domingo, 30 de novembro de 2008

Cala a boca, FHC!

Quem disse: “ A globalização é o novo Renascimento da humanidade.”

Quem disse: “Quem acabou com a inflação, vai acabar com o desemprego.”

Quem disse: “Esqueçam o que eu escrevi.”

Quem disse: “Vou virar a página do getulismo.”

Quem disse, no último comício de Alckmin, no segundo turno, com a camisa fora da calça, desesperado: “Lula, você acabou, você morreu.”

Quem disse: “O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal” e entregou o Estado com a dívida pública 11 vezes maior.

Quem disse: “Eu tenho um pé na cozinha” e depois de terminado o mandato, cinicamente acrescentou: “na cozinha francesa”.

Quem quebrou a economia brasileira três vezes e na última, em 1999, subiu a taxa de juros para 49%?

Quem reprimiu e tentou criminalizar os movimentos sociais?

Quem fez a Petrobras mudar de nome para Petrobrax, para tentar privatizá-la. Quem vendeu 1/3 das ações da Petrobras nas bolsas de valores de Nova York e de São Paulo? Quem quebrou o monopólio estatal do petróleo no Brasil?

Quem comprou votos de parlamentares para mudar a Constituição e conseguir um segundo mandato?

Quem aumentou como nunca o trabalho precário no Brasil?

Quem entregou o patrimônio público a preço de banana aos grandes capitais privados nacionais e internacionais, depois de sanear empresas públicas com dinheiro do BNDES e financiar essa transferência com juros subsidiados, no maior caso de corrupção da história brasileira.

Quem disse que os trabalhadores brasileiros são preguiçosos?

Quem disse que o Brasil tem vários milhões de pessoas “inimpregáveis”?

Quem sumiu o Brasil na longa recessão a partir de 1999, que só foi superada no governo Lula?

Quem quase liquidou o Mercosul com suas idéias de livre comércio e de prioridade de comércio com os países do norte?

Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil?

Quem fracassou e teve seu governo largamente rejeitado quando seu candidato foi derrotado em 2002?

Quem não conseguiu nem que o candidato do seu partido defendesse seu governo nas eleições de 2006?

Quem é o político atualmente mais rejeitado pelo povo brasileiro, como tendo sido o presidente dos ricos?

Quem tinha o apoio de 18% dos brasileiros a esta altura do mandato, quando Lula tem 80% de apoio e 8% de rejeição.

Quem disse e fez tudo isso, FHC, deve calar a boca para sempre. O povo o rejeitou, o Brasil o rejeitou, democraticamente.

CALA A BOCA, FHC!

Postado por Emir Sader

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Vala na França pode ter restos de 400 soldados da 1ª Guerra

da BBC Brasil

Arqueólogos no norte da França encontraram o que pode ser uma vala comum com centenas de soldados britânicos e australianos mortos em uma batalha da Primeira Guerra Mundial.

Pesquisadores da Divisão de Arqueologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, iniciaram uma operação para escavar o campo de batalhas em Fromelles, na esperança de encontrar soldados que foram considerados desaparecidos há 92 anos.

A equipe já descobriu fragmentos de corpos, incluindo parte de um braço humano. Especialistas afirmam que a vala comum pode conter os restos de até 400 soldados.

Muitos familiares de soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial, principalmente australianos, esperam que os arqueólogos encontrem os restos dos soldados para que eles finalmente tenham um funeral.

A batalha

A batalha de Fromelles, em julho de 1916, tinha como objetivo desviar as tropas alemãs e impedir que os soldados chegassem até o campo de batalha em Somme, ao sul.

Mas, devido a falhas no planejamento da batalha, a missão foi desastrosa.

Apenas nas primeiras 27 horas, cerca de 2.000 soldados australianos foram mortos e, no total, mais de 7.000 soldados australianos e britânicos foram mortos, feridos ou considerados desaparecidos.

Os arqueólogos escoceses examinam a área perto dos bosques onde, segundo os pesquisadores, os alemães teriam enterrado os soldados mortos em uma vala.

Soldados australianos estão acompanhando as escavações enquanto a equipe de cientistas revira o solo procurando por ossos, armas e fragmentos de uniformes. Até o momento, foram encontrados restos em cinco dos oito locais de escavações.

"Ao examinar os fragmentos de uniformes, os especialistas podem afirmar se são britânicos ou australianos porque eles tinham botões diferentes", diz Peter Barton, historiador especialista na Primeira Guerra Mundial que participa da escavação.

Se a vala comum com os 400 soldados for mesmo encontrada, os países de origem dos soldados vão decidir se haverá uma exumação e, depois, um funeral. Outra opção é deixar os soldados onde estão e construir um monumento no local.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br

sábado, 22 de novembro de 2008


Começou, na internet, a campanha contra Dilma Rousseff, alegando tratar-se de uma "terrorista". Vai afetar a candidatura dela?

terça-feira, 18 de novembro de 2008


Família mais antiga já identificada 'foi morta', dizem cientistas

A família mais antiga já identificada por testes genéticos teve morte violenta segundo análise de uma ossada de 4.600 anos encontrada na Alemanha.

Em relato publicado na revista científica PNAS, cientistas dizem que os ossos quebrados dessas pessoas da Idade da Pedra mostram que elas tiveram morte violenta.

Análises de DNA de um jazigo confirmam que os ossos são de uma mãe, um pai e dois filhos seus.

"Estamos certos mesmo, com base em evidências biológicas, não estamos supondo ou assumindo", disse Wolfgang Haak, do Centro Australiano para DNA Antigo, em Adelaide, que conduziu as análises de DNA.

O filho e a filha foram enterrados abraçados a seus pais.

Ao todo, os quatro jazigos continham 13 corpos, oito de crianças de entre seis meses a 9 anos de idade, e cinco adultos de entre 25 a 60 anos.

Em duas covas, o DNA estava bem preservado, o que permitiu comparações entre os códigos genéticos de seus ocupantes. Uma delas continha a família, enquanto a outra abrigava três crianças aparentadas e uma mulher, que, segundo os cientistas, pode ter sido uma tia ou madrasta.

Acredita-se que os corpos encontrados eram de pessoas que pertenciam a um grupo conhecido como Cultura da Cerâmica Cordada, caracterizado pelos potes e vasos decorados com motivos de cordas entrelaçadas. Quando enterrados, os corpos geralmente eram colocados com a face voltada para o sul.

Na cova da família, os adultos 'olhavam' para o sul, mas as crianças em seus colos olhavam para os pais. Os cientistas dizem que nesse caso foi feito uma exceção à regra cultural para expressar a relação biológica.

Arma de pedra

O cuidado com o qual os corpos colocados na cova mostra que quem quer que os tenha enterrado sabia exatamente quem eles eram, diz Haak.

O pesquisador afirmou ter ficado “tocado” na primeira vez que viu os corpos.

“Você sente um tipo de simpatia por eles, é uma coisa humana, alguém realmente deve ter tido cuidado com eles”, diz o especialista.

“Normalmente deve-se ser cuidadoso em pesquisas arqueológicas para não permitir que os sentimentos nos deixe fazer julgamentos com base nas idéias modernas. Não sabemos o quão dura a vida deles era e se havia algum espaço para o amor”.

Segundo os pesquisadores, o aspecto mais “apavorante” da descoberta foi identificar a causa da morte.

“Com certeza eles foram assassinados”, diz Alistair Pike, da Universidade de Bristol. “Eles tinham grandes buracos na cabeça, dedos e punhos quebrados”.

Pelo menos cinco dos indivíduos mostram provas de um ataque violento. Um deles ainda guarda a ponta de uma arma de pedra encravada em uma vértebra.

Wolfang Haak acredita que como a maioria dos corpos era de mulheres e crianças, é provável que a maioria dos adultos estava longe na hora do ataque, talvez lutando ou no campo.

“Eles voltaram para casa no vilarejo e encontraram seus entes queridos mortos”, acredita. “É uma hipótese, mas esta me parece a explicação mais plausível”.

Ainda segundo os especialistas, episódios violentos como esse se encaixam no que se sabe até agora sobre a vida na Europa central na época.

A área tinha terras férteis, um clima estável e estradas de acesso natural. Tais características tornaram a região um lugar cobiçado por muitos, o que poderia ter criado um ambiente de competição entre seus habitantes levando a confrontos violentos.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

ALERTA AMARELO: A GLOBO NOS TEMPOS DA DENGUE

Um leitor deste site deixou nos comentários um texto publicado pelo jornal O Globo em editorial depois da fala do ministro José Gomes Temporão na TV: "As palavras tranqüilizadoras do ministro José Gomes Temporão sobre a febre amarela em cadeia nacional na noite de domingo, tem contra si a baixa credibilidade do governo. Se tantas vezes anunciaram que o apagão aéreo havia acabado, e não era verdade, porque não fariam a mesma coisa com a febre amarela?, pode-se perguntar o brasileiro ressabiado. Diante da maré de descrença, resta a Brasília abastecer postos de saúde com vacinas e não sonegar qualquer informação sobre o que acontecer com a doença."

Ou seja, como lembrou o leitor, eu interpreto esse texto como clara convocação para TODA A POPULAÇÃO se vacinar, apesar de especialistas - de dentro e de fora do governo - terem dito o contrário. Notem que não há nenhum alerta, nenhum porém. O governo, segundo o jornal, deve abastecer os postos de saúde de vacinas. E ponto.

Agora analisemos a lógica do jornal das Organizações Globo. O brasileiro iria se vacinar levado pela suposta "maré de descrença" em torno do governo. Mas as pesquisas, que são ainda o melhor método de avaliar o estado de espírito da opinião pública, não demonstram "maré de descrença", pelo contrário, a aprovação do governo tem sempre estado acima de 50% de ótimo e bom. Existe, sim, maré de descrença de uma parcela minoritária da população brasileira em relação ao governo, por diversos motivos. Um deles, talvez o principal, é que jornais como O Globo e emissoras de televisão como a TV Globo PROMOVEM a maré para tentar afogar o governo. As famílias Civita, Marinho, Mesquita e Frias, para falar de apenas algumas, se comportam como alas de um mesmo partido político cujo objetivo é impor à maioria dos brasileiros seus interesses políticos e econômicos. Promovem a polarização da opinião pública e uma campanha em que mentem, omitem, distorcem e manipulam informações.

Falo não de ouvir dizer. Falo como testemunha. Quando eu trabalhava na TV Globo do Rio de Janeiro e houve a epidemia de dengue, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e tendo como ministro da Saúde José Serra, a ordem era ajudar a população a combater o mosquito transmissor da doença, com reportagens didáticas quase diárias no Jornal Nacional. Eu mesmo fiz várias destas reportagens em subúrbios do Rio de Janeiro, ensinando a população a colocar uma gota de água sanitária nos vasos, se livrar de pneus velhos e de água parada. Fiz as reportagens com prazer, já que acho que essa é UMA das obrigações de uma concessão pública de televisão, a de prestar serviços à população.

Lembro também, como testemunha, do apagão elétrico durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Também neste caso, a ordem era ensinar a população a colaborar com a economia de energia. Eu mesmo fiz várias reportagens a respeito, demonstrando como o chuveiro elétrico era coisa do passado. O único eletrodoméstico sobre o qual era proibido falar, para efeito de comparação de gastos de energia com os demais, era a televisão. Aparentemente, a Globo tinha medo de que as pessoas decidissem economizar energia deixando de ver a novela.

Não acredito que o papel de uma emissora de televisão, pública ou privada, seja a de promover os governos de ocasião. A crítica é essencial. E nos dois episódios citados acima ela aconteceu nos telejornais da TV Globo. O que me espanta, agora, é ver que as Organizações Globo, conforme expresso no editorial do jornal O Globo, abandonaram completamente o bom senso jornalístico, suprimiram o contraditório e ajudam a criar a tal maré de descrença que, em seguida, é usada para justificar o comportamento irresponsável - alguns diriam criminoso - de "incitar" a população a tomar indiscriminadamente uma vacina que tem o potencial de matar.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/

Nas entrelinhas...


Já repararam que apresentadores de TV (jornal, programa esportivo e etc.) se apresentam portando um laptop qualquer sem, no entanto utilizarem o tal equipamento? Fátima Bernardes chegou ao ridículo de ler as notícias nas velhas folhas de papel escondidas por detrás do aparelho. Tudo pelo comércio, para aumentar as vendas de laptop?

sábado, 15 de novembro de 2008


Grandes expectativas: o que é possível esperar de Obama?

O significado histórico da eleição de Obama não deve ser subestimado. Basta lembrar que ocorreu em um país onde a Ku-Klux-Klan chegou a ter milhões de membros capazes de executar uma campanha de terror e morte contra cidadãos negros com o apoio de um sistema jurídico discriminatório. É um momento horroroso para ser eleito presidente, mas também é um desafio. Que tipo de mudanças podemos esperar com Obama que assume um país em processo de desindustrialização e fortemente dependente das finanças globais?

Tariq Ali - Sin Permiso

A vitória de Barack Obama supõe uma mudança geracional e sociológica decisiva na política dos Estados Unidos. É difícil, nestes momentos, predizer seu impacto, mas as expectativas suscitadas entre a gente jovem que impulsionou Obama seguem sendo grandes. Talvez não tenha sido uma vitória arrasadora, mas foi suficientemente ampla para permitir que os democratas ficassem com mais de 50% do eleitorado (62,4 milhões de votantes) e colocassem uma família negra na Casa Branca.

O significado histórico deste fato não deveria ser subestimado. Basta lembrar o que ocorreu no país em que a Ku-Klux-Klan chegou a ter milhões de membros capazes de executar uma campanha de terror e morte contra cidadãos negros com o apoio de um sistema jurídico discriminatório. Como esquecer aquelas fotos de afroamericanos linchados diante do olhar complacente de famílias brancas que desfrutavam seus piqueniques enquanto contemplavam – para dizê-lo na voz memorável de Billie Holliday – “corpos negros balançando-se com a brisa do sul, um fruto estanho pendurado nos álamos”?

Mais tarde, as lutas dos anos 60 pelos direitos civis forçaram a reversão da segregação e impulsionaram as campanhas a favor do voto negro, mas também conduziram ao assassinato de Martin Luther King e de Malcom X ( justo quando este começava a insistir na unidade dos brancos e negros contra um sistema que oprimia a ambos). Tornou-se um lugar comum assinalar que Obama não faz parte desta lista. Não é assim, contudo, como mostram os 96% de afroamericanos que saíram de casa para votar nele. Pode ser que se desiludam, mas por enquanto celebram a vitória e ninguém pode culpá-los por isso.

Há apenas duas décadas, Bill Clinton advertia seu rival, o progressista governador de Nova York, Mario Cuomo, que os Estados Unidos não estavam preparados para eleger a um presidente cujo nome acabasse em “o” ou em “i”. Há apenas alguns meses, os Clinton cediam abertamente ao racismo insistindo que os votantes da classe trabalhadora rechaçariam a Obama, lembrando aos democratas que Jesse Jackson também tinha ido bem nas primárias. Uma nova geração de eleitores demonstrou que eles estavam equivocados: cerca de 66% dos que tinham entre 18 e 29 anos, ou seja, 18% do eleitorado, votou por Obama; 52% dos que tinham entre 30 e 44 – uns 37% do eleitorado – fez o mesmo.

A crise do capitalismo desregulado e de livre mercado fez disparar os apoios a Obama em estados até então considerados território republicano ou de democratas brancos, acelerando o processo que derrotaria a dupla Bush/Cheney e seu bando de neo-cons. No entanto, o fato de que a dupla McCain/Palin obteve, apesar de tudo, 55 milhões de votos, é uma lembrança da força que a direita estadunidense ainda conserva. Os Clinton, Joe Biden, Nancy Pelosi e muitos outros pesos pesados do Partido Democrata utilizaram este dado para pressionar Obama a fim de que ele permanecesse fiel ao roteiro que lhe permitiu ganhar a eleição. Não obstante, os slogans bem-intencionados e anódinos não serão suficientes para garantir um segundo mandato. A crise avançou demasiado e as questões que preocupam aos cidadãos estadunidenses (como pude comprovar estando lá, há algumas semanas) têm a ver com o emprego, a saúde (40 milhões de cidadãos sem seguro de saúde) e a habitação.

Só com retórica não é possível enfrentar a queda da economia: as dívidas do setor financeiro superam a casa de um trilhão de dólares e ainda ameaçam gigantes bancários; o declínio da indústria automobilística gerará desemprego em uma escala mais ampla e seguirão os efeitos do salto ao vazio ao qual Wall Street hipotecou as futuras gerações de norte-americanos. As medidas adotadas, em meio ao pânico, pela administração Bush, medidas desenhadas e adotados pelo amigo dos banqueiros e secretário do Tesouro Paulson, privilegiaram uns poucos bancos e foram subsidiadas com fundos públicos.

Os democratas e Obama apoiaram os acordos e será difícil para eles desdizer-se e mover-se em outra direção. O aprofundamento da crise, no entanto, pode forçá-los a fazê-lo. As medidas de austeridade sempre atingem aos menos privilegiados, e a maneira como o novo presidente e sua equipe enfrentarão o novo cenário será determinante para seu futuro.

É um momento horroroso para ser eleito presidente, mas também é um desafio. Franklin Roosevelt aceitou esse desafio nos anos 30 e impôs um regime social-democrata de regulação da economia, baseado em empregos públicos e em um apelo imaginativo à cultura popular. A existência de um forte movimento operário e a esquerda estadunidense contribuíram decisivamente para o surgimento do New Deal. E a existência dos Reagan-Clinto-Bush para liquidar seu legado. O que há agora, portanto,é uma economia nova, um país desindustrializado e fortemente dependente das finanças globais.

Terá Obama a visão ou a força para voltar ao tempo e avançar ao mesmo tempo? Em matéria de política externa, a posição de Obama/Biden não diferiu muito da de Bush ou Mc Cain. Um New Deal para o resto do mundo exigiria uma saída rápida do Iraque e Afeganistão e um ponto final a estas aventuras em qualquer outra região do planeta. Biden, praticamente, se comprometeu com a balcanização do Iraque. Mas esta alternativa resulta cada vez mais improvável: o resto do país, o Irã e a Turquia se opõem, se bem que por razões diferentes, à criação de um protetorado norte-americano-israelense no norte do Iraque com bases permanentes dos EUA. Na verdade, alguém deveria aconselhar Obama a anunciar uma retirada rápida e completa. Sobretudo levando em conta que, com a crise, os custos de permanecer no Iraque tornaram-se proibitivos.

O mesmo se pode dizer de um eventual deslocamento de tropas do Iraque para o Afeganistão: só recriaria o mesmo problema em outro lugar. Como numerosos especialistas em inteligência, militares e diplomatas britânicos advertiram, a guerra no sul da Ásia está perdida. Sem dúvida, Washington está consciente disso. Daí as negociações, propiciadas pelo medo, com os neo-talibãs. Só resta esperar que os conselheiros de Obama em matéria de política externa forcem uma retirada também nesta frente.

E o que dizer da América do Sul? Seguramente Obama deveria imitar a viagem de Nixon a Beijing, voar a Havana e acabar com o bloqueio diplomático e econômico a Cuba. Inclusive Colin Powell deu-se conta de que o regime havia feito muito por sua gente. Será difícil para Obama predicar as virtudes do livre mercado, mas, em troca, os cubanos poderiam ajudá-lo a estabelecer um sistema de saúde decente nos EUA. Essa é uma mudança que a maioria dos estadunidenses desejaria. Outros países da América do Sul que previram a crise do capitalismo neoliberal e começaram a reconstruir suas economias há uma década também poderiam oferecer algumas lições.

Se a mudança acabar em nenhuma mudança, então poderá ocorrer que, passados alguns anos, quem apoiou Obama para a Casa Branca decida que a criação de um partido progressista nos Estados Unidos tornou-se uma necessidade.

Tariq Ali é membro do conselho editorial de Sin Permiso.
Seu último livro publicado é “The Duel: Pakistan on the Flight Path of American Power”.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: www.cartamaior.com.br


quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Mulher morre durante ritual de iniciação da Ku Klux Klan

A polícia da Louisiana prendeu oito integrantes da Ku Klux Klan acusados de envolvimento no recrutamento e assassinato de uma mulher no estado americano. De acordo com a CNN, um dos detidos é acusado de ter atirado na mulher.
A vítima, que não teve a identidade revelada, foi atraída por anúncio na internet do ritual de iniciação. Ela viajou do estado de Oklahoma até a Louisiana para participara da cerimônia em um acampamento do grupo supremacista branco.
De acordo com a polícia de St. Tammany, no meio da cerimônia, a mulher pediu para deixar o acampamento e ser levada para a cidade mais próxima. A mulher então foi baleada pelo líder do grupo, Chuck Foster, de 44 anos.
A polícia encontrou o corpo da mulher em uma estrada depois de receberem uma denúncia. No acampamento, foram achados armas, bandeiras e uniformes da Ku Klux Klan.

Fonte: www.oglobo.com.br

domingo, 9 de novembro de 2008

Tudo na mesma
Na coletiva de imprensa desta sexta-feira Obama já afinou o discurso preparatório para mais um genocídio: "É inaceitável que o Irã desenvolva tecnologia nuclear". Faz lembrar a famosa frase de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, no clássico IL GATTOPARDO: "É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma".

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Coisas da Globo.

A maior piada do mundo
Por Marcelo Salles - salles@fazendomedia.com


A maior piada do mundo foi dita ontem durante reportagem do 'brother' Pedro Bial, veiculada ao longo da excitada cobertura do Jornal Nacional. Pra ele, os EUA seriam a maior democracia do mundo. Curioso conceito de democracia... No mesmo texto o "jornalista" entrevista uma cubana raivosa, que quase cospe a dentadura ao esbravejar que esperaria quantas horas fossem necessárias para exercer seu divino direito ao voto, já que de onde ela vem não teria esse direito. A TV Globo é mesmo incrível. Consegue sustentar duas gigantestas mentiras ao mesmo tempo: que em Cuba não existem eleições e que nos EUA quem decide é o povo. O que a empresa da família Marinho esconde, assim como as demais corporações de mídia, é que as eleições nos EUA do século XXI ainda são INDIRETAS. Pouco importa se a palavra grega "democracia" seja a junção dos termos "demos" (povo) e "krátos" (governo, poder). Nos EUA quem decide mesmo é o Colégio Eleitoral. O vencedor será aquele que conquistar 270 delegados ou mais. Foi assim que Bush venceu em 2000 e em 2004, além de ter fraudado as urnas na Flórida - com o assentimento do Partido Democrata. "A maior democracia do mundo" comemora o índice recorde de 66% de comparecimento às urnas, lembrando que lá o voto não é obrigatório. Mas o fato de em Cuba esse índice ser de 98% não chama a atenção dessa mídia, apesar de também não ser obrigatório sair de casa no dia da votação.

A noção da Globo de democracia, traduzindo para o português, é a seguinte: "um sistema é democrático enquanto servir para quem está inserido na sociedade de consumo. Continua sendo democrático mesmo se houver excluídos. Continua sendo democrático mesmo se esses excluídos passarem fome, morrerem de doenças curáveis, serem analfabetos ou não terem onde morar. Além disso, pouco importam os genocídios e a existência de campos de tortura espalhados pelo mundo, como Abuh Graib e Guantánamo". Por isso chamam os EUA de "a maior democracia do mundo".

PS: Outra mentira divulgada com naturalidade pelas corporações de mídia é a noção de que os estadunidenses são "americanos". Está na boca de qualquer telejornal ou radiojornal e nas vinhetas várias dos jornais e revistas. Ao aceitar com servilidade a imposição de Washington, as corporações de mídia reforçam a dominação cultural do império, que atua com base na velha máxima da Doutrina Monroe: "América para os americanos", que na verdade pode ser traduzida para "América para os estadunidenses", já que americano é quem nasce em qualquer lugar do continente americano e não consta que um mexicano pobre, por exemplo, tenha o mesmo acesso ao território e às riquezas do continente que um canadense rico. Quando aceitamos a usurpação do termo, estamos de alguma forma aceitando a idéia de que os EUA têm o direito de controlar todo o continente americano. Ao mesmo tempo, toda a raiva que sentem dos EUA mundo afora acaba respingando nos americanos não-estadunidenses, que por serem americanos responderão pelas agressões da América.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008


Nossa Carta a Obama

Se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais.

(Essa carta está aberta a adesões de veículos da pequena grande imprensa alternativa de todo o mundo.)

O seu governo pretende resgatar a imagem dos EUA no mundo e mudar sua relação com a América Latina. É preciso que o sr. saiba que a imagem do seu país no mundo é a imagem da maior potência imperial da história da humanidade. Que à horrível imagem de potência intervencionista no destino de outros países, de exploradora das suas riquezas, ao longo de todo o século passado, se acrescentou no século XXI a política de “guerras humanitárias”, invasões que mal escondem os interesses de exploração e opressão de outros territórios e povos, de que o Iraque e Afeganistão são os exemplos mais recentes.

Não basta retirar as tropas do Iraque imediatamente – embora isso seja um começo indispensável para o resgate proposto. É necessário fazer o mesmo com o Afeganistão, assim como terminar com o apoio à ocupação israelense dos territórios palestinos, reconhecendo o direito à existência de um estado palestino soberano. No caso da América Latina, é imprescindível terminar com a Operação Colômbia, que militariza os conflitos naquele país, e os que ele provoca, com graves riscos de produção de crises regionais, pela dinâmica belicista do Exército e do governo colombiano.

Para demonstrar que mudou de atitude, os EUA devem, sobretudo, terminar definitivamente com o bloqueio a Cuba, desativar sua base de interrogatórios ilegais e torturas na base de Guantanamo e devolver esta incondicionalmente a Cuba, terminando com a prepotente e juridicamente insustentável usurpação de território cubano, que dura já mais de um século. Deve retomar relações normais entre os dois países, respeitando as opções do povo cubano na definição soberana dos seus destinos.

Os EUA devem reconhecer publicamente o grave erro de terem apoiado o golpe militar de abril de 2002 contra o presidente Hugo Chavez, legitimamente eleito e reeleito pelo povo venezuelano. Devem terminar definitivamente com articulações golpistas nesse país, na Bolívia e no Equador e comprometer-se, publicamente, a nunca mais desenvolver atividades de ingerência nos assuntos internos de outros países.

Se quiserem ter relações cordiais com a América Latina, o novo governo dos EUA devem destruir imediatamente o muro na fronteira com o México, legalizar a situação dos trabalhadores imigrantes nos EUA e favorecer a livre circulação das pessoas, como tem pregado a livre circulação de mercadorias e de capitais.

Além disso, os EUA devem deixar de utilizar organismos internacionais como a OMC, o FMI, o Banco Mundial, para propagar e tentar impor suas políticas, as mesmas que levaram ao fracasso dos governos que seguiram as suas receitas, assim como à crise financeira internacional que hoje grassa no planeta. Os países da América Latina e do Sul do mundo devem ter liberdade para encontrar suas próprias alternativas e soluções à crise, gerada nos EUA, que devem assumir suas responsabilidades e não permitir a exportação de seus efeitos negativos.

Se quiserem voltar a ser respeitados, os EUA devem deixar de tratar de favorecer ou forçar a exportação de sua mídia, de sua indústria cultural, de sua forma de vida, que pode ser boa para os EUA, mas pode ser nefasta para outros países. Essas fórmulas, muitas vezes impostas, favorecem formas ditatoriais de imprensa, formas estereotipadas de ver o mundo, modos consumistas de viver. Que os EUA deixem cada país escolher suas formas de se pensar a si mesmo, de ver o mundo, de viver e de produzir arte e cultura.

Se o sr. quiser fazer um governo diferente, deve abandonar qualquer idéia de querer impor o que os EUA considerem que seja democrático. Que cada país, cada povo, defina seu próprio caminho. Os EUA nem inventaram a democracia, nem são mais democráticos que muitos outros países.

Os EUA devem abandonar suas pretensões de ser um império mundial que zele pela ordem imperialista no mundo. Devem dar espaço para que progrida o espaço de um mundo multipolar, em que todos os países participem das decisões fundamentais. Neste sentido, devem apoiar o fim do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, devem dar lugar à democratização desse órgão. Devem obedecer as decisões da ONU de terminar o bloqueio à Cuba, em favor do direito do povo palestino a um estado próprio e independente, entre tantas outras decisões, bloqueadas pelo veto norte-americano. Se vetos de outros países há, isso deve ser combatido pela suspensão universal do direito ao veto.

Em suma, se os EUA querem reconquistar o respeito dos outros povos do mundo, se querem resgatar a imagem do seu país que se deteriorou, devem se considerar como um país entre outros, e a eles igual, não como uma potência eleita para a missão de impor a ordem imperial e os interesses capitalistas no mundo. Devem respeitar as decisões que outros povos tomem no sentido de escolher caminhos antiimperialistas e anticapitalistas. Devem assinar o Protocolo de Kyoto, aceitando reduzir suas emissões de gases poluidores, condição básica para iniciar uma nova etapa na luta contra a destruição ambiental no planeta. Devem diminuir seu orçamento militar, revertendo essas verbas para o campo social. Devem combater os monopólios privados da mídia, a indústria tabagista, a da segurança para-militar, devem colocar como seu objetivo principal construir uma sociedade justa, a começar pela de seu próprio país, aquele em que, dentre aquelas do centro do capitalismo, a desigualdade mais cresceu nos últimos anos.

Se o sr. fizer tudo isso, ou pelo menos se mover nessa direção, pensamos que poderá contar com o respeito e com relações cordiais por parte dos governos populares e dos povos da América Latina.

domingo, 2 de novembro de 2008

Argemiro Ferreira: Obama e os extremistas dos talk shows


Participantes das turbas linchadoras fotografavam aqueles assassinatos públicos de negros e freqüentemente faziam fotos dos eventos macabros. Depois, davam-se ao luxo de disseminar suas fotografias com orgulho. Boa parte delas sobrevive e muitas foram reunidas pelo escritor James Allen (com a colaboração do deputado John Lewis e outros) no livro Without Sanctuary: Photographs and Postcards of Lynching in America (Sem Santuário: Fotografias e Cartões Postais de Linchamentos na América).


Como o título indica, é uma coleção reveladora neste ano de eleição presidencial em que um negro pode chegar à Casa Branca. Funciona como um retrato de corpo inteiro do racismo americano depois de uma guerra que, suposta e oficialmente, tinha acabado com o racismo e libertado os negros da escravidão. No norte dos EUA havia os que se indignavam com os cartões mas nem por isso políticos do sul deixavam de legislar no Capitólio, governar nos gabinetes executivos e fazer justiça nos tribunais.


A voz dos radicais no rádio


Minha impressão é de que o estado de espírito daquelas pessoas que faziam e distribuíam fotos e cartões postais, usando o Correio nacional, não era diferente daqueles que insistem hoje na pregação do ódio racial, freqüentemente através de talk shows celebrizados pelo baixo nível e transmitidos a todo o país por cadeias radiofônicas – como é o caso dos notórios Rush Limbaugh, Bob Grant, Michael Savage, Sean Hannity, C. Gordon Liddy e outros.


Alguém pode até pensar que essa gente, por causa do extremismo, é ignorada. Mas John McCain, herói deles, aplaude os programas, às vezes dá entrevista exclusiva a tais personagens – o que já fez, por exemplo, com Liddy, criminoso condenado no escândalo de Watergate ("ele já cumpriu sua pena na prisão", justificou o candidato). Todos exaltam as virtudes superiores de McCain e difamam o democrata Barack Obama – como mentiroso, terrorista, comunista, etc.


Obcecado em derrotar Obama, Rush Limbaugh já tinha feito o máximo para levantar nas primárias a campanha de Hillary Clinton. Chegou ao extremo de conclamar republicanos a deixarem de lado as primárias do próprio partido e votarem na dos democratas naqueles estados onde isso era permitido (alguns estados proíbem que o eleitor de um partido vote na primária do outro). Depois vangloriou-se de ter criado o caos no partido adversário.


Considerado o rei dos talk shows de rádio, Limbaugh agora acusa o candidato democrata de ser antipatriota por ter, em 2001, rejeitado frontalmente, durante um debate na televisão, a Constituição dos EUA. "Ele não gosta da Constituição, por isso acha que é cheia de falhas. Agora entendo porque reluta tanto em usar a bandeira americana na lapela", afirmou o apresentador em seu programa de 27 de outubro.


A Constituição e suas falhas


A certa altura, Limbaugh fez esta afirmação: "Não entendo como Obama fará o juramento (presidencial) já que é contra a Constituição". Só que a tal rejeição nunca aconteceu, conforme explicou a organização Media Matters for America, que monitora a mídia. Obama observara, como estudioso da carta, que ela "refletia uma falha fundamental neste país que perdura até hoje". Mas dissera também ser a Constituição "um extraordinário documento político que pavimentou o caminho para o que somos hoje".


As declarações de Obama foram num programa da TV pública de Chicago, há sete anos, sobre "a escravidão e a Constituição". O Media Matters destacou que a "falha fundamental" da carta em relação ao tema, citada por Obama, é admitida até por republicanos como o presidente George W. Bush, a secretária de Estado Condoleezza Rice e o antecessor dela Colin Powell e até o atual presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts.


Rice disse recentemente: "Na nossa primeira Constituição, meus ancestrais eram três quintos de um homem. O que diz isso sobre a democracia americana em seu começo? Tenho dito que é um grave defeito de nascença. E temos de derrotar tal falha, pois continua a ter impacto sobre nós. É por isso que temos tanta dificuldade em falar sobre raça e tratar do tema racial".


Em 2003 Powell declarou a Larry King na CNN: "Levou um tempo para reconhecermos que não poderíamos viver plenamente nossa Constituição a menos que eliminássemos a escravidão. Centenas de milhares de jovens lutaram uma guerra civil para pôr fim à escravidão. Depois, ainda levamos muito tempo para nos livrarmos dos vestígios da escravidão. E até hoje continuamos a trabalhar nesse sentido".


A amargura de outros tempos


Também em 2003, Bush disse no Senegal que a "visão moral" dos abolicionistas "levou os americanos a examinarem seus corações para corrigir nossa Constituição e ensinar nossos filhos a dignidade e a igualdade de todas as pessoas e de todas as raças. (…) Muitas das questões que ainda perturbam a América têm suas raízes na experiência amarga de outros tempos".


Em 2006, foi a vez de Roberts: em entrevista à C-SPAN, canal público, o atual presidente da Suprema Corte falou da Constituição e de seus autores. "Eles nunca souberam o que fazer em relação à escravidão e deixaram isso de lado. Decidiram que não se devia falar do assunto. Isso manchou a Constituição. E foi preciso uma guerra civil para remover aquela mancha", afirmou.


Limbaugh, como outros colegas extremistas dos talk shows, fala diretamente a pessoas simples das regiões que Sarah Palin chama de "patrióticas". Gente que acredita no que ele diz. Os donos de programas, aliás, nunca reconhecem qualquer erro, por maior que seja o disparate. Os democratas querem a volta à fairness doctrine – a doutrina que parte da mídia adotava antes, sem muito entusiasmo – e que dava a outros o direito de resposta, ou opiniões diferentes ou correção de erros factuais cometidos pelos veículos.


Agora, ao contrário, um movimento liderado pela Fox News, do império Murdoch de mídia, vê a doutrina como violação à liberdade de imprensa. "O ouvinte de Limbaugh ou Hannity quer ouvir os dois e não a opinião de quem discorda deles", argumenta-se. A Fox, especializada em falsificar a informação – e até a realidade – define paradoxalmente seu jornalismo como fair and balanced (justo e equilibrado). E agora obstina-se em impedir o Congresso, sob maioria democrata, de aprovar qualquer lei sobre o assunto.

Fonte: www.vermelho.org.br