Professor de História com pós-graduação em História da África e do Negro no Brasil.CONTATO PROFISSIONAL: 21-9439-5803 (Niterói e São Gonçalo.)
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Chavez denuncia postura da Colômbia.
Leia aqui.
Colômbia assina acordo para uso de bases militares pelos EUA
Os Estados Unidos e a Colômbia anunciaram nesta sexta-feira que assinaram o acordo que dá a tropas americanas acesso a sete bases colombianas.
O ministro colombiano do Exterior, Jaime Bermúdez, disse que o conteúdo do entendimento será divulgado na semana que vem.
As negociações do acordo, em agosto, causaram mal-estar entre os vizinhos da Colômbia, como Brasil, Equador e Venezuela, temerosos quanto ao aumento da presença militar americana em suas fronteiras.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, teve de acionar sua diplomacia e dar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua "palavra" de que o uso de bases militares pelos americanos se limitará ao território colombiano.
Clique Leia mais na BBC Brasil: Lula diz confiar na palavra de Uribe sobre uso de bases pelos EUA
"Que fique claro: o que este acordo busca é acabar com o narcotráfico e o terrorismo na Colômbia. Os países vizinhos e toda a região podem ficar tranquilos", declarou nesta sexta-feira o Bermúdez em entrevista à rádio colombiana RCN.
Em nota à imprensa, a chancelaria colombiana garantiu que as operações americanas se darão "com base nos princípios de respeito total da igualdade soberana, integridade territorial e não-intervenção nos assuntos internos dos outros Estados".
Um dos maiores críticos da negociação colombiana com os Estados Unidos foi o presidente venezuelano, Hugo Chávez.
Em agosto, o líder da Venezuela taxou o acordo de "ameaça" à integração regional, e disse que, com a aproximação, os Estados Unidos desejam manter os olhos sobre a Amazônia brasileira, o petróleo venezuelano e o Aquífero Guarani, no Cone Sul, considerado a maior reserva de água doce do mundo.
Alguém que amou a terra .

“É preciso ler o mundo para ler a palavra com competência”. Essa é a tese básica de Paulo Freire no entendimento de Moacyr Gadotti, diretor do Instituto Paulo Freire, que apresentou várias outras teses do educador pernambucano durante o I Seminário de Educação: Paulo Freire na Contemporaneidade, nos dias 4 e 5 de julho, na UERJ (São Gonçalo, RJ).
Gadotti vê a competência subordinada à ética, à estética e à política. “Não é competente o educador que não é comprometido porque ele trabalha em função de um mundo a ser construído, de um outro mundo possível; portanto de uma utopia”, explicou. Disse ainda que, em função do futuro, voltamos para o presente. Para ele, é preciso entender essa concepção de Paulo Freire sobre a competência para compreender a sua pedagogia.
Outra tese apresentada por Gadotti mostra que ensinar não é transferir conhecimento. “O papel da escola, que era de transmitir conhecimentos porque era um dos poucos espaços do saber elaborado, nesse momento, diante desses novos espaços de informação, a escola e o professor passam a ter uma outra característica que é a de gerenciar, de dar sentido ao conhecimento e a escolher o conhecimento, já que a sociedade está impregnada de informação pelos jornais”, argumentou. Diante dessa constatação, a profissão de educador deixa de ser a de transmitir conhecimento para assumir a tarefa de organizador do conhecimento e do trabalho do aluno.
O atestado de contemporaneidade de Paulo Freire teria sido dado há três anos no relatório da Unesco “Educação – Um tesouro a descobrir”, coordenado pelo francês Jacques Delors e editado pela Cortez. O trabalho concebe o conceito de educação durante toda a vida como base da educação do futuro sustentado por quatro pilares incontestáveis, segundo Gadotti. O primeiro pilar fala da necessidade de aprender a aprender e Paulo Freire dedicou toda a sua vida à questão de aprendizagem. “No momento em que a informação envelhece, não adianta deter informação”, advertiu Gadotti, enfatizando a importância de capacidades básicas como a leitura, a escrita, o pensar, o decidir, o conhecer, o domínio de linguagens e metodologias. O segundo pilar seria o aprender a conviver. O terceiro seria conhecido como aprender a fazer, hoje mais cognitivo do que manual. O quarto pilar seria aprender a ser, que trabalha a idéia de sensibilidade. Todas essas idéias estão presentes nos textos de Paulo Freire, garantiu Gadotti.
O diretor do Instituto Paulo Freire concluiu sua palestra trazendo à memória a última entrevista de Paulo Freire, quando disse que gostaria de ser lembrado como o homem que amou as plantas, as praias, o calor do mar, Recife, o ar puro, andar na rua... “Lembrado como alguém que amou a terra”, recordou Gadotti, partindo deste fato para pensar uma pedagogia da educação para a sustentabilidade. “Nossos filhos e netos podem não ter mundo algum se continuarmos com o modo de vida que levamos de degradação do meio ambiente”, alertou. Para fazer frente a esse contexto, propôs uma formação de professores que considere um ensinar a viver globalmente, que eduque os sentidos, que sinta o outro e a terra, que estimule uma identidade terrena, que eduque para a compreensão, para a ética e para a sustentabilidade. Lamentando a violência cotidiana e sua aproximação da sala de aula, sentida pelo excesso das grades e pelo medo desmedido, lembrou o que Paulo Freire dizia a respeito da escola: “não são paredes, alunos, bibliotecas ou professores; a escola é o conjunto de relações sociais humanas”.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Dilma refuta Gilmar Mendes: “Não estamos fazendo vale-tudo nenhum”
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, contestou a opinião do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, de que a realização de “comícios” para inaugurar obras é um “tipo de vale-tudo” eleitoral.
“Eu não me sinto acusada de jeito nenhum pelo ministro Gilmar Mendes. Não estamos fazendo vale-tudo nenhum. Nós fizemos projetos e inauguramos, ou lançamos ou fiscalizamos”, afirmou Dilma em São Bernardo do Campo (SP), depois de palestra na Associação dos Dirigentes de Vendas e Empreendedores do Brasil, em São Bernardo do Campo (SP).
Segundo a ministra, as críticas às viagens para vistorias e inaugurações são provocadas pelo incômodo das oposições diante do volume de obras do Governo Lula.
”Eles também reclamam quando inauguramos obras de saneamento básico. É que isso incomoda. Incomoda porque nós nos mexemos. E não é sorte, não. É trabalho incansável”, assegurou atribuindo as críticas a “aqueles que não souberam fazer investimento e que não fizeram política social.”
Em Brasília, as acusações de que o presidente e a ministra fizeram propaganda eleitoral antecipada ao vistoriar, há duas semanas, as obras de transposição das águas do rio São Francisco, foram rebatidas também ontem pelo advogado-geral da União, Luis Inácio Adms.
“O presidente da República é uma figura pública. E uma figura que realiza um acompanhamento de obras, tem atuação muito ativa nesse processo. Eu não vejo nenhum conteúdo eleitoral nesse processo. Não é possível colocar o presidente numa redoma. Ele tem uma exposição pública natural e tem ação administrativa efetiva”, rebateu Adams sustentando também que a ministra-chefe da Casa Civil precisa dar continuidade às suas ações no governo.
“Ela não é candidata no momento, é ministra de Estado, participa dos eventos da administração. Tem o direito e o dever de estar presente naqueles atos relacionados à sua atividade institucional. O governo tem que se comunicar com a sociedade, tem que apresentar à sociedade os seus projetos. Isso não pode ser interpretado sempre como atuação eleitoral”, afirmou.
O advogado-geral da União observou que inauguração de obras é um ato permitido pela legislação e praticado também por governadores: "Todos os governadores de situação ou oposição também realizam suas obras. A inauguração de obra é um evento político. A lei eleitoral restringe esse evento no período das eleições para evitar que possa influenciar exageradamente”.
Para Luis Inácio Adams, “não se faz ação administrativa entre quatro paredes. O problema é inaugurar uma obra que não existe, só para fazer o palanque”.
Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/dilma-refuta-gilmar-mendes-nao-estamos-fazendo-valetudo-nenhum/
A face civil da ditadura militar

Entre 1964 e 1985, o Brasil foi governado por uma ditadura militar, certo? Não exatamente. Essa é a tese defendida pelo diretor Chaim Lietwski em Cidadão Boilesen, documentário vencedor do festival É Tudo Verdade em 2009, que estreia nos cinemas do país neste mês.
Ao contar a biografia de Henning Albert Boilesen, empresário dinamarquês radicado no Brasil, Lietwski mostra que o uso do termo “ditadura militar” para caracterizar o regime é uma imprecisão. Mais correto, como afirmam alguns historiadores, seria falar de uma “ditadura civil-militar” que em várias etapas contou com a participação ativa do empresariado, em especial o paulista.
A vida de Boilesen é um exemplo dessa colaboração. O empresário emigrou para o Brasil na década de 30, onde se tornou presidente do grupo Ultragás.
Anticomunista, financiou e apoiou ativamente a Operação Bandeirante (Oban), incentivando outros empresários a fazer o mesmo. Criada pelo Exército brasileiro em 1969, a Oban foi o embrião do Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). De acordo com o documentário, Boilesen também teria sido colaborador da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA.
Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/noticias/a_face_civil_da_ditadura_militar.html
BARRIGA É BARRIGA (Arnaldo Jabor)
Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo que o exercício físico é o primeiro passo para a morte.
Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna:
A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos, mas você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?
Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi, o letrista, compositor e intérprete baiano é conhecido como pai da preguiça.
Passa 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando, autêntico marcha-lenta, leva 10 segundos para percorrer um espaço de três metros.
Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico, completou 90 anos e nada indica que vá morrer tão cedo.
CONCLUSÃO: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia ? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde... !!!!! E viva o sedentarismo ocioso!
Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo, você terá toda eternidade para ser só osso!!!
Então...NÃO FAÇA MAIS DIETA...afinal, a baleia bebe só água, só come peixe, faz natação o dia inteiro e é GORDA!!!
VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!!
Você tem pneus??? Lógico, todo avião tem!!!
domingo, 25 de outubro de 2009
Mulheres de montadoras denunciam violações contra seus direitos trabalhistas
As discriminações no setor das montadoras são evidentes. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MINTRAB), os salários entre homens e mulheres seguem diferenciados. "Recebemos um salário equivalente a US$ 110.00 ao mês, enquanto o dos homens é de US$ 125.00 dólares. Esse investimento impede à mulher que trabalha na montadora adquirir a cesta básica vital, estimada em pelo menos US$ 400.00 dólares, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE)", afirma a proposta das organizações.
As entidades denunciam, ademais, as várias formas de violações aos direitos humanos. Dentre muitas, apontam: Não existe uma responsabilidade dos empregadores em cumprir com as normas e medidas de saúde ocupacional, segurança e higiene, água potável para beber, serviços sanitários adequados, e a quantidade necessária destes, por número de trabalhadoras e trabalhadores; Existe abuso, assédio e castigo sexual, maus tratos, golpes e gritos; Existe uma violação ao direito da sindicalização, já que ao menor sinal de reivindicação de seus direitos são despedidas."Depois de haver discutido, refletido e analisado em profundidade nossa realidade, as trabalhadoras da montadora, casa particular e agroexportadoras, acreditamos que seja importante que se conheça a nível nacional e internacional a constante violação a nossos direitos como mulheres e como mulheres trabalhadoras; evidenciar a falta de vontade política e humana por parte do Governo e das entidades reitoras das políticas trabalhistas em resolver os problemas que enfrentamos nas fábricas, na casa onde trabalhamos e na agricultura", expõem
Assim, as organizações demandam igualdade salarial por igual trabalho entre homens e mulheres, respeito às jornadas laborais segundo o estabelecido no Código de Trabalho, e aumento de salário de acordo com o custo da cesta básica.
Elaboraram a Agenda: Associação de Mulheres Empregadas e Desempregadas Unidas contra a Violência (AMUCV), Associação de Mulheres Sementes de Mostarda, Associação de Trabalhadoras do Lar em Domicílio e da Montadora (ATRAHDOM), Associação pelos Direitos da Trabalhadora da Casa Particular, Mãe Solteira e Mulher Rural (ASOCASA), Centro para a Ação Legal em Direitos Humanos (CALDH), Comitê Permanente de ex-Trabalhadoras da Montadora (CAMBRIDGE), Grupo de Mulheres Amatitlanecas Organizadas Rompendo o Silêncio (MAORS), e Mulheres com Valor Construindo um Futuro Melhor (MUVACOFUM).
Fonte:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=42298
sábado, 24 de outubro de 2009
Eric Hobsbawm: uma nova igualdade depois da crise
IHU - Instituto Humanitas (Unisinos)
Data: 13/10/2009
Publicamos aqui parte da conferência que o historiador inglês e membro da Academia Britânica de Ciências Eric J. Hobsbawm apresentou no primeiro dia do World Political Forum, em Bosco Marengo (Alexandria). Do Fórum deste ano, sobre o tema "O Leste: qual futuro depois do comunismo?", participam, dentre outros, Mikhail Gorbachev e Yuri Afanasiev.
Segundo Hobsbawn, todos os países do Leste, assim como os do Oeste, devem sair da ortodoxia do crescimento econômico a todo custo e dar mais atenção à equidade social. Os países ex-soviéticos, afirma, ainda não superaram as dificuldades da transição para o novo sistema.
O texto foi publicado no jornal La Repubblica, em 09-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o artigo.
O "século breve", o XX, foi um período marcado por um conflito religioso entre ideologias laicas. Por razões mais históricas do que lógicas, ele foi dominado pela contraposição de dois modelos econômicos – e apenas dois modelos exclusivos entre si – o "Socialismo", identificado com economias de planejamento central de tipo soviético, e o "Capitalismo", que cobria todo o resto.
Essa contraposição aparentemente fundamental entre um sistema que ambiciona tirar do meio do caminho as empresas privadas interessadas nos lucros (o mercado, por exemplo) e um que pretendia libertar o mercado de toda restrição oficial ou de outro tipo nunca foi realista. Todas as economias modernas devem combinar público e privado de vários modos e em vários graus, e de fato fazem isso. Ambas as tentativas de viver à altura dessa lógica totalmente binária dessas definições de "capitalismo" e "socialismo" faliram. As economias de tipo soviético e as organizações e gestões estatais sobreviveram aos anos 80. O "fundamentalismo de mercado" anglo-americano quebrou em 2008, no momento do seu apogeu. O século XXI deverá reconsiderar, portanto, os seus próprios problemas em termos muito mais realistas.
Como tudo isso influi sobre países que no passado eram devotados ao modelo "socialista"? Sob o socialismo, haviam reencontrado a impossibilidade de reformar os seus sistemas administrativos de planejamento estatal, mesmo que os seus técnicos e os seus economistas estivessem plenamente conscientes das suas principais carências. Os sistemas – não competitivos em nível internacional – foram capazes de sobreviver até que pudessem continuar completamente isolados do resto da economia mundial.
Esse isolamento, porém, não pôde ser mantido no tempo, e, quando o socialismo foi abandonado – seja em seguida à queda dos regimes políticos como na Europa, seja pelo próprio regime, como na China ou no Vietnã – estes, sem nenhum pré-aviso, se encontraram imersos naquela que para muitos pareceu ser a única alternativa disponível: o capitalismo globalizado, na sua forma então predominante de capitalismo de livre mercado.
As consequências diretas na Europa foram catastróficas. Os países da ex-União Soviética ainda não superaram as suas repercussões. A China, para sua sorte, escolheu um modelo capitalista diferente do neoliberalismo anglo-americano, preferindo o modelo muito mais dirigista das "economias tigres" ou de assalto da Ásia oriental, mas abriu caminho para o seu "gigantesco salto econômico para frente" com muito pouca preocupação e consideração pelas implicações sociais e humanas.
Esse período está quase às nossas costas, assim como o predomínio global do liberalismo econômico extremo de matriz anglo-americana, mesmo que não saibamos ainda quais mudanças a crise econômica mundial em curso implicará – a mais grave desde os anos 30 –, quando os impressionantes acontecimentos dos últimos dois anos conseguirão se superar. Uma coisa, porém, é desde já muito clara: está em curso uma alternância de enormes proporções das velhas economias do Atlântico Norte ao Sul do planeta e principalmente à Ásia oriental.
Nessas circunstâncias, os ex-Estados soviéticos (incluindo aqueles ainda governados por partidos comunistas) estão tendo que enfrentar problemas e perspectivas muito diferentes. Excluindo de partida as divergências de alinhamento político, direi apenas que a maior parte deles continua relativamente frágil. Na Europa, alguns estão assimilando o modelo social-capitalista da Europa ocidental, mesmo que tenham um lucro médio per capita consideravelmente inferior. Na União Europeia, também é provável prever o aparecimento de uma dupla economia. A Rússia, recuperada em certa medida da catástrofe dos anos 90, está quase reduzida a um país exportador, poderoso mas vulnerável, de produtos primários e de energia e foi até agora incapaz de reconstruir uma base econômica mais bem balanceada.
As reações contra os excessos da era neoliberal levaram a um retorno, parcial, a formas de capitalismo estatal acompanhadas por uma espécie de regressão a alguns aspectos da herança soviética. Claramente, a simples "imitação do Ocidente" deixou de ser uma opção possível. Esse fenômeno ainda é mais evidente na China, que desenvolveu com considerável sucesso um capitalismo pós-comunista próprio, a tal ponto que, no futuro, pode também ocorrer que os historiadores possam ver nesse país o verdadeiro salvador da economia capitalista mundial na crise na qual nos encontramos atualmente. Em síntese, não é mais possível acreditar em uma única forma global de capitalismo ou de pós-capitalismo.
Em todo caso, delinear a economia do amanhã é talvez a parte menos relevante das nossas preocupações futuras. A diferença crucial entre os sistemas econômicos não reside na sua estrutura, mas sim na suas prioridades sociais e morais, e estas deveriam portanto ser o argumento principal do nosso debate. Permitam-me, por isso, a esse ilustrar dois de seus aspectos de fundamental importância a esse propósito.
O primeiro é que o fim do Comunismo comportou o desaparecimento repentino de valores, hábitos e práticas sociais que haviam marcado a vida de gerações inteiras, não apenas as dos regimes comunistas em estrito senso, mas também as do passado pré-comunista que, sob esses regimes, haviam em boa parte se protegido. Devemos reconhecer quanto foram profundos e graves o choque e a desgraça em termos humanos que foram verificados em consequência desse brusco e inesperado terremoto social. Inevitavelmente, serão necessárias diversas décadas antes de que as sociedades pós-comunistas encontrem uma estabilidade no seu "modus vivendi" na nova era, e algumas consequências dessa desagregação social, da corrupção e da criminalidade institucionalizadas poderiam exigir ainda muito mais tempo para serem combatidas.
O segundo aspecto é que tanto a política ocidental do neoliberalismo, quanto as políticas pós-comunistas que ela inspirou subordinaram propositalmente o bem-estar e a justiça social à tirania do PIB, o Produto Interno Bruto: o maior crescimento econômico possível, deliberadamente inigualitário. Assim fazendo, eles minaram – e nos ex-países comunistas até destruíram – os sistemas da assistência social, do bem-estar, dos valores e das finalidades dos serviços públicos. Tudo isso não constitui uma premissa da qual partir, seja para o "capitalismo europeu de rosto humano" das décadas pós-1945, seja para satisfatórios sistemas mistos pós-comunistas.
O objetivo de uma economia não é o ganho, mas sim o bem-estar de toda a população. O crescimento econômico não é um fim, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas. Não importa como chamamos os regimes que buscam essa finalidade. Importa unicamente como e com quais prioridades saberemos combinar as potencialidades do setor público e do setor privado nas nossas economias mistas. Essa é a prioridade política mais importante do século XXI.
Fonte: www.cartamaior.com.br
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Comentário: Notícia lamentável, pois somente os moradores das proximidades destes clubes sabem o inferno que esses bailes, patrocinados em sua maioria pelo tráfico, representam para a comunidade. A coisa é ainda pior durante a saída, pois o vandalismo se faz com força total e os riscos de agressão são uma constante para os transeuntes, que por uma infelicidade, possam estar passando naquelas redondezas.
Galeano: Abracadabra, companheiros!
Palavras para as vésperas
por Eduardo Galeano , em La Jornada, via Carta Maior
Falta muito pouco para que o povo uruguaio eleja novo governo.
Ao mesmo tempo, nas mesmas urnas, será submetida a plebiscito a possibilidade de libertar-nos de duas traves metidas na roda da democracia.
Uma delas é a que impede o voto por correio dos uruguaios que vivem no exterior. A lei eleitoral, cega de cegueira burocrática, confunde a identidade com o domicílio. Diga-me de onde vens e te direi quem tu és. Os uruguaios da pátria peregrina, em sua maioria jovens, não têm direito a voto se não podem pagar a passagem. Nosso país, país de velhos, não só castiga os jovens negando-lhes trabalho e obrigando-os ao exílio, como também nega o exercício mais elementar dos direitos democráticos. Ninguém se vai porque quer. Os que foram para o exterior são traidores? É traidor um de cada cinco uruguaios? Traidores ou traídos?
Oxalá consigamos acabar de uma vez por todas com essa discriminação que nos mutila.
E oxalá acabemos também com outra discriminação ainda pior, a lei da impunidade, lei de caducidade da pretensão punitiva do Estado, batizada com esse nome rocambolesco pelos especialistas na arte de não chamar as coisas pelo seu nome.
A Corte Suprema de Justiça acaba de estabelecer que essa lei viola a Constituição. Há muito tempo se sabe que também viola nossa dignidade nacional e nossa vocação democrática. É uma triste herança da ditadura militar, que nos condenou ao pagamento de suas dívidas e ao esquecimento de seus crimes.
No entanto, há 20 anos, essa lei infame foi confirmada por um plebiscito popular. Alguns dos proponentes daquele plebiscito estão reincidindo agora, e com muita honra: perdemos, por muito pouco, mas perdemos, e não nos arrependemos. Acreditamos que aquela derrota foi em grande medida ditada pelo medo, um bombardeio publicitário que identificava a justiça com a vingança e anunciava o apocalipse, larga sombra da ditadura que não queria ir embora; e acreditamos que nosso país demonstrou, nestes primeiros anos de governo da Frente Ampla, que já não é aquele país que o medo paralisava.
Acreditamos nisso e, oxalá, não me equivoque.
Oxalá triunfe o senso comum. O senso comum nos diz que a impunidade estimula a delinquência. O golpe de Estado em Honduras só o confirmou. Quem pode surpreender-se que os militares hondurenhos tenham feito o que fazem há muitos anos, com o treinamento do Pentágono e a permissão da Casa Branca?
A luta contra a impunidade, impunidades dos poderes e dos poderosos, está se desenvolvendo nos quatros pontos cardeais do mundo. Oxalá possamos contribuir para desmascarar os defensores da impunidade, que hipocritamente gritam aos céus ante a falta de segurança pública, ainda que saibam que os ladrões de galinhas e os assaltantes de bairros são bons alunos dos banqueiros e dos generais recompensados por suas façanhas criminais.
Oxalá o próximo domingo confirme nossa fé em uma democracia sem coroas, nem as do uniforme militar, nem as do dinheiro.
Oxalá possamos envolver esta lei em papel celofane, em um pacote bem amarrado, com laço e tudo, para enviá-lo de presente a Silvio Berlusconi. Este grande mago da impunidade universal que já atravessou mais de 60 processos e não conhece nenhum cárcere nem sequer de visita, nos agradecerá o obséquio e seguramente saberá encontrar para ele alguma utilidade.
Oxalá.
A única coisa certa é que, aconteça o que aconteça, a história continuará, e continuará o incessante combate entre a liberdade e o medo.
Eu só quero invocar uma palavra, uma palavra mágica, uma palavra que abre portas, que é, quiçá, a mais universal de todas. É a palavra “abracadabra”, que em hebraico antigo significa: Envia teu fogo até o final. Como uma homenagem a todos os fogos caminhantes, que vão abrindo portas pelos caminhos do mundo, eu a repito agora:
Caminhantes da justiça,
portadores do fogo sagrado,
Abracadabra, companheiros!
Preso em Porto Alegre é líder neonazista, diz delegado
Porto Alegre - Um homem preso na quarta-feira suspeito de espancar um segurança negro em uma estação de trem no centro de Porto Alegre seria um dos líderes de um grupo neonazista. Lauriano Vieira Toscani, 24 anos, é investigado desde maio de 2005, quando teria participado de uma agressão a três judeus em um bar no bairro Cidade Baixa. As vítimas ficaram internadas em um hospital por mais de uma semana, segundo informações do jornal Zero Hora.
Na noite de quarta-feira, o segurança da estação foi agredido por dois homens quando teria tentado impedir que eles urinassem no local. A dupla estaria armada com facas e martelos. O outro homem seria Daniel Fabrício Silva de Oliveira, 21 anos, que também foi preso.
"Ele é um dos líderes dos Nazi-Skin, uma das organizações que nega o holocausto e defende ideias de Hitler", disse ao jornal o delegado Paulo César Jardim, que investiga neonazistas há oito anos.
De acordo com a reportagem, Toscani tatuou uma suástica (símbolo nazista) no corpo. O delegado afirmou ainda ao jornal que o homem ficou preso 50 dias em São Paulo suspeito de espancar um punk e neste período se aproximou da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
"Não dá para dizer que ele integre o PCC, mas ele nos contou que recebeu proteção do comando enquanto esteve preso", disse o delegado ao jornal.
As informações são do Terra
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O livro ‘Bolívia nas ruas contra o imperialismo’ é disponibilizado na internet
O livro Bolívia nas ruas e nas urnas contra o Imperialismo (Editora Limiar, 112 páginas), de autoria de Leonardo Wexell Severo, editor do HP e assessor de Comunicação da CUT Nacional, agora pode ser acessado gratuitamente pela internet.
Conforme esclareceu o editor, jornalista Norian Segatto, “a obra teve suas duas primeiras edições rapidamente esgotadas, mostrando o interesse das pessoas pela situação política e social do nosso país vizinho”. “Nada mais natural, do ponto de vista comercial, que novas tiragens do livro fossem feitas e colocadas à venda. No entanto, a vida não se faz apenas de oportunidades comerciais. Com a compreensão de que um tema desta importância deve ter a maior divulgação possível, a Editora Limiar e o autor decidiram colocar a obra em domínio público, gratuitamente para ser baixada da internet, lida, distribuída, reproduzida, enviada a amigos”, relatou.
“Acesse a página http://www.editoralimiar.com.br/ e procure o link ‘livro grátis’. Baixe o PDF, comente e ajude a divulgar a luta do povo boliviano contra a opressão secular a que está submetido. Esta é nossa pequena contribuição para esta causa”, declarou Norian.
Assinando o prefácio do livro, a cônsul geral da Bolívia, Shirley Orozco, destacou que “o valor do texto precisa ser ressaltado, já que possibilita o acesso a ‘outra informação’, dando subsídios para uma avaliação mais precisa sobre a realidade boliviana, geralmente invisibilizada pelos meios de comunicação no Brasil, formadores ou deformadores importantes da opinião pública”.
Fonte: www.horadopovo.com.br
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Manipulação e mentiras da Globo.

Por Rickey Mascarenhas - Blog do Rickey:
Muito triste realmente, o que está acontecendo no Rio, o Rio do Pan, o Rio das Olimpíadas 2016. O combate ao tráfico de drogas, e aos traficantes, está ficando a cada dia mais dificil, porém a atuação de alguns órgãos de imprensa, principalmente a Globo, chega a ser criminosa. Miriam Leitão, e Alexandre Garcia, porta-vozes oficiais do PSDB/DEM, e do PIG, chegam a ser ridículos em seus comentários tendenciosos. Dizem que o Governo Federal é omisso, que apenas ajudar, não é o papel dele, que ele tem que entrar na luta, ou seja, de uma forma indireta acusa o Governo Federal, e o Presidente Lula de serem culpados pelos atos de violência no Rio. Mas o que é isso ? Até quando a imprensa internacional defende o Brasil, a respeito das olimpíadas, eles são contra e rebatem falando mal.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Fonte:http://dilma13.blogspot.com/
domingo, 18 de outubro de 2009
A fúria da extrema-direita dos EUA contra Barack Obama
O que em qualquer outro país democrático ocidental seriam grupos marginais, propícios para o manicômio, nos EUA contam com grandes meios de comunicação – como a cadeia Fox – e capacidade de mobilização massiva para expressar seus delírios ideológicos. Há algumas semanas, estes grupos capazes de detectar comunistas nos locais mais inesperados, estão em pé de guerra contra a reforma da saúde, proposta por Obama, que em qualquer país europeu não chegaria a merecer o título de social-democrata. O artigo é de Pablo Stefanoni.
Pablo Stefanoni / Pulso Bolivia
São os mais conservadores entre os conservadores, os mais libertarians entre os libertarians, os ultras, a direita da direita mais recalcitrante, os que não são chegados a sutilezas e acreditam que o governo de Barack Obama – flamante Prêmio Nobel da Paz – está levando os Estados Unidos ao comunismo e ao nazismo ao mesmo tempo, os que negam o primeiro presidente negro nascido no Hawaí...Mas o que em qualquer outro país democrático ocidental seriam grupos marginais, propícios para o manicômio, nos EUA contam com grandes meios de comunicação – como a cadeia Fox – e capacidade de mobilização massiva para expressar seus delírios ideológicos. Há algumas semanas, estes grupos capazes de detectar comunistas nos locais mais inesperados, estão em pé de guerra contra a reforma da saúde, proposta por Obama, que em qualquer país europeu não chegaria a merecer o título de social-democrata, mas que, nos EUA, é considerada pela direita o primeiro passo na direção de um Estado totalitário. Chamam esse “movimento de resistência” de Tea Party, uma referência ao motim do chá desencadeado em 1773 contra o aumento de impostos para vários produtos – incluindo o chá – e que é considerado o prelúdio da luta pela independência.
A campanha de ódio contra Obama – diz o diário El País – colocou em pé de guerra locutores de rádio, apresentadores de televisão e internautas enlouquecidos da extrema-direita norteamericana. Rush Limbaugh, com seu microfone, ou Glenn Beck – o novo homem duro dos radicais – convocam a insurreição desde os estúdios da Fox. “Estão nos roubando a América e quiçá seja muito tarde para salvá-la”, disse Beck a seus seguidores em uma intervenção radiofônica. O fundamentalista Limbaugh chegou inclusive a falar de racismo invertido e usou como exemplo para acabar com o governo democrata um incidente onde estudantes negros golpearam um garoto branco em um ônibus. Limbaugh pediu “ônibus segregados”. “Nos Estados Unidos de Obama, os garotos brancos são golpeados e os negritos aplaudem”, disparou.
O delírio como categoria política
“Lower taxes, less government, more freedom” (Impostos mais baixos, menos governo, mais liberdade) é o lema do Freedomworks. Como em tantos outros fóruns ultraconservadores, colocaram-se em pé de guerra contra um discurso de Obama para crianças de uma escola de Virgínia no dia do início das aulas, onde o presidente disse coisas tão terríveis como sugerir que trabalhassem duro para atingir o êxito. “Necessitamos que cada um de vocês desenvolva seus talentos, sua inteligência e suas habilidades para poder resolver nossos problemas mais difíceis. Se não fizerem isso, se abandonarem a escola, não si estarão abandonando a vocês mesmos, como também a vosso país”. E pediu aos estudantes que mandassem cartas para “ajudar o presidente”. Mas o que em qualquer parte seria aceito como um estímulo politicamente correto aos jovens, as delirantes cabeças da extrema-direita norte-americana – amante das armas, da supremacia branca e inimiga número um do Estado – interpretaram a mensagem como uma lavagem cerebral própria de ditadores como Mao, Stalin ou o genocida cambojano Pol Pot. Grupos como Focus on the Family pediram neste dia aos pais para que boicotassem o ato, que foi transmitido para outras escolas.
Mas hoje a batalha é pela saúde. Os conservadores e “libertários” de direita (libertarians) se opõem à reforma de um sistema de saúde que exclui quase 50 milhões de pessoas (15% da população), acentua as desigualdades e deixa todo mundo nas mãos de planos de saúde privados. Em um artigo na revista Umbrales de América del Sur, Ernesto Semán escreve que a metade dos pedidos de falência individuais durante 2007 estão relacionados com o pagamento de contas médicas daqueles que carecem de um seguro médico abrangente. E Michael Moore, em seu famoso documentário, comoveu aos espectadores com os perversos padecimentos que sofrem os “segurados” frente aos advogados contratados pelas empresas de saúde para encontrar razões legais para rechaçar os tratamentos.
Ameaça de morte pelo Facebook
“Nem sequer é um dos nossos”, dizia uma manifestante que distribuía fotocópias da certidão de nascimento de Obama, assegurando que ele não é um cidadão norte-americano, em uma das marchas de protesto, em setembro. “Temos um presidente ilegítimo. Um presidente que vai acabar com a América e os americanos. Chegou o momento de agir, abaixo o governo”.
Neste clima, os serviços secretos dos EUA começaram a levar o assunto muito a sério e iniciaram uma investigação sobre uma pesquisa criada na rede social Facebook, na qual se perguntava se Obama deveria ser assassinado. A enquete foi retirada pela empresa por “conteúdo inapropriado”, o que impediu que os resultados fossem conhecidos. “Cada dia ganha mais peso a possibilidade de que os militares tenham que intervir como último recurso para solucionar o problema Obama”, escreveu o colunista do site Newsmax, fórum de encontro de extremistas na internet, reproduzido no matutino El País. E na rebelião contra a reforma da saúde, que levou a direita para a rua, confluem dezenas de organizações conservadoras, desde o Clube para o Crescimento, o Instituto para a Empresa Competitiva, até o obscuro Centro para os Direitos Individuais Ayn Rand – assinala o jornalista Michael Tomasky, na prestigiada revista The New York Review of Books, que estima que este movimento do partido do chá poderia ter o apoio de aproximadamente 25% do eleitorado estadunidense.
A influência de Ayn Rand
A filósofa Ayn Rand – autora de A Nascente (1943) e Quem é John Galt? (1957) – é uma boa base para entender os chamados “minarquistas” (partidários de um Estado super mínimo) ou os liberais libertários (libertarians). Nascida na Rússia em 1905 e emigrada para os EUA em 1925, foi uma defensora sem matizes do egoísmo racional, do individualismo extremo e do capitalismo laissez-faire. Ela escreve em A Nascente: “O ego do homem é a nascente do progresso humano”. Com efeito, o personagem da novela é um arquiteto com “um ego puro e cristalino não contaminado pelo detrito de vulgaridade coletiva”. Nada o perturba; nem os clientes nem as penúrias econômicas conseguem transformar sua idéia de beleza que exterioriza por meio de suas angulosas construções e arranhas céus. Deste modo, se conquista o ódio dos coletivistas, daqueles que aspiram à felicidade do conjunto e matam o ego para obter algo que está fora de seu alcance: a felicidade coletiva.
“O verdadeiro egoísmo é belo, natural, gratificante; não há nada mais harmônico do que seres humanos trocando o produto de seu esforço, de sua criatividade. É um ato de amor. A piedade, porém, implica superioridade; o altruísmo implica desprezo superlativo em relação ao humano; a solidariedade implica submissão, dominação, infelicidade. A única solidariedade possível é a lealdade consigo mesmo, porque aquele que não ama a si mesmo, não pode amar aos demais. O que assim age sente unicamente desprezo e só busca mitigar sua carga de culpa, redimindo-a com um ato de oferenda ao monstro devorador de almas”, diz um blog entusiasta desta filosofia “objetivista”.
Quem é John Galt? é ainda mais explícito: “Essa história apresenta o conflito de dois antagonistas fundamentais, duas escolas opostas da filosofia, duas atitudes opostas diante da vida. Como forma breve de identificá-las, as chamarei de o eixo “razão-individualismo-capitalismo” contra o eixo “misticismo-altruismo-coletivismo”, explicava a autora em uma conferência no fórum Ford Hall, em 1964. O livro divide a fibra social dos EUA em duas classes: a dos saqueadores e a dos não saqueadores. Os saqueadores estão dirigidos pela classe política, que pensa que toda atividade econômica deve ser regulada e submetida a uma forte imposição fiscal. Já os não saqueadores são homens empreendedores que pensam que a solução está justamente no contrário. A trama: surge um movimento de protesto dos “homens da mente”, acompanhado de sabotagens de empresários e empreendedores, que desaparecem misteriosamente. O líder deste movimento é John Galt, ao mesmo tempo filósofo e cientista. Galt, desde seu esconderijo nas montanhas, dá ordens, sugere iniciativas e move todos os fios. Junto a ele se refugiam os principais empresários. Durante o tempo que dura a greve e a desaparição dos empresários, o sistema americano vai soçobrando sob o peso do cada vez mais opressivo intervencionismo estatal. A obra termina quando os empresários decidem abandonar seu esconderijo nas Montanhas Rochosas e regressam a Wall Street e aos centros de decisão; marcham tendo o dólar como estandarte, símbolo escolhido por Galt como ícone de sua singular rebelião.
“Por que não colocar um site para que a gente vote pela internet, como um referendo, para ver se realmente queremos subvencionar as hipotecas dos perdedores, ou nos dar a chance, ao menos, de comprar carros e casas em execução hipotecária e dar às pessoas uma oportunidade de prosperar realmente e recompensar aqueles poderiam levar a água ao invés de bebê-la?”, perguntava-se na cadeia CNCB um de seus jornalistas em Chicago, em fevereiro deste ano, na conhecida como “diatriba Santelli” – que apelou abertamente a Ayn Rand assim que a administração Obama anunciou um plano de 75 bilhões de dólares para ajudar vários milhões de proprietários de casas a evitar a execução. Ali nasceu o “partido do chá”, que se expandiu como um rastro de pólvora.
"Parasita em chefe"
Michael Tomasky, no artigo citado, distingue a ira “genuína” da parte da cidadania que rechaça o resgate bancário, o resgate da indústria automobilística e inclusive a reforma da saúde, de outros tipos de ódio, “menos respeitáveis”, contra o primeiro mandatário afroamericano, como o epíteto de “Parasite-in-Chief” (parasita em chefe, parafraseando o título de Comandante em Chefe do Presidente dos EUA), ou “Obammunism is Communism”. Essa histeria chegou a tal ponto que o colunista Thomas Friedman comparou a atual situação vivida nos EUA com os meses anteriores ao assassinato de Isaac Rabin em Israel, em 1995. “Esse paralelismo me revolve o estômago. Não tenho problema com as críticas razoáveis, venham da direita ou da esquerda”, escreveu Friedman no The New York Times, “mas a extrema direita começou a se dedicar a deslegitimar o poder e criar o mesmo clima que existiu em Israel antes do assassinato de Rabin”.
Tomasky sustenta que com apoio de corporações e canais de televisão – recursos com os quais a esquerda não contava quando protestava contra o neoliberalismo de Ronald Reagan -, é possível que esta batalha de rua dos ultraconservadores e ultraliberais seja parte da paisagem política dos próximos anos. O jornalista do The New York Review of Books descreve o mecanismo dos chamados grupos “césped artificial”, supostamente alimentados por espontâneos cidadãos indignados. Primeiro, um grupo sem fins lucrativos empreende uma campanha dedicada a uma causa particular. Adota um nome que soa bonito e lança uma campanha supostamente espontânea. Logo vem o dinheiro oculto de empresas, fundações e conservadores ricos: obviamente, uma imagem da fúria popular-cidadã ampliada será mais persuasiva do que a imagem de um gigante corporativo perseguindo seus estreitos e desnudos interesses.
Um desses grupos é Americans for Prosperity (Americanos para a Prosperidade) que lançou o site Pacientes Unidos Agora. Em anúncios televisivos, mostravam, por exemplo, uma mulher canadense (Shola Holmes) que, por culpa do excessivo tempo de espera do “socialista” sistema de saúde desse país vizinho não podia operar um tumor cerebral e foi obrigada a ir para uma clínica privada nos Estados Unidos...Mais tarde, a imprensa de Ottawa informava que, na verdade, Holmes não tinha nenhum tumor, só um quisto benigno. Em um encontro na Flórida para discutir o projeto do novo sistema de saúde, o militante de um grupo ultraconservador foi mais preciso: “O que Obama está buscando é uma revolução social”. (E, na verdade, o projeto é revolucionário para os EUA: a reforma proíbe, por exemplo, expulsar do sistema aqueles que estão gravemente enfermos, mesmo que deixem de pagar os seguros privados; além disso, estabelece uma concorrência entre as seguradoras privadas e um novo seguro de saúde, administrado pelo Estado).
Mas não são apenas grupos conservadores que estão nesta batalha. A America’s Health Insurance Plans, a gigantesca seguradora privada, segundo repórteres da imprensa progressista, teria mobilizado seus 50 mil empregados para as eleições municipais deste verão (estadunidense) para lutar contra a reforma Obama, em um país onde a saúde é um grande drama econômico e humanitário nacional.
Tomasky destaca que, hoje, milhões de estadunidenses só vêem os canais de notícias que dizem o que eles querem ouvir, como Glenn Beck, da Fox, que “descobriu” no relevo do Rockefeller Center sinais ocultos que – convenientemente olhados – conformariam a foice e o martelo comunista (sic). Beck é também famoso por dizer que Obama é um racista com um profundo ódio aos brancos e à “cultura branca”. Em algumas noites, ele tem mais de três milhões de espectadores.
Como explica Seman, a efetividade do discurso ultraconservador para capturar o debate, para recuperar-se depois de uma eleição na qual apareceu relegado às margens da política, e para inibir e debilitar seus oponentes, tem a ver com a maleabilidade do liberalismo político norteamericano e o êxito que tem, há mais de meio século, em apresentar a mudança social como uma ameaça totalitária. E agrega: Nos Estados Unidos, a expressão “cobertura universal” é usada como acusação. É comum nestes dias ver na televisão algum deputado republicano atacando seu colega democrata aos gritos de: “O que o deputado está propondo é uma cobertura universal automática”. Mais surpreendente ainda é, imediatamente depois, ver o deputado democrata defendendo-se da acusação. “De nenhuma maneira proponho uma cobertura universal. O que queremos é fazer um sistema mais eficiente e justo, e menos custoso”.
A derrota de Bill e Hillary Clinton quando tentar aprovar uma reforma da saúde similar foi um ponto de inflexão. Obama trava uma luta parecida agora contra os inimigos do “big government”.
Moral da história: uma dose moderada de liberalismo parece ser boa para defender a democracia e prevenir-se de totalitarismos. Mas, como tudo, em excesso parece deixar doentes (psicologicamente) as pessoas, que, aliás, foram deixadas previamente sem seguro médico.
Tradução: Katarina Peixoto
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Brasil é líder no combate à fome
ActionAid foi fundada em 1972 na Inglaterra. É uma organização não-governamental, sem fins lucrativos e sem filiação partidária ou religiosa, que trabalha em mais de 40 países para vencer a pobreza há 35 anos. O trabalho dessa ONG é desenvolvido em parceria com grupos e organizações locais de comunidades pobres para construir alternativas de superação das dificuldades e garantir o acesso destas populações aos direitos básicos como alimentação, saúde, moradia, educação, igualdade entre homens e mulheres, raças e etnias. Ela tem escritórios em 4 continentes e sede em Joanesburgo, na África do Sul.
Brasil é líder no combate à fome entre emergentes, diz ONG
da BBC Brasil
O documento elogia os esforços do governo brasileiro O Brasil é líder no combate à fome entre os países em desenvolvimento, de acordo com um ranking elaborado pela ONG antipobreza Action Aid e publicado nesta sexta-feira para marcar o Dia Mundial da Alimentação.
Segundo o documento, o país demonstra “o que pode ser atingido quando o Estado tem recursos e boa vontade para combater a fome”.
A lista foi elaborada a partir de pesquisas sobre as políticas sociais contra a fome em governos de 50 países. A partir da análise, a ONG preparou dois rankings – um com os países em desenvolvimento, onde o Brasil aparece em 1º lugar, e o outro com os países desenvolvidos, liderado por Luxemburgo.
Em último lugar na lista dos desenvolvidos está a Nova Zelândia, abaixo dos Estados Unidos. Entre os países em desenvolvimento, a República Democrática do Congo e Burundi aparecem nas últimas colocações.
Segundo a diretora de políticas da Action Aid, Anne Jellema, “é o papel do Estado e não o nível de riqueza que determina o progresso em relação à fome”.
Brasil
O documento elogia os esforços do governo brasileiro em adotar programas sociais para lidar com o problema da fome no país e destaca os programas Bolsa Família e Fome Zero.
“O Fome Zero lançou um pacote impressionante de políticas para lidar com a fome – incluindo transferências de dinheiro, bancos de alimentação e cozinhas comunitárias. O projeto atingiu mais de 44 milhões de brasileiros famintos”, diz o texto.
Segundo o relatório, o programa ainda ajudou a reduzir a subnutrição infantil em 73%.
A ONG afirma ainda que o Brasil é “exemplar” no exercício do direito ao alimento e cita a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan 2006) e o Ministério do Combate à Fome como medidas de que exemplificam que o direito à alimentação está sendo cada vez mais reconhecido como direito fundamental.
Apesar do aspecto positivo, a ONG afirma que o Brasil “ainda tem áreas em que pode melhorar” e cita o desafio de incluir os trabalhadores sem terra e pequenos agricultores nos programas sociais de alimentação.
“É imperativo que famílias em pequenas fazendas também estejam protegidas da expansão dos enormes programas industriais de biocombustíveis do Brasil”, afirma o relatório.
Índia
Em segundo lugar no ranking dos países em desenvolvimento aparece a China, seguida por Gana (3º) e Vietnã (4º).
A Action Aid destaca a redução no número de famintos na China – 58 milhões em dez anos – e elogia os esforços do governo em apoiar os pequenos agricultores.
Em contrapartida, o documento critica a Índia onde, segundo o relatório, 30 milhões de pessoas teriam entrado para a taxa dos famintos desde a metade dos anos 90.
Além disso, a ONG destaca que 46% das crianças estão abaixo do peso e subnutridas no país.
“A fome existe não porque não há alimento suficiente na Índia, mas porque as pessoas não conseguem chegar até ele. O governo indiano enfrenta um enorme desafio para proteger os direitos dos pobres”, diz o texto.
Ricos
Não só os esforços e as políticas dos governos de países em desenvolvimento e mais pobres são criticados no documento divulgado nesta sexta-feira.
No ranking dos países desenvolvidos, atrás de Luxemburgo está a Finlândia (2º) e a Irlanda (3º), com a Nova Zelândia(22º) e os Estados Unidos (21º) nas últimas colocações.
A ONG acusa o governo neozelandês de ordenar cortes acentuados no incentivo oficial à agricultura e classifica o incentivo do governo americano à agricultura como “mesquinho”.
“A contribuição (desses países) para expandir programas de segurança social permanece insignificante”, diz o documento, agregando Grécia, Portugal e Itália.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Azenha: como Honduras repete a Guatemala, 55 anos depois
Por Luiz Carlos Azenha, no blog Vi o Mundo
Do ponto-de-vista da economia, a crise nos Estados Unidos teve um tremendo impacto em toda a América Central. Nos Estados Unidos os centro-americanos cumprem o papel de derrubar os salários locais. E ajudam a sustentar as economias de seus países de origem com as remessas de dólares.Com a crise, as elites locais da América Central, atreladas a interesses estrangeiros, não querem fazer qualquer concessão. O principal produto desses países é a mão-de-obra barata: os homens imigram, as mulheres trabalham nas maquilas, empresas que montam produtos exportáveis para os Estados Unidos.
Fazer concessões aos movimentos sociais implica em ameaçar a vantagem competitiva que esses países podem oferecer aos investidores estrangeiros: o trabalho semi-escravo.
De repente, surge na equação um sujeito chamado Hugo Chávez. Com o dinheiro do petróleo, pode equilibrar esse jogo. Todos esses países são dependentes de importação de energia. Além de acesso a petróleo mais barato, através de Chávez os governos podem obter financiamento externo para projetos de infraestrutura e programas sociais.
Ou seja, é uma perspectiva de autonomia numa região que sempre foi quintal político e econômico dos Estados Unidos, o que vale também para o grande vizinho ao Norte, o México.
Portanto, Manuel Zelaya era um exemplo a ser combatido. Embora eleito por um partido de centro-direita, ameaçava romper o pacto das elites hondurenhas, assentado sobre a exploração da mão-de-obra local.
Zelaya, como vocês sabem, deu aumento de 65% no salário mínimo.
Quanto à conjuntura internacional, Honduras desempenha um papel importante como uma espécie de porta-aviões em terra para projetar o poder militar dos Estados Unidos na América Central.
Embora Zelaya não tenha falado em acabar com isso, as ideias dele representavam ameaça de médio prazo, especialmente num quadro em que a Venezuela se contrapõe abertamente aos Estados Unidos na América Central e no Caribe.
Engana-se quem acha que a transição do governo Bush para o governo Obama foi completa. Os neocons não deixaram o poder completamente nos Estados Unidos. Alguns deles são assessores de Hillary Clinton no Departamento de Estado. Outros lutam de dentro da burocracia estatal. E há a câmara de eco neocon nos institutos de estudos internacionais, revistas e jornais, que trava uma luta diária para influenciar a política externa. Eles são fortíssimos no Pentágono e na CIA.
Além de pregar a completa hegemonia política, econômica e militar dos Estados Unidos, os neocons agem em defesa de grandes interesses econômicos, os mesmos que sustentam seus institutos e publicações.
A História da América Central é a história da subordinação local a esses interesses.
Foi para combater a "ameaça comunista" que os Estados Unidos derrubaram o governo de Jacob Arbenz na Guatemala, em 1954, num período em que a United Fruit tinha o monopólio da produção de banana e era dona da maioria das terras; a subsidiária dela, International Railways of Central America (IRCA), controlava o transporte; e a Electric Bond and Share (EBS) controlava a produção e distribuição de energia.
"Vista no contexto da Guerra Fria, a intervenção dos Estados Unidos na Guatemala foi a primeira expressão na América Latina de uma política desenvolvida inicialmente na Grécia. No período depois da Segunda Guerra Mundial, o capital dos Estados Unidos estava se expandindo mundialmente em uma escala sem precedentes. Movimentos de trabalhadores nos Estados Unidos e no estrangeiro (especialmente os abertos às ideias comunistas) eram vistos como ameaça a essa expansão e portanto tinham que ser colocados sob controle. No estrangeiro, a intervenção de 1947 na Grécia foi o precedente. Os Estados Unidos jogaram centenas de milhões de dólares na Grécia para esmagar uma revolta revolucionária militarmente. A Doutrina Truman deu a justificativa, ao dizer que os Estados Unidos precisam 'apoiar povos livres que estão resistindo à subjugação por minorias armadas'. A Guatemala foi a primeira aplicação dessa lógica na América Latina (vista também na derrubada do governo nacionalista de Mossadegh no Irã). Nesse contexto, os Estados Unidos fizeram um teste na Guatemala de um modelo para reverter revoluções sociais na América Latina clandestinamente, sem mandar os fuzileiros navais. Muitos aspectos desse modelo foram aplicados na invasão da baía dos Porcos (Cuba) e em operações clandestinas subsequentes, inclusive na guerra dos contra nos anos 80 contra a Nicarágua". (Do livro The Battle for Guatemala, de Susanne Jones).
Hoje, os grandes interesses econômicos que colocam Barack Obama na parede representam o capital multinacional que prega a "flexibilização" do trabalho, o desmanche do estado, a criminalização dos movimentos sociais reinvindicatórios, o estado da segurança nacional, a guerra permanente e o acesso desimpedido às matérias primas.
A grande ameaça a esses interesses é o voto popular. A grande arma deles é a mídia. O golpe em Honduras resultou de uma conjuntura política interna, mas dentro de um contexto econômico e político internacional. É o neogolpe. A repetição da História, agora como farsa, na qual o antichavismo faz o papel do anticomunismo, para despistar os verdadeiros objetivos: garantir a completa subordinação da mão-de-obra. É a parte que nos cabe nesse latifúndio.














