Prof. Édney Silva Mesquita
Professor de História com pós-graduação em História da África e do Negro no Brasil.CONTATO PROFISSIONAL: 21-9439-5803 (Niterói e São Gonçalo.)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Aumento do Mínimo. Sempre o Mínimo.
Prof. Édney Silva Mesquita
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Rio Antigo.
Disputa por Amazônia está na raiz da fuga da família real, diz historiador
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Ateus, poetas e messias 
A tese espanta, não apenas pela infantilidade que a define --mas pela natureza ilógica que a contamina. Se Deus não existe, haverá necessariamente motivos para celebrar?
Os mais radicais "philosophes" do século 18 concordariam que sim. O próprio projeto iluminista, na sua crítica à instituição religiosa como autoritária e obscurantista, defendia que a libertação dos Homens passava pela libertação do divino. Nem todos os "philosophes" eram ateus, é certo: Rousseau ou Diderot, impenitentes "deístas", não são comparáveis a La Mettrie ou Helvétius. Mas o iluminismo continental abriria a primeira brecha na cultura ocidental, ao retirar a Fé do seu trono e ao coroar a deusa Razão.
Foi esse gesto primordial que tornaria possível as devastadoras críticas posteriores do trio maravilha (Feuerbach, Marx e Freud). Deus criou os Homens? Pelo contrário: Deus é uma criação dos Homens por razões várias e todas elas racionalmente explicáveis.
Os Homens criaram Deus por temerem a sua própria mortalidade (Feuerbach). Os Homens criaram Deus por contraposição às condições materiais das suas existências precárias (Marx). Os Homens criaram Deus por puro sentimento de culpa: parricidas arrependidos, eles buscam ainda uma autoridade perdida; Deus é o "fétiche" infantil de quem se recusa a viver uma vida adulta (Freud).
Infelizmente, aparece sempre alguém para estragar a festa. Falo de Doistóievski, claro, disposto a contrariar o otimismo liberal da burguesia russa oitocentista, para quem Deus era um empecilho de modernidade. Pela boca de Karamazov, Dostoiévski formularia a pergunta que Feuerbach, Marx, Freud e também Nietzsche se recusaram a enfrentar: e se a ausência de Deus significa também a ausência de qualquer limite ético para a acção humana?
Essa possibilidade seria confirmada no século seguinte: um século devastado por grandes construções coletivistas, utópicas e rigorosamente ateias que libertaram um fanatismo e uma crueldade indistinguíveis do fanatismo e da crueldade das antigas religiões tradicionais.
Quando os Homens não acreditam em Deus, eles não passam a acreditar em nada; eles acreditam, antes, em qualquer coisa, como dizia profeticamente Chesterton. Antes de festejarmos a provável inexistência do barbudo, convém saber o que essa coisa será.
Castelo do Drácula deve virar primeiro museu privado da Romênia
da Ansa, em Bucareste
O Castelo de Bran, localizado na Romênia e conhecido como "o castelo do Conde Drácula", pode se tornar o primeiro museu privado do país, segundo informou o jornal local "Gandul".
Castelo de Bran conhecido popularmente como "o castelo do Conde Drácula"
O jornal afirmou que os proprietários do castelo, os irmãos Dominic d'Asburgo, Maria Madgalena Holzhausen e Elisabeth Sabdhofer discutirão o assunto nos próximos dias com os ministros da Cultura e do Turismo do país.
O castelo atualmente é um museu público graças a um acordo firmado em 2006 entre o Parlamento romeno e os proprietários. Na ocasião, o governo do país declarou que a posse do castelo por Dominic era ilegal, uma vez que foram excluídos dois dos cinco herdeiros no processo de restituição da propriedade.
No entanto, no mesmo ano o governo romeno arquivou o processo alegando que a sucessão foi realizada de maneira legal. Desde então, foi instituído que a propriedade abrigaria um museu público por três anos, determinação que vence em 2009.
Em 2007, a revista norte-americana "Forbes" elegeu o Castelo de Bran como a segunda propriedade mais cara do mundo, estimada em US$ 140 milhões de dólares.
O castelo foi erguido entre os anos 1377 e 1378 e já foi residência da rainha Maria da Romênia. Com sua morte, a propriedade passou para sua filha, princesa Ileana, mãe dos atuais proprietários.
Fonte: www.folha.com.br
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"Papai, eu estou morrendo".
"Eles mataram meu filho a sangue frio", disse o pai ainda em estado de choque. O pai continua: "primeiro eles nos atacaram e depois chegaram perto de nós. Ibrahim já estava morto então um dos soldados chegou perto do seu corpo, puxou-o pela perna e dando gargalhadas jogou-o para o alto, enquanto outro soldado atirava no corpo do meu menino”.
“Parecia que eles estavam comemorando”...
”As gargalhadas ficavam cada vez mais altas, enquanto eles carregavam o corpo para uma parte mais alta para começarem a festa deles".
"Os israelitas mataram o meu filho, não uma ou duas vezes, mas mil vezes. O que meu filho fez para merecer isso?"
Kamal Awaga, pai de Ibrahim, 9 anos, no hospital al Shifa de Gaza.
QUANDO O JORNALISMO SE TORNA CÚMPLICE!
Guerra em Gaza fortalece direita em Israel
Pergunto: Quando é que houve esquerda em Israel?
Pergunto: "Guerra em Gaza"?
Ou massacre?
Mais de 5 mil casas destruidas.
Mais 20 mil casas danificadas.
Mais de 2 mil estabelecimentos comerciais e pequenas fábricas arrasados.
Destruiram mais de 20 mesquitas, em sua maioria com fiéis orando.
Os hospitais que funcionavam precariamente foram explodidos.
Nenhuma escola ou universidade escapou à sanha dos invasores israelenses.
Nem os escritórios da ONU foram poupados.
Até os galpões de ajuda humanitária da ONU, onde eram depositados alimentos e medicamentes foram arrasados. Entre eles os medicamentos que foram enviados pelo governo brasileiro.
Como denominar um país que ocupa outro, que destroi hospitais, cemitérios, casas de oração e escolas?
E os mortos então, cujo número aumenta a cada dia?
E os mortos então, em sua maioria bebês, crianças, mulheres e idosos?
Como denominar um país que ocupa outro em pleno século XXI?
Não foi uma guerra.
Não foi um massacre.
Foi um genecídio.
Um castigo coletivo que o representante da ONU denominou de crime de guerra.
De crime contra a humanidade.
Enquanto esse tipo de mídia continuar envenenando mentes e corações, os governantes de Israel se sentirão fortalecidos para continuar com seus crimes.
Esse comportamento da mídia faz dela não orgão de informação, mas cúmplice.
E por favor, não entendam que esse texto é uma crítica exclusiva à Folha de S. Paulo, um jornal menor.
Não é!
É uma crítica a toda mídia, do Ocidente ao Oriente.
Há 60 anos que os palestinos sofrem.
Há 60 anos que a humanidade assiste impassível a esse sofrimento.
Até quando teremos que supostar tanta iniquidade?
Até quando?
Fonte:http://blogdobourdoukan.blogspot.com/
As origens da guerra entre Israel e Palestina

Para historiador Christian Karam, a questão religiosa muitas vezes serve como pretexto para encobrir fins políticos e econômicos
Patrícia Benvenuti,
da Redação
O reconhecimento do Hamas por parte de Israel como o governo democraticamente eleito dos palestinos e o direito de retorno dos refugiados são alguns dos principais desafios postos atualmente para a criação do Estado palestino. A avaliação é do historiador Christian Karam, estudioso da História do Islã, do Oriente Médio e do conflito palestino-israelense. Em entrevista, ele explica como se deu o Estado de Israel e como a influência de outros países tem prejudicado o processo de paz entre os dois povos
Brasil de Fato – O mundo assistiu estarrecido o terror que o Estado de Israel impoe ao povo palestino. Para entender melhor a origem desse conflito, o senhor poderia recuperar como se deu a criação do Estado de Israel?
Christian Karam - O termo “Sionismo” foi criado em 1885 pelo escritor judeu-austríaco Nathan Birnbaum como uma alusão a “Sion”, um dos nomes bíblicos de Jerusalém (Al-Quds para os árabes e muçulmanos). Nessa época, “Sionismo” basicamente significava uma resposta ao problema nacional judeu que advinha de dois fatos principais: da dispersão judaica em vários países e regiões do mundo; e da sua constituição, em cada um desses países, como uma minoria populacional, onde inclusive muitos judeus eram perseguidos, como era o caso da Europa anti-semita do século 19. Assim, a solução sionista pretendia acabar com essa situação, através do retorno a “Sion”, onde conformariam uma maioria populacional e uma entidade político-estatal independente. Assim, é nesse espectro que surge o sionismo político internacional fundado pelo jornalista judeu-húngaro Theodor Herzl na Europa de fins do século 19 como um movimento nacionalista preponderantemente laico e secular que visava à fundação de um Estado nacional judaico. Após o término da guerra, diante do impacto do Holocausto nazista, a Inglaterra propôs à Organização das Nações Unidas (ONU) a divisão da Palestina entre árabes e judeus. Assim, uma vez aprovada a partilha da Palestina britânica em novembro de 1947, ficou estabelecido que o Estado judeu deveria ocupar 56% do território, enquanto ao Estado árabe competiria controlar os restantes 43%. Já o 1% remanescente de Jerusalém e seu entorno seria colocado sob mandato internacional da ONU. Essa divisão respeitava muito pouco dois fatores essenciais: a ocupação das terras e a maioria populacional, já que grande parte do território seria controlada pela minoria judaica, que somava apenas 30%.
Por que da localizaçõa geográfica, o lugar escolhido para o Estado de Israel?
Penso que pela simbologia histórica e religiosa que a região da Palestina histórica representa no imaginário dos judeus (por mais que isso tenha sido uma construção histórica idealizada dos séculos 19-20), herdeiros da última grande diáspora que os expulsou dali, aquela perpetrada pelos romanos no século primeiro. Em fins do século 19, os sionistas haviam proposto a colonização judaica da Palestina otomana, apesar de terem cogitado outras regiões, como Uganda (na África oriental) e a bacia do rio da Prata, na Argentina. Assim, se em algum momento do período entre-Guerras (1918-1945) especulou-se sobre outro território que não o da província turca da Palestina e, após 1920, aquele da Palestina colonial britânica para a fundação de um Estado hebreu, a imigração e a colonização em curso comprovaram que a decisão pela Palestina turca já havia sido tomada, especialmente quando, a partir de 1917, a Declaração Balfour britânica passou a “ver com bons olhos” a criação de um “lar nacional judaico” na Palestina turco-otomana (de maioria populacional árabe e islâmica). Isso denota o claro apoio à causa nacional sionista por parte do imperialismo inglês, que planejava beneficiar-se da presença de uma terceira força político-nacional na região, principalmente em um contexto de guerra contra os alemães e seus aliados na região, os turcos.
Qual território deveria ser ocupado pelos palestinos?
Se fossem cumpridas as resoluções da ONU, o território que o Estado hebreu hoje teria de ocupar seria aquele anterior às fronteiras de 1967, quando, com o fim da Guerra dos Seis Dias, Israel invadiu e passou a ocupar ilegalmente a Faixa de Gaza (então parte do Egito), a Cisjordânia e Jerusalém Oriental (então pertencentes à Jordânia) e as colinas de Golã, que eram da Síria. Desse modo, o território que hoje constituiria o Estado de Israel seriam aproximadamente 70% da Palestina britânica. Em torno de 13 a 14% dessa área foram conquistados ao território árabe-palestino e anexados como resultado da primeira guerra árabe-israelense de 1948-9. Desse modo, hoje não se fala dos territórios que a partilha da ONU de 1947 determinara para a constituição do Estado árabe-palestino (43%) e do Estado judeu (56%), mas, no caso de Israel, deste percentual acrescido da parcela acima mencionada que foi conquistada na chamada “primeira guerra árabe-israelense” de 1948-9, quando inclusive Jerusalém, que, pela proposta original, seria uma área internacional, teve sua porção ocidental anexada por Israel, que a declarou como sua capital em 1950, embora sem obter reconhecimento internacional. Por outro lado, o território que o Estado palestino ocuparia, caso hoje fosse declarada sua criação, não seria mais de 20 a 22% da área da Palestina britânica, se fossem mantidos os enclaves de colonos sionistas na Cisjordânia e a ocupação de Jerusalém Oriental. Porém, se ocorresse uma completa desocupação por parte de Israel dessas regiões, então ambos territórios, somados à retirada unilateral israelense da Faixa de Gaza ocorrida em 2005, teríamos os 30% de terras palestinas correspondentes aos outros 70% de território israelense. Em suma, o Estado da Palestina estaria formado pela Cisjordânia, Faixa de Gaza e por Jerusalém Oriental, que o nacionalismo palestino quer ter como sua capital.
A criação do Estado de Israel foi uma proposta da Organização das Nações Unidas. E agora a ONU parece ter perdido o controle sobre a questão. Qual seria a causa dessa "perda de autoridade" ao longo dos anos?
Parece-me que a ONU nunca foi um ator politicamente muito ativo na questão, uma vez que suas principais resoluções, como a que obriga Israel a retirar-se dos territórios invadidos durante a Guerra dos Seis Dias de 1967, nunca foram implementadas. Além disso, durante a Guerra Fria, quem realmente deu as cartas do jogo político foram, em nível internacional, os EUA e a URSS e, em nível regional, além de Israel, o Egito, a Síria, o Iraque e as chamadas “monarquias árabes conservadoras” lideradas pela Arábia Saudita. Após a revolução islâmica de 1979, outro importante ator político que entra em cena é o Irã. E, com o fim da Guerra Fria e a dissolução da URSS, os EUA reafirmam-se enquanto potência internacional hegemônica no Oriente Médio, que é apoiada, importante dizer, não somente por Israel, mas, cada vez mais, pelos árabes conservadores do Golfo Pérsico, pelo Egito e, em menor medida, pela ala mais centrista da OLP, a Fatah, que, na época, dava sua guinada à direita.
Os discursos da Fatah e do Hamas parecem denotar diferenças entre os próprios
palestinos a respeito da criação de um Estado. Como podem ser resumidas
essas diferenças e como elas interferem no processo de paz na região?
Não me parece que os discursos e ações políticas de ambos partidos caracterizam diferenças a respeito da criação do Estado palestino, mas sim demonstram a diversidade política, ideológica e econômica que permeia a questão, ou seja, que tipo de Estado e de sociedade se deseja para a população palestina. No que se refere à adoção de determinado modelo econômico e programa político-ideológico e à formação de alianças regionais e internacionais, Fatah e Hamas divergem em vários aspectos. Aquela, oriunda de uma tradição da esquerda nacionalista e terceiro-mundista dos anos 1960-70, que flertou com o nasserismo e o socialismo árabe, porém sem nunca ter sido comunista, sofreu uma guinada à direita após o fim da Guerra Fria nos anos 1990 e, hoje, não contesta o liberalismo econômico e político dominantes. O Hamas, por outro lado, surgiu de uma conjuntura de crise política: a Intifada palestina de 1987-90. Expulsa do Líbano em guerra em 1982, a OLP, desacreditada e politicamente enfraquecida para lidar com a questão nacional palestina e para lutar contra a ocupação israelense de Gaza e da Cisjordânia, verá nascer um importante adversário, porém, à época, ainda informal e secundário. O próprio Estado de Israel fomentou e armou o Hamas contra a OLP de Arafat e suas facções nacionalistas laicas de tradição esquerdista, a fim de dividir o movimento nacional palestino, e também para tentar lidar com um novo grupo político que fosse mais fraco e, portanto, menos exigente quanto às demandas nacionais palestinas. Inicialmente, o Hamas se absteve de realizar ataques abertos contra Israel. Porém, em pouco tempo, isso mudou, e o Hamas assumiu um importante protagonismo na resistência e no nacionalismo palestinos, ainda numa fase em que sua ideologia e ação política poderiam ser consideradas conservadoras ou “fundamentalistas”. Porém, especialmente após as primeiras crises do processo de paz dos anos 1996-2000, o Hamas vêm assumindo grande parte da ação política e social entre as classes sociais mais pobres e marginalizadas da sociedade palestina, que a Fatah, quando no poder, relevou ao segundo plano, em parte devido ao próprio “aburguesamento” liberal e à corrupção de vários de seus quadros.
A respeito da interferência dessas divergências políticas e econômicas que existem entre a Fatah e o Hamas no processo de paz com Israel, costuma-se afirmar que um dos principais empecilhos seria o não-reconhecimento ao direito de existência de Israel por parte do Hamas. De fato, em algum momento o Hamas terá de repensar a questão e emitir uma declaração formal que reconheça o Estado hebreu, embora já tenha havido vários posicionamentos informais nesse sentido por parte de algumas lideranças. Por outro lado, inimigo que não se reconhece é aquele contra o qual não se luta. E, nesse sentido, a experiência histórica prova que, embora informalmente, Israel e o Hamas têm se relacionado, mesmo que na maioria das vezes seja para divergir e combater entre si. Da mesma forma, Israel, assim como os EUA e a União Européia, precisam reconhecer formalmente o Hamas como partido político e movimento social legítimo da sociedade palestina que o elegeu democraticamente como seu representante no parlamento e no governo, a fim de que se possa partir de um diálogo em um nível pelo menos política e juridicamente igualitário.
Que outros desafios poderiam ser citados para a criação de um Estado palestino?
Outros importantes desafios, que preferiria chamar de direitos palestinos inalienáveis, são: a questão dos refugiados (de três a quatro milhões) espalhados em diversos países do Oriente Médio; a declaração de Jerusalém Oriental (uma vez desocupada por Israel) como sede da capital palestina; a determinação precisa das fronteiras da Palestina, tanto com Israel quanto com os demais países vizinhos (Egito e Jordânia); a suspensão da construção e a posterior destruição do muro que Israel hoje constrói na Cisjordânia, inclusive anexando território palestino, mais conhecido por “Muro da Vergonha”, que somente serve para semear mais segregação entre os dois povos; e, o principal de todos, a retirada total e incondicional de Israel e de suas tropas e colonos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, que seria o retorno às fronteiras de 1967. Nesta questão, é preciso mencionar Gaza, pois, embora tenha havido, em 2005, a desocupação unilateral de que falávamos, Israel seguidamente viola o espaço aéreo de Gaza e realiza incursões militares terrestres na região. Da forma como a imprensa e a mídia burguesas têm abordado esta última crise ocorrida em Gaza, parece que o Hamas resolveu pôr um fim à trégua e atacar Israel sem quaisquer motivos, quando, na verdade, Israel se retirou apenas formalmente da Faixa de Gaza em 2005, pois nunca deixou de invadir a região e, inclusive, imiscuir-se nos assuntos de política interna do governo do Hamas, isso sem falar no fato de que nunca o reconheceu como representante político legítimo dos palestinos de Gaza, pois foi democraticamente eleito por estes em 2006.
Em relação ao tema dos refugiados e seu direito de retorno, a solução da questão é bem mais complexa, uma vez que estes reivindicam retornar para as áreas que suas famílias ocupavam quando da criação de Israel em 1948, o que poderia acarretar numa incursão em massa de palestinos ao atual território israelense. Ainda que essa solução fosse implantada, não creio que a maioria dos palestinos que vive na diáspora exerceria esse direito de retorno, pois muitos já possuem laços sociais, familiares e profissionais em outros países. Porém, se esse direito de retorno fosse concedido, ele deveria ser conferido a todos os descendentes dos refugiados de 1948 sem restrições. Parece-me que uma solução diplomática intermediária seria que se procedesse à retirada incondicional de Israel da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental e, assim, através da proclamação de um Estado palestino, o direito de retorno talvez pudesse ser exercido nessas regiões e em Gaza.
Na sua avaliação, qual é o peso da questão religiosa neste conflito?
A questão religiosa muitas vezes serve como pretexto para encobrir fins políticos e econômicos. Para mim, está muito claro (e a maioria dos pesquisadores do tema afirma isso) que o problema é de ordem nacional e, portanto, requer soluções políticas e econômicas de ambos os lados. Assim, volta-se à questão sobre em que tipo de Estado a sociedade palestina quer viver. E a resposta dadas nas últimas eleições, que conduziram o Hamas ao poder, parece ser a rejeição do projeto político-econômico liberalizante da Fatah e de parte da OLP, bem como a desaprovação de práticas de corrupção na condução da Autoridade Nacional Palestina, associados ao fracasso do processo de paz dos anos 1990 e à irrupção da Segunda Intifada em 2000. A tese equivocada de que o “fundamentalismo islâmico” - e, no caso palestino, o Hamas seria, segundo o senso comum, seu representante - abriga os ideais da maioria das sociedades muçulmanas do mundo é um profundo erro. Em termos político-ideológicos e econômicos, talvez ainda não seja possível determinar com precisão aquilo que o Hamas e seu programa político realmente representam, porém a estratégica política de luta e alguns de seus ideais os fazem assumir um papel dissonante daquele da globalização neoliberal. Em geral, hoje se diz que o dilema político dos EUA e da Europa no Oriente Médio é ter de escolher entre o apoio a muitas ditaduras militares de direita ou esquerda (porém laicas e seculares) e o respaldo a governos adeptos de um programa político-religioso islamista/fundamentalista (porém cada vez mais eleitos democraticamente).
Fonte:www.brasildefato.com.brBolivianos aprovam nova Constituição
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Por Fernanda Chaves e Marcelo Salles,
de La Paz, (Bolívia)
Apesar de na Bolívia o resultado oficial ser divulgado apenas dentro de 10 dias, após recontagem oficial, o povo boliviano já comemora a vitória do "sim" no referendo constituicional realizado deste domingo (25). As pesquisas de boca de urna realizadas por emissoras de rádio e televisão privadas e estatais apontam para uma votação de 60% x 40% em favor do "sim".
Esta foi a primeira vez em 183 anos de vida republicana que os bolivianos são chamados a participar de um referendo sobre a Constituição. Nestes quase dois séculos foram convocados apenas 5 referendos, sendo dois deles (40%) pelo governo do presidente Evo Morales Ayma, que completou no último dia 22 três anos no Palácio Quemado.
Todas as organizações internacionais, juntamente com a Corte Eleitoral Nacional, confirmaram a lisura do processo eleitoral. Os observadores da OEA, Mercosul, Unasur e União Européia foram unânimes em afirmar que o referendo cumpriu com os padrões internacionais e as leis nacionais de maneira exitosa, tendo sido absolutamente respeitada a vontade do povo boliviano.
Logo após os resultados da boca de urna, os partidários do "sim" lotaram a Praça Murillo, no centro de La Paz, para comemorar. Da sacada do Palácio, o presidente Evo Morales se dirigiu à multidao e afirmou: "Aqui termina o Estado colonial. Acabou o colonialismo interno e externo. Aqui também terminou o neoliberalismo, assim como as riquezas naturais da Bolívia não serão mais propriedade de alguns senhores, mas de todo o povo boliviano".
Fonte: www.brasildefato.com.br
domingo, 25 de janeiro de 2009
Artigo de Fidel sobre Obama.
Na passada terça-feira 20 de janeiro de 2009 assumiu a chefia do império Barack Obama como o Presidente número onze dos Estados Unidos, desde o triunfo da Revolução Cubana em janeiro de 1959.Ninguém poderia duvidar da sinceridade de suas palavras quando afirma que converterá seu país em modelo de liberdade, respeito pelos direitos humanos no mundo e pela independência de outros povos. Sem que isto, é claro, ofenda quase ninguém, salvo os misantropos em qualquer canto do planeta. Já afirmou comodamente que o cárcere e as torturas na Base ilegal de Guantánamo cessariam de imediato, o qual começa a plantar dúvidas nos que rendem culto ao terror como instrumento irrenunciável da política exterior de seu país.
O rosto inteligente e nobre do primeiro presidente negro dos Estados Unidos desde sua fundação há dois séculos e um terço como república independente, tinha-se auto transformado sob a inspiração de Abraham Lincoln e Martin Luther King, até se tornar em símbolo vivente do sonho americano.
Não obstante, apesar de todas as provas suportadas, Obama não tem passado pela principal de todas. O quê fará quando o imenso poder que tomou em suas mãos seja absolutamente inútil para ultrapassar as insolúveis contradições antagônicas do sistema?
Reduzi as Reflexões tal como me propusera para o presente ano, no intuito de não interferir nem estorvar os companheiros do Partido e do Estado nas decisões constantes que devem tomar frente a dificuldades objetivas derivadas da crise econômica mundial. Eu estou bem, mas insisto, nenhum deles deve se sentir comprometido por minhas eventuais Reflexões, minha gravidade ou minha morte.
Revejo os discursos e materiais elaborados por mim ao longo de mais de meio século.
Tive o raro privilégio de observar os acontecimentos durante muito tempo. Recebo informação e medito sossegadamente sobre os acontecimentos. Espero não desfrutar de tal privilégio dentro de quatro anos, quando o primeiro período presidencial de Obama tenha concluído.
Fidel Castro Ruz
22 de janeiro de 2009
18h30
Fonte: www.patrialatina.com.br
sábado, 24 de janeiro de 2009

Garrincha e Altair, os inventores do fair-play
Que Garrincha era um gênio, driblava e jogava como ninguém, todos sabem. Que era uma pessoa dócil fora de campo, também. Mas o que ninguém imagina é que o Anjo das Pernas Tortas foi o inventor do fair-play, o chamado jogo limpo. O que a Fifa prega hoje em dia, o camisa 7 do Botafogo levou a campo já em 1960, num clássico contra o Fluminense em que o zagueiro tricolor Altair foi tão incrível quanto Garrincha. Confira a história com as palavras do genial Ruy Castro em seu livro 'Estrela Solitária - Um brasileiro chamado Garrincha'.
"Aos 3 minutos do segundo tempo, numa disputa de bola com Quarentinha, Pinheiro caiu com distensão muscular e a bola sobrou limpa para Garrincha, que ouviu o zagueiro do Flu cair e gritar. Em vez de avançar pela avenida aberta em direção ao gol, jogou a bola de propósito para lateral para que Pinheiro fosse socorrido. Nas tribunas do Maracanã, o jornalista Mário Filho, ao ver aquilo, levantou-se da cadeira.
- É o Gandhi do futebol!
Mas a beleza do lance ainda não havia terminado. O bandeirinha marcara o lateral a favor do Fluminense. Altair foi repor a bola em jogo e ficou na dúvida. Aquela bola, moralmente, não era do Flu. Então fingiu cobrar errado o lateral e fez a bola quicar de volta para fora, devolvendo-a ao Botafogo. Todos entenderam o que ele quis dizer. Tal partida não merecia produzir um perdedor. Talvez por isso tenha terminado 2 x 2".
Preciso dizer mais?
Fonte: www.oglobo.com.br
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Entenda os pontos polêmicos da nova Constituição da Bolívia
Os bolivianos votam no próximo domingo (25) em um referendo sobre a nova Constituição do país.
Segundo o presidente Evo Morales, a nova Carta Magna vai representar a “refundação” da Bolívia, mas a oposição alega que o texto tem passagens vagas sobre a posse de terras e pode dividir a sociedade boliviana ao estabelecer novos direitos para os povos indígenas.
Cerca de 4 milhões de eleitores devem ir às urnas para escolher entre o “sim”, defendido pelo governo Morales, e o “não”, apoiado pela oposição.
A BBC Brasil destacou alguns dos pontos mais polêmicos do projeto constitucional que será votado neste domingo.
Questão indígena
Mais de 80 dos 411 artigos da nova Constituição proposta pelo governo tratam da questão indígena no país.
Pelo texto, os 36 “povos originários” (aqueles que viviam na Bolívia antes da chegada dos europeus), passam a ter participação ampla efetiva em todos os níveis do poder estatal e na economia.
Se a nova Carta for aprovada, a Bolívia passará a ter uma cota para parlamentares oriundos de povos indígenas, que também passarão a ter propriedade exclusiva sobre os recursos florestais e direitos sobre a terra e os recursos hídricos de suas comunidades.
Em um de seus pontos mais polêmicos, o texto também estabelece a equivalência entre a justiça tradicional indígena e a justiça ordinária do país.
Cada comunidade indígena teria seu próprio "tribunal", com juízes eleitos entre os moradores. As decisões destes tribunais não poderiam ser revisadas pela Justiça comum.
Ao mesmo tempo, em épocas eleitorais, os representantes dos povos indígenas poderiam ser eleitos a partir das normas eleitorais de suas comunidades.
Também seria criado um Tribunal Constitucional plurinacional, que teria membros eleitos pelo sistema ordinário e pelo sistema indígena.
Membros da oposição argumentam que os direitos estabelecidos para os povos indígenas dividiriam o país ao criar duas classes distintas de cidadãos.
Terra
A questão da divisão agrária é outro ponto polêmico do texto que será votado.
Além de votarem no "sim" ou no "não" à nova Constituição, os eleitores ainda terão que decidir se querem que as propriedades rurais no país tenham limite de 5 mil hectares ou 10 mil hectares.
Assim, aqueles que, no futuro, adquirirem uma quantidade de terra maior que a aprovada, poderão perdê-la.
Depois de negociações com setores da oposição, o governo decidiu que, no entanto, a medida não será retroativa, ou seja, não afetará os atuais proprietários.
Mas há outro ponto que preocupa os fazendeiros bolivianos. O novo texto estabelece que a terra tenha uma “função social”, termo considerado vago pelos oposicionistas.
Alguns acreditam que o termo vago pode permitir que o governo confisque terras quando bem entender.
Reeleição
O projeto ainda estabelece a possibilidade de o presidente concorrer a dois mandatos consecutivos, o que é proibido pela atual Constituição.
Assim, a aprovação do texto no referendo abrirá caminho para que Morales convoque novas eleições e concorra novamente ao cargo de presidente.
O texto também prevê a instituição do segundo turno em eleições. Atualmente, quando nenhum dos candidatos consegue atingir mais da metade dos votos, é o Congresso quem decide quem será o novo presidente entre os dois mais votados.
Também se estabelece a possibilidade da convocação de referendos revogatórios de mandatos.
Divisão territorial
O texto constitucional que passará pelo referendo também muda o mapa político da Bolívia.
Embora a atual Constituição do país já estabeleça níveis de descentralização política, o novo texto prevê a divisão em quatro níveis de autonomia: o departamental (equivalente aos Estados brasileiros), o regional, o municipal e o indígena.
Pelo projeto, cada uma dessas regiões autônomas poderia promover eleições diretas de seus governantes e administrar seus recursos econômicos.
A oposição alega que isto dividiria o país em 36 territórios e diminuiria as autonomias dos Departamentos (Estados).
No ano passado, quando o país esteve à beira de uma guerra civil, os principais líderes da oposição a Morales eram os prefeitos (governadores) dos Departamentos de Santa Cruz, Tarija, Chuquisaca, Beni e Pando, a regiões mais ricas do país e que poderiam ter seu poder diminuído.
Recursos naturais
Pelo projeto constitucional, os recursos naturais passam a ser "propriedade" dos bolivianos e não mais do Estado, como diz a Constituição atual.
Segundo o artigo 349 do projeto, “caberá ao Estado administrar (os recursos naturais) em função do interesse público”.
O texto também estabelece que recursos como o gás não podem ser privatizados e que recursos energéticos só podem ser explorados pelo Estado.
Recursos hídricos também não poderão ser privatizados e está inclusive proibida a sua exploração por meio de concessão.
Coca
O cultivo da coca, vegetal típico da Bolívia e que pode ser usado para a produção de cocaína, recebe proteção especial no novo projeto constitucional.
O texto diz “que o Estado protege a coca originária e ancestral como patrimônio cultural, recurso natural renovável e fator de coesão social”.
O projeto também estabelece que a produção, comercialização e industrialização da folha de coca serão regidas por lei.
Política externa
A Bolívia perdeu sua única saída para o mar após a chamada Guerra do Pacífico (1879-84), quando, ao lado do Peru, lutou contra o Chile.
O novo projeto constitucional, no entanto, estabelece “o direito irrenunciável e imprescritível sobre o território de acesso ao Oceano Pacífico”, o que pode causar desavenças com o país vizinho.
Além disso, o texto estabelece que tratados internacionais sobre temas sensíveis sejam submetidos a referendo e proíbe a instalação de bases militares estrangeiras em seu território.
Religião
O projeto constitucional do governo Morales estabelece que o Estado seja laico e destitui o catolicismo da condição de religião oficial da Bolívia.
Mas outros artigos também preocupam a Igreja e os católicos do país.
A proposta de Constituição estabelece o “direito à vida”, mas sem especificar se ele tem início desde o momento da concepção, o que, para os católicos, pode abrir uma porta para a aprovação do aborto no país.
O texto também fala em “direitos sexuais e reprodutivos”, mas sem especificar a que se referem.
Isto, junto com uma definição ambígua de “família”, pode, segundo os católicos, abrir caminho para o casamento entre homossexuais.
'A parte fácil é dizer que vamos fechar Guantánamo', diz McCain sobre ordem de Obama
RIO - Um dia depois de assinar uma ordem executiva determinando o fechamento da prisão de Guantánamo em um ano, o presidente dos EUA, Barack Obama, foi criticado por seu adversário republicano John McCain, que voltou ao Senado após a derrota nas eleições do ano passado. McCain disse em entrevista ao programa "Larry King Live", da CNN, que a decisão de Obama pode ter sido um pouco apressada, já que ainda não se sabe o que fazer com os 250 suspeitos de terrorismo que permanecem detidos na base militar americana em Cuba.
- Eu acho que esse foi um movimento esperto - reconheceu McCain, antes de criticar a medida. - Mas eu também acho que nós devíamos ter discutido toda essa questão de forma completa, porque não foi discutida a questão daqueles que nós temos em custódia e nenhum país vai recebê-los de volta. Nós devíamos ter discutido a questão daqueles que nós sabemos que serão uma ameaça aos Estados Unidos, mas não temos evidencias suficientes para dar um passo à frente.
O senador disse que ao invés de fechar a prisão de Guantánamo agora, ele teria dado continuação às comissões militares que "após anos de atraso e ofuscação" estão, segundo ele, avançando nos tribunais que julgam os suspeitos presos.
- A parte fácil, com todo respeito, é dizer que vamos fechar Guantánamo - disse McCain, acrescentando que ele teria dito antes para onde os presos serão levados. - Esse vai ser um problema muito difícil de resolver. Muitos lugares vão se negar a recebê-los.
McCain disse, entretanto, que Obama pode contar com sua colaboração. Conhecido por atuar de forma relativamente independente do Partido Republicano, McCain é uma das esperanças de Obama e seus aliados democratas para conseguir fazer um governo suprapartidário.
Ex-prisioneiro de Guantánamo vira chefe da Al-Qaeda, diz jornalO "New York Times" apresenta, entretanto, outro possível obstáculo para a determinação de Obama em fechar Guantánamo. Segundo reportagem publicada nesta sexta-feira no site do jornal, um ex-prisioneiro de Guantánamo tornou-se chefe da Al-Qaeda no Iêmen depois de ser solto.
O ex-prisioneiro, identificado como Said Ali al-Shihri, é suspeito de envolvimento num ataque à embaixada dos EUA no Iêmen em setembro do ano passado, afirma o "NYT". Depois de passar pela prisão americana em Cuba, ele teria sido entregue à Arábia Saudita em 2007 e passado então por um programa saudita de reabilitação.
O jornal diz que quase a metade dos suspeitos que estão presos em Guantánamo são iemenitas. Os esforços para repatriá-los dependem em parte da criação de um programa de reabilitação no país, em parte financiado pelos EUA e semelhante ao programa saudita. A Arábia Saudita afirma que nenhum dos que passaram por seu programa voltou ao terrorismo.
Fonte: www.oglobo.com.br
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
A Posse de Obama.
Belíssima festa! Bem ao estilo "show business" tão estadudinense. Apesar da mídia brasileira, ao transmitir o evento, Tê-lo transformado em uma grande edição eletrônica da revista Caras, com direito a curiosidades irrelevantes a respeito de conversas entre Obama e suas filhas e o tipo de roupa que Michelle Obama gosta de usar. Bajulação colonizada irritante! Até o "lay-out" da CNN foi imitado pela Globo News. Quando tentaram analisar as possibilidades do governo Obama(função precípua da mídia: "informar para formar"), tiveram a profundidade de um Almanaque Foutoura. Significados? Sim, esse momento tem muitos:
Para os negros, um importante passo na afirmação da igualdade racial. Para o povo americano, qualquer pior presidente Democrata deveria ser preferível ao melhor presidente Republicano e Bush foi o pior de todos. E para o resto do mundo, adeus Bush! E Só! Os EUA continuarão sendo um país imperialista impulsionado por um modo de produção capitalista que nunca será "bonzinho". Obama é o presidente dos EUA e, sendo negro ou não, democrata ou republicano, é adversário dos TRABALHADORES do mundo todo(inclusive dos AMERICANOS!), na medida em que comandará o estado(comitê que rege os interesses da burguesia) da maior nação capitalista do mundo. Talvez seja um inimigo mais simpático, mais continua sendo inimigo!
Mauro.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Previsão pessimista?

Podem me chamar de pessimista ou descrente, mas não creio que o atual presidente dos EUA realizará mudanças significativas em sua política externa. Uma nação que cresceu à base da exploração (Política do dólar), do fomento da venda de armas para países do Terceiro Mundo e da intromissão na democracia alheia, não poderá, a troco de enorme prejuízo em sua economia e relações internacionais, mudar da água para o vinho, como muitos esperam.
Prof. Édney Silva Mesquita
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
A guerra imperial praticada por Israel
Cerca de mil palestinos, incluindo crianças e idosos, já foram mortos por tropas israelenses desde o dia 27 de dezembro
Achille Lollo
No dia 27 de dezembro, o Exército de Israel (Tsahal), o Serviço de Segurança Interna (Shin Bet) e o serviço secreto daquele país (Mossad) desferiram um ataque mortal (terra-ar-mar) contra a Faixa de Gaza, numa operação denominada “Chumbo Fundido”, que até o fechamento desta edição, dia 13, já havia provocado a morte de 919 palestinos, incluindo 277 crianças, 97 mulheres e 92 idosos, de acordo com o chefe dos serviços de emergência de Gaza. Os ataques deixaram ainda 4.100 palestinos feridos e mais de 400 desaparecidos cujos corpos permanecem debaixo dos escombros dos prédios públicos e das casas-alvo dos bombardeios.
Essa operação foi planejada durante os últimos seis meses para acabar com o governo do Hamas na Faixa de Gaza que, apesar de 18 meses de eficaz bloqueio econômico e militar israelense, nunca se rendeu. Outro objetivo estratégico da invasão é o de eliminar todo o grupo dirigente do Hamas e, sobretudo, acabar com seu braço militar, as Brigadas Ezzedim al-Qassam.
A primeira constatação a ser feita é a de que o Chefe de Estado Maior da Defesa israelense, general Gaby Ashkenazy, determinou um excepcional grau ofensivo para atacar por ar, mar e terra todo o território da Faixa de Gaza, utilizando para isso uma capacidade bélica semelhante a dos EUA na última investida contra o Iraque de Saddam Hussein.
Por outro lado, com a operação “Chumbo Fundido”, o Tsahal e o Shin Bet querem resgatar a derrota política e militar que o Hezbollah infligiu a Israel, em 2006, no sul do Líbano.
É nesse âmbito que os porta-vozes do Estado Maior e do Ministério das Relações Exteriores – contando com a benevolência da mídia ocidental e do forte lobby das comunidades judaicas no exterior – passaram a justificar a violência contra os civis palestinos como um ato de “auto-defesa”, responsabilizando o Hamas por utilizar as mesquitas e as escolas – inclusive aquelas administradas pela ONU – como “escudo humano” dos guerrilheiros ou pontos de lançamento de foguetes ou morteiros.
Essas mentiras foram legitimadas pelo presidente Shimon Perez. Porém, no dia 9, veio o primeiro desmentido no jornal israelense Haaretz. Chiris Gunnes, porta-voz da agência da ONU para Refugiados revelou que: 1) na escola da ONU bombardeada em Jabaliya morreram 40 civis, na maioria crianças e mulheres; 2) Não havia guerrilheiros; 3) Os militares israelenses manipularam a opinião pública com uma foto de 2007, quando na escola houve uma manifestação de militantes do Hamas.
Massacrar os civis
Muitos observadores, entre eles o cardeal Martini, denunciaram o Exército israelense por estar enveredando na vertente da violência feroz contra os civis e equipararam os sofrimentos dos palestinos de Gaza ao dos judeus europeus perseguidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Uma tese que, evidentemente, enfurece o governo e os militares israelenses. Porém, se, de fato, não pode haver comparação política entre Estado nazista e Estado sionista, a atuação do Tsahal e do Shin Bet é talvez mais criminosa por se tratar de instituições de um Estado democrático (mesmo se restrito só aos judeus e árabes israelenses) e não de um regime ditatorial como foi o nazismo hitleriano.
O problema é que 81% da população israelense apoiaram a operação “Chumbo Fundido” sabendo o que os civis palestinos iriam sofrer. Matar palestinos virou corriqueiro
Para o Exército israelense (que não é formado por mercenários, mas por reservistas) o apoio da maioria da opinião pública foi fundamental para cumprir os objetivos da operação “Chumbo Fundido”. Por isso, a pressão internacional ou a morte de 500 ou mil palestinos não vão sensibilizar os homens do Tsahal.
Para o Terceiro Reich de Hitler, a solução final do Holocausto dos judeus europeus não era uma necessidade estratégica, mas sim uma forma para sustentar ideologicamente o nazismo na Europa. Agora, para os comandantes do Tsahal e do Shin Bet, o massacre dos civis é um objetivo estratégico que visa desarticular a confiança que os palestinos de Gaza mantêm no Hamas.
Portanto, o sistemático bombardeio de escolas, mesquitas e casas populares – além de reforçar o ego-vingador do sionismo – é uma chantagem moral para destruir a imagem do Hamas na Palestina. Foi por isso que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, considerou o bombardeio a Gaza terrorismo de Estado.
Por outro lado, essa invasão em Gaza – bem como todos os ataques e massacres perpetrados pelo Estado de Israel desde 1948 – visa, antes de tudo, impor, ao mundo árabe, o respeito pela cidadania israelense, o direito sagrado dos judeus sobre as terras dos palestinos e a aceitação de que o Estado sionista é o bastião do Ocidente no Oriente Médio, principal fornecedor de petróleo para os EUA e Europa.
Potência nuclear
Não foi por acaso que os EUA transformaram Israel em potência nuclear, enquanto os programas de paz (Camp David, Oslo, Taba e por último Annapolis) nunca definiram uma paz eqüitativa entre judeus israelenses e palestinos. Pelo contrário, Carter, Clinton, Bush, Margareth Thatcher, Condoleezza Rice, Tony Blair, Moubarak, Sarkozy, Javier Solana e por último Benita Ferrero-Waldner visaram legitimar, apenas, o conceito estratégico de um Estado judaico soberano dando aos palestinos só o direito de serem reconhecidos como uma minoria sem alguma perspectiva de soberania nacional.
De fato, em 2008, Dov Weisglass, braço direito de Sharon, explicava que “o inteiro pacote denominado Estado Palestino, com todas suas implicações, foi removido da agenda das negociações por tempo indeterminado e Abu Mazen e a cúpula dirigente do Fatah – conscientemente ou não – aceitaram o texto da conferência de Annapolis”. De fato, foi a partir desse momento que o Hamas endureceu as relações com o Fatah, inclusive após o primeiro-ministro da ANP Salam Faiyad ter assinado com Condoleezza Rice um acordo para a CIA treinar e organizar a polícia palestina na Jordânia.
Achille Lollo é jornalista italiano, diretor do filme “América Latina: Desenvolvimento ou Mercado?”, também em DVD, em www.portalpopular.org.br.
Importante.
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o Território Nacional.
Como tudo que é bom não é divulgado, peço que divulgue.
http://www.consultaremedios.com.br/
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
"Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada. "
Boaventura de Sousa Santos
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Coisas da Globo.
Mário Augusto Jakobskind é jornalista e escritor.
O Globo, um jornal que manipula informação e que é também um dos responsáveis pela instalação de uma ditadura de 21 anos no Brasil, por ter dado apoio integral ao golpe de estado de abril de 1964, começou o ano de 2009 seguindo pauta do Departamento de Estado, ainda sob a administração de Condoleezza Rice.
Em editorial, o jornal da família Marinho exortou o Senado a corrigir um erro da Câmara dos Deputados que aprovou o ingresso da República Bolivariana da Venezuela no Mercosul.O editorialista furioso vociferava contra o presidente Hugo Chávez sob o argumento, que não resiste a menor análise, segundo o qual o ingresso de Caracas fará com que o Mercosul se torne um fórum anti-Estados Unidos e assim sucessivamente. Ou seja, se dependesse de O Globo o Brasil retornaria aos tempos em que governos subservientes, de militares ou civis, se dobravam às pressões norte-americanas.
O padrão ideal de O Globo é de um ministro do Exterior como Celso Lafer, do governo de Fernando Henrique Cardoso, que se submeteu às exigências da alfândega estadunidense tirando os sapatos dos pés, ainda por cima sorrindo.
No dia seguinte ao ataque raivoso contra Chávez, O Globo não fazia por menos contra o regime cubano. Mas aí o editorialista se superou em matéria de manipulação primária. Depois de afirmar que "o socialismo cubano apenas distribuiu igualitariamente a pobreza", The Globe, como também pode ser chamado o jornal dos Marinhos, afirmou que "mesmo alguns dos propalados bons indicadores sociais já eram razoáveis nos tempos de Fulgêncio Batista". Quer dizer, para O Globo, no tempo de Batista Cuba não era o prostíbulo do Caribe, nem um país de maioria de população analfabeta e em condições de vida miseráveis. Aquilo lá era um paraíso dos trópicos, não da máfia. Absolutamente, o jornal deixou claro que Cuba de Batista estava numa boa. Claro, os tempos de "bons indicadores sociais" para O Globo são quando a burguesia distribui renda com a própria burguesia. O resto que se exploda.
O Globo não se conforma que os tempos hoje são outros. Numa tentativa de evitar maiores avanços de decisões soberanas deste país, desde agora a Organização que tem o mesmo nome está empenhada em dar todo apoio ao candidato presidencial José Serra, que tem como projeto de política externa o retorno aos tempos subservientes de FHC. Não é à toa, por exemplo, que na TV Globo a edição de matérias sobre Serra fica a cargo de um dos seus diretores. A palavra de ordem por lá é todo apoio ao futuro candidato da aliança PSDB-Demo. Nesse sentido, a direção decidiu impor mão de ferro para evitar eventuais falhas do esquema. O Globo quer que prevaleça o seu conceito de "bons indicadores sociais".
O rancor das Organizações Globo contra Chávez se deve também ao fato de quando o presidente venezuelano recebia a Medalha Tiradentes na Assembléia Legislativa do Estado Rio de Janeiro afirmou em alto e bom som que O Globo é um grande inimigo do povo brasileiro e latino-americano. Verdades às vezes incomodam, sobretudo quando são ditas por presidentes.
O jornal e a televisão da família Marinho, da mesma forma que o Departamento de Estado norte-americano, são sectariamente contra a integração latino-americana. Qualquer dirigente que defende esta estratégia, sobretudo quando entende que a integração não deve ser apenas econômica, passa a ser tratado como inimigo. Editores e colunistas recebem a recomendação no sentido de detonarem essas lideranças e para isso são empregados todos os tipos de argumentos, inclusive mentiras e meias verdades.
Por estas e ainda muitas outras, toda a vez que O Globo e o grande patronato midiático falam em liberdade de imprensa, é necessário analisar se por trás desta prédica não se encontra de fato a defesa da liberdade de empresa.
Para enfrentar esse violento esquema empresarial de manipulação da informação e pensamento único e para haver de fato democracia no Brasil é necessário o fortalecimento da imprensa alternativa às grandes mídias. Nesse sentido, o Estado pode ter papel relevante, como acontece em países como a Suécia e Canadá. Para tanto é necessário que prevaleça a vontade política.
Ou seja, é preciso que sejam abertos espaços midiáticos para que leitores e telespectadores tenham melhores condições de avaliar os acontecimentos nacionais e internacionais. Sem isso, o povo brasileiro continuará refém dos big-shots midiáticos, defensores de interesses que na maior parte das vezes são antagônicos aos da maioria.
Ah, sim: sabem da última? Bush pai, que dirigiu a CIA e presidiu os Estados Unidos, disse que gostaria de ver o seu outro filho, um tal de Jeb, presidente. Esta família acha pouco o mal que causou ao mundo.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
DORES DE UM OUTRO PARTO, PARA O ORIENTE MÉDIO
Dores de um outro parto, para o Oriente Médio
Hasan Abu Nimah*, The Electronic Intifada, 31/12/2008,
http://electronicintifada.net/v2/article10082.shtml
Quando Israel invadiu o Líbano, Condoleezza Rice festejou a agressão como "as dores do parto de um novo Oriente Médio". Bem poderia repetir a expressão. Mas esse não será o parto do Oriente Médio que ela desejou e deseja.
Os selvagens ataques de Israel a Gaza vêm depois de meses e semanas de infindáveis ameaças, movimentos de espionagem e segredos. As ondas de choque alastram-se pelo mundo árabe, seja como efeito do silêncio dos governos árabes, seja pela covardia e cumplicidade internacional seja como efeito da própria barbárie
Israel sempre agiu do mesmo modo. Desde o primeiro dia, e mesmo antes de haver Israel, gangs sionistas lideradas por futuros primeiros-ministros introduziram o terrorismo no Oriente Médio. Israel e seus fundadores foram pioneiros na prática de assassinar funcionários da ONU e líderes palestinenses, e foram pioneiros nos ataques terroristas a hotéis, estações de trem e aos departamentos civis do governo palestinense.
Israel trouxe armas atômicas para o Oriente Médio. Israel introduziu na Região a primeira tecnologia avançada que ali se conheceu, de usurpação e ocupação, de construção de prédios em terras que não pertenciam a israelenses e tinham proprietários regulares e legais. Israel atacou e massacrou civis com armamento ultra-avançado, e sempre inventou justificativas novas, a cada novo crime. Essa, afinal, foi a principal contribuição dos israelenses ao Oriente Médio, durante 60 anos.
A carnificina que se vê hoje em Gaza, portanto, nada tem de novidade, embora, dessa vez, o horror alcance novos e vergonhosos recordes. O coração de todos e de cada um, homens e mulheres comuns nas capitais árabes, apertam-se de dor, e por todos os cantos ouvem-se protestos, sempre, primeiro, contra seus próprios governantes e contra a perversidade que se vê estampada em cada manchete, nas quais a "comunidade internacional" mecanicamente apoia o agressor e ajuda a castigar a vítima.
Verdade é que o que está acontecendo em Gaza já aconteceu outras vezes: os massacres do início de 2008, os do Líbano em 1982, 1996 e 2006, e haveria muitos outros exemplos. Em todos os casos, as reações foram idênticas. Quando Israel atacou o Líbano em 2006, também recebeu luz verde das potências ocidentais e das potências regionais. Então, como hoje, os EUA e a Inglaterra adiaram qualquer proposta de cessar-fogo, para que Israel tivesse tempo para prosseguir a carnificina e tentar atingir os objetivos que tivesse
Em Gaza, Israel criou, mediante o bloqueio e o sítio, e depois de décadas de ocupação e opressão continuadas dos palestinenses que lá vivem, condições que fizeram, do ataque em curso uma profecia que se autocumpre. Assim Israel se auto-encurralou. O assassinato indiscriminado de centenas de civis em Gaza (300 mortos e 700 feridos, apenas nas primeiras 24 horas) gerou os sempre requentados surtos de "preocupação" da "comunidade international."
Israel ignorou a fraca 'conclamação' para pôr fim à violência, que veio do Conselho de Segurança da ONU, porque sabe que veio apenas como cortina de fumaça para dar cobertura política ao próprio Conselho de Segurança, não como primeiro passo de qualquer movimento efetivo para pôr fim à agressão.
Outra vez, como no Líbano, Israel é sempre rápida para iniciar guerras. Mas a questão importante sempre é como sair da guerras. O Hamás – e a empenhada resistência do povo da Palestina – não são exércitos regulares, dos que se derrotem logo à primeira declaração de vitória. Todos sabem que Israel tem poderio militar para destruir Gaza e matar todos os homens e mulheres que lá vivem. Contudo, por mais atrocidades que cometa, o exército israelense sempre sairá de cena sem vitória efetiva a comemorar. Essa é a história dos últimos 60 anos.
Em 2008-9, Israel colherá mais uma derrota em Gaza, para somar à sua macabra colheita de horrores e mortes.
Com mais esse morticínio, Israel garantiu que jamais será aceita como Estado regular, permanente, nessa Região. Esse tipo de integração não se faz por declarações espetaculosas de televisão. Para integrar-se e sobreviver, Israel depende de ser aceita pelos povos que aqui vivem. E sobre o que pensam sobre Israel os povos que aqui vivem, basta apurar o ouvido e ouvir as ruas em todo o Oriente Médio. Esse é o resultado de Israel ter sempre confiado nos "aliados" (que em muitos casos Israel mais domina do que é dominada por eles) que jamais se ocuparam o suficiente com o futuro de Israel a ponto de, para salvar Israel, se não pelo bem das vítimas de Israel, recomendarem moderação a Israel.
É responsabilidade de Israel ter levado os eventos para além do ponto em que qualquer conciliação ainda seria possível, a um ponto
Israel embaraçou, humilhou e enfraqueceu os Estados árabes que propuseram e assinaram tratados de paz na esperança de que os tratados propostos ou assinados gerassem algum ímpeto de paz também nos comandos militares de Israel, principalmente em relação aos palestinenses cujas terras Israel ocupou e ocupa. Israel fez gorar cada abertura e cada iniciativa que os árabes propuseram; para Israel, cada iniciativa de paz vinda do mundo árabe sempre foi vista como mais um ponto a ser explorado, como mais uma fraqueza de um inimigo, do que como oportunidade de crescer e avançar na direção da paz indispensável a todos, na Região. Ao mesmo tempo em que muito clama que só deseja paz e segurança, Israel há muito tempo age como mais um rogue state[1]: desrespeita a legislação internacional, divulga práticas racistas e manifesta completa indiferença pela defesa da vida humana.
Esse processo ainda não está concluído. Israel continuará a andar na direção do abismo, até que as magras "conquistas" em direção à paz – os próprios tratados de paz – virem letra morta. Esse, afinal, parece ser o único desejo dos corpos militares de Israel, por mais que ainda falem de paz.
Ninguém pode prever com segurança de que lado Israel agredirá, nem quem será a próxima vítima – porque as vítimas de Israel sempre são em muito maior número do que as que se vêem. Mas se podem prever alguns resultados muito prováveis.
O massacre de Gaza não destruirá o Hamás, e ainda que Israel execute até o último todos os que apoiam o Hamás, nem assim porá fim à resistência. Ao contrário, a resistência aumentará em toda a Região, fazendo ruir a noção de que a resistência é movimento superado, inviável ou impossível e que a única "escolha estratégica" que restaria aos árabes seria a negociação... depois de muito enfraquecidos.
O massacre de Gaza enfraquecerá e desacreditará ainda mais os chamados "moderados" que trabalham incansavelmente contra qualquer tipo de resistência armada e que apostaram tudo nos fracassados processos de paz, e seus apoiadores e patrocinadores.
Pode acontecer também de vermos o enfraquecimento do papel moderador da opinião pública no mundo árabe, que tem sido extremamente paciente com as negociações estéreis e cenograficamente lideradas por seus representantes políticos. Já é quase impossível fazer reverter a crença já firmemente enraizada na opinião pública de que houve cumplicidade de governos árabes na chacina de Gaza.
Ninguém esquecerá que a ministra dos Negócios Estrangeiros de Israel, Tzipi Livni, lançou suas mais pesadas ameaças contra Gaza quando estava no Cairo, dia 25/12. Ao lado dela, o ministro egípcio homólogo sorria. E não protestou. É mais difícil a cada minuto, para o Egito, justificar seu papel ativo no fechamento do cerco de Gaza, quando ordenou o fechamento da passagem de Rafah.
Fato é que a violência de tentar matar de fome, depois a tiros, a população de Gaza não poderia durar tanto tempo sem a cumplicidade de alguns governos árabes. Essa cumplicidade é marca de escândalo e vergonha, na história do árabes.
Por fim, Israel talvez aprenda a lição que já deveria ter aprendido na invasão do Líbano, em 1982: nenhuma força militar jamais garantiu qualquer segurança estável. Até agora, o exército israelense só tem tornado Israel e os israelenses cada vez menos seguros e cada vez mais odiados.
Israel isola-se cada dia mais, e assim torna cada dia mais coesos os seus inimigos; ao mesmo tempo, põe seus aliados e "amigos" em situação cada dia mais precária.
Vivemos, sem dúvida alguma, os últimos dias de uma era que começou com a conferência de paz de Madrid, há 17 anos. O "processo de paz" inaugurado naquela conferência, baseado na legislação internacional e que visava a institucionalizar o lugar de Israel no mundo árabe, falhou completamente e não há o que o faça renascer. E não se pode admitir que a violência continue a imperar.
Uma das vias que ainda resta é fazer valer a lei internacional. Nesse caso, Israel perde poder bélico – que não pode continuar a ter, como até agora, desmedido e sem qualquer controle civilizado. E o mundo civilizado impor-se-á, afinal, a Israel.
Para tanto, espera-se coragem de uma "comunidade internacional" que, até agora, só exibiu covardia e não fez mais do que fugir ao cumprimento de seus deveres morais. Governos e organismos internacionais podem optar por continuar a fugir e tentar escapar de cumprir o único papel que justifica que existam. Saibam, pelo menos, que não são imunes às ondas de choque que emanam de Gaza.
* Hasan Abu Nimah é ex-embaixador da Jordânia na ONU. Ensaio publicado no The Jordan Times. Reprodução autorizada pelo autor.
[1] Sobre "rogue states", ver http://en.wikipedia.org/wiki/Rogue_state (NT)




















