domingo, 31 de maio de 2009


Corpo em porão pode ser de Rosa Luxemburgo, diz legista alemão

Um cadáver guardado por décadas no porão do hospital universitário Charité, uma das mais importantes instituições científicas da Alemanha, pode ser o da famosa revolucionária Rosa Luxemburgo, segundo o diretor do departamento de medicina legal da instituição, Michael Tsokos.

"Há semelhanças espantosas com Rosa Luxemburgo", disse o especialista, após exames minuciosos feitos no corpo.

O torso de mulher, sem cabeça, mãos e pés, foi submetido a diversos exames, incluindo tomografia computadorizada. "A mulher sofria de artrose e tinha pernas de comprimentos diferentes, exatamente como Rosa Luxemburgo", acrescentou.

De acordo com resultado de análises laboratoriais para determinar a idade, a morta tinha entre 40 e 50 anos. Luxemburgo tinha 48 anos quando morreu.

Pés e mãos

Para Tsokos, a falta de pés, mãos e cabeça seria resultado dos arames de aço que foram amarrados com pesos nos pulsos, tornozelos e no pescoço para que o corpo não retornasse à superfície.

O especialista diz que acredita ser possível que os fios metálicos e a correnteza da água tenham provocado a separação dos membros.

Deputados da oposição, líderes do partido de esquerda Die Linke (A Esquerda), reivindicaram nesta sexta-feira a intervenção do governo federal alemão para que o mistério seja esclarecido rapidamente. A revolucionária é padroeira da agremiação.

A militante marxista foi assassinada com um tiro na cabeça em janeiro de 1919, após ser sequestrada e espancada por membros de uma organização paramilitar, a mando do governo social-democrata alemão. Depois, o corpo foi jogado em um canal fluvial de Berlim.

Um corpo encontrado no canal no dia 31 de maio de 1919 foi enterrado como sendo o de Rosa Luxemburgo.

DNA

O médico legista diz crer, com base na análise do relatório da autópsia realizada na época, que o corpo enterrado como sendo o da revolucionária pertencia a uma outra mulher, provavelmente alguém que se suicidou no mesmo canal.

Nas anotações, os legistas da época não atestam uma diferença no tamanho das pernas do cadáver, nem outras características físicas peculiares a Rosa Luxemburgo.

Ela apresentava uma deformação na coluna, que fazia com que andasse mancando. A cabeça da autopsiada também não apresentava marcas de tiro. O túmulo de Luxemburgo se encontra vazio, depois de ter sido saqueado pelos nazistas em 1935.

"Sob a pressão dos militares, que tinham pressa em resolver o caso, os médicos emitiram o atestado usando uma outra morta afogada", avalia Tsokos.

Ele reconhece, no entanto, que só poderá ter a prova definitiva por meio de exames de DNA. "Só assim poderemos ter uma identificação inequívoca", afirma.

Tsokos espera poder comparar o material genético com mostras retiradas de uma sobrinha de Luxemburgo, que viveria em Varsóvia, para comprovar a identidade do corpo.

Prostitutas brasileiras na Espanha

A história é a seguinte: um casal, Domingo Fernandez e Gilda Borges, dirigiam duas casas de prostituição em Vigo, chamadas Mamba Negra e Skorpio, assim como participavam da gestão do Sheraton, na cidade de Verin, dirigida por Manue Atanes. Levavam moças do Brasil para trabalhar como prostitutas nesses locais, sem esconder as atividades que elas iam ter. Pagavam suas passagens e agiam para que elas chegassem como turistas.

Chegadas à Espanha, se impunham as normas de funcionamento dos locais, que incluíam horários e os preços da bebida e dos serviços sexuais oferecidos aos clientes. Estes pagavam aos garçons e no fim de cada noite elas recebiam sua parte, se é que tivessem direito. Porque durante os primeiros meses tinham descontado o preço da passagem, o que fazia com que elas não recebessem nada, além das multas que poderiam receber, por chegar tarde ao trabalho, por falar alto (sic), por dar o numero de telefone a clientes e por sair sem autorização. Além disso, elas tinham obrigação de morar nos locais de trabalho e pagar pelo aluguel e pela comida.

O casal foi condenado pela Audiência Provincial de Pontevedra a seis anos de prisão por trafico ilegal de pessoas com fins de exploração e a dois anos e meio por um delito contra os direitos dos trabalhadores. O Supremo Tribunal Federal da Espanha ratificou a primeira condenação, mas absolveu o casal do segundo delito, alegando que as condições de trabalho, as multas por atrasos e falar alto “são normalmente penalizadas pela lei no mundo dos hotéis e que as outras condições “são normais”.

O Tribunal decidiu que “à margem de razões de moralidade”, a prostituição por conta alheia pode ser “uma atividade econômica que, se é realizada em condições aceitáveis pelo Estatuto dos Trabalhadores, não pode ser enquadrada no delito 312 do Código Penal, que castiga aos que oferecem condições de trabalho enganosas ou falsas ou empregam a cidadãos estrangeiros em condições que prejudiquem, suprimam ou restrinjam os direitos que fossem reconhecidos por disposições legais, convênios coletivos ou contrato individual.”

O Supremo Tribunal Federal da Espanha considera assim que pode haver uma relação, mesmo que atípica, no exercício da prostituição por conta alheia? O Código Penal espanhol tipifica como delito o proxenetismo, mesma se a mulher o consente. Mas os juízes fazem uma declaração de principio afirmando que “a questão da prostituição voluntaria em condições que não suponham coação, engano, violência ou submissão, ainda que por conta própria ou dependendo de um terceiro que estabelece umas condições que não atentem contra os direitos dos trabalhadores, não pode ser decididas com enfoques morais ou com concepções ético-sociológicas, dado que afetam a aspectos da vontade (das mulheres) que não podem ser coibidas pelo direito sem maiores matizes.”

Diante dessa situação, pergunta-se o jornal espanhol El Pais:

“É possível explorar sexualmente a uma mulher e ao mesmo tempo dar-lhe condições de trabalho `normais´? Se pode falar de relação de trabalho nestes casos?” Responde que as leis sobre tráfico de mulheres e prostituição não tem uma resposta clara, fazendo com as sentenças dos juízes sejam às vezes tão confusas como a própria legislação.

Chega-se a uma situação tal de mercantilização do corpo das mulheres, como se fosse normal, que a discussão se transfere para a legislação laboral, aceitando-se implicitamente que a venda ou o aluguel do corpo feminino é uma atividade comercial como uma outra qualquer.

(Há poucos anos Fernando Gabeira aventou até a possibilidade de apresentar uma proposta de lei que legalizaria a prostituição infantil.)

Que sociedade é esse que discute com frieza e “normalidade” a redução do ato sexual a uma mercadoria? A defesa dos direitos das prostitutas torna-se uma reivindicação normal, dado que a prostituição passou a ser um elemento compensatório da frustração tanto dos casamentos, quanto das outras formas de relação amorosa.

Na era da globalização, enquanto os espanhóis nos mandam seus bancos, empresas de telefonia celular, de exploração de petróleo e gás, importam nossos jovens jogadores de futebol e moças brasileiras para atender as demandas e as carências da afluente sociedade capitalista espanhola.

Não há nenhuma indicação sobre quem são as brasileiras, quantas são e o que aconteceu com elas depois do processo.

Postado por Emir Sader às 04:22

terça-feira, 26 de maio de 2009

O lado que a Globo não mostra.


O Rio Ganges (ou Benares) é um dos sete rios sagrados da Índia, cujas águas são formadas pelo degelo das enormes montanhas do Himalaia. Nasce no Tibet, atravessa o norte indiano, desaguando no Oceano Índico. Possui uma ligação muito forte com a cultura e a religião indiana.

É muito importante para a população, que vive em suas margens, pois é dele, que ela retira a água e os alimentos que consome. Sendo muito favorecida nos períodos das chuvas, quando as enchentes do rio atingem uma área de mais de 150 quilômetros e com isso proporciona uma ótima fertilização de sua margem, ideal para o plantio de alguns produtos, como: trigo, arroz, algodão, açucares e vários outros gêneros agrícolas.

O Ganges possui um grande valor espiritual, para os adeptos do hinduísmo, que tomam banho nas suas águas, crendo que o rio possui a capacidade de purificá-los de todos os pecados. Pessoas idosas vão ali para morrer, pois se falece nesse local sagrado, o seu ciclo de reencarnações termina, ficando livre da Roda de Samsara, conforme prega o hinduísmo.

Nas águas do Ganges, milhões de pessoas fazem o ritual de purificação. Sendo, sem dúvida, um dos maiores centros de peregrinação do mundo, principalmente durante o festival religioso Ardh Kumbh Mela, quando as estradas ficam apinhadas de peregrinos.

Nas suas margens, há vários postos de cremação, onde os mortos são queimados, ininterruptamente, e as cinzas encontram o destino final em suas águas. As famílias que trazem seus mortos, para serem cremados, acreditam que esses serão purificados e se libertarão da servidão material.

Na Índia, a tradição de se banhar no rio Ganges não foi interrompida, apesar de sua crescente poluição. Milhões de hindus banham-se ali, para se purificarem dos pecados e ascenderem a uma nova reencarnação, numa casta superior à que estava.

Milhares de devotos banham-se, oram, oferecem velas acesas, bebem sua água e lançam-lhe as cinzas e os ossos de seus entes queridos, cremados nas escadarias (os “ghats”) desse mesmo “rio santo”. Quem não pode pagar a cremação de seus familiares, joga os corpos no rio ou os deixa apodrecer nas margens. E muitas mães afogam seus filhos recém-nascidos, principalmente meninas, como sacrifício aos deuses (embora alguns julguem que seja, para não terem que pagar dote, quando casarem).

O Rio Ganges é um mundo à parte. Nele, pessoas lavam roupas, tomam banho, escovam os dentes, assim como vacas podem ser vistas, mortas ou vivas, dentro de suas águas. Além disso, águas de enxurradas vindas das ruas, cheias de cocô de humanos, de vacas, de porcos, de cachorro e outros animais são despejadas no rio. Somente na cidade de Varanasi existem 32 saídas de esgoto para o Ganges, o que torna as peregrinações muito perigosas.

A Organização Mundial de Saúde vem estudando uma forma de despoluir esse rio, que é a principal causa da mortalidade infantil na região. Mesmo assim, é impossível não notar os rostos felizes, cheios de paz e espiritualidade que emergem de suas águas. Sendo inútil qualquer tentativa de proibir que bebam dessas mesmas águas ou que se leve garrafas cheias com a “água sagrada” para casa, para supostos tratamentos.

Os fiéis caminham quilômetros para descer até o Ganges e esperam, pacientemente, sua vez, para lavar nele seus pecados, nos poucos metros de faixa de água habilitados para esse ritual. Liderados por sadhus (homens considerados sagrados), eles cobrem o corpo de cinzas e correm para o rio, sem roupa, usando apenas guirlandas de flores.

Curiosidades:

  • A cena de imensas fogueiras, para cremar os corpos dos mortos, se repete todos os dias.
  • As mulheres estão proibidas de assistirem às cerimônias de cremação, porque ao chorar, impedem que a alma vá para o Nirvana.
  • Antes de serem cremados, os corpos são lavados nas águas do rio, depois colocados para escorrer o excesso de água.
  • É comum ver famílias tirando fotos ao lado do morto, na sua pira crematória.
  • O parente, que acende a fogueira, tem a cabeça toda raspada, em sinal de luto. Ao final da cremação todos os familiares presentes deverão tomar um banho no rio.
  • Os ossos da bacia feminina e do peito masculino não queimam completamente, sendo os restos jogados no Ganges.
  • Não são cremados: bebês, crianças de até 5 anos de idade, brâmanes, mulheres grávidas, sadhus, iogues, pessoas que morreram picadas por cobras, vítimas de hanseníase ou varíola e animais. São amarrados a uma pedra e jogados no fundo do rio. Muitas vezes os cadáveres desprendem das pedras e voltam à superfície, sendo muitos corpos devorados por animais.
  • Quando o rio está com baixo volume de água, o “ghat” fica com três níveis: inferior, médio e superior. As cremações, então, ocorrem por castas. A casta inferior é cremada no nível mais baixo do solo e a casta mais alta no nível mais alto.
  • A madeira usada para a cremação, nas castas mais altas, é o sândalo.
  • Homens são enrolados em tecido branco, mulheres em vermelho, idosos em roxo.
  • A casta mais alta tem um forno especial.
  • Na beirada do rio ficam muitos garimpeiros, peneirando as cinzas, na tentativa de achar alguma joia que tenha sido esquecida pela família do morto.
  • O crematório ou “burning ghat” funciona dia e noite e os corpos chegam o tempo todo e de toda maneira.
  • Um pequeno caminhão leva um funcionário com uma vara, que vai cutucando as pessoas deitadas, no período de peregrinações. Não havendo movimentos por parte dessas, são carregadas como supostamente mortas.
  • Os intocáveis só podem vestir roupas dos mortos.

No Rio Ganges, a vida e a morte andam de mãos dadas, numa permanente festa.


sábado, 23 de maio de 2009

Vassili Zaitsev ( Para quem assistiu Circulo de Fogo)


O início da 2ª Guerra Mundial foi marcado pelo avanço das tropas hitleristas na Europa. Usando-se de uma estratégia conhecida como Blitzkrieg, o III Reich ampliava suas fronteiras a cada dia, chegando à conquistar quase metade da França, ocupar a Polônia, Tchecoslováquia, Romênia, Iugoslávia, Grécia e Hungria, partindo então para cima da União Soviética em uma operação conhecida como Barbarossa(homenagem ao imperador do Sacro Império Romano-Germânico que liderou uma expedição católica contra o Leste Europeu ortodoxo). Adentrando território soviético os fascistas alemães escravizavam as populações subjugadas e marchavam em direção ao leste, chegando nos portões de Moscou e cercando Leningrado, todavia resistia heroicamente uma cidade às margens do rio Volga, tida como um dos símbolos da URSS, essa cidade era conhecida como Stalingrado.

Durante o início da batalha de Stalingrado as condições que os russos enfrentavam eram extremamente difíceis, pois os alemães queriam os campos de petróleo do sul da Rússia, do Cáucaso e o controle do rio Volga. Era uma região de extrema importância econômica, industrial e política, o que fazia com que os nazistas levassem não só infantaria bastante numerosa, mas também tanques, aviões de caça, bombardeiros, canhões e infantaria blindada. Visto que a cidade industrial de Stalingrado não tinha grande concentração de efetivos militares, as condições eram extremamente difíceis e a vitória alemã parecia iminente. Todavia os efetivos para Stalingrado foram aumentados, contando com o comando de vários generais soviéticos, unidades da NKVD e a chegada de soldados de todas as partes da URSS. Hitler chegou a declarar uma guerra pessoal entre ele e Stalin, tornando-se assim um conflito entre o Vozhd e o Fürrer. A população civil fugia, todavia não era possível que uma boa parte escapasse, fazendo com que muitos civis sofressem com a guerra ou se juntassem à luta como partizans(guerrilheiros comunistas). Um esforço sobrenatural era feito, cada fábrica, cada casa, cada rua era disputada arduamente. Efetivos não paravam de chegar, chegou-se a fazer uma ponte alguns centímetros abaixo do rio Volga(a primeira da história), trens blindados chegavam trazendo divisões do Exército Vermelho, uma dessas, a 284ª divisão do 62º exército, trazia dentre vários soldados um pastor de ovelhas siberiano que habitava a região dos Montes Urais. Nascido em Katav-Ivanovskogo, era órfão desde cedo e foi ensinado à atirar desde os 5 anos de idade por seu avô caçador de lobos, esse grande soldado que passaria imortal para a história se chamava Vassili Grigorievitch Zaitsev("lebre" em russo), que chegava à Stalingrado no dia 20 de setembro de 1942.

De feições delicadas e olhos azuis o jovem pastor de 27 anos descia no solo de Stalingrado sem um rifle, tudo o que precisava para abater os fascistas. Devido à falta de munições muitos soldados tinham de ficar atrás de outro que tivesse um rifle para pegá-lo quando este morresse, recebendo apenas uma tira de balas. Vassili recebeu apenas as balas, mas não ficou com o rifle. Avançando pela cidade junto da sua pequena tropa(que foi facilmente vencida pelos alemães entrincheirados), Vassili escondeu-se entre os cadáveres dos seus camaradas mortos e segundo relatos do livro Enemy at the gates("O Círculo de Fogo", transformado em filme) através do camarada comissário Igor Danilov apossou-se de um rifle e atirando apenas quando soava o som das explosões(afim de que não fosse ouvido o barulho do rifle), abateu 5 fascistas que estavam em um estabelecimento próximo sem ser percebido e sem levar um só tiro, o que conquistou a atenção do camarada comissário Danilov.

Naquele momento em que o jovem soldado Vassili mostrava proezas heróicas abatendo os soldados hitleristas, o camarada Nikita Khruschev chegava à Stalingrado para cobrar dos líderes militares e dos comissários. Uma das sugestões para um melhor desempenho dos soldados, agoniados com a provável vitória das tropas do III Reich, partiu do camarada Igor Danilov, comissário e jornalista que sugeriu publicação do jornal militar novamente e a exaltação do sacrifício pessoal e a dedicação à causa comunista, mostrando como exemplo aquele que conhecera de perto, o lendário atirador de elite Vassili Zaitsev. Tal proeza funcionou e Vassili foi promovido para a divisão dos atiradores de elite, seu nome foi publicado nos jornais militares e ainda se tornou a grande sensação das primeiras páginas do jornal "Pravda", o qual era lido por milhões de pessoas na URSS, dando grandes esperanças ao povo soviético e aos soldados do Exército Vermelho.

De fato as proezas de Zaitsev eram lendárias, por exemplo, no período de apenas 10 dias ele já havia eliminado cerca de 40 oficiais alemães de alta patente, corajosa atitude essa que fizera dele também o mais falado nas rádios soviéticas e o mais popular soldado da cidade e um dos mais da URSS(senão o mais popular). Foi devido à necessidade de mais soldados como ele, que Danilov encarregou Vassili de treinar e instruir outros atiradores de elite, dentre os quais a oficial russa-americana Tatiana Tchernova, que voltou dos EUA para a URSS quando a guerra havia começado. Obcecada pelo desejo de vingança contra os nazistas que executaram seus avós, Tania perdera também seus pais durante a guerra, e por isso sob instruções de Vassili Zaitsev tornou-se uma exímia franco-atiradora, matando um grande número de soldados alemães junta com seu instrutor. Tania Tchernova também veio a tornar-se a namorada de Zaitsev, vindo a iniciar um relacionamento duradouro. Além de Tania, Vassili também deu eficaz treinamento à outros atiradores, procurando sempre compartilhar com estes seu conhecimento e táticas que utilizava na taiga siberiana.

Vassili Zaitsev era um exímio atirador de elite, com seu rifle Moisin-Nagant 91/30(na época um dos melhores do Exército Vermelho) foi capaz de abater só em Stalingrado 242 nazistas, dentre soldados, oficiais e até atiradores de elite alemães, com os quais travou árduas lutas, sendo a mais épica dessas a luta com o major alemão Heintz Thorvald, também conhecido como Major König. Esse rico caçador de veados da Bavária foi enviado apenas com a missão de abater Vasha(como também era conhecido Vassili), fato que comprovava sua fama até mesmo entre os soldados alemães, o que fazia dele um arcanjo para os soviéticos e demônio para os alemães. Ambos assistenciados, o duelo entre o comunista pastor de ovelhas e o nazista caçador de veados seria um dos épicos episódios da batalha de Stalingrado, pois além de sua extensa duração foi marcado por momentos em que ambos estiveram próximos da morte, momentos em que a sorte esteve presente, em que a ânsia e a angústia estiveram presente nos corações daqueles que aguardavam os resultados daquele duelo, fossem civis ou militares, enquanto que com toda cautela, mas sobretudo com calma os atiradores souberam levar tal conflito.

Uma das desvantagens de Vasha era o fato de que seus atos haviam sido observados, sendo levados ao conhecimento de König, daí o fato de que ninguém sabia em que lugar o major fascista iria estar. Justamente por tal fato ajudarou a Vassili um garoto russo que fazia as botas do major para fingir estar do lado alemão mas na verdade marcar os encontros do soldado do Exército Vermelho e do major da Wermatch. Além do garoto ajudou-o também Nikolay Kulikov, que conheceu o major na Alemanha durante a época do tratado de não-agressão, buscando durante dois dias sinais do alemão e observando seus hábitos. Acompanhando Vassili, Kulikov usou-se de binóculos para scannear as linhas inimigas quando estas travavam nas ruas batalhas e desferiam ataques contra as tropas soviéticas, sempre escondendo-se em prédios ou outras edificações.

No terceiro dia quem o acompanhou foi o camarada comissário Igor Danilov, que acreditando ter avistado o alemão levantou-se e levou um tiro no ombro. Zaitsev queria saber aonde o major estava escondido e sobre isso William Craig relata no livro "Inimigo nos portões" que "para testar sua teoria, Zaitsev pôs uma luva em um pedaço de madeira e a exibiu, tendo esta imediatamente recebido um tiro, quando após esse momento Zaitsev verificou e percebeu que König estava abaixo de uma chapa de ferro".

Após muito tempo de espera com a sua paciência de siberiano, Vassili finalmente estava pronto para abater o nazista, quando então seu amigo Kulikov deixou a amostra um capacete do Exército Vermelho e Konig atirou e veio a verificar se Zaitsev estava morto, mas pelo ressentimento de ter seu amigo Danilov atingido e sua namorada Tania Tchernova ferida por uma mina atirada pelos nazistas, Zaitsev com todo o ressentimento e sede de justiça esperou o major chegar perto e disparou a bala de seu Moisin-Nagant diretamente em sua cabeça. Thorvald estava morto e o camarada Vassili apanhara então seu rifle K-98 como troféu do duelo. Este foi um dos mais épicos episódios de sua vida.

Após o duelo o camarada Vassili Zaitsev veio a matar vários outros fascistas que infernizavam a vida dos cidadãos de Stalingrado. Indomável e audacioso ficaria conhecido em toda a cidade por seus feitos heróicos, tanto pelos comunistas quanto pelos nazistas, por quem era tão temido. Para se ter uma idéia muitos exércitos ficaram desmoralizados pelas perdas de oficiais que Vasha matou, daí a razão de ter sido designado um "super-snipeiro" alemão para matá-lo. Vassili seria designado posteriormente como comandante dos atiradores de elite, que viam nele uma inspiração e um grande professor que procurava repassar aos alunos todos os conhecimentos aprendidos. Em janeiro de 1943 Vassili Zaitsev veio a ser gravemente ferido, sendo levado para Moscou e tratado no principal hospital da cidade com o professor universitário Filatov, um dos melhores médicos do país.

Zaitsev pôde no mesmo ano retornar a Stalingrado e reecontrar seus amigos atiradores de elite e sua companheira Tania Tchernova. À pedido seu veio a atuar no front de batalha como soldado comum, demonstrando clara determinação e heroísmo de um soldado exemplar. Após Stalingrado, Zaitsev atuou em Dniestre já com a patente de capitão. Nesse período o camarada capitão veio a escrever dois famosos manuais para atiradores de elite.

Condecorado com a Ordem da Guerra Patriótica, duas Ordens da Bandeira Vermelha, várias vezes condecorado com a Ordem de Lenin, além de medalhas menores, Vassili Zaitsev recebeu então a medalha da Estrela Dourada e o status de "Herói da União Soviética", vindo a ser condecorado ainda outras vezes por ser veterano de guerra de Stalingrado.

Após o término da guerra Zaitsev desmobilizou-se e passou a ser um veterano de guerra, trabalhando como diretor de uma fábrica de construção de carros em Kiev, tendo terminado esse trabalho somente em 15 de dezembro de 1991, quando apenas o corpo físico deste grande herói nos deixava, enquanto sua memória, feitos e atitudes permanecem vivos na história daqueles que tão duramente em Stalingrado lutaram, que lêem esta curta biografia e que vivem hoje nas cidades aonde Zaitsev lutou e nos deu o exemplo de que podemos com determinação, coragem, vontade de avançar, otimismo, humanismo e luta, vencer os obstáculos que nos impõem dificuldades, levar a frente a luta de classes em direção a vitória do ideal popular comunista! Vassili Zaitsev foi um grande herói que a história dos homens jamais pode esquecer e que deve permanecer sempre vivo em nossas mentes, que se manteve leal ao ideal de Lenin e Stalin à todo tempo! Viva o camarada Vassili Grigorievitch Zaitsev, membro do Partido Comunista e Herói da União Soviética!

Sobre o duelo de Zaitsev com Thorvald foram feitos dois filmes, um russo chamado "Angeli Smerti"(trad: Anjo da Morte) em 1992, estrelado por Fiodor Bondarchuk e dirigido por Y. N. Ozerov, e "Enemy at the gates"(O Círculo de Fogo), que é estrelado por Jude Law e dirigido por Jean-Jacques Annaud, facilment encontrado nas locadoras brasileiras e de todo o mundo.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Perfil: Aung San Suu Kyi é símbolo de resistência pacífica


Assim como o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi se tornou um símbolo internacional de resistência heroica e pacífica diante da opressão.

Para os birmaneses, Suu Kyi, de 63 anos, representa sua melhor e talvez única esperança de que um dia a repressão militar chegue ao fim no país.

Como ativista pró-democracia e líder da oposição pelo partido Liga Nacional pela Democracia (LND), ela passou mais de 11 dos últimos 19 anos detida de alguma forma, sob o regime militar de Mianmar.

Em 1991, ela recebeu o prêmio Nobel da Paz por seus esforços por trazer a democracia para Mianmar. Ao anunciar o prêmio, o chefe do comitê do Nobel da Paz, Francis Sejested, disse que ela "é um exemplo fora de série do poder dos oprimidos".

Prisão domiciliar

Depois de um período fora do país, Aug San Suu Kyi voltou a Mianmar em 1988. Ela foi presa no ano seguinte, quando os líderes birmaneses decretaram lei marcial, e mantida em prisão domiciliar em Yangun por seis anos, até ser libertada em julho de 1995.

Ela voltou a ser presa em setembro do ano 2000, quando tentou viajar para a cidade de Mandalay, desafiando as restrições impostas à sua circulação.

Em maio de 2002 ela foi libertada incondicionalmente, mas apenas um ano depois foi presa novamente, depois de confrontos entre ativistas da oposição e manifestantes pró-governo.

Depois de uma operação ginecológica em setembro de 2003, ela recebeu autorização para voltar para casa, mas ainda sob prisão domiciliar.

No verão de 2007, houve protestos em todo o país contra o preço dos combustíveis, seguidos por manifestações contra o governo lideradas por monges budistas, reprimidas violentamente pelo governo.

Em setembro do mesmo ano, Suu Kyi reapareceu na porta de sua casa - pela primeira vez desde 2003 - para se reunir com alguns dos monges.

Em maio de 2009, quando estava prestes a expirar sua sentença, a LND apelou ao governo para que soltasse Suu Kyi, alegando que ela sofria de pressão baixa e desidratação, mas o apelo foi rejeitado.

Ela foi levada à prisão de Insein para esperar o julgamento, previsto para o dia 18 de maio.

Os críticos afirmam que a prisão tem o objetivo de mantê-la longe do olhar público até as eleições, marcadas para 2010.

Visitas diplomáticas

Durante os períodos de confinamento, Aun Sang Suu Kyyi se manteve ocupada estudando e se exercitando.

Ela meditava, estudava francês e japonês, e relaxava tocando composições de Bach ao piano.

Nos últimos anos, ela conseguiu se reunir com alguns líderes da LND e alguns diplomatas internacionais, como o enviado especial da ONU Razali Ismail.

Mas durante os primeiros anos de detenção, Suu Kyi esteve constantemente em confinamento solitário e nunca foi autorizada a ver seus dois filhos ou seu marido, o acadêmico britânico Michael Aris, que morreu de câncer em março de 1999.

Quando seu marido estava no leito de morte, as autoridades militares permitiram que Suu Kyi viajasse para a Grã-Bretanha para vê-lo, mas ela recusou por medo de ser proibida de retornar ao país.

Aung San Suu Kyo já disse mais de uma vez que a prisão a deixou ainda mais decidida a dedicar o resto de sua vida a "representar o cidadão birmanês comum".

O enviado da ONU Razali Ismail disse privadamente que ela é uma das pessoas mais impressionantes que ele já conheceu.

Vida fora

Muito do apelo de Aung San Suu Kyi em Mianmar se deve ao fato de ela ser filha de um dos heróis da independência, o general Aung San.

Ele foi assassinado durante o período de transição em julho de 1947, apenas seis meses antes da independência. Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.

Em 1960 ela foi morar na Índia com a sua mãe, Daw Khin Kyi, que foi nomeada embaixadora em Delhi.

Quatro anos depois ela foi para a Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, onde estudou filosofia, política e economia. Lá ela conheceu o futuro marido.

Depois de viver e trabalhar no Japão e no Butão, ela se resignou a ser uma dona de casa, casada com o acadêmico britânico e criando os filhos Alexander e Kim.

Mas Mianmar nunca esteve distante de seus pensamentos. Quando voltou a Yangun em 1988 - inicialmente para cuidar de sua mãe, que estava doente - Mianmar passava por uma grande reviravolta política.

Milhares de estudantes, trabalhadores e monges foram às ruas exigir reformas democráticas.

"Eu não poderia, sendo filha de meu pai, permanecer indiferente ao que se passa", disse ela em um discurso em Yangun, em 1988.

Pouco depois, ela foi lançada à liderança da revolta contra o general Ne Win, que governava o país.

Inspirada pelas campanhas não-violentas por direitos civis de Martin Luther King, nos Estados Unidos, e de Mahatma Ghandi, na Índia, ela organizou comícios e viajou pelo país, pedindo reformas democráticas pacíficas e eleições livres.

Mas as manifestações foram brutalmente reprimidas pelo exército, que assumiu o poder em um golpe no dia 18 de setembro de 1988.

O governo militar convocou eleições nacionais em maio de 1990. O partido de Suu Kyi venceu as eleições com larga vantagem, apesar de ela estar sob prisão domiciliar e não estar autorizada a concorrer.

Mas a junta militar se recusou a entregar o poder, que manteve desde então.

Fonte: www.bbcbrasil.com

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Inquérito denuncia abuso sexual ‘endêmico’ de meninos na Irlanda

Um inquérito realizado na Irlanda revelou que 1090 crianças alegam ter sofrido agressões em abrigos infantis, reformatórios e orfanatos católicos do país ao longo de 60 anos e que, em instituições para meninos, o abuso sexual foi "endêmico" no período.

Segundo a Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil, os menores sofreram violência física e abuso sexual em locais que chegaram a abrigar cerca de 35 mil crianças até os anos 80, quando foram fechadas.

O relatório, que aborda a situação de mais de cem instituições religiosas investigadas ao longo dos últimos nove anos, concluiu que os líderes da Igreja sabiam sobre os abusos sexuais de meninos.

Além disso, segundo os depoimentos citados no documento, meninos e meninas das instituições apanhavam com tiras de couro por conversar durante as refeições ou por escreverem com a mão esquerda.

"As escolas eram administradas de forma severa, impondo uma disciplina opressiva e não razoável às crianças e funcionários", diz o relatório.

A comissão foi criada em 2000 pelo então primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, que pediu desculpas em nome do Estado às vítimas de abuso infantil.

Um esquema de compensações do governo também foi estabelecido na época e, desde então, já pagou quase 1 bilhão de euros às vítimas

Abusos "chocantes"

Milhares de vítimas prestaram depoimento à comissão, que surgiu depois que uma série televisiva revelou a escala dos abusos.

A jornalista Mary Raftery, que realizou os programas, disse que a extensão dos abusos era "profundamente chocante".

Segundo a jornalista, as crianças eram levadas para "casas de terror" e ficavam confinadas até completarem 16 anos.

"Elas saíam de lá completamente perturbadas e muitas deixaram o país em seguida", conta. "Elas sentiam que seu país as havia abandonado, assim como todo o resto, inclusive a religião."

O relatório propõe 21 formas de o governo se redimir dos erros cometidos no passado, incluindo a construção de um memorial, um serviço de acompanhamento psicológico para as vítimas, muitas já aos 50 anos, e a melhoria dos serviços de proteção à criança na Irlanda.

No mês que vem será divulgado um outro relatório sobre supostos abusos de padres católicos em paróquias perto de Dublin, capital da Irlanda.

Fonte: www.bbcbrasil.com

domingo, 17 de maio de 2009

"O PSDB não gosta da Petrobras. Nem do Brasil"

Em entrevista concedida ao Correio da Cidadania, em janeiro deste no, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, alertava para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público. Entre outras coisas, ele recorda que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Para Siqueira, o governo depende da participação popular para defender o nosso petróleo.

Maior e talvez mais emblemática empresa brasileira, a Petrobrás começa 2009 da mesma maneira que terminara 2008, isto é, no centro dos mais importantes, e acalorados, debates nacionais. Acusações de má gestão, empréstimos questionados, pesadíssimo jogo de influência nos corredores políticos em torno do marco regulatório petroleiro foram todos pontos respondidos por Fernando Siqueira, novo presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), em entrevista concedida ao Correio da Cidadania.

Explicando serem de rotina os empréstimos tomados no final do ano passado, Siqueira alerta para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público, o que seria estratégico para os setores interessados na manutenção do atual marco regulatório do petróleo.

No entanto, não referenda completamente a gestão da empresa, como, por exemplo, no que se refere à situação de alguns funcionários, especialmente terceirizados, que trabalham sob condições precárias (foram 15 mortes em 2008). Tal deterioração de sua infraestrutura, aliás, poderia não ser mera coincidência em meio às descobertas do pré-sal e à grande interrogação nacional sobre quem exercerá o controle dessa fortuna não renovável.

Correio da Cidadania: No último mês de 2008, vieram a público informações a respeito de empréstimos que a Petrobrás vem tomando da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Os comentários acerca do tema são exageros e tais operações podem ser consideradas rotina de uma empresa de tal porte. Ou será que há sinais de que a estatal estaria passando por dificuldades em suas contas?

Fernando Siqueira: A meu ver, todo este estardalhaço do noticiário faz parte de uma nova campanha de descrédito da Petrobrás perante a opinião pública, visando a desacreditá-la como capaz de desenvolver a produção do pré-sal, uma descoberta monumental, que tem reservas seis vezes maiores que as existentes até hoje. Já vimos esse filme...

Em 1995, houve forte participação da mídia na defesa da quebra do Monopólio Estatal do Petróleo. Foi montada uma campanha sórdida na mídia contra as estatais em geral e a Petrobrás em especial. A Veja, por exemplo, na ocasião fez uma matéria de dez páginas atacando a empresa com informações absurdamente falaciosas e não respeitou o direito de resposta nem mesmo como matéria paga, desrespeitando o artigo 5º da Constituição.

No caso presente, essas operações financeiras são feitas como de rotina, mas receberam um destaque na mídia muito maior do que, por exemplo, o caso da americana AES, que na privatização adquiriu a Eletropaulo com dinheiro do BNDES, remeteu lucro para o exterior e não pagou a dívida com o Banco.

Portanto, é uma operação de rotina da Petrobrás usada como pretexto para uma nova campanha da grande mídia que faz o jogo dos seus anunciantes, ou seja, as corporações multinacionais.

Outro fato: em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobrás no Conselho de Administração (CA) por seis conselheiros do setor privado, alguns representantes do sistema financeiro internacional, ficando o CA com nove membros externos. Este CA decidiu por uma economia forçada na empresa, cortando promoções e até despesas com papel higiênico. Objetivo: tentar mostrar ao povo que a empresa está com dificuldades financeiras e não pode conduzir o pré-sal.

CC: A partir dos empréstimos, começou a se aventar que na verdade o problema da Petrobrás é administrativo, pois foram anos colhendo grandes lucros, com importantes negócios inclusive fora do país. Esse raciocínio pode ser considerado válido?

FS: Eu não diria que a atual administração tem a competência ideal, pois além da permanência da maioria do segundo escalão do governo FHC, há alguns gerentes nomeados mais por militância do que por competência. Mas, ainda assim, ela consegue ser muito melhor do que as administrações de Reichstul e Francisco Gros.

Durante a gestão Reichstul, a Petrobrás teve 62 acidentes sérios em dois anos, contra uma série histórica de menos de um acidente grave por ano de 1975 a 1998. Este fato, inclusive, nos levou a suspeitar de sabotagem para jogar a opinião pública contra a Petrobrás. E, a partir de nossas denúncias, os acidentes cessaram. O objetivo era desmoralizar a empresa para desnacionalizá-la. Reichstul chegou a mudar seu nome para Petrobrax com esse objetivo. Ele também desmontou a equipe de planejamento estratégico da Petrobrás, entregando-o à empresa americana Arthur De Little, presidida por seu amigo Paulo Absten. E esta fez um planejamento catastrófico. Definiu a ida para o exterior e a compra de ativos podres na Bolívia, Argentina e Equador como problemas. Ele dividiu a Petrobrás em 40 unidades de negócio para desnacionalizá-la, conforme preconizado pelo Credit Suisse First Boston.

Francisco Gros, segundo sua biografia publicada em revista da Fundação Getulio Vargas, voltou ao Brasil como diretor do banco Morgan Stanley com a missão de assessorar as empresas americanas no processo de privatização brasileiro. Gros foi para a diretoria do BNDES (que comandou o processo) e acumulava a direção daquele banco com o Conselho de Administração da Petrobrás. Com a saída de Reichstul, ele assumiu a presidência da empresa e, em discurso em Houston (EUA), logo após a posse, declarou que a Petrobrás passaria de empresa estatal para empresa privada de capital internacional. Nós barramos esse seu intento. Mas outro grande estrago foi feito.

CC: Quanto aos acidentes, o ano começou com o surgimento de outro tema preocupante: a morte de um funcionário, terceirizado, na Bacia de Campos. Desde 95, são 273 mortes, sendo 220 de pessoas ligadas a empresas prestadoras de serviços; em 2008, foram 15 os acidentes fatais. O que pode ser dito desses números e das condições de trabalho dos funcionários, especialmente daqueles que realizam as tarefas de maior margem de risco?

FS: A terceirização é outro problema sério. Faz parte do plano de ataque à integridade da Petrobrás. Além disto, é uma exploração da mão-de-obra de pessoas que, em sua maioria, são usadas para dar lucro a gigolôs de mão-de-obra. Essas pessoas não têm a menor garantia, como encargos sociais, treinamento ou planos de saúde. De modo geral, são contratados via cooperativa ou são obrigados a criar uma empresa para que os encargos sociais e impostos sejam reduzidos.

Lembro que quando o Credit Suisse First Boston coordenou a venda da YPF argentina para a Repsol, antes da privatização, a YPF passou de 37.000 para 7.000 empregados, contratando os demitidos como terceirizados. O mesmo banco entregou ao governo Collor um plano de privatização da Petrobrás. Consistia em vender as subsidiárias e dividir a holding em novas subsidiárias para privatização. Terceirizar era parte do plano.

Collor começou o processo. Itamar Franco, nacionalista, o interrompeu, mas FHC o retomou, tendo elaborado projeto de lei que cria subsidiárias sem ouvir o Congresso e dividido a Petrobrás em 40 unidades de negócio para transformá-las em subsidiárias e privatizá-las. Começou com a Refap do Rio Grande do Sul e pretendia fazer o mesmo com as demais 39 unidades. Parou porque, junto com os dirigentes do Sindipetro-RS, ganhamos uma liminar que suspendeu o processo.

CC: O desligamento do instituto Ethos, pedido pela Petrobrás no final do ano passado, acabou gerando muitas críticas à empresa, que por sua vez também saiu disparando contra os governos de São Paulo e Minas, acusando-os de conspirar contra a imagem da estatal. Ter adiado a adequação do combustível aos padrões ambientais exigidos não consiste em uma atitude negativa para a imagem da empresa?

FS: Há informações da própria Petrobrás de que o Instituto Ethos fazia uma campanha insidiosa contra a empresa. Dizia, por exemplo, que a poluição da cidade de São Paulo era devida ao teor de enxofre no diesel, o que não procede. A poluição é formada por poeira, ozônio e outras partículas. Muito pouco tem a ver com enxofre.

Diz a empresa: `O diretor da Petrobrás classificou de `desinformada e irreal` a crítica de que a empresa não teria se preparado para fornecer o diesel S-50`. Ele destacou os investimentos realizados nas refinarias, no total de US$ 4 bilhões, que permitirão à empresa produzir o diesel. Atualmente, o produto está sendo importado. O diretor ressaltou que somente o fornecimento de um diesel menos poluente não será suficiente para resolver os problemas de qualidade do ar das grandes cidades. Ele chamou atenção para a presença de veículos antigos na frota brasileira, além do tráfego elevado nas grandes cidades, como elementos que devem ser levados em conta. `Não basta só o combustível`, afirmou.

Outra questão é que o Instituto alegava que a Petrobrás não cumpria a resolução 315 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulava o teor de enxofre; segundo a empresa, não existe uma resolução do Conama que regule o índice de enxofre no diesel.

`A Procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Ana Cristina Bandeira Lins, destacou a iniciativa da Petrobrás em cumprir o acordo com o MPF. Ela esclareceu que a resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente regulamentava as emissões nos veículos com tecnologia P-6, que não estarão disponíveis no mercado brasileiro`.

Lembro que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Elaborou o projeto de lei e fez com que o Congresso aprovasse a famigerada lei do petróleo (a Lei 9478/97) que contraria a Constituição, dando a propriedade do petróleo a quem o produz. Além disto, fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10 e 40%, quando no mundo os países exportadores recebem a média de 84% de participação e os da OPEP, 90%.

O governo do PSDB vendeu a Vale do Rio Doce por valor menor do que um milésimo do valor dos ativos e direitos minerários que ela detinha. Ou seja, o PSDB não gosta da Petrobrás. Nem do Brasil.

CC: Quais são as projeções de investimento para 2009, em meio à queda do preço do petróleo e às expectativas quanto ao pré-sal?

FS: Segundo o presidente Gabrielli, em entrevista ao portal G1, de 22/12/2008, os investimentos de 2009 crescerão de R$ 50 bilhões para R$ 72 bilhões. Entretanto, o planejamento estratégico da empresa, que inclui o pré-sal, ainda não foi fechado, tendo sido adiado para o final de janeiro. A queda atual do petróleo é temporária. O viés é de alta, em face de estarmos atingindo o pico de produção mundial.

Acho até que a atual crise mundial foi triplamente oportuna para os EUA:

1) o dólar estava despencando mundialmente, pois todos os países descobriram que, após a decisão unilateral de Nixon em 71, desobrigando o lastro-ouro para cada dólar emitido, havia US$ 3 trilhões emitidos; e foram emitidos mais 45 trilhões após 71, sem qualquer garantia. A débâcle do dólar quebraria o país (os emitentes de dólar são o Banco Central americano - o FED - e suas 12 filiais – todas privadas). A crise levou os investidores para os títulos do tesouro americano, ressuscitando o dólar;

2) Os EUA importam cerca de 5 bilhões de barris de petróleo por ano. A crise derrubou o preço do barril dando um enorme alívio à sua economia;

3) Os EUA estão montando um esquema de pressão e lobby para obter o pré-sal, tendo até reativado a 4ª frota. Com a queda brutal dos preços esse trabalho fica mais fácil, porque os brasileiros passam a achar o pré-sal inviável e reduzem o interesse e a mobilização em defesa dessa imensa riqueza, cada vez mais estratégica e mais escassa.

CC: Um assunto que parece ainda inevitável para este ano é o que se refere ao atual marco regulatório do petróleo. Será necessária a mobilização popular contra o lobby em favor dos estrangeiros ou o governo poderá dar conta de realizar as alterações desejadas pelos setores mais nacionalistas e prometidas pelo próprio Lula sem essa mobilização?

FS: O governo precisa muito da participação popular na defesa do nosso petróleo. Ele vem sofrendo pressões terríveis contra a mudança do marco regulatório, altamente pernicioso para o país. Há duas fontes poderosíssimas comandando esse lobby:

1) Os Estados Unidos, que consomem cerca de 10 bilhões de barris por ano e só têm 29 bilhões de reservas. O pré-sal representa para eles cerca de 9 anos de consumo;

2) O cartel internacional do petróleo, formado pelas sete irmãs, e que domina o setor há 150 anos com todo tipo de ações pouco recomendáveis, como suborno, deposição e assassinato. Agora esse cartel está vendo ameaçada sua sobrevivência pelo fato de suas reservas minguarem para apenas 3% das reservas mundiais, contra 65% em poder das 8 `irmãs` estatais: Saudi Aramco (Arábia Saudita), INOC (Irã), Petrochina, Petronas (Malásia), Gazprom (Rússia – renacionalizada), Petrobrás, PDVSA (Venezuela) e Pemex (México). O Financial Times publicou matéria que prevê menos de 5 anos de vida ao cartel se a situação de suas reservas permanecer assim. Eles não vão aceitar esta morte facilmente.

Há, portanto, um lobby pesado pela manutenção do marco regulatório, que favorece muito os EUA e o cartel das irmãs. Ocorreram quatro audiências públicas e seminários no Senado Federal em 2008. Cada um com cerca de cinco mesas. Cada mesa com pelo menos dois lobistas. Estavam lá nomes como: João Carlos de Luca, presidente da Repsol (empresa espanhola adquirida pelo banco Santander - braço do Scotland National Bank Corporation, de capital Anglo-Saxão); David Zilberstajn - ex-diretor da ANP, que iniciou os leilões dotando os blocos de áreas 220 vezes maiores que os blocos licitados no Golfo do México; Eloi Fernandes, idem a Zilberstajn; Adriano Pires, lobista do Instituto Liberal, criado pela Shell para ajudar a derrubar o monopólio do petróleo; Jean Paul Prates, idem a Adriano. E muitos outros.

Nós enviamos uma carta ao Senado reclamando nossa participação como contraditório. Numa das audiências nos concederam cinco minutos para falar. O lobby é poderoso.

Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.

Publicado originalmente: (Correio da Cidadania - 20-Jan-2009)



sábado, 16 de maio de 2009

Padre polonês: prazer sexual é celebração divina


O padre franciscano Ksawery Knotz tornou-se um best seller na Polônia com um livro chamado “Sexo Como Você não Conhece: para Casais que Amam a Deus”. A idéia do livro, que tem apoio da Igreja Católica polonesa, é ser um guia para o sexo no casamento, cujo objetivo é estimular o prazer entre os cônjuges.

A vida de casado deve ser “apimentada” e “cheia de fantasias”, na opinião de Knotz, porque isso é uma dádiva de Deus. “Muita gente acha que o sexo no casamento tem de ser triste como um hino tradicional de igreja. Muita gente, quando ouve falar da santidade do sexo matrimonial, imediatamente imagina que tal relação tem de ser desprovida de alegria, de frivolidade, de fantasia e de posições atraentes”, escreve o padre. No entanto, diz ele, os atos excitantes “são permitidos e agradam a Deus”, razão pela qual “os cônjuges celebram seu sacramento, sua vida com Cristo, também durante o ato sexual”.

Embora seja obviamente celibatário, Knotz tem experiência no assunto: ele tem um site de aconselhamento matrimonial cuja linguagem franca é surpreendente. Lá pelas tantas, ao explicar que o orgasmo é somente o complemento do ato sexual, ele diz que o importante é a penetração: “O momento da penetração do pênis na vagina dá a sensação de segurança e de estar junto. (...) Num corpo de mulher, o homem encontra um tipo de casa – ele entra profundamente num lugar agradável e aconchegante. A mulher, quando recebe um homem, o envolve de uma maneira que somente ela pode fazer e tem a sensação de estar sendo preenchida”.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Desculpem a moléstia

Segundo a revista [i]Foreign Policy[/i], a Somalia é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas por suas atividades? Por que o mundo premia os que o saqueiam? Por que a justiça é cega de um único olho? Wal Mart, a empresa mais poderosa de todas, proíbe os sindicatos. McDonald’s, também. Por que estas empresa violam, com delinqüente impunidade, a lei internacional?

Quero compartilhar com vocês algumas perguntas, moscas que zumbem na minha cabeça:

O zapatista do Iraque, o que jogou os sapatos contra Bush, foi condenado a três anos de prisão. Não merecia, na verdade, uma condecoração?

Quem é o terrorista? O zapatista ou o zapateado? Não é culpado de terrorismo o serial killer que, mentindo, inventou a guerra do Iraque, assassinou a um montão de gente, legalizou a tortura e mandou aplicá-la?

São culpados os habitantes de Atenco, no México, ou os indígenas mapuches do Chile, ou os kekchies da Guatemala, ou os camponeses sem terra do Brasil, todos acusados de terrorismo por defender seu direito à terra? Se sagrada é a terra, mesmo se a lei não o diga, não são sagrados também os que a defendem?

Segundo a revista Foreign Policy, a Somalia é o lugar mais perigoso do mundo. Mas quem são os piratas? Os mortos de fome que assaltam navios ou os especuladores de Wall Street, que há anos assaltam o mundo e agora recebem multimilionárias recompensas por suas atividades?

Porque o mundo premia os que o saqueiam?

Por que a justiça é cega de um único olho? Wal Mart, a empresa mais poderosa de todas, proíbe os sindicatos. McDonald’s, também. Por que estas empresa violam, com delinqüente impunidade, a lei internacional? Será que é por que no mundo do nosso tempo o trabalho vale menos do que o lixo e valem menos ainda os direitos dos trabalhadores?

Quem são os justos e quem são os injustos? Se a justiça internacional realmente existe, por que não julga nunca aos poderosos? Não são presos os autores dos mais ferozes massacres? Será que é porque são eles que têm as chaves das prisões?

Por que são intocáveis as cinco potências que tem direito de veto nas Nações Unidas? Esse direito tem origem divina? Velam pela paz os que fazem o negócio da guerra? É justo que a paz mundial esteja a cargo das cinco potências que são as cinco principais produtoras de armas? Sem desprezar aos narcotraficantes, este também não é um caso de “crime organizado”?

Mas não demandam castigo contra os senhores do mundo os clamores dos que exigem, em todos os lugares, a pena de morte. Só faltava isso. Os clamores clamam contra os assassinos que usam navalhas, não contra os que usam mísseis.

E a gente se pergunta: já que esses justiceiros estão tão loucos de vontade de matar, por que não exigem a pena de morte contra a injustiça social? É justo um mundo em que a cada minuto destina três milhões de dólares aos gastos militares, enquanto a cada minuto morrem quinze crianças por fome ou doença curável? Contra quem se arma, até os dentes, a chamada comunidade internacional? Contra a pobreza ou contra os pobres?

Porque os adeptos fervorosos da pena de morte não exigem a pena de morte contra os valores da sociedade de consumo, que cotidianamente atentam contra a segurança pública? Ou por acaso não convida ao crime o bombardeio de publicidade que aturde a milhões e milhões de jovens desempregados ou mal pagos, repetindo para eles dia e noite que ser é ter, ter um automóvel, ter sapatos de marca, ter, ter, e que não tem, não é?

E por que não se implanta a pena de morte contra a pena de morte? O mundo está organizado a serviço da morte. Ou não fabrica a morte a industria militar, que devora a maior parte dos nossos recursos e boa parte das nossas energias? Os senhores do mundo só condenam a violência quando são outros os que a exercem. E este monopólio da violência se traduz em um fato inexplicável para os extraterrestres e também insuportável para os terrestres que ainda queremos, contra toda evidência, sobreviver: os humanos somos os únicos especializados no extermínio mútuo e desenvolvemos uma tecnologia da destruição que está aniquilando, de passagem, ao planeta e a todos os seus habitantes.

Esta tecnologia se alimenta do medo. É o medo que fabrica os inimigos que justificam o desperdício militar e policial. E em vias de implantar a pena de morte, que tal se condenamos à morte o medo? Não seria saudável acabar com essa ditadura universal dos assustadores profissionais? Os semeadores de pânico nos condenam à solidão, nos proíbem a solidariedade: salve-se quem puder, destruam-se uns aos outros, o próximo é sempre um perigo que se aproxima, olho, cuidado, esse cara vai te roubar, aquele vai te violar, este carrinho de nenê esconde bomba muçulmana e se essa mulher te olha, essa vizinha de aspecto inocente, certamente vai te contagiar com a gripe Porcina.

No mundo de cabeça para baixo, dão medo até os mais elementares atos de justiça e de bom senso. Quando o presidente Evo Morales começou a refundação da Bolívia, para que esse país de maioria indígena, deixasse de ter vergonha de olhar no espelho, provocou pânico. Este desafio era catastrófico do ponto de vista da ordem racista tradicional, que dizia que era a unida ordem possível. Evo era, trazia o caos e a violência e por sua culpa a unidade nacional ia explodir em pedaços. E quando o presidente equatoriano Rafael Correa anunciou que se negava a pagar as dívidas não legítimas, a noticia produziu terror no mundo financeiro e o Equador foi ameaçado com terríveis castigos, por estar dando um tão mau exemplo. Se as ditaduras militares e os políticos ladrões foram sempre mimado pelos bancos internacionais, não nos acostumamos já a aceitar como fatalidade do destino que o povo pague o garrote que o golpeia e a cobiça que o saqueia?

Mas será que se divorciaram para sempre o bom senso e a justiça? Não nasceram para andar juntos, bem pegadinhos, o bom senso e a justiça?
Não é de bom senso, e também de justiça, esse lema das feministas que dizem que se nós, os machos, ficássemos grávidos, o aborto seria livre? Por que não se legaliza o direito ao aborto? Será porque então deixaria de ser o privilegio das mulheres que podem paga-lo e dos médicos que podem cobrá-lo?

O mesmo acontece com outro escandaloso caso de negação da justiça e do bom senso: por que não se legalizam as drogas? Por acaso não se trata, como no caso do aborto, uma questão de saúde publica? E o país que tem mais drogados, que autoridade moral tem, que autoridade moral tem para condenar aos que abastecem sua demanda? E por que os grandes meios de comunicação, tão consagrados à guerra contra o flagelo da droga, não dizem nunca que ela provêm do Afeganistão quase toda a heroína que se consome no mundo? Quem manda no Afeganistão? Não é esse um país ocupado militarmente pelo pais messiânico que se atribui a missão de salvar a todos nós?

Por que não se legalizam as drogas pura e simplesmente? Não será porque elas dão o melhor pretexto para as invasões militares, além de brindar os mais suculentos lucros aos bancos que de noite trabalham como lavanderias?

Agora o mundo está triste porque se vendem menos carros. Uma das conseqüências da crise mundial é a queda da próspera indústria automobilística. Se tivéssemos algum resto de bom senso e um pouquinho de sentido de justiça, não teríamos que celebrar essa boa noticia? Ou por acaso a diminuição de automóveis não é uma boa noticia, do ponto de vista da natureza, que estará um pouquinho menos envenenada e dos pedestres, que morrerão um pouco menos?

Segundo Lewis Carroll, a Rainha explicou a Alice como funciona a justiça no país das maravilhas:

- Ai você tem – disse a Rainha. Está preso cumprindo sua condenação; mas o processo só vai começar na segunda-feira. E, claro, o crime será cometido no final.

Em El Salvador, o arcebispo Oscar Arnulfo Romero comprovou que a justiça, como a serpente, só morde aos descalços. Ele morreu baleado, por denunciar que no seu país os descalços nasciam condenados de atenção pelo delito de nascimento.

O resultado das recentes eleições em El Salvador não é de alguma forma uma homenagem. Uma homenagem ao arcebispo Romero e aos milhares que como ele morreram lutando por uma justiça justa no reino da injustiça?
Às vezes acabam mal as historias da História, mas ela, a História, não acaba. Quando diz adeus, está dizendo até logo.

Créditos: Agencia Carta Maior

Tradução: Emir Sader

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Justiça impede que Cinemark exija boleto bancário para meias-entradas

As informações estão atualizadas até a data acima. Sugerimos contatar o local para confirmar as informações

da Folha Online

Uma medida liminar deferida pela 1ª Vara Empresarial da Capital, no Rio de Janeiro (RJ), impede que a rede de cinema Cinemark exija outros documentos --como boletos bancários, folhas de frequência e recibos de matrícula--, além da carteira estudantil, para efetuar a venda de meias-entradas.

A decisão garante que as entradas sejam obtidas apenas com a apresentação da carteira estudantil, que é emitida pela instituição de ensino, com data de validade --fator que já atestaria a qualidade de estudante ao seu portador.

As investigações realizadas durante o inquérito civil constataram que, com essas solicitações, a rede de cinemas dificultava o direito do estudante de pagar a meia-entrada. O pedido de liminar foi feito pela 2ª Promotoria de Defesa do Consumidor e do Contribuinte da Capital.

A Cinemark ainda não havia se pronunciado em relação à decisão da Justiça até a publicação desta reportagem.

Fonte: www.uol.com.br

Darwin no Brasil

“Agradeço a Deus nunca mais ter de visitar um país escravagista. Até hoje, quando ouço um grito distante, ele me faz lembrar com dolorosa vivacidade meus sentimentos, quando, passando em frente a uma casa próxima de Pernambuco (ele queria dizer Recife, onde o Beagle atracou na viagem de volta para a Inglaterra), eu ouvi os mais penosos gemidos, e não podia suspeitar que pobres escravos estavam sendo torturados. Perto do Rio de Janeiro eu morava em frente à casa de uma velha senhora que mantinha torniquetes de metal para esmagar os dedos de suas escravas. Eu fiquei em uma casa em que um jovem caseiro mulato, diariamente e de hora em hora, era vituperado, espancado e perseguido o suficiente para arrasar com o espírito de qualquer animal. Eu vi um garotinho, de seis ou sete anos, ser castigado três vezes na cabeça com um chicote para cavalo (antes que eu pudesse interferir) por ter-me servido um copo d’água que não estava muito limpo”.

domingo, 10 de maio de 2009

A histeria da direita com a visita de Ahmadinejad

A tarefa da esquerda é dupla. Desmascarar a mentirada e a hipocrisia da República Morumbi-Leblon e do lobby pró-Israel ao mesmo tempo em que oferece solidariedade aos setores da sociedade civil que estão lutando no Irã – e também na Arábia Saudita! – contra regimes que são, sim, bastante opressivos. Há que se fazer um coisa sem perder de vista a outra. Mas a iniciativa de querer expulsar Ahmadinejad do Brasil, vinda de gente que recebeu Bush sem dar um pio, tem um só nome: hipocrisia. A análise é de Idelber Avelar.

Idelber Avelar
Data: 04/05/2009

A julgar pelos gritinhos da República Morumbi-Leblon, pareceria que o Brasil nunca recebeu a visita do chefe de um estado autoritário. A julgar pelos videozinhos, você imaginaria que somente líderes de democracias tolerantes e liberais têm permissão de visitar o Brasil. É curioso que pessoas que não deram um pio acerca do inominável massacre israelense em Gaza venham agora posar de defensores dos direitos das mulheres iranianas. Não me consta, aliás, que alguém nessa turma tenha dito nada quando o Brasil recebeu a visita de Bush, responsável por uma guerra baseada em mentiras, pela adoção da tortura como política de estado, pelo campo de concentração de Guantánamo, pela morte de centenas de milhares de iraquianos.

Quando você vir alguém dessa turminha dizendo que Ahmadinejad propõe a exterminação dos judeus, faça algo muito simples: peça o link. Pergunte qual é a fonte. Pergunte quem traduziu o texto do persa. Porque o líder iraniano jamais disse isso. O que ele disse foi: "o regime que ocupa Jerusalém (een rezhim-e ishghalgar-e qods) deve ser apagado da página do tempo (bayad az safheh-ye ruzgar mahv shavad)." A tradução é de um dos maiores especialistas em Oriente Médio da contemporaneidade, Juan Cole, confirmada por dois outros tradutores do persa. Leia a entrevista de Ahmadinejad e confira você mesmo. Sobrando um tempinho, assista ao vídeo da palestra de Ahmadinejad em Columbia University, cujo presidente o recebeu com uma grosseria que até hoje envergonha a nós, acadêmicos americanos.

Suponho não ser necessário esclarecer que eu acho muita coisa no discurso de Ahmadinejad absolutamente repugnante, especialmente as declarações sobre o homossexualismo. Não defendo o que ele diz. Mas há que se corrigir as mentiras. A calúnia de que Ahmadinejad ameaçou “varrer Israel do mapa” -- e, a partir daí, a afirmativa mais delirante ainda de que ele propõe a exterminação de judeus – tem uma longa história, que se remonta a uma tradução manipulada do New York Times. É, meu chapa, quando se trata de Oriente Médio e do lobby pró-ocupação israelense, até as traduções devem ser minuciosamente revisadas.

Não custa lembrar, claro, que o Irã não invadiu país nenhum. O Irã não tem uma história de agressão contra seus vizinhos. Na guerra Irã-Iraque, o agredido foi ele, na época em que o depois demonizado Saddam Hussein era amiguinho de Donald Rumsfeld. Sim, é evidente que a situação dos direitos humanos no Irã é grave. Ela é quase tão grave como a situação na Arábia Saudita, país onde sequer existem eleições nacionais, mas cuja monarquia visita e faz polpudos negócios no Ocidente sem que se ouça um pio dos nossos preocupadíssimos democratas da República Morumbi-Leblon.

Qual é o país do Oriente Médio que ocupa ilegalmente terras de outrem há mais de quarenta anos, com uma história de sistemática agressão contra seus vizinhos e de desrespeito às resoluções das Nações Unidas? Qual é o país do Oriente Médio que infiltra espiões até mesmo no território de seu maior aliado? Não é o Irã.

Aceito debater o Irã com qualquer membro da República Morumbi-Leblon que me ofereça um ou dois parágrafos articulados acerca de como era mesmo maravilhosa a situação no país persa entre 1954 e 1979. Afinal de contas, a julgar pelos horrorizados chiliques, você imaginaria que antes da Revolução Islâmica as coisas andavam muito bem por lá. Na verdade, a única vez em que o Irã esteve perto de chegar a um regime aberto e tolerante foi um pouco antes de 1954, quando a Frente Nacional de Mohammed Mossadeq nacionalizou a indústria do petróleo. Mossadeq logo depois removido por um golpe de estado preparado pela CIA, naquilo que Robert Fisk, em sua obra monumental, chamou de primeira operação americana desse tipo durante a Guerra Fria (pag. 99). Com sua implacável verve britânica, Fisk acrescenta: pelo menos nós nunca afirmamos que Mossadeq tinha armas de destruição em massa.

O golpe de 1954 inaugura um período caracterizado por Fisk como de “monarquia absoluta” do Xá, controlada pela sua temida polícia política que, ao custo de assassinatos, tortura e supressão da oposição, garantiu a estabilidade necessária para que se exportassem 24 bilhões de barris de petróleo nos 25 anos que se seguiriam. A Revolução Islâmica canalizou a revolta da população iraniana, num momento em que muita gente ainda sonhava com a possibilidade de uma esquerda nacionalista e secular no mundo árabe. Essa foi uma opção que existiu durante algum tempo, com Nasser e cia., mas que sucumbiu ante os golpes de estado e as invasões americanas, assim como as sistemáticas agressões israelenses – com o apoio dos mesmos direitecas que agora acusam os críticos do sionismo e do imperialismo de serem cúmplices do bicho-papão islâmico.

Eu me pergunto se esses direitecas que histericamente gritam que Ahmadinejad quer “aniquilar” Israel sabem que o presidente do Irã sequer é o comandante-em-chefe das Forças Armadas do país. Quem tiver curiosidade arqueológica, que consulte a grande imprensa americana entre, digamos, 1998 e 2002. Naquele período, em que o reformista moderado Mohammad Khatami dava declarações de aproximação aos EUA e ao Ocidente, esses gestos eram descartados com o argumento de que o presidente do Irã não tem poder real – o mesmo fato do qual agora eles convenientemente se esquecem, para que possam apresentar Ahmadinejad como comedor de criancinhas.

Etiquetar Ahmadinejad como “ditador do Irã” é ridículo. Ele foi eleito. É verdade que sua vitória foi conquistada com os mesmos métodos de George Bush. Mas se quiserem entender o clima que possibilitou sua eleição, há que se estudar um pouco a enorme frustração dos setores jovens iranianos com Khatami, que tentou e tentou se aproximar do Ocidente, sendo sistematicamente rechaçado.

A tarefa da esquerda é dupla. Desmascarar a mentirada e a hipocrisia da República Morumbi-Leblon e do lobby pró-Israel ao mesmo tempo em que oferece solidariedade aos setores da sociedade civil que estão lutando no Irã – e também na Arábia Saudita! – contra regimes que são, sim, bastante opressivos. Há que se fazer um coisa sem perder de vista a outra. Mas a iniciativa de querer expulsar Ahmadinejad do Brasil, vinda de gente que recebeu Bush sem dar um pio, tem um só nome: hipocrisia.

Portanto, sem prejuízo nenhum ao meu apoio aos que, no Irã, lutam por uma democracia real, não posso deixar de retrucar: Bem vindo, Ahmadinejad. Tome sua cachacinha com Lula (sim, sim, sei que é proibido...), visite algumas das maravilhas desse que é um dos mais belos países do globo e não ligue para a meia dúzia que protesta. Estão em vergonhosa minoria. Já não sabem em que se agarrar. Na última eleição, o candidato deles não conseguiu sequer repetir no segundo turno a votação que havia tido no primeiro. É compreensível que estejam tão histéricos.

(*) Artigo publicado originalmente no blog O Biscoito Fino e a Massa.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Gripe suína: por que a histeria?

por Marcos Guterman, Seção: Zeitgeist 02:17:43.

Cientistas começam a questionar o temor gerado em torno da chamada gripe suína. Para eles, conforme reportagem do Los Angeles Times, o vírus atual não é tão fatal quanto o de pandemias anteriores, como a Gripe Espanhola, que matou 50 milhões de pessoas em 1918. Não é tão fatal nem mesmo como o vírus de uma típica temporada de gripe, que mata 36 mil pessoas por ano somente nos EUA, além de deixar até 20% da população americana com o nariz entupido.

Segundo uma projeção do matemático Dirk Brockmann, da Northwestern University, no pior cenário – isto é, se nada for feito –, o vírus da gripe suína vai deixar 1.700 americanos doentes, um número insignificante perto da abrangência da gripe comum.

A questão fundamental, no caso da gripe suína, é que seu vírus muda rapidamente e, como em 1918, tende a afetar jovens, em vez de gente idosa e crianças, o alvo preferencial da gripe comum. Por essa razão, dizem os cientistas, todo o cuidado é pouco – como diz o ditado árabe: “Confie em Allah, mas amarre seu camelo”. Apesar disso, o pânico criado em torno da pandemia, ajudado pelos meios ultra-rápidos de disseminação de informações nem sempre corretas, como o Twitter, parece injustificado.

No Reino Unido, o governo está orientando os cidadãos sobre os cuidados para evitar a disseminação da gripe.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O inconcebível Lula

Pedro R. Lima, professor

FHC, o farol, sociólogo, entende de sociologia tanto quanto o governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra, entende de economia.

Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.

Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos…

Lula, que não entende de educação, pois a oposição e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI aonde filho de pobre vai à universidade…

Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como dizia FHC…

Lula que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo… mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que entende de tudo, acha que não…

Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, Lula não entende de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país a liderança mundial de combustíveis renováveis…

Lula que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8…

Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou as favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem transito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo, etc...bobo que é cedeu a tudo e a todos…

Lula que não entende de mulher, nem de preto, colocou o primeiro negro no supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher no cargo de primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise…

Lula que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre…

Lula que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual…

Lula não entende nada de nada e mesmo assim é melhor que todos os outros…

Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha uma empatia e uma relação direta com Bush, notada até pela imprensa americana. E agora já tem a empatia do Obama.

Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador lá, nos "States".

Lula, que não entende de geografia, pois nunca viu um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.

Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.

Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado dentro e fora do Brasil.

Lula que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel.

Quarta-feira, 22 de abril de 2009.

Pedro R. Lima, professor

terça-feira, 5 de maio de 2009

Província chinesa obriga funcionários públicos a fumar

Funcionários públicos da província de Hubei, na região central da China, que se recusarem a fumar uma cota determinada de cigarros serão multados.

A nova regulamentação, do governo da cidade de Gong'an, determina os padrões para o número de cigarros consumidos e as marcas que devem ser compradas pelos funcionários.

No total, todas as agências governamentais e instituições da província devem consumir 230 mil maços de cigarros produzidos na província por ano, ou 4 milhões de iuans (cerca de R$ 1,2 milhão) em cigarros.

Chen Nianzu, membro da equipe de supervisão do mercado de cigarros de Gong'an, disse ao jornal chinês Global Times que a determinação vai melhorar a economia local.

'Abuso'

Mas para o professor de gerenciamento e administração Wang Chunying, da Universidade de Negócios Exteriores de Hubei, o governo da província está abusando de seu poder ao determinar o protecionismo regional e encorajar o hábito de fumar.

"O governo central colocou um imposto pesado no cigarro para proteger a saúde pública e o meio ambiente", afirmou ele ao Global Times. "O governo local pode se beneficiar com a medida (obrigatoriedade do fumo), mas o país vai pagar por isso no final."

O jornal de Pequim Beijing News relatou o caso de um professor que contou que os cinzeiros da escola pública onde trabalha estão sendo fiscalizados.

A descoberta de três pontas de cigarro de marcas fabricadas em outra província levou à ameaça de sanções contra os fumantes.

Apesar de a nova regulamentação incluir punição para os fumantes que não a obedecerem, ainda não foram decretadas aplicações de multas, segundo um porta-voz do departamento de relações públicas.

Um representante do escritório de finanças do distrito, que não quis se identificar, disse ao Global Times que a regulamentação é apenas um guia de conduta e não determina marcas específicas de cigarro.

Jingzhou, outra cidade de Hubei, também determinou uma regulamentação semelhante em 2007 para encorajar o consumo de cigarros produzidos localmente e aumentar a arrecadação de impostos da indústria de cigarros. Mas esta regulamentação foi abandonada seis meses depois, segundo o Global Times.

Fonte: www.bbcbrasil.com.br

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Por que a mídia não divulga que a Granja Carroll, que fica na Cidade de Vera Cruz, pertence a um empresário estadunidense? A doença não foi criada pelos mexicanos, pelos povos pobres do antigo Terceiro Mundo, mas sim pela falta de cuidados sanitários dos empresários do Primeiro Mundo, mas precisamente a Empresa SmithField Foods, a maior empresa do mundo em produção e comercialização de carne suina.

Debatendo as drogas ilícitas


A Comissão de Narcóticos das Nações Unidas divulgou ontem seu novo documento, após dez anos da fracassada política repressiva imposta pelos EUA. Contrariando a experiência bem-sucedida nos países europeus e no Canadá, que, juntamente com Organizações Não-Governamentais, defendiam uma revisão do enfoque, este continuará proibicionista, criminalizador e segregacionista.
O texto comete algumas barbaridades inacreditáveis. Evita sistematicamente qualquer menção à “redução de danos”, estratégia civilizada para lidar com a dependência de drogas. Também determina um prazo ridículo para “minimizar ou eventualmente extinguir” as drogas ilícitas do mundo (o autor devia estar louco de alguma coisa).
Nem mesmo a gritante evidência estatística ou os depoimentos de milhares de especialistas foram capazes de derrubar o proibicionismo obtuso que apenas alimenta o crime organizado, a corrupção estatal e a marginalização dos usuários. Espera-se que Barack Obama (que admitiu ter dado uns tapas e tecos na juventude) encaminhe uma guinada mais inteligente para o posicionamento de sua diplomacia.

Fonte: http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

Massacre de Lisboa de 1506

Também conhecido como Progrom de Lisboa ou Matança da Páscoa de 1506

uma multidão movida pelo fanatismo religioso perseguiu, violou, torturou e matou centenas de pessoas, acusadas de serem judias. Isto sucedeu antes do início da Inquisição e nove anos depois da conversão forçada dos judeus em Portugal, em 1497, durante o reinado de D. Manuel I.

Cerca de 93 mil judeus se refugiaram em Portugal nos anos que se seguiram à sua expulsão de Espanha, pelos reis católicos, em 1492. D. Manuel I se mostrara mais tolerante para com a comunidade judaica, mas, sob a pressão de Espanha, também em Portugal, a partir de 1497, os judeus foram forçados a converter-se.

A historiografia situa o início da matança no Mosteiro de São Domingos (Santa Justa), no dia 19 de abril de 1506, um domingo, quando os fiéis rezavam pelo fim da seca e da peste que tomavam Portugal, e alguém jurou ter visto no altar o rosto de Cristo iluminado — fenômeno que, para os católicos presentes, só poderia ser interpretado como uma mensagem de misericórdia do Messias - um milagre.

Um cristão-novo que também participava da missa tentou explicar que a luz era apenas o reflexo do sol, mas foi calado pela multidão, que o espancou até a morte.

A partir daí, os judeus da cidade que anteriormente já eram vistos com desconfiança tornaram-se o bode expiatório da seca, da fome e da peste: três dias de massacre se sucederam, incitados por frades dominicanos que prometiam absolvição dos pecados dos últimos 100 dias para quem matasse os "hereges",e que juntaram um grupo de mais de quinhentas pessoas incluindo marinheiros da Holanda, da Zelândia e de outras terras com as suas promessas. A corte encontrava-se em Abrantes - onde se instalara para fugir à peste - quando o massacre começou. D. Manuel I tinha-se posto a caminho de Beja, para visitar a mãe. Terá sido avisado dos acontecimentos em Avis, logo mandando magistrados para tentar pôr fim ao banho de sangue. Entretanto, mesmo as poucas autoridades presentes foram postas em causa e, em alguns casos, obrigadas a fugir.

Como consequência, homens, mulheres e crianças foram torturados, massacrados, violados e queimados em fogueiras improvisadas no Rossio. Os judeus foram acusados entre outros "males", de deicídio e de serem a causa da profunda seca e da peste que assolava o país. A matança durou três dias - de 19 a 21 de Abril, na Semana Santa de 1506 - e só acabou quando foi morto um cristão-novo que era escudeiro do rei, João Rodrigues Mascarenhas, e as tropas reais afinal chegaram para restaurar a ordem.

D. Manuel I penalizou os envolvidos, confiscando-lhes os bens, e os dominicanos instigadores foram condenados à morte. Há também indícios de que o Convento de S. Domingos (da Baixa) teria sido fechado durante oito anos.

No seguimento do massacre, do clima de crescente anti-semitismo em Portugal e do estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício — que entrou em funcionamento em 1540, perdurando até 1821 — muitas famílias judaicas fugiram ou foram expulsas do país, tendo como destino principal os Países Baixos e secundariamente, França, Turquia e Brasil, entre outros.

Mesmo expulsos da Península Ibérica, os judeus só podiam deixar Portugal mediante o pagamento de "resgate" à Coroa. No processo de emigração, os judeus abandonavam suas propriedades ou as vendiam por preços irrisórios e viajavam apenas com a bagagem que conseguissem carregar.

Fonte: wikipedia