sábado, 28 de novembro de 2009

A Direita mente, a Folha faz seu papel de golpista.

por Conceição Lemes

José Ferreira da Silva, o Frei Chico, é um dos irmãos do presidente de Lula. Ex-dirigente sindical, foi preso político.

Viomundo – Frei Chico, você leu o artigo publicado hoje na Folha, afirmando que o Lula, quando esteve preso em 1980, teria tentado estuprar um colega de cela?

Frei Chico – É um absurdo. Um nojo. Uma baixaria. A cela do DOPS era coletiva! O Lula nunca ficou sozinho. Ele ficou preso com os demais diretores do Sindicato dos Metalúrgicos dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo – Rubão, Zé Cicote, Manoel Anísio, Djalma Bom. Havia um banheiro só para todos os presos – e não tinha porta! O Tuma [senador Romeu Tuma, na época era diretor do DOPS] está vivo. Pergunte a ele!

Viomundo – Que explicação você dá para tamanha baixaria?

Frei Chico – Eles [a oposição] estão desesperados. Não estão medindo as conseqüências. Perderam a compostura. Perderam a decência humana. Parte da imprensa partiu para a baixaria total. Você viu o que a mídia fez com o Chávez, na Venezuela? Ela foi toda para cima dele. Aqui, vão tentar aquilo ou pior.

Viomundo – Tem a ver com a eleição de 2010?

Frei Chico – Só tem. Parte da elite brasileira não se modernizou e não aceita que o Lula faça o seu substituto. Vai para o vale tudo.

Fonte; www.viomundo.com.br

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Marina, A Eco... Capitalista...

Gilvan Rocha - Correio da Cidadania

É saudável termos na disputa eleitoral uma figura do quilate de Marina Silva. Pessoa de luta, leal e convicta. Se bem que já se tenha dito ser a convicção mais grave do que a mentira, pois uma convicção pode representar uma intransigência no erro. Adolf Hitler e Mussolini tinham, sim, as suas convicções e por elas deram as suas próprias vidas.

As qualidades de Marina são insuficientes para a tarefa histórica que se faz necessária. Para ela, o problema reduz-se à ecologia. E vai mais longe com seu equívoco de imaginar e praticar uma política fundada em especialistas. Ora, o nosso problema crucial é salvar o universo da catástrofe para que o capitalismo nos arrasta e isso não será obra apenas de experts, trata-se de uma obra social. O socialismo e o ambientalismo exigem, como tudo, o conhecimento, mas sobretudo a sua democratização.

Quando Plínio de Arruda Sampaio, nosso provável candidato à presidência da República (caso prevaleça a lucidez política), considerou que Marina era apenas uma ecocapitalista ele o fez com justeza.

É preciso dizer que não somos ameaçados apenas pelo aquecimento global, essa é uma questão. Centenas de outras questões colocam-se como responsáveis pela ameaça à sobrevivência da humanidade. É que os trovões, os furacões, os tsunamis são mais agressivos e tocam mais fortemente os nossos olhos e ouvidos. Mas não está aí o centro da questão.

Houve uma redução política. Passou-se a considerar a direita tão somente àqueles que defendem o Estado mínimo, o livre mercado. Enquanto isso, os partidos dos grupos e movimentos de esquerda passaram a ser definidos como defensores do "Estado máximo", atropelando o conceito socialista de que Estado é um instrumento de dominação de uma classe sobre outra.

Não falam mais em classes sociais. Segundo eles, isso é coisa do passado, o Estado seria apenas o árbitro das questões sociais ou, sobretudo, o promotor da justiça e do bem estar social. Ora, quem assim pensa, por desinformação ou má-fé, não pode ser considerado de esquerda. E nós queremos candidatos realmente socialistas nas próximas eleições.

Gilvan Rocha é presidente do Centro de Atividades e Estudos Políticos – CAEP.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mais uma pegadinha , daquelas que rolam na Internet;


Comunicado Danone

São Paulo, outubro de 2009

A Danone tem como missão levar saúde e nutrição, por meio de seus produtos, ao maior número de pessoas. A empresa tem conhecimento das falsas informações que circulam pela internet sobre a origem do fermento específico de Activia, o DanRegularis, e sobre sua ação. O texto, com falso conteúdo, é assinado por “MARÍLIA C. DUARTE (NUTRICIONISTA), SÃO PAULO – SP”. Contudo, de acordo com a informação obtida junto ao CRN 3E – Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª região, este nome não possui registro nesta entidade. Essa informação pode ser verificada através da newsletter publicada pelo CRN 3E e pode ser acessada no link: http://www.crn3.org.br/atualidades/newsletter_vis.php?cod_mail=233.

Além disso, gostaríamos de esclarecer que Activia é um leite fermentado, com cepas de iogurte tradicional e um fermento específico: o Bifidobacterium animallis DN-173 010, subsp lactis, que leva o nome comercial de DanRegularis. Esse fermento se mantém vivo e presente (em níveis adequados) durante todo o período de validade do produto.

Assim, Activia ajuda a regular o tempo de trânsito intestinal, diferentemente do que tem sido divulgado em alguns blogs e correntes de email. Na atual literatura científica, o Bifidobacterium animalis subsp lactis (ou b.lactis) não apresenta nenhuma característica que irrite ou agrida a mucosa intestinal. Existem estudos científicos mostrando que Activia melhora a qualidade de vida dos indivíduos que sofrem com a síndrome do intestino irritável. Outro ponto importante é que outras espécies do gênero Bifidobacterium podem ser encontradas naturalmente no trato intestinal de indivíduos saudáveis.

A atual nomenclatura taxonômica para essa cepa de bactéria probiótica é o Bifidobacterium animalis subspécie lactis (Masco et al., 2004), protegida pela patente EP1297176B1(Antoine et al., 2002). Esta cepa probiótica alimentar está depositada na Collection Nationale de Cultures de Microorganismes (CNCM) em Paris, França, que é uma autoridade internacional, criada de acordo com o tratado de Budapeste.

O DanRegularis que você encontra em Activia é obtido a partir da replicação em cultura estéril dessa cepa. O processo de replicação de fermentos é largamente utilizado, não só na produção de iogurtes e leites fermentados, mas também de queijos, vinhos, pães etc. O leite fermentado Activia também está registrado no Ministério da Agricultura do Brasil e, por se tratar de um alimento funcional, também foi avaliado pela CTCAF (Comissão Técnico-Científica de Assessoramento em Alimentos Funcionais e Novos Alimentos da ANVISA).

Activia possui 17 estudos clínicos, comprovando seu efeito benéfico. Esses estudos foram realizados pelo departamento de Pesquisas da Danone e por diversas universidades do mundo e foram publicados nas mais reconhecidas revistas científicas.

O leite fermentado Activia está presente em mais de 70 países e, aqui no Brasil, desde janeiro de 2004. Reafirmamos que a Danone, empresa líder mundial de produtos lácteos frescos e água mineral, presente em mais de 120 países, tem o compromisso de levar saúde e nutrição aos seus consumidores e o leite fermentado Activia é um exemplo disso.

Para mais informações sobre o produto, acesse www.activiadanone.com.br ou entre em contato com o nosso DAC no número 0800 701 7561.

DAC- Departamento de Atenção ao Consumidor da Danone Brasil

Negros continuam em situação desfavorável no mercado em SP, revela Dieese

Além de as jornadas de trabalho serem normalmente mais extensas, a maioria dos negros está em ocupações mais frágeis, seja pela forma de contratação, seja pela inserção em postos de baixa qualificação


De São Paulo, da Radioagência NP

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou, nesta quarta-feira (18), a pesquisa "Os negros no mercado de trabalho da região metropolitana de São Paulo”. Os resultados mostram que a desigualdade entre negros e não-negros diminuiu, mas ainda permanece em níveis elevados.


Entre 2004 e 2008, a proporção da População Economicamente Ativa (PEA) negra aumentou 6,5%. Em contrapartida, a PEA não-negra cresceu apenas 4%. Mas, o Dieese afirmou que outras comparações reafirmam a inserção desfavorável dos negros no mercado de trabalho.


Apesar de a população negra participar com pouco mais de um terço da PEA, sua proporção no número de desempregados da região metropolitana de São Paulo correspondeu a cerca de 44% em 2008.


Segundo o Dieese, além de as jornadas de trabalho serem normalmente mais extensas, a maioria dos negros está em ocupações mais frágeis, seja pela forma de contratação, seja pela inserção em postos de baixa qualificação. Estas são as razões para as diferenças de rendimentos por hora trabalhada. Entre negros, o rendimento médio é de R$ 4,60 e entre os não-negros de R$ 8,20.


A distribuição da massa de rendimentos do trabalho também ilustra a situação desigual, ressalta o Dieese. Enquanto os negros apropriavam-se, em 2008, de apenas 24% do total da massa, os não-negros ficam com 76%. A mulher negra participava com 9% desse total, já a não-negra com 27%.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

A bomba atômica do Irã: Lula dá um show de diplomacia e o PiG (*) se estrebucha

Israel pode. Eles não
O Irã tem um programa nuclear que provoca suspeitas nos Estados Unidos e, por conseqüência, no PiG (*).
Israel tem bomba atômica, o que não provoca suspeitas nos Estados Unidos e, por conseqüência, no PiG.
O Irã diz que o programa nuclear é para fins pacíficos.
O Irã desenvolveu uma tecnologia original dentro da cadeia da indústria nuclear.
O Brasil, o maior produtor de urânio do mundo, tem um programa nuclear e desenvolveu uma tecnologia original para processar urânio.
O Brasil defendeu essa tecnologia com unhas e dentes para evitar cópias piratas.
O Irã diz que defende a sua tecnologia original também com unhas e dentes e, por isso, dificulta o acesso dos Estados Unidos ao seu programa.
O Brasil, aparentemente, não quer fazer a bomba. Essa seria uma das heranças malditas do governo FHC, pior do que a indicação de Gilmar Dantas (**) para o Supremo.
Fazer ou não a bomba é um problema que a sociedade brasileira breve terá de discutir. E o Conversa Afiada desde já se manifesta a favor da bomba.
Os Estados Unidos tem bomba; a Inglaterra tem bomba; França tem bomba; a China tem bomba; a Índia tem bomba; o Paquistão tem bomba e Israel tem bomba. Por que o Brasil não pode ter?
Se o Irã também quer, problema dele.
O Irã diz ao Brasil que o seu programa é pacífico. O Brasil e 99% dos países do mundo acreditam.
O PiG, não.
Problema do PiG.
Se o Farol de Alexandria não tivesse renunciado à bomba como renunciou à soberania nacional, o PiG diria que a bomba só não é melhor do que os vinhos Bordeaux do Renato Machado.
O problema do PiG não é nem a bomba nem o Irã.
O problema do PiG e dos chanceleres do PiG é o sucesso da política externa independente do Presidente Lula e seu chanceler, Celso Amorim.
O presidente Lula honrou uma tradição da política externa brasileira, defendeu o Estado de Israel, a contenção dos assentamentos dos colonos judeus e a criação de um Estado Palestino Autônomo.
E fez isso diante do ilustre convidado.
O Irã é hoje um dos maiores consumidores de carne bovina brasileira.
O Farol e seus chanceleres, hoje sublocados à Globo, são adeptos da política externa da genuflexão.
A diplomacia brasileira desempenha com o Irã e outros países da região do Oriente Médio uma política de potência.
O Conversa Afiada tira o chapéu à colonista (***) Eliane Cantanhêde que, hoje na Folha (****), faz uma análise isenta da relação Brasil-Irã.
O PiG, de resto, está acometido de um vírus que combina provincianismo com golpismo. Nesse aspecto, a Fox News que, aqui no Brasil, se sintoniza na Globo e na Globo News, continua a desempenhar um papel partidário, do partido do Calabar.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(****) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele acha da investigação, da “ditabranda”, do câncer do Fidel, da ficha falsa da Dilma, de Aécio vice de Serra, e que nos anos militares emprestava os carros de reportagem aos torturadores.
Publicado por admin · Canal: Bigpost, Brasil

domingo, 22 de novembro de 2009

O profundo ódio de classe no Brasil

por Luiz Carlos Azenha

Francamente, acho estranho que um filme sobre a vida de um presidente da República consiga atrair tanto esculacho: é dramalhão, é tosco, é ruim.

Tudo indica que eu não vá ver, por não ter paciência com o tema. Mas começo a gostar do filme pelos críticos que ele atraiu!

"Lula, o filho do Brasil", é ficção roliudiana, se entendi bem. Apenas um filme. Qualquer semelhança com personagens da vida real é mera coincidência. Mas toca colocar repórter para investigar a relação de gente remotamente ligada ao filme e o governo. Logo vão descobrir algum carrinho de pipoca em que o pipoqueiro vende maconha e vão culpar o filme por isso. Vão dizer que "Lula, o Filho do Brasil", incentiva o tráfico de drogas. Que incentiva o subperonismo. Que provoca lavagem cerebral. Que incentiva a caspa e o chulé.

Eu sabia da existência do ódio de classe no Brasil. Mas nunca imaginei que poderia chegar a esse ponto. Eles não só odeiam o Lula. Eles odeiam qualquer coisa que passe perto do Lula. Não basta dizer que foi tudo sorte, foi tudo por acaso, que os oito anos de Lula foram apenas continuação de FHC, que Lula apenas esquentou a cadeira para José Serra. É preciso matar, salgar e enterrar. Se os pobres brasileiros odiassem os ricos tanto quanto os ricos odeiam os pobres, o Brasil viveria um banho de sangue. Em não sendo assim, ficamos restritos a este espetáculo de manifestações explícitas e implícitas de preconceito de classe.

O filme pode até ser ficção grotesca. Mas provocou algo mais grotesco ainda, por ser real e revelador. Essa gente precisa, urgentemente, de um divã.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao/o-profundo-odio-de-classe-no-brasil/


sábado, 21 de novembro de 2009

Comunidade História Antiga e Colonial da África.

Sejam bem-vindos a este espaço para debates e trocas de informações pelo continente mãe de todos nós seres humanos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Venda avulsa de jornalões brasileiros cai a índices surpreendentes

Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares. Os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas. O artigo é de Carlos Castilho, do Observatório da Imprensa.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa. Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares. Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o vigésimo quarto jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19° lugar e O Globo, em 15° lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009. São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas. Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: as classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais. O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional. Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais. Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado. O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista. Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior. O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16245

terça-feira, 17 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Reeleger Uribe é sacramentar corrupção e impunidade

A Unasul (União das Nações Sul-Americanas) enfrenta um impasse diante da teimosia do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de ampliar a instalação de bases usamericanas no território de seu país. Os demais presidentes estão contra. Preferem preservar a soberania e a independência da América do Sul.

Por Frei Betto*

Na reunião de Bariloche, em agosto, o presidente Lula bem argumentou: se desde 1952 as tropas estadunidenses não conseguiram erradicar o narcotráfico na Colômbia, por que agora estariam aptas a fazê-lo?

Funcionam na Colômbia três Estados paralelos: a guerrilha das FARC; o narcotráfico; e os grupos paramilitares, criados supostamente para combater os dois primeiros. Desde 1991, cerca de 2.500 sindicalistas foram assassinados naquele país, 500 sob o governo de Uribe. Os paramilitares puxam o gatilho, mas quem os financia são empresas nacionais e transnacionais.

A Coca-Cola sofre processo judicial por ter apelado aos paramilitares para reprimir atividades sindicais, entre 1992 e 2001, que resultaram na morte de sete sindicalistas. A Chiquita Brands, exportadora de banana, admitiu ter financiado o grupo terrorista Autodefesa da Colômbia. A Dyncorp foi acusada de contaminar com substâncias tóxicas lavouras de pequenos agricultores na fronteira entre Colômbia e Equador, visando a erradicação do plantio de coca. Tais fatos têm impedido que o governo dos EUA, empenhado na investigação dessas empresas, realize o grande sonho de Uribe: assinar o tratado de livre comércio entre os dois países.

A empresa Drummond, com sede no Alabama, explora minas de carvão e é acusada de ordenar o assassinato, por mãos de paramilitares, de três dirigentes sindicais. Ela extrai da Colômbia mais de 16 milhões de toneladas de carvão/ano. Seu faturamento anual está calculado em US$ 500 milhões, graças ao trabalho de 3.000 mineiros remunerados a US$ 2,5/hora.

A Justiça de Atlanta acusou a empresa de acobertar os assassinos dos sindicalistas colombianos e condenou a empresa, baseada numa lei de 1789, promulgada para punir ações de pirataria e crimes cometidos fora do território dos EUA. O processo correu sob segredo de Justiça, mas a mídia de Alabama pressionou e, agora, sabe-se que Rafael García, ex-chefe do departamento de informática do DAS (Departamento Administrativo de Segurança), órgão máximo da segurança do Estado colombiano, preso por haver destruído informações sobre os narcotraficantes de seu país, revelou as conexões entre parlamentares e funcionários comprometidos com os paramilitares.

García confessou que pouco antes do assassinato dos sindicalistas presenciou uma reunião entre o presidente da filial colombiana da Drummond e o chefe paramilitar que controlava a região. Viu quando o empresário entregou ao paramilitar US$ 200 mil para assassinar os sindicalistas. Contou ainda que os paramilitares usavam barcos da Drummond para transportar cocaína à Europa e Israel.

Favorecer na Colômbia um terceiro mandato de Uribe é sacramentar a corrupção e a impunidade.

* Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros.

Fonte: Brasil de Fato

sábado, 14 de novembro de 2009

Família Velloso pede desculpas a Lula

A dica do leitor é do leitor André Silva, acompanhada desta observação: "Nem a família do Caetano aguentou".

do Jornal Correio da Bahia

Rodrigo Velloso, irmão de Caetano Veloso (foto) e Secretário Municipal de Cultura de Santo Amaro fez questão de esclarecer, através de um pedido de desculpas, que a família Velloso não tem nada a ver com a declaração do mano famoso. Eis o teor do documento:

"Venho a público esclarecer que a recente declaração, feita pelo cantor e compositor Caetano Veloso sobre o Presidente Lula, não expressa, em nenhuma hipótese, a opinião da família Velloso. Sua matriarca, Dona Canô, por meu intermédio, deseja se dirigir ao Governador Jaques Wagner, a todos os brasileiros e, principalmente, ao Presidente da República, com um sincero pedido de desculpas".

Rodrigo Velloso

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/familia-velloso-pede-desculpas-a-lula/

Educação que sempre funcionou.

Ensinamentos de MÃE DE ANTIGAMENTE:

Pra lembrar e rir!

Coisas que nossas mães diziam e faziam...
Uma forma que hoje é condenada pelos educadores e psicólogos, mas funcionou com a gente. Talvez senão tivessem mudado tanto, nosso mundo estaria melhor...

Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
'ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!'

Minha mãe me ensinou
a RETIDÃO.
'EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!'

Minha mãe me ensinou a
DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS..
'SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!'

Minha mãe me ensinou
LÓGICA E HIERARQUIA..-.
'PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?'

Minha mãe me ensinou o que
é MOTIVAÇÃO...
'CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!'

Minha mãe me ensinou a
CONTRADIÇÃO...
' FECHA A BOCA E COME!'

Minha Mãe me ensinou sobre
ANTECIPAÇÃO...
'ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!'

Minha Mãe me ensinou sobre
PACIÊNCIA...
'CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ...'

Minha Mãe me ensinou a
ENFRENTAR OS DESAFIOS...
'OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!'

Minha Mãe me ensinou sobre
RACIOCÍNIO LÓGICO...
'SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!'

Minha Mãe me ensinou
MEDICINA...
'PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.'

Minha Mãe me ensinou sobre o
REINO ANIMAL...
'SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!'

Minha Mãe me ensinou sobre
GENÉTICA...
'VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!'

Minha Mãe me ensinou sobre minhas
RAÍZES...
'TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?'

Minha Mãe me ensinou sobre a
SABEDORIA DE IDADE...
'QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.'

Minha Mãe me ensinou sobre
JUSTIÇA...
'UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO QUE ELES FAÇAM PRA VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!'

Minha mãe me ensinou
RELIGIÃO...
'MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!'

Minha mãe me ensinou o
BEIJO DE ESQUIMÓ...
'SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!'

Minha mãe me ensinou
CONTORCIONISMO.-..
'OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!'

Minha mãe me ensinou
DETERMINAÇÃO..-.
'VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!'

Minha mãe me ensinou habilidades como
VENTRÍLOQUO...
'NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?'

Minha mãe me ensinou
a SER OBJETIVO...
'EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!'

Minha mãe me ensinou a
ESCUTAR ...
'SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!'

Minha mãe me ensinou a
TER GOSTO PELOS ESTUDOS..
.'SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!...'

Minha mãe me ajudou na
COORDENAÇÃO MOTORA...
'AJUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!'

Minha mãe me ensinou os
NÚMEROS...
VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!'


Brigadão Mãe !!!HOJE SOU UMA PESSOA BEM MELHOR , MAIS EDUCADA E HUMANA QUE ESSA NOVA GERAÇÃO...

A ESTRATEGIA DE OBAMA NA ÁSIA CENTRAL INSTAURA A BARBÁRIE E AGRAVA O TERRORISMO

Miguel Urbano Rodrigues

Transcorridos oito anos dos atentados que destruíram o World Trade Center e atingiram o Pentágono, o terrorismo assume proporções cada vez maiores nas áreas do planeta onde George W Bush pretendia enfrentá-lo e erradicá-lo.

O presidente Barack Obama, cuja eleição suscitou a nível planetário uma grande esperança, foi distinguido com o Premio Nobel da Paz, mas a sua intervenção na Historia, contrariando um discurso humanista, não tem contribuído para combater e superar a crise de civilização existente.

Ocorre o contrário. A sua estratégia no Médio Oriente e na Ásia Central instaura a barbárie e agrava o terrorismo.

O esforço desenvolvido por uma gigantesca e perversa engrenagem mediática que desinforma os povos não tem o poder de inverter o rumo dos acontecimentos.

Os Estados Unidos estão presentemente envolvidos na Ásia em duas guerras perdidas e atolados na pantanosa situação criada na Palestina pelo sionismo neonazi.
O primeiro grande erro de Obama foi, ao entrar na Casa Branca, definir o Afeganistao como a primeira prioridade da sua politica internacional.

Na sua opinião o Iraque estava quase “pacificado” e tomou a decisão de transferir alguns milhares de soldados para o Afeganistão onde a insurreição alastrava numa guerra que, assim o afirmou então, se comprometia a vencer porque dela dependia “a segurança dos EUA”.

O optimismo sobre a situação no Iraque foi sem tardança desmentido pelo aumento da violência no país. No centro de Bagdad e nas principais cidades explodem todas as semanas carros armadilhados e bombas que matam centenas de pessoas. A resistência contra a ocupação militar norte-americana cresce e o governo fantoche tutelado por Washington está totalmente desprestigiado. O Pentágono já reconheceu que será quase impossível respeitar o compromisso de retirar do pais as tropas estadunidenses na data prevista, ou seja dentro de dois anos.

A nomeação do general Stanley McChrystal para comandante supremo na área Afeganistão-Paquistão foi muito bem recebida pelo Congresso e suscitou inicialmente grandes esperanças no establishment.

Mas a atmosfera de euforia durou pouco. A estratégia inovadora concebida pelo general, apresentado como um intelectual brilhante, com diplomas de história e ciências políticas, não parece entusiasmar os analistas militares dos grandes media.

McChrystal pediu a Obama o envio de 30 a 40.000 homens, advertindo num dos seus dois relatórios que sem esse reforço a guerra será perdida. Entretanto, em pleno Verão, desencadeou na Província do Helmand uma ofensiva em que participaram aproximadamente 15.000 soldados americanos e britânicos. Não obstante a escolha ter recaído sobre tropas de elite, o resultado foi decepcionante. A força empenhada sofreu grandes baixas e nos combates travados os guerrilheiros afegãos evitaram o choque em campo aberto, permanecendo quase sempre invisíveis.

No começo do Outono a guerra entrou pelo Paquistão, na chamada Fronteira do Noroeste, um território que durante séculos pertenceu ao Afeganistão, habitado por tribos pachtun que ignoram a fronteira artificial que os ingleses impuseram em 1880 após a segunda guerra anglo-afegã. Sob pressão de Washington, o Paquistão mobilizou milhares de soldados para os lançar contra os “terroristas” do Waziristao. Simultaneamente, aviões não tripulados da Força Aérea dos EUA começaram a bombardear indiscriminadamente aldeias da região, alegando que eram redutos dos talibans paquistaneses.

Essas operações conjugadas não atingiram os objectivos fixados. As baixas no exercito são elevadas. Os combates desenrolam-se num terreno montanhoso onde os moradores, waziris, shinwars, momands e de outras tribos da região, opõem uma forte resistência. O balanço do apoio aéreo americano é também negativo. Os aviões não tripulados voando a grande altitude lançam as bombas sem um mínimo de precisão. As principais vitimas são camponeses das aldeias, o que contribui para aumentar o ódio das populações locais aos EUA.

A primeira consequência da intensificação das acções militares americano-paquistanesas foi a multiplicação de atentados terroristas nas grandes cidades do país.

No próprio dia em que Hillary Clinton pronunciava em Islamabad um discurso palavroso e ridículo em que apresentou a solidariedade dos EUA com o Paquistão como contribuição decisiva para “a paz, o progresso e a democracia” no país, um atentado em Peshawar matava quase duas centenas de pessoas.

A visita e as palavras da secretária de Estado suscitaram protestos. O alinhamento do actual governo de Islamabad com os EUA é mal recebido pela grande maioria da população. Tudo indica que a vaga de terrorismo vai prosseguir.

O desfecho das eleições presidenciais no Afeganistão criou mais um problema aos EUA porque não correspondeu ao objectivo de Washington ao promovê-las . As insistentes criticas dos generais Petraeus e Mc Chrystal a Hamid Karzai, responsabilizando-o pela corrupção generalizada e pela nomeação para altos cargos de destacados criminosos de guerra, persuadiram Obama de que o afastamento do presidente através de eleições era uma necessidade. Mas Karzai e a sua gente montaram uma gigantesca fraude com a cumplicidade da Comissão Eleitoral. O escândalo da proclamação de Karzai como vencedor por maioria absoluta foi tamanho a nível internacional que a ONU declarou a nulidade das eleições e exigiu a realização de uma segunda volta. O tiro saiu, entretanto, pela culatra. Perante a iminência de uma nova fraude, Abdullah Abdullah - o candidato de Washington - renunciou a disputar o segundo turno quando as exigências mínimas que apresentou foram recusadas pelo governo. Logo Karzai, sem adversário, se autoproclamou presidente reeleito.
A Casa Branca teve de engolir o sapo e Obama, numa mensagem confusa, concluiu que, apesar de tudo, o processo eleitoral fora positivo. Mentiu.

O SONHO DO GENERAL MCCHRYSTAL
RESSUSCITA O FANTASMA DO VIETNAM


Obama tinha adiado para depois das eleiçoes a decisao sobre a nova estrategia proposta pelo general Mc Chrystal .

Num contexto desfavorável, consciente de que o povo afegão atribui a Karzai pesadas responsabilidades pelo caos instalado no pais, o presidente norte-americano terá agora de aprovar ou recusar o pedido do general McChrystal , isto é o envio de cerca de 40.000 soldados para o Afeganistão, onde o total das forças de ocupação ronda já os 100.000 entre norte-americanos e tropas da NATO.

As cadeias de televisão e os grandes jornais especulam sobre o tema e a reacçao do Congresso, prevendo uma solução salomónica, isto é, o envio de metade dos efectivos solicitados.

Uma extensa entrevista concedida em Kabul pelo general McChrystal ao diário francês Le Figaro (29 .09.2009) veio criar novos problemas à Casa Branca porque as suas declarações tiveram repercussão internacional, ampliando a polémica nos EUA.

O general começa por afirmar que será o povo afegão “a decidir quem ganhará a guerra. O Estado afegão e o exercito afegão são - assim se expressa - quem no fim de contas tomará a decisão. Nós, os Ocidentais devemos ser os seus leais aliados”.

A esse começo pouco sensato seguem-se criticas à estratégia da União Soviética que, na sua opinião, criou nos anos 80 um exercito afegão visto como “ilegítimo”pela população.

Instado a pelo entrevistador, Renaud Girard, a comentar as reacções do Pentágono e do Presidente Obama aos dois relatórios que lhes enviou, o general considerou-as positivas.

Sublinhando que o seu primeiro dever é a “humildade”, McChrystal chamou a atenção para uma faceta mais do que polémica do seu ambicioso plano de pacificação do país. Lembrando que os militares estadunidenses têm ainda muito a aprender, o general declarou: “os nossos oficiais devem progredir no conhecimento das línguas e dos costumes deste país. Devemos aproximar-nos da população, desembaraçados de todas as blindagens e outros coletes anti-estilhaços. Os nossos homens devem conhecer melhor a história e a cultura afegãs, a fim de actuar em cooperçao com os seus camaradas afegãos”.

Não é surpreendente que essas sugestões tenham embaraçado historiadores e sociólogos convidados a pronunciar-se sobre elas.

Visitei varias vezes o Afeganistao e julgo útil esclarecer que o pais tem duas línguas oficiais – o dari (variedade do persa) e o pachto, e que alguns milhões usam como idioma materno o turco usbeque e o turcumano. Mesmo libertando a imaginação, admito que seria uma tarefa homérica para a soldadesco americana a aprendizagem dessas línguas para ela impenetráveis. Não concebo também que a oficialidade, cujo conhecimento da própria historia dos EUA é na generalidade muito deficiente, possa dedicar-se com proveito à historia dos povos que ao longo de 25 séculos desde os Aquemenidas persas e Alexandre da Macedónia criaram no espaço afegão civilizações brilhantes que deixaram marcas inapagáveis no rumo da humanidade.

Interrogado sobre a insurreição, o general lançou-se numa dissertação algo confusa. Na sua opinião o que existe é “uma confederação de insurreições, com fins políticos diferentes”. Mencionou especificamente três, “os talibans históricos, o grupo Haqqani, e a Hesbe Islami de Gulbudin Hekmatiar, além de outros gruposculos dispersos. O seu único cimento é o ódio ao governo instalado”.

Do intenso ódio aos invasores americanos não fala.

Independentemente do juízo que se faça dessa reflexão do estratega sobre a insurreição, a continuidade de Hamid Karzai como presidente não vai contribuir para a conquista das populações mediante o dialogo e o estudo das línguas afegãs.

O general, que é um estudioso das guerras coloniais do seu pais e da França, esclarece que as lições dos generais franceses Lyautey e Galieni no tocante à contra-insurreição não foram por ele esquecidas. Porque não se trata de matar “um máximo de talibans”, mas sim de “proteger as populações”. Omite, porem, um pormenor importante. Os nomes de Lyautey e Galieni, o primeiro em Marrocos, o segundo em Madagascar, ficaram ligados a acções repressivas maciças do exército francês. McCarthy vai mais longe. “Sou – confessa - um grande admirador do exército francês e estudei o seu trabalho contra-inssurrecional na Indochina e na Argélia”.

São conhecidos os resultados desse “trabalho”, mas o general norte-americano não os menciona. É também omisso no tocante à política de “protecção” às populações do Vietname aplicada no terreno pelo seu compatriota general Westmoreland. O seu discurso apresenta, contudo, muitas afinidades com o daquele derrotado cabo-de-guerra norte-americano.

Somente com o rodar do tempo saberemos se o desfecho será similar ao do Vietname. Cabe, porém, lembrar que o responsável pelo ambicioso plano de “pacificação” do Afeganistão e a estratégia global de McChrystal é um general paraquedista francês.

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O general Stanley McChrystal comandou durante cinco anos, de 2003 a 2008, as forças especiais dos EUA. Segundo os especialistas militares é um “duro”. Do seu currículo não consta políticas de diálogo com os povos, mas acções de genocídio que levaram alguns analistas a qualifica-lo de “criminoso de guerra”.

Foi a esse soldado, com pretensões académicas, que o Presidente dos EUA confiou a tarefa de ganhar a guerra do Afeganistão, primeira prioridade da politica externa da Casa Branca.

Enquanto medita sobre a nova estratégia para a Ásia Central, o presidente Obama, Premio Nobel da Paz, propõe ao Congresso o maior orçamento militar da História dos EUA. Se for aprovado, excederá os orçamentos militares somados de todos os demais países do planeta.

Fonte: http://odiario.info/articulo.php?p=1371&more=1&c=1


O Campeão Voltou!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Obama consegue 1ª vitória da reforma do sistema de saúde

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na noite deste sábado a reforma do sistema de saúde no país, uma das prioridades da política interna do presidente Barack Obama, que obtém assim uma primeira grande vitória no Congresso. A aprovação foi pela margem mínima: 220 a 215 - votaram contra 176 republicanos (só um apoiou), e 39 democratas. Agora, falta o Senado.

Obama classificou de "votação histórica" a aprovação da lei e disse que estava confiante de que iria assinar a reforma ainda em 2009.

"Hoje à noite, numa votação histórica, a Câmara aprovou um projecto de lei que, finalmente, cumprirá a promessa de dar cobertura de saúde de qualidade, a preços acessíveis, ao povo americano", disse.

O presidente afirmou ainda que a votação prepara terreno para uma batalha igualmente difícil no Senado, onde os líderes democratas se têm esforçado para obter os 60 votos necessários para aprovação.

"O Senado dos Estados Unidos deve acompanhar e aprovar a sua versão desta lei. Confio completamente que ele o vai fazer", disse Obama.

O Senado irá votar a sua própria versão da lei, após o que uma comissão formada por parlamentares das duas casas fará uma versão conjunta. Caso essa versão seja então aprovada pelas duas casas, será enviada ao presidente Obama para ser sancionada.

Durante o debate, que durou 12 horas, o deputado John Dingell, do Partido Democrata, disse que "(a proposta) oferece a toda a gente, independentemente da saúde ou do rendimento, a paz de espírito que vem de saber que terá um seguro de saúde acessível quando precisar".

Antes da votação de sábado, Barack Obama fez uma visita ao Congresso para tentar convencer alguns indecisos do seu próprio partido a apoiar a reforma.

Depois da votação, a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, agradeceu ao presidente "pela sua tremenda liderança", afirmando que sem Obama na Casa Branca, "esta vitória não teria sido possível".

Os democratas fizeram, porém, uma concessão importante: para garantir a adopção da proposta, a Câmara adoptou também uma emenda proposta por um grupo de democratas anti-aborto que visa reforçar a proibição do uso de dinheiros públicos para realizar interrupções de gravidez, excepto em casos de violação, incesto ou quando a vida da mãe está em perigo. A emenda foi aprovada por 240 votos contra 194.

Para a deputada democrata Dianna DeGette, a ideia de comprar seguros separados para aborto é "uma ofensa para as mulheres"

A proposta aprovada tem quase 2.000 páginas e prevê estender a cobertura a 36 milhões de norte-americanos sem seguro de saúde. Assim, se for finalmente aprovada, 96% dos cidadãos norte-americanos ficarão abrangidos (ainda haverá dez milhões de fora). Os cidadãos terão de pagar mensalidades a seguradoras privadas ou a um plano público, com a ajuda de subsídios.

O plano proíbe, além disso, as seguradoras privadas a recusarem-se a fornecer uma nova apólice a pessoas que sofram de alguma doença, coisa que fazem actualmente e prejudica gravemente quem contrai uma doença quando estava sem seguro.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A China irá superar os EUA? - Chris Harman

De repente, a China está no centro das discussões sobre o desenvolvimento da economia mundial. Isto não surpreende. Afinal, a economia do país tem crescido continuamente por mais de duas décadas, escapando da crise que atingiu as outras economiasem desenvolvimento” da Ásia Oriental no final dos anos 1990, e ocupa agora a posição de maior produtor mundial de aço. Suas exportações cresceram: enquanto correspondiam aproximadamente a 1,2 % do total mundial em 1980, nos dias de hoje correspondem a cerca de 5% (mais ou menos o mesmo que a Inglaterra). O crescimento contínuo, a uma taxa média anual de 17%, tem levado alguns analistas a apontarem a China como a nova “Oficina do mundo”, e a preverem que o país poderia ultrapassar as exportações dos EUA antes de 2010 (Martin Wolf no Financial Times, 12 de novembro de 2003). Este crescimento está atraindo investimentos estrangeiros a uma velocidade crescente, de modo que agora a China obtém mais investimentos norte-americanos do que o México, apesar deste último fazer parte da Área de Livre Comércio da América do Norte, o NAFTA. Ao mesmo tempo, a necessidade de matérias-primas para alimentar esse crescimento está beneficiando capitalistas em países como o Brasil, reduzindo a sua dependência em relação aos EUA e a União européia (cada um deles importa cerca de U$14 bilhões por ano do Brasil). “A China foi o maior mercado de exportação da Argentina em junho e julho, e as exportações do Brasil para a China aumentaram 136%, alcançando quase US$3 bilhões nos primeiro oito meses de 2003” (Financial Times, 26 de setembro de 2003).

O sucesso industrial

O sucesso da indústria chinesa nos mercados mundiais ocorreu em compasso com a reintrodução de muitos dos mecanismos clássicos do capitalismo de mercado - Bolsas de Valores, a mensuração do sucesso industrial por estatísticas relacionadas ao lucro, e uma carta branca para o investimento direto estrangeiro. Isto desafia uma idéia assumida como profissão de por muitos setores da esquerda (embora não apareça em nenhum dos escritos de Lênin e Trotsky): a idéia de que países do Terceiro Mundo não poderiam se desenvolver economicamente enquanto estivessem vinculados ao sistema capitalista mundial.

Os ideólogos do neoliberalismo se agarraram a esse fato, afirmando que a adesão da China ao mercado é um exemplo a ser seguido por outros países do Terceiro Mundo. Supostamente esses países teriam que terminar de desmantelar o controle estatal para prosperar, superando a pobreza das suas populações. Este argumento tem três grandes erros.

O sucesso do capitalismo de mercado chinês nas últimas duas décadas foi possível por causa das três décadas anteriores de capitalismo estatal. Assim como nos dois tigres asiáticos mais importantes, Coréia do Sul e Taiwan, o comando estatal foi utilizado para a construção das indústrias de base, ao mesmo tempo em que uma intensa repressão manteve os padrões de vida em um nível baixo. A entrada bem sucedida no mercado mundial não teria sido possível sem este período anterior de acumulaçãoprimitiva” de capital.

Nada disto tinha a ver com socialismo no real sentido da palavra. Em um país muito pobre, onde a maioria das pessoas nunca se afastou muito do limite extremo da miséria, cerca de 30% da renda nacional foram destinados à construção da indústria - freqüentemente de forma ineficaz - e para a defesa. O fardo sobre a massa da população era enorme, resultando, no seu ponto mais alto durante o “Grande Salto Adiante” no final dos anos 1950, em cerca de 20 milhões de mortes causadas pela fome. E esse fardo poderia ter sido imposto por meio de toda a parafernália totalitária e o culto à personalidade, culminando na caça às bruxas da “Revolução Cultural”, período descrito em livros como Cisnes Selvagens.

Sem o crescimento da indústria pesada, o sucesso das indústrias exportadoras da China a partir do final dos 1970 teria sido impossível. Elas dependeram das velhas indústrias estatais do norte para o fornecimento de equipamentos e matérias primas baratas e abundantes para as novas indústrias privadas das regiões costeiras do leste e sudeste.

Em segundo lugar, a exaltação neoliberal do “desenvolvimento” chinês ignora o seu caráter desigual (como muitos modelos estatais de desenvolvimento). Da mesma forma que existem os centros urbanos modernos com seus arranha-céus, há centenas de milhares de aldeias onde as pessoas vivem na miséria. O Banco Mundial estima que 204 milhões de pessoas – uma proporção de uma pessoa em cada seis – vivem com menos de um dólar por dia. A maioria dessas pessoas está nas aldeias. Até mesmo em aldeias situadas relativamente perto de grandes cidades existe miséria. Longe dos centros comerciais e industriais, a situação é pior.

Assim, um relatório de autoria de Yu Jianrong, investigador da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirma: “As autoridades das cidades e aldeias usam o seu poder direta e indiretamente para servir aos seus interesses privados, aceitar subornos, realizar chantagens e extorsões, banquetes e festas regadas a álcool - gerando relações tensas entre as autoridades e as populações locais”.

Um fazendeiro em Henan listou os impostos e taxas que ele teria que pagar - para manutenção da aldeia, para o interesse público, para custos administrativos, para educação, para caridades, para treinamento da milícia, para consertos de estradas e para o controle de natalidade. Ultimamente havia uma taxa para financiar a coleta de impostos (Financial Times, 23 de setembro de 2003).

Alguns funcionários dizem que os níveis de pobreza total não importam, uma vez que uma parte da riqueza gerada pelo crescimento econômico está sendo destinada às aldeias. Zhang Xiaohui, de um ministério de pesquisadores agrícolas, conta como 'o gasto per capita médio em bem duráveis - refrigeradores, aparelhos de TV, ar condicionado e telefones móveis – nas zonas rurais, cresceu cerca de 33% no último ano, chegando a 89 Remninbis (Financial Times, 23 de setembro de 2003). Mas 89 Remninbis representam apenas 5 libras esterlinas. Dificilmente isso pode ser considerado um exemplo de prosperidade. E mesmo esta quantia não está dividida uniformemente entre as famílias das aldeias, mas sim concentrada “nas mãos das autoridades das aldeias e dos fazendeiros mais prósperos”.

Trabalho temporário

Isto explica por que, apesar das imagens de uma classe média cada vez mais acostumada ao estilo de vida ocidental e aos bens de luxo, ainda existam entre 100 milhões e 150 de milhões de camponeses – como aqueles mostrados no filme chinês Blind Shaft - que a cada ano vão para as cidades em busca de qualquer tipo de trabalho temporário. Uma vez nas cidades, enfrentam a competição de outros 30 milhões de desempregados urbanos. Nãosinais de que este índicediminuir. Ao contrário, nas antigas indústrias pesadas ocorrem cortes de mão de obra para aumentar ainda mais a sua capacidade de fornecimento às novas indústrias exportadoras.

Um bom exemplo do que está acontecendo é a PetroChina (ainda 90% estatal). A empresa cortou três quartos de sua mão-de-obra, que no passado chegou a 1,6 milhões de pessoas. Quando os trabalhadores perdem os seus empregos na indústria pesada, também perdem os benefícios sociais mínimos (moradia barata, atendimento médico) - a chamada “tigela de arroz de ferro”.

A grande maioria dos trabalhos novos que vão sendo criados conforme o crescimento de outras indústrias é atraente em comparação à grande pobreza, que é o destino dos desempregados urbanos e de muitos camponeses. Assim, por exemplo, a companhia de calçados Pou Chen, que emprega 110.000 pessoas, paga a seus trabalhadores aproximadamente £59 por mês, ou 27 pences por hora para uma jornada de trabalho que chega a 69 horas semanais, e proporciona dormitórios para os trabalhadores migrantes que são obrigados a obedecerem ao toque de recolher (Financial Times, 4 de fevereiro de 2003).

A pobreza rural, o desemprego, os cortes de mão-de-obra nas indústrias antigas e os baixos salários não são características acidentais do 'modelo' chinês, mas sim características inerentes ao mesmo. O crescimento da produção é baseado em taxas de acumulação até maiores do que as taxas que prevaleceram durante o auge da economia de comando. Estimativas sugerem que não menos que 40% da renda nacional são “economizadas’, isto é, desviadas do consumo para algum tipo de investimento. Isso não é possível sem manter o padrão de vida de grande parte da população em um nível mínimo, mesmo com a multiplicação do número de milionários e com setores da classe média ganhando acesso, pela primeira vez, a bens de consumo ao estilo ocidental. A acumulação de riqueza na China significa acumulação de pobreza, da mesma maneira que na Inglaterra da época de Marx.

Os defensores do “modelo” chinês argumentam que isso é um fenômeno temporário, que a expansão econômica integrará os camponeses no setor moderno, e que os salários nesse setor aumentarão na medida em que crescer a produção nacional total. Eles prevêem um tempo em que a demanda massiva de bens de consumo na China permitirá a outros países (mais pobres) da Ásia seguirem o mesmo caminho rumo à industrialização. Supõem, portanto, que o crescimento chinês se estenderá pelo futuro, sem maiores problemas.

Este é o terceiro erro dos seus argumentos. Nãonada que garanta que o crescimento continuará dessa forma. Na realidade, há elementos embutidos no modelo e na sua articulação com o sistema mundial mais amplo que tornam tais previsões improváveis.

O modelo se baseia em um nível de acumulação que não pode ser sustentado facilmente, mas que também não pode ser abandonado facilmente. O dinamismo das 'novas' indústrias está baseado numa competição frenética para construir instalações de produção, uma concorrência entre as empresas locais e entre empresas locais e empresas estrangeiras.

Para o momento atual isto se traduz no crescimento das exportações chinesas e, domesticamente, numa expansão rápida dos bens de consumo disponíveis para os setores da classe média. Assim, as vendas de carro de outubro de 2003 foram 40 por cento maiores do que foi um ano antes, as vendas de móveis aumentaram 40 por cento, e as vendas de produtos de decoração e audiovisuais aumentaram 21,5 por cento.

Mas como no boom capitalista clássico, problemas sérios espreitam sob a superfície.

O primeiro problema é uma tendência ininterrupta para a superprodução. Empresas rivais estão expandindo suas instalações, mesmo que a pressão para manter os salários dos trabalhadores e as rendas dos camponeses achatados, nos interesses da acumulação, impeça um crescimento rápido do mercado interno. De acordo com a Agência Estatística Nacional, “cerca de 90% de todos os produtos manufaturados na China estão em uma situação de super-oferta”. Oficiais do governo chinês reclamam que “o investimento em muitos setores - incluindo propriedade, cimento, aço, carros e alumínio - está sendo exagerado’ (Financial Times, 18 de novembro de 2003)”.

Corte de Preços

As empresas reagiram tentando se livrar de bens de consumo produzidos em excesso, através do corte de preços: “Entre as companhias chinesas, a guerra de preços é particularmente intensa porque os competidores freqüentemente preferem disputar a participação no mercado, do que tentar melhorar a rentabilidade de curto prazo... A competição inexorável entre fornecedores locais mantém margens de lucro quase invisíveis para muitas companhias...” (Financial Times, 4 de fevereiro de 2003).

A rentabilidade de muitas exportações não pode ser muito mais alta, uma vez que as companhias chinesas nos mercados externos não competem somente com bens e produtos mais caros de países industrializados como a Coréia do Sul, mas com bens baratos de outras empresas chinesas – veja-se a queda dos preços de varejo de produtos eletrônicos de fabricação chinesa.

A tendência à superprodução é acompanhada pelo investimento contínuo em plantas e maquinários capital-intensivos em lugar de trabalho-intensivos. “As companhias freqüentemente acham que é mais barato gastar dinheiro na mecanização, em lugar de empregar e treinar novos trabalhadores. Isto tem resultado em uma queda no número de empregos criados enquanto porcentagem do crescimento do PNB nos últimos anos, diz Li Shuguang, da Universidade Zhengfa de Beijing” (Financial Times, 23 de outubro de 2003).

Em outras palavras, a expansão da produção até os limites do mercado é acompanhada por uma elevação na proporção do investimento em relação ao trabalho - o que Marx chamou de “aumento da composição orgânica de capital”. Esses dois fatores conjugados exercem uma pressão sobre os lucros industriais, a qual é ocultada pela boa vontade dos bancos em fornecer crédito.

Mas isto coloca questões sobre os próprios bancos. Calcula-se que os seus empréstimos ‘não executáveis’ correspondam a algo entre 20% e 45% do Produto Nacional Bruto. O jornal Financial Times comenta que “sob qualquer ótica, a China possui o sistema bancário mais débil entre todas as grandes economias.”

O governo poderia - e provavelmente vai - intervir para impedir a falência dos bancos. Mas isso representaria um custo enorme para a receita do governo.

A ampliação das vendas para o exterior é a única maneira de aliviar a pressão sobre a rentabilidade. Mas isto depende, pelo menos em parte, do governo que mantém baixo o preço dos produtos chineses impedindo que o superávit comercial da China conduza a uma elevação do valor em dólar da sua moeda, o Remninbi. Tal elevação, exigida pelo governo dos EUA, elevaria o preço das exportações chinesas e tornaria as importações estrangeiras mais competitivas em relação aos produtos fabricados na própria China.

Em conseqüência, a situação aparentemente absurda de governantes que procuram desesperadamente industrializar e ampliar a indústria através da concessão de vultosas somas ao sistema bancário dos EUA para manter elevado o valor do dólar e baixo o da sua própria moeda. O último absurdo é que parte desse dinheiro está agora voltando para a China, para permitir que multinacionais norte-americanas adquiram o controle de parcelas da indústria chinesa.

Longe de a China estar em um caminho estável para o crescimento, os seus governantes estão envolvidos em uma estratégia elaborada - que em parte depende de outra, levada a cabo pela administração dos EUA, a qual tenta impedir um colapso do dólar mantendo o fluxo de fundos chineses e de outros lugares do leste asiático, ao mesmo tempo em que tenta forçar o governo chinês a modificar o valor de sua moeda para facilitar a vida dos fabricantes norte-americanos.

Essas medidas do governo chinês podem funcionar. Profecias catastróficas de crise econômica iminente na China no início dos anos 1990 e no final da mesma década (por exemplo, uma afirmação na revista The Economist em outubro de 1998 de que “a China está a ponto de pegar a doença japonesa”) se mostraram erradas. Mas ninguém emconsciência apostaria em um resultado favorável por um futuro indefinido. O fato de que os ciclos de crescimento do capitalismo nem sempre acabem em recessões catastróficas não significa que nunca irão acontecer.

Existe um dinamismo no capitalismo, mesmo em uma fase propensa a crises como a que vivemos no presente. A competição ainda pode significar a ascensão, às vezes de forma inesperada, de alguns capitais, e o declínio igualmente inesperado de outros. Mas o dinamismo gera instabilidade, não uma expansão equilibrada para o sistema como um todo, e isto se traduz em crises políticas e sociais repentinas.

Enquanto isso a expansão da indústria está aumentando o tamanho da força social, a classe trabalhadora. O medo dos governantes chineses em relação a essa força levou-os ao massacre selvagem dos protestos estudantis na Praça da Paz Celestial em 1989. E nos últimos anos a erupção de greves tanto nas indústrias antigas quanto nas novas, mostraram que essa força está começando a desenvolver suas próprias tradições de luta em oposição aos velhos capitalistas estatais e a sua prole capitalista privada.

Chris Harman é dirigente do SWP (GB) e editor da revista International Socialism Journal

Publicada em Socialist Review n° 281