre adversários e simpatizantes do presidente do país, o esquerdista Evo Morales.

O presidente e o governador de Tarija, que abriga a maior parte das imensas reservas de gás natural do país, acertaram reunir-se na sexta-feira para negociar o fim de quatro dias de confrontação que ainda deixaram dezenas de pessoas feridas.

No entanto, três outros governadores contrários às reformas de cunho socialista defendidas por Morales negaram-se a conversar e culparam o presidente pela onda de violência e pela situação caótica instalada no setor boliviano de gás natural, a maior fonte de receitas do país.

A Bolívia, a nação mais pobre da América do Sul, e os EUA expulsaram os embaixadores um do outro na quinta-feira depois de Morales ter acusado o governo norte-americano de dar apoio aos movimentos da oposição.

Os governadores direitistas do leste boliviano rebelaram-se contra o popular presidente, exigindo autonomia e rejeitando os planos dele sobre reformar a Constituição e distribuir terra para os pobres.

O vice-presidente do país, Alvaro Garcia, declarou um período de luto nacional de 24 horas pelas oito mortes ocorridas no Departamento de Pando. A maior parte dos mortos eram agricultores pró-Morales que, segundo o governo, foram assassinados por pessoas ligadas a políticos da oposição.

"Exigimos que esses golpistas mudem de atitude, que obedeçam à lei e que obedeçam à democracia", disse Garcia na noite de quinta-feira.

Segundo o vice-presidente, o governo garantiria a distribuição de energia e comida para todos os bolivianos apesar dos bloqueios nas estradas que estão dificultando o transporte de mercadorias na parte leste do país.

Países vizinhos da Bolívia manifestaram preocupação com a possibilidade de os grupos oposicionistas tentarem depor Morales, que sobreviveu a um referendo de confirmação de mandato realizado em agosto, obtendo então o apoio de 67 por cento dos eleitores.

O dirigente é o primeiro de origem indígena a comandar o país e prometeu realizar uma transformação socialista. A oposição mais acirrada vem da parte mais rica do país (leste), controlada pelas elites descendentes em sua maioria dos europeus.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que faria qualquer coisa para defender Morales, incluindo recorrer à força. Em um gesto de apoio à Bolívia, o líder venezuelano expulsou o embaixador norte-americano de Caracas, gesto que foi seguido por Washington.

A Argentina e o Brasil disseram que não tolerarão qualquer tentativa de golpe contra o governo boliviano e ofereceram mediar as eventuais negociações entre os dois lados em conflito.

Jornais bolivianos, no entanto, informaram na sexta-feira que Morales havia pedido aos países vizinhos para não enviarem ainda delegações ao país. O presidente deseja tentar resolver a situação internamente.

Não obstante o governo ter mobilizado soldados para proteger os gasodutos e as estações de bombeamento, policiais e militares deixaram as ruas de Santa Cruz, foco da oposição a Morales, depois de terem sido atacados por manifestantes.

Atos de sabotagem feitos contra válvulas e gasodutos obrigaram a Bolívia a suspender temporariamente o envio de gás para o Brasil, na quinta-feira. As exportações para a Argentina continuavam paralisadas na sexta-feira.

Os grupos de oposição invadiram os prédios do governo na cidade de Santa Cruz, maior cidade do leste boliviano.



Fatos que a mídia não comentam.

Massacre de Porvenir: paramilitares emboscaram camponeses.

Uma ponte situada a 7 km de Porvenir [e a 30 km da fronteira com o Brasil], por onde passava um milhar de camponeses em marcha rumo a Cobija, num protesto contra a violência deflagrada pelo governador de Pando, Leopoldo Fernández: foi este o cenário do massacre de 11 de setembro na Bolívia. Os paramilitares, treinados e financiados pelo cacique de Pando, dispararam contra gente indefesa.



Cadáveres das vítimas da chacina

Roberto Tito, um dos trabalhadores rurais que estavam na ponte quando começou a fuzilaria contra os camponeses, testemunhou: ees marchavam desarmados quando escutaram os disparos e as pessoas começaram a cair, feridas de morte.


O testemunho de Tito


Franco-atiradores, alojados nas copas das árvores, dispararam sobre a multidão sem se importar com o fato de que ali havia crianças, mulheres e velhos. Entre os camponeses, as únicas armas eram paus e facões.


"Estávamos desarmados, não foi como eles dizem. Nos detiveram uns sete quilômetros antes de Porvenir. Quando avançamos na altura da ponte, logo nos atacaram. Nos emboscaram e começaram a disparar com metralhadoras automáticas", relatou Tito, sob o impacto da morte de pelo menos dez de seus companheiros – até esta sexta-feira (12) existe um número indeterminado de desaparecidos.


"Os companheiros tiveram de escapar para todos os lados. Não perdoavam nem crianças nem mulheres. Foi um massacre de camponeses, é uma coisa que não podemos permitir", disse o trabalhador rural.


A denúncia da ministra


Em setembro de 2006, a então ministra de Governo, Alicia Muñoz, denunciou que o governador Leopoldo Fernández treinava em Cobija [cidade na fronteira com o Brasil] pelo menos uma centena de paramilitares, sob a fachada de criar uma "força de segurança cidadã".


Fernández negou a veracidade desta denúncia, mas a ministra tinha fotos e vídeos comprovatórias. E o chefe de Segurança Cidadã do governo de Pando, Alberto Murakami, admitiu o treinamento de civis.


Murakami alegou na época que se tratava de uma centena de "moradores", treinados para desempenhar funções de vigilância, devido ao "aumento da delinqüência" e à "carência de policiais".


Alicia Muñoz apresentou a denúncia como prova de que os governadores oposicionistas não agiam dentro da lei, ao contrário do que alegavam. Exatamente dois anos depois, o massacre de pessoas indefesas lamentavelmente deu razão à ministra. Dois anos mais tarde esses integrantes da "sregurança cidadã" desempenharam o papel para o qual foram treinados: distararam a sangue frio contra gente inocente.


Com informações da ABN (Agencia Boliviana de Noticias)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Reportagem sobre o Neo-nazismo no Brasil


Reportagem denuncia de Roberto Cabrini, na Rede Bandeirante, foi ao ar no Dia da Consciencia Negra - 20/nov/2006

Assista o Vídeo


Golpistas de Santa Cruz e o Governo Evo


Direita paramilitar boliviana parte para ação fora-da-lei



Milícia da UJC em ação: porretes e caminhonetes

Como denunciou o Partido Comunista Boliviano (PCB) – uma lúcida e conseqüente força revolucionária no atual processo – está em macha “um golpe de Estado civil” para derrubar Evo e pôr fim à experiência da chamada Revolução Democrática e Cultural boliviana.


Nos últimos meses, criou-se o que alguns chamaram de “empate catastrófico”. As forças da mudança buscavam efetivar a aprovação da nova Constituição boliviana, de caráter democrático e popular, antineoliberal. Enquanto as de direita tentavam aprovar os chamados “Estatutos autonômicos”. As duas propostas são antagônicas em seu conteúdo e representativas de projetos opostos de país.


Mas em 10 de agosto o povo foi chamado a dirimir o contencioso, através do referendo para revogar ou confirmar o mandato do presidente Evo Morales e de oito dos nove prefeitos (governadores) bolivianos. E deu seu veredito: Evo foi ratificado em 95 das 112 provincias do país. Nacionalmente, recebeu 67,41% dos votos, mais ainda que os 53,3% que elegeram Evo presidente em 2005. Sua votação cresceu em oito dos nove departamentos – após 30 meses de governo. Além disso, foram ratificados os dois governadores do MAS (Oruro e Potosi) e revogados dois dos governadores oposicionistas.


Já na celebração da vitória, Evo fez um chamado à conciliação e à unidade. Num gesto inédito, cogitou um acordo que juntasse aspectos da nova Constituição proposta com os Estatutos autonômicos. Mas de nada adiantaram os gestos do presidente boliviano.


Numa inversão da lógica política, a oposição não apenas ignorou os apelos conciliatórios do presidente como decidiu radicalizar suas posições. Acuada pelo voto popular de mais de dois terços dos bolivianos pró-Evo, a direita boliviana – entrincheirada no mal chamado Conalde (Conselho Nacional Democrático), que reúne cinco Departamentos bolivianos e os chamados Comitês Cívicos – decidiu intensificar ações golpistas.


A radicalização da oposição


O método da oposição para a radicalização tem sido a conformação de bandos violentos, a partir do recrutamento de lúmpens e delinqüentes para conformar milícias paramilitares, como por exemplo a União “da Juventude” Cruzenha (a UJC de Santa Cruz). Armada de enormes porretes e circulando em caminhonetes, a UJC dedica-se a ocupar e destruir instalações públicas e postos de arrecadação tributária do governo central, bloquear estradas e postos de fronteira. Chega a atacar fisicamente pobres e camponeses com feições de indígenas das terras altas bolivianas.


Dentre os slogans que animam essas milícias, está: “Terminemos com os 'collas', raça maldita”. ''Collas'' são os indigenas e mestiços com origem no altiplano e que se espalharam por todo o país, dedicando-se em geral a tarefas agrícolas e ao trabalho de vendedor de rua.


A Embaixada dos EUA está envolvida diretamente na formação destes grupos, segundo denunciou Evo Morales. Patrocina política e materialmente essas milícias, através da Usaid (Agência Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional, na tradução do inglês).


“Tenho informações de algumas autoridades, especialmente do Departamento de Santa Cruz, de que há pessoas que trabalham para a embaixada americana e organizam esses grupos”, disse o presidente no último domingo. O embaixador estadunidense, Philip Goldberg – o mesmo que, como embaixador dos EUA na ex-Iugoslávia, operou a crise de Kosovo, há dez anos – circula intensamente pelos departamentos dominados pela oposição, distribuindo apoio político e financeiro.


Numa tentativa de desmoralizar o presidente e forçar uma repressão estatal, as milícias da direita passaram a impedir a própria mobilidade de Evo Morales pelo território boliviano. No último dia 27, em Riberalta (Beni), um desses grupos ocupou o aeroporto da cidade, forçando o presidente boliviano a cruzar o Rio Mamoré de barco até Guajará-Mirim, em Rondônia, para só então voltar a La Paz. Noutro episodio, em 5 de agosto no sul do país, em Tarija, as milícias tomaram o aeroporto e impediram o desembarque dos presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Hugo Chávez (Venezuela), para assinar acordos de cooperação.


A direita se empenha também em regionalizar a crise. Nos últimos dias, as ameaças são as de bloquear a venda de gás a Brasil e Argentina, através da ocupação de instalações da estatal boliviana YPFB.


Seria algo grave: 75% do gás importado pelo Brasil junto à Bolívia abastece a industria paulista. Também foram bloqueados postos de fronteira, como os de San Matias e San Vicente – na divisa de Santa Cruz com o Mato Grosso do Sul – e outro em Beni, perto de Guajará-Mirim, em Rondônia.


Aqui, chama a atenção o cínico silêncio dos grandes grupos de comunicação no Brasil, os mesmos que fizeram um escândalo quando da nacionalização do gás boliviano em 2006 – alguns articulistas mais exaltados pediram tropas brasileiras na Bolívia. Mas desta vez se calam, mesmo diante das ameaças de corte no fluxo de gás ao Brasil, num apoio tácito à oposição de direita na Bolívia.


Também chamam a atenção as provocações das milícias paramilitares às Forças Armadas. Na última sexta-feira (5), em Cobija (Pando), elas sequestraram um pequeno avião militar, aprisionando por algumas horas um general. Em Trinidad, capital de Beni, há a ameaça de invasão de um quartel do exército. No mesmo departamento a oposição “exige” a saída do comandante militar da região. Em Santa Cruz, forças paramilitares chegaram ao extremo de cercar por todo um dia o Quartel da Polícia. O objetivo dessas provocações parece claro: provocar uma reação que gere muitos cadáveres visando desestabilizar o governo Evo.


Um golpe civil em marcha


É urgente a solidariedade ativa das forças progressistas ao povo boliviano e ao governo Evo. Da mesma forma, os governos progressistas da América Latina precisam urgentemente dar novos e claros sinais de repúdio à regionalização do conflito e a qualquer tentativa de separatismo.


O conflito na Bolívia possui os sintomas de um radicalizado e agudo conflito de classes. Não se trata, ao contrário do que do que faz parecer a grande mídia, de um conflito regional. Dados empíricos do referendo de agosto deixam claro que, mesmo nos departamento governados pela oposição, é enorme o apoio ao presidente. Em Santa Cruz, por exemplo, a votação favorável a Evo beirou os 40% dos votos. As bandeiras e o discurso da oposição, para além de “perfumarias”, são abertamente anticomunistas e neoliberais, além de racistas.


Está na ordem do dia a solidariedade ao povo boliviano, ao governo Evo Morales, ao Movimento ao Socialismo (MAS), ao Partido Comunista Boliviano e às demais forças progressistas do país. A derrocada do governo Evo, grande objetivo da direita boliviana, representaria um duro revés na luta por fazer avançar a tendência democrática, progressista e antiimperialista que ascende na América Latina.


* Membro da Comissão de Relações Internacionais do PCdoB, foi observador internacional no referendo de 10 de agosto passado

Fonte: www.vermelho.org

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Clique no link abaixo e assista o desespero do povo afegão diante de mais um ataque terrorista
praticado pelo Império do Mal (EUA), onde morreram mulheres e crianças.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=43149

Fonte: The Times.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Retratos da segregação racial nos EUA




Retratos da segregação racial nos EUA





O Povo ignorante é negócio, na visão do Senador

SENADOR DIZ QUE ESCOLAS BRASILEIRAS PREGAM COMUNISMO ÀS CRIANÇAS

Por Iara Farias Borges - Agência Senado

O senador Gerson Camata (PMDB-ES) afirmou em Plenário, na última terça-feira (19), que, segundo matéria da revista Veja, algumas escolas brasileiras fazem pregações sobre marxismo e comunismo a seus alunos. O senador disse que tal ideário pertence ao século XIX e apelou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como ao ministro da Educação, Fernando Haddad, para que não permitam que os estudantes do país sejam educados de uma forma, a seu ver, ineficiente.

- Em vez de ensinar matemática, geografia, ciências, preparar os garotos para o futuro de um mundo novo, preparam os estudantes para nada. Preparam para serem inúteis, preparam para serem revolucionários como Che Guevara - disse Camata.

O senador parabenizou a China por ter omitido, na solenidade de abertura das Olimpíadas de 2008, "o período mais negro, mais energúmeno, mais assassino e mais homicida da sua história, que foi o regime comunista comandado por Mao Tse-Tung".

Camata disse que o Brasil é o país que possui o maior número de partidos comunistas (cinco), o que, em sua opinião, representa um atraso político. Segundo ele, a ineficiência dos políticos e a "onda de corrupção que varre o Brasil" têm relação com o comunismo pregado nas escolas brasileiras. Ele também chamou a atenção para a necessidade de o país melhorar seus índices educacionais para ser mais eficiente.

Fonte: www.brasildefato.com.br


domingo, 7 de setembro de 2008

A última crônica de Fausto Wolff: 'À sombra do medo em flor'

RIO - O escritor e jornalista Fausto Wolff morreu nesta sexta-feira, dia 5, no Rio de Janeiro. Confira a seguir a última crônica do colunista, publicada nesta sexta no Caderno B, do Jornal do Brasil.

À sombra do medo em flor

Dêem a chefia da portaria ao mais dócil empregado e logo ele se tornará um tirano

Já escrevi em algum lugar que, enquanto não nos revoltarmos contra o conceito de democracia que considera sagrado o direito de uma minoria escravizar o resto, jamais chegaremos à condição de seres humanos. Seremos sempre caricaturas, títeres perdidos na ventania, sempre com cara de “desculpe, não era bem isso que eu queria dizer”.

Enquanto não se der a revolução da humanidade contra a tirania, enquanto deixarmos que nos humilhem para que possamos continuar vivendo, teremos de suportar algumas imperfeições, certos espinhos colocados em nossos sapatos ainda na infância que não podemos ou não queremos tirar.

Uma dessas imperfeições é a constatação de que, à medida que envelhecemos, vamos nos tornando mais medrosos. Quando deveria acontecer o contrário: à medida que envelhece, o homem deveria tornar-se mais corajoso, porque mais sábio, mais justo, mais conhecedor dos seus deveres e direitos.

Quando eu tinha pouco mais de 20 anos, todos os dentes e era um sujeito bonito, era também dado a papagaiadas. Certa vez, ainda noivo (havia noivados e até virgens naquela época), estava no falecido Bar Castelinho, tomando um chope com minha futura mulher, quando um dos donos de uma revista para a qual eu escrevia sentou-se à nossa mesa e se comportou de forma grosseira.

Gentilmente, mandei que se retirasse, pois já tinha de aturá-lo o dia inteiro e não pretendia fazer isso quando estava namorando. Fui despedido no dia seguinte. Na hora, a sensação foi boa, mas eu era muito jovem para perceber que os rateios estavam contra mim.

Outra imperfeição: ser burro, viver e conhecer o mínimo do seu potencial energético interior e, além disso, ter de suportar a consciência da sua mortalidade. Algumas pessoas percebem isso, mas, como são ignorantes, aceitam o princípio nada otimista de que a vida é um absurdo porque acaba na morte e, como dizia Camus, o homem vive e não é feliz. Essa constatação é tão angustiante que, sem uma garrafa ao alcance da mão, é difícil resistir à tentação de não dar um tiro na têmpora.

Hoje em dia, em pleno século 21, a grande maioria de escravos aceita essa condição fingindo não saber dela, fingindo que a vida é assim mesmo. Uns entram com o pé e os outros com o popô, uns com o pescoço e os outros com a foice. Excetuando os psicopatas que, aparentemente, já nascem tortos, alguns poucos escravos se rebelam e saem fazendo bobagens: roubando, assaltando, matando, estuprando.

Quando isso acontece, todos ficam com cara de tacho, fingindo que não têm nada a ver com o peixe. Em seguida, os políticos pedem “responsabilidade criminal aos 16 anos”. Logo, pedirão responsabilidade aos 15, 14 e cosi via. Cosi via significa que aumentará o número de crianças assassinadas ao nascer; aceitação literal da loucura religiosa de que o homem já nasce pecador. Claro que essa lei só valerá para crianças pobres.

Sou contra a pena de morte, mas, como a tragédia, mesmo quando coletiva, é sempre individual, o que eu faria se matassem alguém indispensável à minha vida? E se alguém tirasse a vida de uma pessoa e, ao fazer isso, me deixasse aleijado interiormente pelos anos que me restam?

Como não acredito na Justiça e também não acredito que podemos julgar oficialmente os efeitos sem punir as causas, eu simplesmente mataria o assassino. E o faria pessoalmente, com as minhas mãos.

Em seguida, cidadão exemplar que sou, me entregaria ao juiz. Não teria resolvido nada, mas como sou humano em estágio ainda bárbaro, pelo menos isso atenuaria um pouco a minha dor.

Como vejo a coisa hoje? Dêem a chefia da portaria de um edifício ao mais dócil dos empregados e logo ele se tornará um tirano para agradar ao poder imediatamente acima dele.

O poder ama a si mesmo e aos poderosos. É tão implacável na sua injustiça que consegue convencer mais de 100 milhões de brasileiros adultos de que devem escolher entre o algoz da esquerda e o da direita. E nada acontece.

Fonte: www.jbonline.com.br