segunda-feira, 30 de março de 2009

Dez milhões de crianzas desnutridas por aumento de preços de alimentos • Uns 400 mil menores morreriam para finais de ano


• LONDRES. — A crise econômica internacional provocou desnutrição a mais de dez milhões de crianças, devido ao aumento global nos preços dos alimentos e pode causar a morte de até 400 mil delas para finais de ano, sustentou em 28 de março num relatório o grupo britânico Save the Children (Salvem as crianças), citado pela ANSA.

O organismo não-governamental com sede em Londres advertiu aos chefes de Estado e governantes do G-20, que se reunirão em 2 de abril numa cúpula mundial aqui, que devem resolver o problema da crescente pobreza mundial "no menor tempo possível".

Segundo o grupo, milhões de crianças estão em perigo de fome devido ao impacto da recessão mundial, especialmente nos países em desenvolvimento, combinado com o contínuo aumento dos preços dos alimentos.

"Cerca de 3,5 milhões de crianças morrem por ano devido à desnutrição. A crise econômica internacional poderia matar outros 2,8 milhões antes de 2015, o ano em que os líderes do G-20 tinham prometido erradicar a extrema pobreza e a fome no mundo", sublinhou a ONG. •

Fonte: http://www.granma.cu/portugues/2009/marzo/lun30/crianzas.html


sábado, 28 de março de 2009

Rainha Rania luta contra islamofobia enquanto seu país tem preconceito contra sulamericanos

por Gustavo Chacra, Seção

Um amigo meu iraniano disse certa vez que me invejava. "Toda vez que você diz ser do Brasil, as pessoas sorriem. Imagine ter que responder que é do Irã?". Realmente, concordo com ele. Ser brasileiro abre portas. Em quase todos os países por onde passei, sempre vi uma feição de entusiasmo ao checarem o meu passaporte. Claro, houve o episódio israelense. Mas, naquele caso, o problema era a quantidade vistos árabes e meus avós serem libaneses.

Hoje, em Amã, imaginei que seria tão simples entrar quanto foi no Egito ou na Turquia. Desembarquei, troquei dinheiro pela valorizada moeda jordaniana e fui para o balcão onde se compra o visto. Americanos, suíços, japoneses e ingleses estavam na minha frente. Todos davam o passaporte, o dinheiro do pagamento, um homem recebia e o outro, do lado, já servia como imigração. Fiz o mesmo. Dei meu passaporte. Mas ele travou. O homem conversava ao telefone dizendo que estava com um passaporte brasileiro nas mãos. Estranhei. As pessoas atrás de mim na fila continuavam pegando o visto em menos de 30 segundo. E eu há quinze minutos ali, aguardando. Reclamei. O homem disse para eu esperar. Até que chegou um cidadão de bigodinho e me pediu para acompanhá-lo. Queria me revistar e interrogar.

Jordaniano – De onde você vem?
Eu – Do Cairo.
Jordaniano – É a primeira vez na Jordânia?
Eu – Terceira
Jordaniano - Quantos dias você vai ficar?
Eu – Poucos, menos de uma semana. Mas qual o problema comigo? Por que todos os turistas passaram diretamente e eu estou sendo interrogado? É por que sou jornalista? (nota – ele tem como saber isso porque está escrito no meu visto sírio a palavra sahaf, que quer dizer jornalista em árabe)
Jordaniano – O problema é que você vem da América do Sul. Fazemos o mesmo com quem é do México, Venezuela, Argentina e Brasil.
Eu – O México não é na América do Sul. Mas qual o problema dos nossos países?
Jordaniano – Vocês podem ser traficantes de droga, de cocaína
Eu – Você está insinuando que apenas pelo fato de eu ser brasileiro há a suspeita de que seja traficante? Isso é preconceito.
Jordaniano – São ordens e tenho que respeitá-las.
Eu – Mas você não pensou que a Jordânia está agindo da mesma forma que os países que barram árabes por causa do estereótipo de terrorista? Vocês estão fazendo a mesma coisa. Isso é racismo. Uma vergonha.
Jordaniano – Não sei o que fazem nos outros países. Aqui, nós revistamos pessoas que chegam da América do Sul.
Eu – Eu não vim da América do Sul. Estava no Egito.
Jordaniano – Mas estava antes.
Eu – Antes do Egito eu estava na Turquia. E antes Nova York, Tel Aviv, Gaza.
Jordaniano – Você é brasileiro. Prendemos todas as semanas várias pessoas do seu país que chegam aqui com droga.
Eu – Isso não é verdade. Nunca escutei histórias a respeito. Podem haver casos isolados. Mas duvido que seja tão comum.
Jordaniano – Acredite
Eu – Acho lamentável a sua rainha ir ao YouTube tentar defender os muçulmanos, buscando corretamente eliminar a imagem de terrorista atrelada a esta religião, enquanto o país governado pelo marido dela age com preconceito. Ela reclama do tratamento que os muçulmanos recebem no Ocidente, mas o rei Abdullah trata os sulamericanos desta forma aqui na Jordânia. Você barraria o Ronaldo, o Kaká?
Jordaniano – Se viessem da América do Sul, eles também seriam revistados.
Eu – Isso é preconceito

Terminou a revista, ele pediu desculpas e não parava de dizer que eu era bem vindo à Jordânia. Quem sabe, se meu passaporte fosse britânico. Claro, não descarto a possibilidade de terem me revistado e interrogado porque sou jovem ou jornalista. O problema é que o oficial jordaniano deixou claro que o motivo não era a minha idade ou profissão, mas a minha nacionalidade.

Comentários islamofóbicos, anti-semitas e anti-árabes ou que coloquem um povo ou uma religião como superiores não serão publicados. Tampouco ataques entre leitores. Não é permitido postar vídeo. Todos os posts devem ter relação com algum dos temas acima

sexta-feira, 27 de março de 2009

A VERDADEIRA FACE DA FOLHA DE S. PAULO

Por Hamilton Octavio de Souza (*)

Depois de cometer um erro político histórico imperdoável e de agredir grosseiramente seus leitores – inclusive dois respeitados professores universitários e intelectuais - a Folha de S. Paulo – o jornal diário brasileiro de maior tiragem – tem sido alvo de justo e indignado protesto democrático, por meio de cartas, mensagens na internet e abaixo-assinados. Poucas vezes um jornal foi tão repudiado nos últimos tempos, embora tenha deixado de publicar em suas páginas as inúmeras manifestações de pessoas e entidades.

Primeiro, no dia 17 de fevereiro, em um editorial raivoso contra o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamado o tempo todo de “ditador”, o jornal se referiu à ditadura civil-militar brasileira (1964-1985) pela alcunha de “ditabranda”, como se os 21 anos de terror do Estado vivido pelo povo brasileiro pudesse ser amenizado ou apagado da história.

Segundo, nos dias seguintes a redação do jornal contestou leitores que prostetaram contra o termo “ditabranda” dizendo que a ditadura brasileira não havia atingido níveis de violência como outras ditaduras na região – mais uma vez para amenizar e minimizar o estrago do regime que vitimou o Brasil de 1964 a 1985 e que deixou feridas não cicatrizadas e danos políticos, econômicos e sociais não superados até hoje.

Terceiro, em nota sobre as várias cartas enviadas para a coluna dos leitores, o jornal chama de “cínica e mentirosa” a legítima e corajosa indignação dos professores Fábio Konder Comparato e Maria Victória Benevides, ambos da USP, conhecidos e respeitados por seu brilhante trabalho acadêmico e sua intensa militância democrática.

Essa “Nota da Redação”, no dia 20 de fevereiro, serviu como estopim em pleno Carnaval: em poucas horas, inúmeros protestos e abaixo-assinados começaram a circular na internet, inclusive cópias de cartas e de mensagens enviadas à própria Folha de S. Paulo – todas contendo manifestações indignadas contra a distorção histórica do jornal e contra o tratamento autoritário e desrespeitoso dado aos seus leitores.

Ao mesmo tempo foram veiculados em diferentes sites e blogs de jornalistas políticos notas e artigos sobre a própria trajetória histórica da Folha de S. Paulo, lembrando que o jornal apoiou o golpe de 1964, colaborou com a ditadura civil-militar, emprestou carros para o transporte de prisioneiros e torturados da Oban-Doi-Codi, entregou o controle do jornal Folha da Tarde para policiais ligados à repressão política e defendeu a candidatura do general “linha dura” Silvio Frota – no momento em que a sociedade brasileira lutava pela redemocratização do País.

Na verdade, entre os jornalões da grande imprensa empresarial burguesa, a Folha de S. Paulo tem sido o mais eficiente na arte da enganação de seus leitores e admiradores – em especial daqueles que desde o início dos anos 80 consideram o diário paulistano um veículo mais democrático e mais aberto às idéias progressistas do que os seus concorrentes O Estado de S. Paulo, O Globo, Jornal do Brasil, Zero Hora, Correio Braziliense e outros de menor expressão.

Puro engano. O marketing do jornal incorporou a exploração do projeto de distensão da ditadura como um ingrediente para alavancar as vendas, ampliar o leque de sustentação política ao jornal (“à esquerda do Estadão”) e “limpar a barra” de sua ligação íntima com a ditadura civil-militar. Fez parte desse esquema de marketing a abertura das páginas de opinião do jornal para articulistas e colaboradores do campo democrático durante algum tempo e o apoio ao movimento das eleições diretas, em 1984 – quando a Folha de S. Paulo superou seus concorrentes em tiragem e vendas.

No entanto, qualquer observação mais cuidadosa das páginas do jornal, hoje, permitirá identificar que a grande maioria dos articulistas e colaboradores está organicamente vinculada ao pensamento de direita, neoliberal – entre os quais vários empresários, executivos de multinacionais, acadêmicos conservadores e jornalistas confessadamente alinhados com o pensamento dominante. A Folha de S. Paulo não é nem de longe um jornal democrático, muito menos um jornal que tenha a ver com as lutas dos trabalhadores e com as transformações políticas, econômicas, sociais e culturais que o povo brasileiro precisa e merece.

A verdadeira face da Folha ainda tem a ver com a ditadura civil-militar de 1964-1985, que só é “ditabranda” nos editoriais do próprio jornal.

(*) Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP.

terça-feira, 24 de março de 2009

Coisas do Brasil

É impressionante como o racismo e o preconceito, apesar de todos os debates e políticas afirmativas, continuam a dominar os meios de comunicação, principalmente a TV e suas novelas e seriados. Toda segunda, às 22:45 h, a Rede Record exibe o seriado a "Lei e o Crime", toda segunda feira eu me pergunto: onde estão as mulheres negras do "Morro do Alvorada" ? No último capítulo ( 23/03/09) no ensaio do que seria um baile Funk, as meninas negras sumiram da quadra, onde rolava o tal ensaio, apenas duas moças, belíssimas inclusive, estavam a rebolar o esqueleto no pré-baile, uma loira outra morena. Mas eu estou sendo crítico demais, pois temos uma bela negra que faz parte do elenco, na condição de traficante é verdade.

Professor: Edney Silva Mesquita

quinta-feira, 12 de março de 2009

Coisas do Brasil

É impressionante e broxante saber que um ex-presidente, retirado do governo por corrupção faça parte, alguns anos depois, da Comissão de Infraestrutura do Senado, prometendo ainda resolver questões financeiras do país. Isso só pode ser piada.

quarta-feira, 11 de março de 2009


DOGON - Mali

Figura femminile di antenata

segunda-feira, 9 de março de 2009

Frei Betto: A mão invisível

Foto Divulgação

Autor de “ A Arte de Semear Estrelas”

Rio - Desde criança tenho, como todo mundo, meus medos: de ver meu pai bravo, de ser obrigado a comer jiló, de tirar zero na prova de matemática. Hoje, coleciono outros medos. Um deles, medo da mão invisível do mercado. Onde ele a enfia? De preferência, no nosso bolso.

Em especial, no dos mais pobres. Ela é invisível porque safada, como todo delito praticado às escondidas. Por exemplo, o mercado pratica extorsão no bolso dos mais pobres através dos impostos embutidos em produtos e serviços.

Agora que o mercado entrou em crise – pois a bolha que inflou estourou na cara dele – onde anda enfiando a sua mão invisível? A resposta é visível: no bolso do governo. Nos Estados Unidos, o mercado, no final da administração George Bush, meteu a mão em US$ 830 bilhões e, agora, arranca mais US$ 900 bilhões da administração Obama. Tudo para enfiar essa fortuna no bolso furado do sistema financeiro.

Viciada, sempre beneficia o bolso dos ricos. É o caso do Brasil. Diante da crise (e das próximas eleições) o governo trata de anabolizar o PAC, de modo que a mão do mercado possa abastecer o bolso das empreiteiras e das empresas privadas encarregadas das obras.

Acho que a mão do mercado é invisível porque jamais se lava. Ao contrário, lava dinheiro sem se lavar da sujeira que a impregna. É o que deduzo ao ler a notícia de que, nos paraísos fiscais, a liquidez dos grandes bancos foi assegurada, nos últimos anos, graças aos depósitos do narcotráfico.

A mão pode ser invisível, mas suas impressões digitais não. Onde o mercado bota a mão, fica a sua marca. Sobretudo quando tira a mão, deixando ao relento milhares de pobres desempregados.


www.odiaonline.com.br

O Jornal Nacional tentou ouvir todo mundo. Menos o acusado

DEU NA VEJA: AS CONTAS DE LULA - E OUTROS - NO EXTERIOR

Eu sou especialista em "repercussão seletiva de capa". Explico: no fim de semana circulam várias revistas. Mas o Jornal Nacional "escolhe" apenas algumas capas para repercutir. Em 2005 e 2006, eram as capas da "Veja" relativas ao governo Lula. Eu era repórter da TV Globo, então. Fiz a reportagem repercutindo uma denúncia contra o irmão do presidente Lula. Fui à casa dele, em São Bernardo, tentar uma entrevista. Fomos informados que ele não estava. Por telefone, tentei falar com o acusado mais tarde. Não consegui.

Na época eu dizia na redação da Globo de São Paulo que não concordava com a idéia de reproduzir como factuais as informações de uma revista sem que eu ou algum colega de redação as tivesse apurado. A "Veja" publica, como já publicou, que o presidente Lula é acusado de ter uma conta bancária no Exterior. Está aqui.

Como é que você vai reproduzir isso num telejornal para milhões de pessoas? E se as informações forem falsas (como ficou provado depois)? Você vai dedicar o mesmo tempo para desmentir isso, mais tarde? O mínimo que você deve fazer é dar ao acusado o direito de resposta. No dia da acusação.

Pois bem: na Globo, o desconforto não era só meu. Vários profissionais demonstraram descontentamento com a "seletividade" das denúncias repercutidas no JN. As capas que tratavam de acusações a José Serra, por exemplo, nunca emplacaram no Jornal Nacional. Mas aquela que falava do financiamento de Fidel Castro ao PT - a famosa, dos dólares de Cuba - emplacou. Contra essa cobertura desequilibrada é que reclamamos: eu, Carlos Dorneles, Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello (editor de Economia do JN em São Paulo) e, por baixo, outros nove profissionais que prefiro não identificar, em situações distintas. Não se trata, pois, da reclamação de uma pessoa, mas de um grupo considerável de profissionais competentes.

De lá para cá, isso melhorou? Não sei. Raramente assisto TV. Um internauta me chamou a atenção, no entanto, para uma reportagem do Jornal Nacional de sábado passado, que repercutia a capa da revista "Veja". Para mim, tudo muito previsivel: a imagem de documentos reproduzidos na revista dá "credibilidade", ainda mais quando ela vem acompanhada por declarações de um ex-presidente da República e de um governador do estado de São Paulo: FHC e José Serra falaram. O Jornal Nacional fez uma lista de supostos espionados pelo delegado Protógenes Queiroz, que é imensa.

Mentira, verdade? Só o tempo dirá.

Curiosamente, ao final, o JN fez questão de reproduzir a "repercussão" junto a cada um dos que supostamente foram espionados, mencionando até mesmo os que não foram encontrados. E o delegado Protógenes, o acusado? Nada. Nem se deram ao trabalho de dizer que tentaram encontrá-lo. Ou seja, a "repercussão seletiva de capa" agora é "fuzilamento midiático". Eu não me lembro de uma só acusação contra o banqueiro Daniel Dantas em que um dos advogados dele não tenha sido ouvido. A Globo está aperfeiçoando os seus métodos para 2010.

A REPORTAGEM DO JORNAL NACIONAL ESTÁ AQUI

domingo, 8 de março de 2009

A ´sinhazinha´ continua viva dentro da mulher brasileira


Mary Del Priore afirma que é preciso pensar na complementaridade entre os sexos: ´Não queremos ser homens de saias´

A história das mulheres não é um caminho progressivo, mas uma estrada juncada de obstáculos, resistências e ultrapassagens. A análise é da historiadora Mary Del Priore que, apesar de admitir os avanços na trajetória da mulher brasileira, diz: ´A sinhazinha continua, bem viva, dentro dela´



No seu livro ´História das Mulheres no Brasil´, a senhora mostra a evolução da mulher na sociedade brasileira. O que ainda resta das ´sinhazinhas´ no imaginário da mulher brasileira atual?

A história das mulheres não é um caminho progressivo, mas, sim, uma estrada juncada de obstáculos, resistências e ultrapassagens. A brasileira de hoje conquistou o espaço para estudar, trabalhar e dispor de sua sexualidade, sem entraves. Ou seja, ela não quer mais ser a sinhazinha. Mas ela também lida mal com a solidão, a competição e as responsabilidades advindas das conquistas precedentes: ´produções independentes´ , a obrigação de prover a casa e o segundo turno de trabalho doméstico. Além disso, não abre mão de se cuidar para continuar a parecer uma princesa. Ou seja, a sinhazinha continua, bem viva, dentro dela.

Historicamente, sobretudo pela ótica cristã, a mulher foi vista com inferioridade diante de um mundo masculinizado. O que vem mudando nesta realidade?

Herdamos dois mil anos de tradição judaico-cristã da qual é difícil livrar-se. Sobretudo num país onde o descaso com a educação não ajuda a formar cidadãos. Quando não se tem consciência da própria inferioridade, é mais complicado lutar contra ela. Contudo, as mudanças se impõem. Mais e mais mulheres estão em postos de trabalho, temos cerca de 10% de representantes mulheres na Câmara e no Senado, e, nas universidades, o número de mulheres formadas é maior do que o dos homens. As condições materiais de vida estão realmente mudadas.

Então, onde falta avançar?

O problema é a subjetividade feminina? Como melhorar a auto-estima da mulher brasileira? Lutando contra a sua desvalorização. Lutando contra a imagem do ´xuxuzinho, da mulher-melancia e da gostosona´ que coisificam a mulher. O triste é que muitas gostam desta representação. E alimentam esta mentalidade nos filhos e maridos. E o que dizer de um país mestiço e mulato que só tem apresentadoras de televisão louras, ainda que falsas?! Como fica a auto-estima de nossas crianças?

A mulher não tinha liberdade sobre o seu próprio corpo. Quando esta situação começou a mudar?

O grande marco é o século XIX, momento em que o trabalho feminino passa da vida privada à pública. As brasileiras sempre trabalharam, e muito, lutando por sua sobrevivência e de seus familiares. Com a industrializaçã o e o crescimento dos serviços, tal trabalho passou a ser feito ´fora´. Em São Paulo, por exemplo, as mulheres foram 90% da força de trabalho na indústria têxtil aos fins do Império. Mas, além da autonomia financeira, foi preciso conquistar aquela sexual. Não era possível se matar de trabalhar para sustentar uma família de 7,8 ou 10 filhos. A grande clivagem chega nos anos 70 com a difusão da pílula anticoncepcional. Ela é que deu a verdadeira liberdade para as mulheres. Antes de serem vítimas do pai, do marido ou do irmão, as mulheres foram vítimas de seus próprios corpos.

E como se deu a luta no campo político e dos direitos individuais, como o voto que veio em 1932?

Vale a pena recordar alguns marcos desta luta: só em 1879, as mulheres têm autorização do governo para freqüentar instituições do ensino superior, pelo que foram ridicularizadas. Em 1887, formou-se a primeira médica brasileira, Rita Lobato Velho. Em 1885, num romance intitulado Memórias de Marta, Júlia Lopes de Almeida denunciava pioneiramente a dificuldades da vida das mulheres pobres. Em 1917, a professora Leolinda Daltro liderou uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres. No ano o de 1922 foi fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Em 1929 é eleita a primeira prefeita: Alzira de Souza, em Lages, Rio Grande do Norte. Em 1931, criada a Cruzada Feminista Brasileira e em 32, no governo de Getúlio Vargas, o novo código eleitoral institui o voto feminino. E só em 1945, uma Carta das Nações Unidas, reconheceu a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

O que representou essa conquista?

No campo da política, muito pouco. A imensa maioria das mulheres que elegemos para nos representar não tem agendas voltadas para a educação das meninas pobres, a prevenção da gravidez precoce, o aborto, a luta contra a presença das mulheres no tráfico de drogas ou a igualdade salarial entre homens e mulheres. Elas preferem copiar os políticos que criticavam antes de ser eleitas. Mas, nos cargos, acabam roubando e corrompendo com a mesma cara de pau que eles têm. Nenhuma delas ergueu a bandeira da ética, se diferenciando do mar de lama em que está mergulhada a vida política.

Qual a contribuição do movimento feminista da década de 1960 para a identidade atual da mulher?

Foi importante, mas perdeu a força ao buscar a igualdade entre homens e mulheres. Não queremos ser homens de saias. Prefiro pensar nas complementaridades entre os sexos. Homens possuem liderança? Pois as mulheres têm o dom da negociação. Homens são agressivos, mulheres são conciliadoras. ..e daí por diante. Trabalhando juntos, naquilo que temos de diferente, singular e específico, teremos resultados mais ricos e eficientes do que buscando, a todo custo, uma igualdade que não deu certo. E que biologicamente não existe.

Como a mulher brasileira vem acompanhando essas transformações?

Enquanto elas continuarem a evitar que os maridos lavem a louça, a desqualificar as namoradas dos filhos quando tomam um fora, a chamar as homossexuais de ´sapatonas´, a aceitar a vulgaridade na TV e nas bancas de jornais, vai ser difícil adquirir a consciência necessária para promover mudanças. A mulher brasileira, no fundo, é machista.

A senhora considera pequena a participação das mulheres na política brasileira?

Não é pequena, não. Temos mais de 10% de representantes. O problema é a qualidade da representação. Há poucas políticas com agendas que façam a diferença, dos seus pares do outro sexo. Em geral, são tão demagogas e corruptas quanto eles.

Existe uma relação cultural?

Não. Tem raízes no baixíssimo investimento na educação. Pessoas educadas e informadas não vêem qualquer empecilho em votar em mulheres. E cidadãs bem formadas, uma vez eleitas, sabem dar contribuição de qualidade para a sua coletividade e ao seu País.

Essa realidade é inerente a toda América Latina?

A América Espanhola tem uma tradição de maior investimento no ensino, do que nós. A Argentina, para ficar num exemplo, logo depois de sua Independência, em 1816, criou logo um sistema nacional de educação, apoiado na escola pública e nas bibliotecas. Só fomos fazer isso, cento e vinte anos mais tarde. O sentimento de cidadania, com direitos e deveres é mais forte, onde há nível mais elevado de educação.

O Brasil, principalmente o Nordeste, é conhecido por sua herança machista. O povo está preparado para eleger uma mulher para presidente da República?

O Nordeste tem números assustadores de violência contra a mulher, mas o machismo existe no Brasil todo. O problema não é eleger um homem ou uma mulher, mas alguém que faça um verdadeiro trabalho de saneamento na educação e na saúde. Basta de populismo!

Na sua opinião, quais são as principais conquistas das mulheres até hoje?

No campo das realizações profissionais e afetivas, há, de fato, muitas conquistas. Há inúmeras brasileiras que conseguem conciliar trabalho e família, afeto e responsabilidade. Elas atingiram o equilíbrio sutil, mas necessário, entre a vida pública e a vida privada. Manter a família unida, valorizar as tradições, estando, igualmente, receptivas à inovações são desafios que muitas de nós conseguem preencher. O importante seria democratizar estas oportunidades para mulheres de camadas desfavorecidas, que sem a ajuda de creches, escolas de qualidade e hospitais adequados, têm menos possibilidades de atingir este equilíbrio.

O livro´História do Amor no Brasil´ fala de como foram construídas as relações afetivas no Brasil. O que mudou ao longo desses anos as relações afetivas?

Em toda a história do amor, o casamento e a sexualidade estiveram sob controle; controle da Igreja, da família, da comunidade. Só o sentimento, apesar de todos os constrangimentos, continuava livre. Podia-se obrigar indivíduos a viver com alguém, a deitar com alguém, mas não a amar alguém. As coisas mudaram bastante. Apesar dos riscos de doenças como a Aids, a sexualidade foi desembaraçada da mão da Igreja, separada da procriação graças aos progressos médicos, e mais, desculpabilizada pela psicanálise e cada vez mais exaltada. Hoje, a ausência de desejo é que é culpada. O casamento, fundado sobre o amor, não é mais obrigatório e escapa às estratégias religiosas ou familiares; o divórcio não é mais vergonhoso e os casais têm o mesmo tratamento perante a lei. A realização pessoal se coloca acima de tudo: recusamos a frustração e a culpabilização. Mas tudo isto são conquistas ou armadilhas? Os historiadores de amanhã o dirão.

FIQUE POR DENTRO

Quem é Mary Del Priore

Renomada historiadora e escritora cuja obra tem como foco o comportamento e o cotidiano da vida do povo brasileiro. Possui graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo, especialização na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1993) e pós-doutorado na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (1996). Atualmente é professora do programa de mestrado em História da Universidade Salgado de Oliveira. Autora de mais de 22 livros dentre outros: ´História do Amor no Brasil´ e ´História das Mulheres no Brasil´.

Iracema Sales
Repórter




sábado, 7 de março de 2009

E não é mesmo?

História do Dia Internacional da Mulher
História do Dia Internacional da Mulher, significado do dia 8 de março, lutas femininas, importância da data e comemoração, conquistas das mulheres brasileiras, história da mulher no Brasil, participação política das mulheres, o papel da mulher na sociedade brasileira

dia internacional da mulher

História do 8 de março


No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História

  • 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

  • 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

  • 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

  • 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

  • 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

  • 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas

  • 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres

  • 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

  • 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças

  • 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina

  • 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

Para ver mais sobre AS CONQUISTAS DAS MULHERES, entre aqui www.dhnet.org.br

O estupro e a excomunhão


Não sou religioso --e, ainda por cima, sou judeu. Talvez não seja o indivíduo mais recomendado para comentar a decisão da Igreja Católica de excomungar a mãe da menina de nove anos em Pernambuco e os médicos que fizeram o aborto --a menina, de 9 anos, estava grávida do padrasto. A excomunhão me parece um segundo estupro.

Apesar de discordar, posso entender que a Igreja condene o aborto. Até, fazendo força, entendo que condenem um padre, parlamentar do PT, que defendeu o uso da camisinha. São posições arcaicas e, na minha visão, prejudiciais à saúde pública, mas se inserem em princípios.

O que não consigo entender é por que estão humilhando e fazendo sofrer ainda mais a mãe da menina grávida, já condenada a um drama familiar --um sofrimento que se estende para a garota, que fica como filha de uma excomungada. Quem conhece a religiosidade do interior do Nordeste sabe o peso disso.

Faltou aí não só bom senso, mas humanidade. Duvido que essa seja a opinião da maioria dos católicos.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Hitler nas Olimpíadas


"Uma mentira muitas vezes repetidas, torna-se verdade" - Joseph Goebbels

De quatro em quatro anos, sempre que se aproximam os jogos olímpicos, invariavelmente a imprensa pública a história de Jesse Owen e de Hitler. Repetem sempre a mesma e inverídica história: Hitler, o arauto da superioridade racial ariana, teria se negado a cumprimentar o vitorioso velocista norte-americano, por esse ser negro. As quatro medalhas de ouro obtidas por Owens eram uma bofetada no mito de superioridade alemã, coisa que o Führer não poderia aceitar. Essa lenda, que perdura já há 60 anos, foi criada por jornalistas esportivos norte-americanos durante os próprios Jogos Olímpicos de 1936, que estavam sendo realizados em Berlim.

Vamos então aos fatos. Devido à infame campanha anti-semita dos nazistas, várias comissões esportivas, especialmente a norte-americana, a inglesa e a francesa ameaçaram boicotar os jogos. Hitler então, para não empanar o espetáculo, resolveu dar uma trégua aos judeus. Proibiu a circulação do jornal anti-semita “Der Stürmer”, do hidrófobo Julius Streicher e permitiu que alguns judeus participassem na delegação alemã (como a esgrimista Helena Mayer e o jogador de hóquei Rudi Ball). Não só isso, encarregou um outro judeu, o capitão Wolfgang Fürstner, de organizar a Vila Olímpica. O mundo liberal respirou aliviado, autocongratulando-se por sua pressão ter resultado algum efeito. Iniciados os jogos, com a entrada triunfal de Führer no estádio de 110 mil pessoas, ele, entusiasmado, tratou de não perder nenhuma competição importante. Quando a primeira medalha de ouro foi conquistada por um atleta alemão, o arremessador Hans Wölke, Hitler foi pessoalmente cumprimentá-lo. Na mesma ocasião congratulou-se com mais três fundistas filandeses e duas atletas alemãs.

Foi então que o Presidente do Comitê Olímpico resolveu intervir. Disse a Hitler que ele, na qualidade de convidado de honra, deveria doravante ou cumprimentar todos os atletas vencedores ou não felicitar mais nenhum. Como não podia estar presente a todos os momentos em que os campeões eram agraciados, Hitler optou então por não descer mais da tribuna de honra.

Quando Jesse Owens ganhou as medalhas, Hitler já tinha tomado a sua decisão. E, ao contrário de ter-se mostrado indignado, abanou efusivamente para o grande atleta. Nas palavras do próprio Jesse: “Quando eu passei, o Chanceler se ergueu, e acenou com a mão para mim: eu respondi ao aceno...”

A razão do gesto é muito simples. O Nazismo exaltava acima de tudo, em seu profundo antiintelectualismo, o vigor físico e a estampa, não importando qual fosse a raça. Aquele que revelasse alguma musculatura e virilidade, harmonizada num belo corpo, tinha sua imediata aprovação. Tanto isso é fato que Leni Rienfenstahl, a cineasta do regime, quando depois da guerra resolveu auto-exilar-se na África, fez uma notável bateria de fotos celebrando a plástica dos retintos núbios.

A ironia dessa história é de quem de fato discriminava os negros (que na Alemanha nazista eram olhados como atraentes excentricidades) era a delegação norte-americana, que os segregavam durante os próprios jogos olímpicos. E mesmo quando a guerra eclodiu uns tempo depois, eram os norte-americanos quem não permitiam que os batalhões negros acampassem misturados aos brancos. Joe Louis, o campeão mundial de boxe, convocado para a luta, era obrigado a andar na parte traseira dos ônibus militares.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Miliciano árabe sudanês: muitas afinidades com o Brasil


O Tribunal Pena Internacional de Haia emitiu hoje uma ordem de prisão contra o presidente do Sudão, Omar Bashir. Pela primeira vez, um chefe de governo em pleno exercício é alvo de tal decisão, o que dá o caráter histórico do momento.

Bashir é acusado de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade, sobretudo por causa do conflito em Darfur. Na região, uma milícia árabe islâmica, apoiada pelo governo, reprime rebeldes africanos, a maioria cristãos e animistas, causando um desastre humanitário ainda difícil de calcular – fala-se em 300 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados.

O Sudão, como era esperado, acusou o tribunal de ser “neocolonialista” e não pretende entregar Bashir. O caso deve ser remetido ao Conselho de Segurança da ONU, que tem poder para fazer valer a decisão.

A propósito do Conselho de Segurança, será interessante ver como se comportará agora o governo brasileiro, que não se envergonhou por se aproximar do Sudão em troca de apoio em seu obsessivo projeto de integrar a máxima instância da ONU. O ponto alto desse vexame se deu no final de 2007, quando o Brasil, no Conselho de Direitos Humanos, se absteve de votar uma resolução que exigia o julgamento dos sudaneses responsáveis pelo massacre em Darfur. Pouco depois, o governo Lula, alegando que estava muito ocupado no Haiti, recusou-se a envolver tropas na força da ONU que interviria no conflito.

O governo Lula nunca reservou uma única palavra de censura a Bashir. Pelo contrário. Encontrou no Sudão e seu governo de mãos banhadas em sangue um animado parceiro comercial e diplomático. Depois da decisão do tribunal de Haia, porém, ficou claro que nosso arremedo de Realpolitik deveria ter um limite, ainda que fosse só o do bom senso.

Foto: Desirey Minkoh/France Presse

Coca-Cola: duplaface

www.cokejustice.org ->
Texto de Daniel Cassol (enviado especial ao México Comunidades Rurais da Índia).

"Uma fábrica é capaz de captar até um milhão de litros de água por dia. Na Colômbia, desde 1990, oito trabalhadores de fábricas da multinacional, que atuavam no Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, já foram assassinados por grupos paramilitares com a conivência da empresa. Na Turquia, 14 motoristas da empresa, atuantes nos sindicatos, já a denunciaram por intimidação e tortura. Coca-Cola é isso aí. Os casos estão relatados no documento "Coca-Cola – o informe alternativo",divulgado na Cidade do México pela organizaçãoo não-governamental War on Want. É por isso que, na visão dos ativistas da entidade, boicotar os produtos da transnacional não significa apenas defender a água.
"Quem decide não consumir mais produtos da Coca-Cola é porque chegou a um alto grau de consciência política", afirma Gustavo Castro, do México. No país em que o atual presidente da República já foi presidente nacional da multinacional, a empresa está se apoderando dos recursos hídricos. De acordo com o relatório, a Coca-Cola está recebendo incentivos e isenções para privatizar os aquíferos do Estado de Chiapas, rico em água. "No México, a Coca-Cola entrou na vida familiar, é parte da paisagem e da vida das pessoas", relata Castro. Contaminação e violência O indiano Amit Srivastava, da organização India Resources, relata que no seu país a Coca-Cola arrasa comunidades onde possui fábricas engarrafadoras. A quantidade de água utilizada pela empresa é tanta que em algumas regiões o nível dos rios já baixou até 10 metros em cinco anos. "Quase toda a água que a Coca-Cola usa é para limpar máquinas e garrafas. Eles colocam produtos químicos na água e a contaminam, prejudicando solos, plantas e aquíferos", afirma. De acordo com Srivastava 70% da população indiana vive da agricultura e as consequências da presença da Coca-Cola no país são trágicas para esse setor. "Beber Coca-Cola é como beber o sangue dos agricultores da Índia", completa.
O dirigente sindical Javier Correa, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Industria de Alimentação da Colômbia, denuncia uma outra faceta da transnacional: a repressão aos sindicatos e aviolência contra os trabalhadores. Desde 1990, são nove sindicalistas funcionários da empresa mortos por grupos paramilitares, 14 presos e 48 vítimas de ameaças de morte, como é o caso de Correa. "São boas as relações entre a Coca-Cola e os paramilitares", denuncia. Boicote internacional Todos os casos de violação de direitos humanos, de exploração pedratória dos recursos hídricos e contaminação da água, levaram a Coca-Cola a patrocinar o IV Fórum Mundial da Água, na opinião de Amit Srivastava. O evento, que termina no dia 22 na Cidade do México, seria um grande exercício de relações públicas da empresa. "É inacreditável que a Coca-Cola esteja patrocinando um fórum internacional sobre água, porque sua relação com ela é extremamente insustentável", declara. No contexto do Fórum Internacional em Defesa da Água, evento paralelo ao oficial, a organização War on Want divulgou sua proposta de uma campanha internacional de boicote aos produtos da empresa. "A Coca Cola não entende de ética. Não há como negociar com essa empresa, porque a única coisa que ela entende é de dinheiro. Por isso precisamos boicotar seus produtos", afirma Srivastava. De acordo com a organização, universidades estadunidenses, como a de Michigan e de Nova York, já cancelaram seus contratos com a empresa. "
Nem tudo são ursos polares! Assim como a moeda tem dois lados, Eis o que a Coca-Cola esconde e omite pela sua outra face.
Divulguem!! Eu ainda acredito no Desenvolvimento Sustentável!

Sites e blogs para baixar documentários

Para historiadora, postura do jornal Folha de S. Paulo visa reconstruir memória da ditadura de forma errônea

historiadora Beatriz Kushnir é responsável por um resgate histórico de acontecimentos os quais boa parte da imprensa brasileira prefere ocultar. Em seu livro “Cães de Guarda - jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988”, a autora pormenoriza o papel colaboracionista de alguns órgãos da imprensa durante o regime militar.

Com a polêmica envolvendo o termo “ditabranda”, utilizado pelo jornal Folha de S.Paulo, muitos intelectuais e militantes perseguidos durante o regime trataram de relembrar o papel que o grupo empresarial que controla o periódico até hoje exerceu durante o regime.

O principal foco de colaboração ao regime, de acordo com o livro de Kushnir, estava justamente em um órgão da empresa Folha da Manhã, a extinta Folha da Tarde. Nesse veículo, atuaram jornalistas ligados a grupos de esquerda, até que o jornal passou a ser controlado diretamente por agentes da repressão, ficando conhecido como o “Diário Oficial da Operação Bandeirantes”.

Notícias de mortes de presos políticos apareciam em primeira mão na FT, ainda que elas ainda nem tivessem acontecido, como no caso de Joaquim Alencar de Seixas (veja matéria abaixo).

Sobre a atual fase editorial do jornal Folha de S. Paulo, Beatriz Kushnir afirma que a imagem “democrática” que foi construída em torno do periódico é resultado de uma estratégia de marketing construída no período da campanha pelas Diretas. Veja entrevista abaixo.


Brasil de Fato - Tendo em vista os acontecimentos recentes relacionados ao jornal Folha de S. Paulo, você identifica uma tentativa de reconstruir uma imagem mais branda da ditadura militar?

Beatriz Kushnir - Eu acho que isso acontece há bastante tempo em diversos setores da sociedade brasileira. É curioso que, no aniversário de 30 anos do AI-5 , em 1998, o Jânio de Freitas publicou uma coluna na Folha de S. Paulo dizendo que os jornalistas que já atuavam naquela época, continuavam nas redações e escreviam histórias de si, de 30 anos atrás, que não correspondiam aos fatos. Ou seja, ele chamava atenção sobre essa reconstrução de memória que já acontecia naquele momento. E isso vem ocorrendo em diversos setores da sociedade brasileira. Se você analisa um site de relacionamentos, como o Orkut, poderá ver várias comunidades relacionadas a esse tema em que os militantes reescrevem suas histórias de maneira muito diferente do o que realmente aconteceu naquele momento. São militantes de esquerda, mas que, em determinado momento, se vincularam às forças de direita e utilizam esse mecanismo para reescrever sua história.

Qual sua opinião sobre a resposta do periódico aos professores Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides?

Foram respostas inusitadas. O que surpreendeu a todos foi a violência da resposta. Por isso se mobilizou essa petição que recebeu tantos adeptos. Vale perguntar para a Folha o porquê disso ter acontecido. Não podemos esquecer que um jornal é uma empresa privada que vende serviço público, o leitor paga por essa informação ao comprar o jornal. Quando alguém se propõe a ter um jornal, por mais que seja uma enorme fonte de poder, está se vinculando informações, então é uma responsabilidade muito grande.


Os intelectuais Fabio Konder Comparato e Maria Victoria Benevides afirmam que a postura da Folha de S. Paulo faz parte de uma contra-ofensiva, dos setores conservadores, que visa desmoralizar o debate sobre os crimes da ditadura. Você também partilha desta opinião?

Eu acho que pode ter uma relação com essa contra-ofensiva também. Mas acho que está na hora da sociedade civil, principalmente dos meios acadêmicos, se posicionar sobre as medidas que o governo vem tomando em relação ao acesso à informação. Sobre esse assunto, é preciso destacar uma nota do Secretário Especial de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, ressaltando a importância de se realizar uma expedição longa ao Araguaia para que se achem ossadas. Mas, antes disso, há que se rever a lei 11.111 de 2005 que fechou acesso aos documentos da ditadura. Ela foi criada ainda no governo Fernando Henrique, tornou-se uma medida provisória e depois uma lei, no governo Lula. Com essa medida, muitas coisas que eu vi para minha tese de doutorado entre 1996 e 2001, provavelmente eu não teria acesso agora. Muitas vezes essa questão do direito à informação tem passado a largo. (Leia mais na edição 314 do Brasil de Fato)

Fonte: www.brasildefato.com.br

domingo, 1 de março de 2009

Big Brother Brasil - Uma visão crítica


Como funciona o esquema:

29.000.000 (milhões) de ligações do povo brasileiro votando em algum candidato para ser eliminado. Vamos colocar o preço da ligação a R$ 0,30 (trinta centavos) e só. Então, teremos… R$ 8.700.000,00. Isso mesmo! Oito milhões e setecentos mil reais, que o povo brasileiro gastou (e gasta), em cada paredão!

Suponhamos que a Rede Globo tenha feito um contrato “50% por 50%”, ou melhor,”meio a meio” com uma operadora de telefonia, ou seja, ela embolsou R$ 4.350.000,00.
Repito: Alguém poderia ficar indignado com a Rede Globo e a operadora de telefonia ao saber que as classes menos letradas e abastadas da sociedade, que ganham mal e trabalham o ano inteiro, ajudam a pagar o prêmio do vencedor e, claro, as contas dessas empresas.

Mas o “x” da questão, caro(a) leitor(a), não é esse. É saber que paga-se para obter um entretenimento vazio, que em nada colabora para a formação e o conhecimento de quem dela desfruta; mostra só a ignorância da população, além da falta de cultura e até vocabulário básico dos participantes e, consequentemente, daqueles que só bebem nessa fonte.
Certa está a Rede Globo.

O programa BBB dura cerca de 3 (três) meses, ou seja, o “sábio público” tem ainda várias chances de gastar quanto dinheiro quiser com as votações. Aliás, algo muito natural, para quem gasta mais de R$ 8.000.000,00, repito, oito milhões de reais numa só noite! Coisa de país rico como o nosso, claro!

Nem a UNICEF (órgão das Nações Unidas para a infância), quando faz o programa CRIANÇA ESPERANÇA, com um forte apelo social, arrecada tanto dinheiro. Vai ver, deveriam bolar um “BBB Unicef”. Mas, tenho dúvidas se daria audiência. Prova disso, é que na Inglaterra, pensou-se em fazer um BBB só com gente inteligente. O projeto morreu na fase inicial, de testes de audiência.
Qual o motivo do fracasso? O nível das conversas diárias foi considerado muito alto, ou seja, o público não se interessaria. Programas como BBB existem no mundo inteiro, mas explodiram em audiência em países de 3º mundo… Um país como o nosso, onde o cidadão vota para eliminar um bobão ou uma bobona qualquer… mas não se lembra em quem votou na última eleição…

Que vota numa legenda política sem jamais ter lido o programa do partido, mas que gasta seu escasso salário num programa que acredita ser de extrema utilidade para o seu desenvolvimento pessoal e, que não perde um capítulo sequer do BBB para estar bem informado na hora de PAGAR pelo seu voto…

Que eleitor é esse? Depois, não adianta dizer que político é ladrão, corrupto, safado, etc.
Quem os colocou lá? Claro, o mesmo eleitor do BBB!
Aí, agüente…
- As absolvições dos Renans Calheiros…
- Os Aumentos dos IOFs…
- As Falências dos Sistemas de Saúde…
- As Epidemias de febre-amarela…
- Os 40 Ladrões do Ali Babá… e de quebra…
Trabalhando igual a um burro mais de 5 (cinco) meses por ano para sustentar nefastas instituições absolutamente desacreditadas pela sociedade… enfim, estamos no início de mais uma temporada do BBB, sigla que reflete, como nenhuma outra, a prostituição de valores de nossa sociedade.

Enquanto isso a grande vilã das comunicações - Rede Globo - continuará se enchendo de glória e dinheiro com o patrocínio de canalhices ao vivo e a cores de 14 candidatos, a um grande prêmio, vitória pela maior habilidade em agirem como devassos das relações com o próximo. Enquanto a sociedade der audiência a esse tipo de patifaria televisiva, a falência da família e dos valores morais e éticos não vão mais retroceder.

Estejam certos de uma coisa: Os iletrados e os aprendizes, vítimas da falência da cultura, da educação e da família, terão dezenas de horas de puro deleite de como ser falso, mentiroso, infiel, hipócrita, leviano, canalha, com todos os derivativos da falta de ética e imoralidade estando à mostra.

Mas o contribuinte não deve ligar mesmo, ele tem condições financeiras de juntar R$ 8 milhões em uma única noite para se divertir (?!?!), ao invés de comprar um livro de literatura, filosofia ou de qualquer entretenimento televisivo relevante para melhorar a sua articulação, a sua autocrítica e a sua consciência…

A Rede Globo sabe muito bem disso. Os autores das músicas: “Egüinha Pocotó” e “O Bonde do Tigrão”, sabem muito bem disso o Gugú e o Faustão também; Não é maldade nem desabafo.

Fonte: http://idiotaz.com.br/big-brother-brasil-uma-visao-critica/

“A ignorância é a mãe de todos os males”.

(François Rabelais (1483-1553) Escritor e Padre Francês)

BBB – Bendita Burrice a Brasileira



A BARRIGA DA GLOBO QUASE COMPROMETE O BRASIL

Por Ruy Martins (*)

A moça brasileira tinha seus problemas e provavelmente se autoflagelou. É triste.

Mais triste é o quadro da nossa imprensa irresponsável que mobilizou o país, levou o ministro das relações exteriores Celso Amorim a criticar um país amigo e Lula a quase criar um caso diplomático. É hora de denunciar a nossa grande imprensa sem deontologia, sem investigação, que afirma e desafirma sem qualquer cuidado e sem checar as notícias.

A agressão racista contra Paula Oliveira não foi um noticiário iniciado em Zurique, local da suposta agressão. Estourou no Brasil, detonada por um pai – e isso é muito compreensível – preocupado com sua filha distante. E a maior rede de televisão do Brasil, a Globo, vista por mais de uma centena de milhões de brasileiros, não teve dúvidas em transformar o caso na grande manchete do dia, fazendo com que outros milhões de brasileiros, no Exterior, já acuados pela Diretiva do Retorno, se solidarizassem e imaginassem passeatas e manifestações.

Essa é a maior barriga da história do nosso jornalismo, que revela o descalabro a que chegamos em termos de informação ou desinformação. Equivale ao conto do vigário do Madoff, ou das subprimes do mercado imobiliário americano. Só que o Madoff está preso, mesmo sendo prisão domiciliar e vivemos uma crise econômica, em conseqüência dos desmandos dos bancos americanos. Mas o que vai acontecer com a televisão Globo e todos quantos foram atrás? Nada, vai ficar por isso mesmo.

Como um órgão de imprensa de tanta penetração pode se permitir divulgar com estardalhaço um noticiário de muitos minutos, reproduzido online, repicado por jornais, rádios e copiado por outras televisões sem primeiro checar no local? Que jornalismo é esse que se faz sem qualquer investigação, sem se ouvir as partes envolvidas? Sem deslocar antes um repórter para Zurique e entrevistar também o policial responsável pela ocorrência? Sem ouvir a própria envolvida, fiando-se apenas no relato de um pai desesperado? Sem pedir a opinião de um especialista em ferimentos e escoriações?

Quem vai pagar o dano moral causado a essa jovem, que sem querer se tornou primeira página nos jornais? Quem vai desfazer o ridículo a que se submeteu o nosso ministro Celso Amorim, que, baseado num noticiário de foca em jornalismo, sem ouvir acusação e acusado, ofendeu um país amigo exigindo que prestasse contas em Brasília por um noticiário tipo cheque sem fundo? Quem assume o fato de quase levar nosso presidente a ficar vermelho de vergonha por se basear em noticiário sem crédito, com o mesmo valor de uma ação do banco Lehmann?

E mais – o dano sofrido pela Suíça, em termos de imagem, justamente quando seu povo tinha justamente votado em favor dos imigrantes , quem vai reparar?

Essa barriga da Globo, secundada pela grande imprensa, é prova do que se vem dizendo há algum tempo – não há credibilidade nessa mídia. Publica-se, transmite-se qualquer coisa, e quanto mais sensacionalista melhor. Não há responsabilidade no caso de erros, de noticiário mentiroso, vale tudo, o papel aceita tudo, a televisão transmite qualquer coisa, desde que dê Ibope – e existe melhor coisa que nacionalismo ofendido? É o que os franceses chamam de "presse de boulevard", mentirosa, tendenciosa, com a opinião ao sabor das publicidades. Sem jornalismo investigativo, sem confirmar as fontes, sem ouvir as opiniões divergentes.

Vão pedir a cabeça do redador-chefe? Não, assim que se recuperarem da barriga, da irresponsabilidade cometida, da vergonha diante dos colegas, vão jogar tudo em cima da pobre jovem, que deve ter seus problemas e que a nós não compete saber, isso é vida privada, não é Big Brother.

É essa mesma imprensa marrom, que induz nossos dirigentes ao erro, que também publica qualquer coisa contra o quer chamam de "assassino desalmado" Cesare Battisti. A irresponsabilidade da imprensa é o pior inimigo da liberdade de imprensa, porque pode provocar reações legislativas limitando os descalabros cometidos.

Escrever num jornal, falar numa rádio ou numa televisão e mesmo manter um blog constitui uma responsabilidade social. Não se pode valer dessa posição para se difundir boatos, nem inverdades, nem ouvir-dizer, é preciso ir checar, levantar o fato, mencionar ou desfazer as dúvidas e suspeitas existentes. É também preciso se garantir o direito de ser mencionada a versão da parte acusada para evitar a notícia tendenciosa.

A barriga da Globo vai ficar na história do nosso jornalismo, será sempre lembrada nos cursos de comunicação, tornou-se antológica, e nela estão entalhadas, por autoflagelação, as palavras que a norteiam – sensacionalismo, irresponsabilidade e abuso do seu poder.

Existem, sim, problemas contra nossos emigrantes em diversos países, principalmente depois da criação da Diretiva do Retorno pelo italiano Silvio Berlusconi. Diariamente brasileiros são presos e mandados de volta, na Espanha, mas isso não mobiliza a nossa imprensa, não dá Ibope.

(*) Ruy Martins foi correspondente do Estadão e da CBN, após exílio na França. Autor de O Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre a Suíça e Maluf. Criou os Brasileirinhos Apátridas e propõe o Estado dos Emigrantes. Vive na Suíça, colabora com os jornais portugueses Público e Expresso. Texto publicado originalmente dia 13/02/09 no site Direto da Redação.