quinta-feira, 30 de julho de 2009


Sinopse:

França, século XV, Joana de Domrémy, filha do povo, resiste bravamente a ocupação de seu país. É presa, humilhada, torturada e interrogada de maneira impiedosa por um tribunal eclesiástico, que a levou, involuntariamente, a blasfemar. É colocada na fogueira e morre por Deus e pela França. Último filme mudo de Carl Th. Dreyer, a sua obra-prima máxima, o filme mais fiel à história da guerreira. Todos os filmes de Dreyer, basearam-se em obras de ficção ou peças teatrais, exceto O Martírio de Joana d'Arc, que foi inspirado nos manuscritos oficiais do julgamento da donzela de Orléans. Interpretada de maneira soberba por Renée Falconetti, uma atriz de palco, descoberta por Dreyer numa comédia de boulevard, que sob sua direção, interpretou seu personagem sem uma gota de maquiagem. Esta película foi filmada oito anos depois da canonização de Joana d'Arc e dez anos após o fim da Primeira Grande Guerra, tendo ambos acontecimentos influenciado bastante a concepção de Dreyer no contexto da produção.

Essa é uma versão restaurada e telecinada diretamente do negativo original, com uma nova trilha sonora produzida especialmente para obra.

Download:


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Créditos: Blog do Turquinho.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Entrevista com Manuel Zelaya: "hondurenhos têm direito a pegar em armas"

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, advertiu que “se as armas voltaram às mãos da direita para derrocar presidentes reformistas, então os povos também têm direito de voltar a buscar soluções nesse caminho”


Claudia Jardim
Enviada a Las
Manos (Honduras)



Cercado por guarda-costas, o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, cumprimentava com euforia um grupo de hondurenhos que cruzaram a fronteira com a Nicarágua, local em que ele havia convocado seus simpatizantes para, juntos, reingressarem ao país depois de 26 dias de exílio.

A entrada triunfal programada por Zelaya foi minguada pelo governo golpista de Roberto Micheletti, que decretou estado de sítio nos estados cuja rodovia leva à fronteira, em uma tentativa de impedir a mobilização convocada pela Frente de Resistência ao Golpe.

Empenhados em receber o presidente deposto, porém, centenas de hondurenhos se aventuraram pelas montanhas do país para driblar a repressão do Exército. Entre abraços e gritos de “urge Mel!” (algo como “apareça, Mel!”, apelido pelo qual é conhecido), a segurança do mandatário advertia sobre a presença de franco atiradores em uma colina.

Sem a multidão esperada, Zelaya não cruzou a fronteira. Se o fizesse, “seria preso”, advertiu um coronel do Exército hondurenho encarregado da vigilância da aduana. O presidente deposto aguardava a resposta de uma "negociação" para que o Exército permitisse sua entrada. Não houve acordo.

Sentado em um jeep rodeado por simpatizantes, Manuel Zelaya conversou brevemente com o Brasil de Fato. Visivelmente cansado e aparentemente sem estratégia real para garantir seu retorno à presidência, ele advertiu que “se as armas voltaram às mãos da direita para derrocar presidentes reformistas, então os povos também tem direito de voltar a buscar soluções nesse caminho”.

Brasil de Fato – O governo dos EUA criticou sua decisão de tentar voltar ao país sem um prévio acordo com o governo golpista. Qual sua opinião?


Manuel Zelaya – Dei todas as tréguas. Fui extremamente tolerante, esperei e apoiei todas as decisões tomadas pela comunidade internacional. Aceitei o que disse a Secretária de Estado [estadunidense, Hillary] Clinton. No entanto, os golpistas continuam reprimindo o povo, violando os direitos humanos da população, apropriando-se de recursos que não lhes pertencem, usurpando a soberania popular, traindo os poderes do Estado. Me tiraram de casa em uma madrugada a balaços, amarrado. Nunca me acusaram formalmente em uma demanda judicial, nunca fizeram acusação anterior. Agora inventaram acusações contra mim, minha família e meus ministros. Os militares falam de democracias, mas quando alguém emite uma posição contrária, é declarado comunista, perseguem e dão um golpe de Estado. A elite hondurenha é extremamente conservadora.

O senhor não pôde entrar em Honduras como previsto. O que pretende fazer?


Mantenho o chamado ao povo hondurenho para que venham à fronteira. [O Exército impede que os manifestantes cheguem à zona fronteiriça]. São só 12 quilômetros entre El Paraíso [último ponto de bloqueio do Exército] e Las Manos. As pessoas podem vir caminhando, a polícia não vai deter. E também há outras possibilidades. Tenho dois helicópteros e posso aterrizar em qualquer lado.

Quais foram os fatores determinantes que desencadearam o golpe de Estado?

Honduras é a terceira economia mais pobre na América Latina. De cada dez hondurenhos, oito vivem na pobreza e três vivem em pobreza extrema. Acredito que uma sociedade que vive assim há pelo menos um século deve ser analisada para a promoção de mudanças. E essas mudanças estão relacionadas com a forma de estabelecer o sistema de governo. É evidente que as elites econômicas, que são privilegiadas por essa situação, pelo status quo, não querem essas mudanças. Então, a única maneira de promover mudanças em Honduras é ampliar os espaços de participação cidadã, os processos de participação social. Apontei isso e os oligarcas me declararam inimigo da pátria; e começaram a conspirar contra mim.

Aumentei o salário dos trabalhadores, tentei incorporar a reforma agrária, abri as portas ao socialismo do Sul e isso foi considerado um delito. Tudo isso contribuiu para que a oligarquia econômica – apoiada pelos velhos falcões de Washington, como Otto Reich e Robert Carmona, e alguns congressistas estadunidenses – começassem a conspiração que resultou no golpe. Mas se equivocaram. Pensaram que seria fácil como no século 20, quando em 48 horas os golpistas conseguiam dominar o povo. O povo agora já leva 28 dias nas ruas, reclamando, dizendo que não aceitam esse golpe. A comunidade internacional também mudou. Já não aceitam golpes de Estado, porque realmente são ilegítimos, são um retrocesso, é a volta da força sobre a razão. É a volta da violência sobre as urnas. Isso provocou o golpe. O temor às mudanças, temor ao que o povo se organize.

A imprensa hondurenha o compara com o presidente Hugo Chávez. Como o senhor define seu governo?

De centro-esquerda. De centro porque apoiamos o liberalismo econômico e de esquerda porque apoiamos processos sociais, socialistas. Busquei um meio termo. Mesmo assim me declararam inimigo das elites econômicas, precisamente porque aumentei o salário mínimo dos trabalhadores. Me parece injusto que me deem um golpe de Estado porque estava fazendo uma consulta pública para ver qual era a tendência do povo em relação aos processos de participação cidadã. É ridículo o que aconteceu, o mundo está rindo dos golpistas, ninguém reconhece suas ações.

Muitos consideram que os EUA adotaram uma postura dúbia nesta crise. Condenou o golpe, porém não aplicou sanções econômicas ao governo de fato de Roberto Micheletti. Qual sua avaliação?


O governo de Barack Obama tem sido congruente com uma diplomacia multilateral e deu demonstrações de querer resolver o problema. Mas não ocorre a mesma coisa em outros grupos de poder dos EUA. Eles sim estão apoiando o golpe, a velha guarda dos conservadores está apoiando o golpe. Obama não. A secretária de Estado Hillary Clinton foi clara. Mas nos EUA há muitos interesses políticos e econômicos e há muita gente sectária, que querem impor sua ideologia.

O senhor busca retomar o poder, porém, até agora, Micheletti tem reiterado que não acatará a determinação da Organização de Estados Americanos (OEA) de restituí-lo ao cargo. O que pode significar esse precedente para a América Central?

Este golpe mata a força da soberania popular. Isso abre um precedente no sentido de que se as armas voltaram às mãos da direita para derrocar presidentes reformistas, então os povos também têm direito de voltar a buscar soluções nesse caminho, coisa que não desejamos. Primeiro, dizem à população que há que votar e que a democracia é seu direito, e agora as armas voltam a atacar a democracia. Isso não se pode permitir. Há que lutar contra isso.

Com as Forças Armadas, Congresso e empresários sustentando o golpe, o que o senhor pretende fazer para recuperar o poder?

Me manter firme.

Fpnte: www.brasildefato.com.br

terça-feira, 28 de julho de 2009

Candomblé é patrimônio imaterial do estado

RIO - Religiosos e pesquisadores comemoraram nesta sexta-feira a decisão do governo do Rio de declarar o candomblé um patrimônio imaterial do estado. A lei, proposta pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT), foi sancionada pelo governador em exercício, Luiz Fernando de Souza Pezão, e publicada quinta-feira no Diário Oficial. Projeto semelhante, que trata da umbanda, já foi aprovado na Alerj e aguarda sanção do governador.

A museóloga e pesquisadora de Cultos Afro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Márcia Netto comemorou:

- Grande notícia! Acho que muda muita coisa para essas religiões que, até há pouco tempo, eram vistas como folclore ou seita. Vai ajudar a diminuir o preconceito, dar credibilidade e ajudar a desmistificar. O preconceito contra o candomblé vem desde a colonização.

Gilberto Palmares espera que a lei ajude a reduzir a intolerância religiosa:

- A partir do momento em que os cultos viram patrimônio, eles passam a ser mais divulgados, diminuindo a violência -- afirmou o deputado.

Fonte: www.oglobo.com.br

domingo, 26 de julho de 2009

Notícias duvidosas.

Hoje, no programa Esporte Espetacular, exibido pela Rede Globo de TV, nos deparamos com uma matéria que instiga nosso questionamento. A tal emissora fez uma reportagem no Haiti e conseqüentemente a participação do Exército Brasileiro naquela região miserável do planeta. A reportagem teve como pano de fundo as supostas ajudas fornecidas pelo nosso exército àquela população, bem como o bom relacionamento com o provo do Haiti.


No entanto, para o expectador mais atendo os fatos são bem outros, pois inúmeras são as notícias de que a ONU, incluindo nossos soldados, servem mais de força de repressão do que colaboradores da paz, pois muito pouco tem feito naquele país nesse sentido, ao contrário do que mostrou a reportagem da Tv Globo.


No decorrer da reportagem faz-se menção aos soldados brasileiros e seu heroísmo, ao combaterem inúmeras gangues. Temos ai outro fato questionável. Que gangues são estas? São mesmo baderneiros os haitianos que sofrem a repressão dos soldados brasileiros? Em 2007 ficamos sabendo através da mídia alternativa, que sempre que o povo se revoltava, através de protestos, a polícia do Haiti, juntamente com soldados brasileiros, reprimiam violentamente qualquer manifestação. Seriam esses os atores sociais denominados por membros de gangues, segundo a reportagem da Globo?


Manifestos contra o aumento do preço dos alimentos (2008) e a favor do aumento do salário mínimo ocorrido em junho deste ano são exemplos de manifestações do povo haitiano. Seriam esses os membros das tais gangues?


Prof. Édney Silva Mesquita


sábado, 25 de julho de 2009

Esperanto Vive.


Emissão de rádio em esperanto pelo mundo inteiro
Clique aqui.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Temporão, gripe suína e mídia: "Clima de insegurança ou medo não é bom conselheiro'

por Conceição Lemes

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, concedeu ontem uma longa entrevista sobre influenza A,ou gripe A, popularmente conhecida como gripe suína, à EBC (Empresa Brasil de Comunicação). Foi durante o programa Bom Dia, Ministro.

"Esse é um momento, onde a imprensa, a TV e os jornais tem grande responsabilidade de informar, educar, orientar a população", alertou Temporão. "É para a gente não crie um clima de insegurança ou de medo, que não são bons conselheiros."

Durante 59m e 42s, Temporão respondeu as dúvidas de âncoras de emissoras de rádio do Brasil inteiro.

Eis alguns trechos:

Comportamento da doença: Embora seja uma nova doença, que traz dúvidas, interrogações e insegurança, o seu comportamento na prática tem semelhanças muito grandes com da gripe comum. Seja do ponto de vista dos sinais, dos sintomas da letalidade, do tratamento e das medidas de prevenção.


Grupos de risco: São em geral crianças muito pequenas, idosos, mulheres grávidas, pessoas que tem principalmente doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, bronquite, enfisema, asma. Também pessoas que se tratam de doenças que reduzem a imunidade do organismo, como câncer, pessoas que fazem quimioterapia ou que fizeram transplantes de órgãos, e por isso estão tomando medicamentos para evitar a rejeição.

Medicamentos: Só a partir do dia 8 de julho é que nós declaramos que o vírus circulava livremente no Brasil. Até então nós tínhamos um número pequeno de casos e um número muito pequeno de óbitos. Esse começo é o que eu chamo de fase um. Foi a fase de contenção de impedir que o vírus circulasse no Brasil. E nós obtivemos grande sucesso, afinal de contas durante 80 dias impedimos a circulação do vírus. Agora, nós estamos distribuindo 50 mil tratamentos. Em nenhum momento faltou medicamentos. E não faltará, porque nós temos nove milhões de tratamentos estocados na Fundação Oswaldo Cruz, prontos para serem distribuídos.

Estados do Sul: A grande preocupação nesse momento é evidentemente com a situação dos estados do Sul, onde as baixas temperaturas durante essa época do ano facilitam muito a propagação das doenças respiratórias, entre elas essa nova virose. Essa preocupação também se estende a São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. A situação nos estados da região Centro-Oeste, Nordeste e Norte é bastante distinta, até pelas especificidades climáticas que ajudam um pouco. Isso não quer dizer que a doença não possa contaminar um grupo de pessoas dessas regiões.

Medicamento na farmácia: Em nenhum momento houve uma solicitação formal ou uma determinação do Ministério da Saúde de que o laboratório retirasse o produto das farmácias. Isso não aconteceu. Entretanto, do ponto de vista prático, imagino que há uma gigantesca demanda mundial por esse medicamento e o laboratório está tentando atender todos os pedidos. Assim, o medicamento não é encontrado hoje nas farmácias.

Outro aspecto. O fato do medicamento não estar disponível nas farmácias é extremamente positivo, e vou te explicar por quê. Numa situação como essa, mesmo que exigíssemos que o medicamento fosse prescrito por um médico, ou seja, houvesse exigência de receita médica para a venda, a cultura da automedicação é muito forte no Brasil. O que levaria a uma corrida das pessoas às farmácias na falsa ilusão de que comprando o remédio estariam se protegendo de alguma forma. Nós teríamos pessoas tomando medicamento sem indicação, automedicando-se, e ficando gravemente doentes por efeitos colaterais do remédio. O remédio não é isento de efeitos colaterais. E o mais grave é que quanto mais você coloca o vírus em contato com o medicamento maior a probabilidade de que esse vírus sofra uma mutação e apresente resistência ao remédio. E, aí, tem uma questão muito grave que é a seguinte: nesse momento em que não temos ainda uma vacina, a única arma contra essa doença é apenas esse remédio. Se o vírus desenvolve resistência a esse medicamento, nós ficaríamos numa situação dramática, crítica.

Prevenção: Existem medidas de prevenção que ajudam a nos proteger. O vírus está dentro das pessoas. Então, quando a pessoa tosse ou espirra, ela projeta microgotículas no ambiente, e dentro destas microgotículas está o vírus. Se você estiver perto, bem perto desta pessoa, você pode inspirar essas microgotículas. Mas elas podem também se depositar sobre superfícies. Existem estudos mostrando que o vírus sobrevive nessas situações entre 24 a 72 horas. Ora, é muito comum, muito provável que você toque algumas dessas superfícies. Então, a medida mais importante é lavar as mãos com água e sabão várias vezes ao dia. A segunda, para as pessoas que estão resfriadas ou gripadas, é o uso do lenço descartável ao tossir e espirrar, cobrindo o nariz e a boca. A terceira medida é não compartilhar alimentos, copos, talheres, pratos, objetos de uso comum. E, uma quarta medida, tentar estar em ambientes arejados.


Exames laboratoriais: Em num primeiro momento, o Brasil se preparou para impedir que o vírus entrasse e circulasse. Nós conseguimos isso durante 80 dias. Nessa etapa, era muito importante que em todos os casos suspeitos fosse feito exame laboratorial, porque havia necessidade da certeza de que aquele caso era ou não causado pela nova gripe. Era um trabalho obsessivo de rastreamento de todos os contatos. Mas quando nós percebemos que em um caso de São Paulo não foi possível estabelecer um vínculo entre o caso confirmado e alguém que tinha vindo de fora, deixou de fazer sentido o exame diagnóstico de certeza em todos os casos. A própria Organização Mundial de Saúde orienta os países dessa forma. Na atual fase, o teste deve ser feito apenas em duas situações. Primeira: o Brasil tem uma rede de 68 centros de referência, que colhe material das pessoas com síndrome gripal. Para que isso? Para que a gente possa estar monitorando se o vírus está circulando e aonde ele está circulando. Segunda: todos os casos graves e todos os casos que forem a óbito terão material colhido e o exame de certeza ser realizado. Por quê? Porque nós temos que monitorar as características do vírus, se ele está ficando mais grave ou se em alguns casos estão aparecendo de maneira diferente.

Exame versus tratamento: Não há nenhuma relação entre o exame de confirmação -- se a pessoa tem o vírus da gripe sazonal ou o da nova gripe -- do ponto de vista de diagnóstico, clínico ou de tratamento. Ou seja, eu não preciso ter a certeza de diagnóstico para atender a pessoa, fazer o diagnóstico clínico -- que é por sinais e sintomas -- e tratar adequadamente, porque o mesmo remédio que eu uso para tratar a gripe sazonal, eu uso para tratar a nova gripe. Então, eu chego a um médico com um quadro de gripe hoje. Para ele não tem mais importância se é uma gripe comum ou se é uma nova gripe. É uma gripe. Ele vai avaliar e vai ver se você está dentro do critério de grupo de risco, vai ver se você está com uma gripe branda que vai se resolver sozinha, vai te orientar a ficar em casa, repousando, não ir trabalhar, não ir à escola, porque você estaria passando a gripe comum ou a outra para outras pessoas. Se a pessoa está num quadro um pouco mais grave ou se enquadra no grupo de risco, vai tomar um medicamento específico. Então, é por esse motivo que nesse momento em nenhum país do mundo se faz mais o exame laboratorial para todos os casos.

Comportamento do vírus: A própria Organização Mundial de Saúde recentemente declarou que não há nenhuma percepção de que há mudança de comportamento de vírus ou da sua estrutura. Ou seja, o vírus se mantém estável; ele não sofreu nenhuma mutação e tem uma letalidade bastante semelhante à da gripe comum.

Sintomas e orientações: O principal deles é febre acima de 38 graus. O segundo é tosse, que pode vir acompanhado também de dor de garganta, dores musculares, dores nas articulações e dificuldade respiratória ou cansaço pra respirar. Então, se você tem qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde, não procurar um hospital. A rede de hospitais -- nós temos cerca de 900 leitos equipados pra atender os casos mais graves -- deve atender os casos que necessitam de internação, os casos mais graves. Se a pessoa tem os sintomas, ela deve procurar, o seu médico do plano de saúde. Se ela usa o Sistema Único de Saúde, o serviço que ela usa normalmente. Procure a equipe de Saúde da Família, o centro de saúde, o posto de saúde, o ambulatório, a policlínica ou a unidade de pronto-atendimento 24 horas.

Vacina: Algumas pessoas que perguntam 'cadê a vacina? ' O problema é o seguinte: neste momento, ainda não existe uma vacina. O processo de produção de uma vacina contra a gripe demora entre quatro a seis meses, pelo menos. Ela tem que ser testada em pessoas. Porque podem surgir efeitos colaterais inesperados. Ela pode não proteger adequadamente. Então, nós temos que ter segurança total de que a nova vacina vai proteger e não causar mais complicações. Qual é a expectativa? Entre outubro e novembro, é provável que já existam algumas vacinas que estariam sendo utilizadas pelos países do Hemisfério Norte, porque lá vai está começando o inverno. O Brasil está fazendo o quê? Estamos em contato com todos os laboratórios que estão trabalhando para ter uma vacina, já estamos perguntando o preço e ofertas de doses. E o Instituto Butantan, em São Paulo, tem capacidade industrial e tecnologia pata fazer a vacina e, com certeza, será um dos laboratórios que vai fazer. O Brasil terá essa vacina para proteger a população no ano que vem.

Fonte: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/temporao-gripe-suina-e-midia-clima-de-inseguranca-ou-medo-nao-e-bom-conselheiro/

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Boca no Trombone

Os indesejáveis

Avigdor Liberman, ministro das Relações Exteriores do atual governo de Israel, acaba de concluir viagem de dois dias ao Brasil. Líder do Israel Beiteinu, partido de extrema-direita que se caracteriza pelo discurso xenófobo e se opõe à criação de um Estado palestino, Liberman tem sido recebido com frieza e manifestações de repúdio pelos países onde tem passado.

Ironicamente, anuncia-se a visita ao Brasil de outro personagem sinistro: Mahmoud Ahmadinejad, presidente reeleito do Irã, cujo discurso guarda semelhanças com o do chanceler israelense na intolerância e no fanatismo.

São igualmente indesejáveis as presenças em solo brasileiro de políticos avessos ao diálogo e que constroem suas carreiras fincados na intransigência. O ódio deve ser condenado, seja qual for a bandeira sob a qual se abriga.

Rio de Janeiro, 23 de julho de 2009

Amigos Brasileiros do Paz Agora

ICUF - Ídisher Cultur Farband ( Argentina )

ASA – Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação

Meretz


Tesouros da Babilônia

Por Khalid al-Ansary


BAGDÁ (Reuters) - Arqueólogos iraquianos descobriram 4.000 artefatos, em sua maioria da antiguidade babilônia, incluindo carimbos reais, talismãs e tabuletas de argila marcadas em escrita cuneiforme sumeriana, a mais antiga forma conhecida de escrita.


O Ministério do Turismo e das Antiguidades anunciou na quarta-feira que os tesouros foram encontrados após dois anos de escavações em 20 lugares diferentes nas regiões entre os rios Tigre e Eufrates, a terra descrita pelos gregos da antiguidade como Mesopotâmia.


Além de artefatos babilônios, foram encontrados artefatos do império persa da antiguidade e outros de cidades islâmicas medievais, mais recentes.


"Os resultados destas escavações indicam que as antiguidades iraquianas não vão se esgotar no futuro próximo", disse um porta-voz do Ministério do Turismo e das Antiguidades, Abdul-Zahra al Telagani.


"Eles também nos incentivam a continuar o trabalho de reabilitação de nossos sítios antigos, para convertê-los em atrações turísticas."


Os artefatos serão transferidos para o Museu Nacional em Bagdá, que precisa ser reabastecido desde que saqueadores roubaram dele aproximadamente 15 mil artefatos após a invasão de 2003 liderada pelos EUA. Desde então, cerca de 6.000 dos itens roubados foram devolvidos.


Situado no coração de uma região descrita pelos historiadores como berço da civilização, o Iraque espera que a redução da violência para níveis não vistos desde o final de 2003 incentive turistas a visitar seus sítios antigos.


Alguns dos destaques potenciais incluem a cidade bíblica da Babilônia, famosa por seus Jardins Suspensos, a cidade assíria de Nínive, ao norte, relíquias de muitas cidadelas islâmicas medievais e alguns dos santuários e mesquitas mais sagrados do islã xiita.


O Iraque recebeu o primeiro grupo de turistas ocidentais no mês passado, e as autoridades esperam que venham outros.


Abbas Fadhil, chefe da equipe responsável pelas escavações, acha que alguns dos artefatos encontrados podem ter significado enorme.


Dos dois talismãs raros encontrados, um mostra um rosto esculpido em estilo sumeriano, emoldurado por um triângulo. O outro é uma pedra vermelha com um antílope correndo gravado nela.


Qais Hussein Rasheed, diretor interino do comitê de antiguidades e patrimônio histórico, disse a jornalistas que o país ainda tem um problema sério com saqueadores assaltando sítios arqueológicos.


"Esses sítios são vulneráveis a roubos intermináveis cometidos por ladrões, contrabandistas e quadrilhas organizadas, porque não são protegidos", disse ele. "Pedimos aos ministérios relevantes que mandem policiais para vigiá-los, mas não recebemos muitos até agora."

Fonte: www.historianet.com

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Nelson Piquet


Andando num simulador da Renault com a presenca de jornalistas, hoje, na Hungria.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Eleutério Fenita
Correspondente da BBC em Maputo

Vítimas de xenofobia em 'situação difícil'

Em Moçambique estima-se que permanecem actualmente no país cerca de 24 mil, dos cerca de 40 mil Moçambicanos, forçados a abandonar a vizinha África do Sul devido à onda de violência contra estrangeiros do ano passado.

Para a grande maioria a situação continua difícil, havendo inclusivamente algumas situações de discriminação mesmo localmente.

A questão da reintegração das vítimas da xenofobia esteve em debate num que esta quarta-feira teve lugar na capital Moçambicana, Maputo.

Depois de um fio de incidentes isolados, há pouco mais de um ano, na África do Sul, várias cidades daquele país vizinho foram tomadas de assalto por uma orgia de violência contra estrangeiros.

Regressados

Contavam-se 40 mil moçambicanos, entre as dezenas de mortos, centenas de feridos, várias residências, lojas e outros estabelecimentos destruídos e cerca de dezenas de milhar de pessoas forçadas a abandonar a África do Sul.

Um estudo do Governo Moçambicano diz que daquele número, 16 mil terão já regressado a África do Sul.

O que está a acontecer com os demais foi o que o motivou o encontro de reflexão organizado pela FDC, a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade.

A representante da FDC, Ácia Sales, disse que “a maior preocupação não é tanto pela parte material ou económica, mas pela vertente social, que tem efeitos muito graves e a longo prazo.”

Integração

Vítimas da violência
Violência xenófeba inspirou à produção do documentário ‘A Fronteira entre o Amor e o Ódio’.

Um dos momentos mais altos do encontro sobre as acções de intervenção para a integração socio-económica e profissional das vítimas da xenofobia foi a exibição de um documentário intitulado ‘A Fronteira entre o Amor e o Ódio’.

O seu realizador é o conhecido cineasta moçambicano, Camilo de Sousa disse que a situação é dramática.

“A maior parte destas pessoas nem sequer conhece exactamente as suas zonas de origem. Os filhos não falam nenhuma língua moçambicana, não se expressam em português nem se podem matricular numa escola. Isto é o que leva estas pessoas ao desespero.”

O que fica claro é que à vontade da sociedade civil, deve-se juntar o imprescindível: os meios necessários para a reintegração social, económica e profissional dos imigrantes Moçambicanos na África do Sul, forçados a regressarem ao seu país devido à onda de xenofobia neste último país.

Abílio Campos, da Cruz Vermelha de Moçambique, disse ser necessário um maior contributo para apoiar as vítimas da xenofobia.

"É preciso arranjar empregos e despertar a consciência, desde a comunidade empresarial ao cidadão moçambicanos e estrangeiros, para contribuírem com vista a reintegração das vítimas”.

domingo, 19 de julho de 2009

O Esperanto segue vivo.

Passados uns 20 anos da minha primeira aula de Esperanto (Lingua Universal, criada no século XIX), resolvi voltar a estudar e, quem sabe, me comunicar com outros esperantistas . Tendo em vista que já não praticava fazia tempo (pelo menos 12 anos), fiquei surpreso em saber que o número de adeptos deste idioma universal cresce cada vez mais. Em alguns dias voltei a falar o esperanto, aliás são somente 16 regras, o que o torna facil demais, e nestes poucos dias fiz amigos em Cuba, Hungria, Estados Unidos e Rússia. Nada é mais gratificante que poder se comunicar com seres humanos de outras culturas através de um idioma facil de aprender e de graça.
E viva o Esperanto!

Aprenda Gratis: http://pt.lernu.net/index.php
O mistério da ponta dos Naufragados

FOLHA DE SÃO PAULO - 19/07/09

UM MISTÉRIO da arqueologia colonial brasileira será desvendado logo que a Marinha assinar o contrato que permitirá aos mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul o manuseio de destroços que estão a 12 metros de profundidade nas águas da ponta dos Naufragados, em Florianópolis. Lá, no leito do mar, está uma massa com 30 metros de extensão e 8 metros de altura, coberta por séculos de craca. Sob a crosta dorme uma embarcação, provavelmente espanhola e do século 16.
Segundo o historiador catarinense João Carlos Mosimann, é possível que se tenha descoberto o túmulo da nau Santa Maria de la Concepción, capitânia da expedição do navegador veneziano Sebastião Caboto, que explorou o rio da Prata. Ela afundou em 1526 e o local do achado confere com uma narrativa da época. Também é possível, com menor probabilidade, que a carcaça seja de uma caravela da frota de Juan Dias de Solís que naufragou dez anos antes, na mesma região. (Solís esteve na embocadura do Prata, mas foi comido pelos índios.)
Os dois naufrágios, bem como a história das duas expedições, cruzam-se numa fantástica aventura. Em 1516, quando a caravela de Solís afundou, havia no Brasil algo como 30 europeus. Onze marujos sobreviveram ao naufrágio, juntaram-se aos índios carijós e alguns deles foram felizes para sempre. Um, o negro (ou mulato) Francisco Pacheco, provavelmente foi o primeiro afrodescentente a formar família em Pindorama. Ele subiu os Andes com uma tropa de índios e chegou a uma terra de reis cobertos de metais e pedras preciosas. Eram os incas. A expedição foi massacrada, mas Pacheco sobreviveu e regressou com amostras de prata. Mais tarde ele retornaria à Espanha com a mulher índia, filhos e alguns carijós. (Outro náufrago, o grumete português Henrique Montes, regressou com duas mulheres e instalou uma em Lisboa e a outra em Sevilha.)
Ao ver a prata de Pacheco, o navegador veneziano mudou seu plano de circum-navegar a Terra e subiu o rio Paraná à procura das riquezas. Deu-se mal e acabou desterrado. Foram os náufragos de Santa Catarina, com a notícia do ouro e da prata das montanhas, que provocaram a expedição de Martim Afonso de Souza, na qual veio o Henrique das duas mulheres.
Essas aventuras estão contadas por Mosimann no seu livro "Porto dos Patos - A fantástica e Verdadeira História da Ilha de Santa Catarina na Era dos Descobrimentos", e por Amílcar D'Avila Mello no seu monumental "Expedições - Santa Catarina na Era dos Descobrimentos Geográficos".
A carcaça das cercanias da praia dos Naufragados foi achada pelo mergulhador Gabriel Correa, de 37 anos. Em 2005, ele viu uma âncora, que já foi identificada como peça espanhola do século 16. Meses depois achou-se a massa da embarcação, a 23 metros de distância. Em janeiro passado, os mergulhadores localizaram um canhão de três metros na parte superior do barco e, alguns mergulhos depois, viram seis balas de um canhonete de sinalização, esferas de ferro do tamanho de bolas de pingue-pongue.
Com uma ajuda de R$ 400 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa Científica e Tecnológica de Santa Catarina, Correa e uma equipe de seis mergulhadores trabalham com um sonar, detectores de metais e câmeras subaquáticas. Eles descem ao túmulo regularmente e nunca tiraram uma só peça do lugar. Correa acredita que o mistério será desfeito quando encontrarem o sino do navio ou examinarem o canhão em terra firme, limpo. Num dos dois deve estar inscrito o nome do barco.
Se debaixo da craca estiver a caravela de De Solís, ela será a mais antiga ruína de embarcação naufragada nos mares das Américas.

A corrupção na perspectiva histórica

Boris Fausto

A mídia vem cumprindo, dia após dia, o importante papel de denunciar os escândalos da corrupção. Aqui, coloco um grãozinho numa linha de raciocínio que busca aprofundar o entendimento do problema.

Começo pelo conceito de corrupção, que não pode ser confundido com a prática de infrações penais sem a interveniência de um agente público, como sujeito ativo ou passivo. Exemplificando, um crime de sequestro é hediondo, mas não envolve corrupção; um "agrado" a um policial de trânsito para que não aplique a lei constitui corrupção, apesar de ser uma infração muito menos grave.

Deixo de lado a corrupção miúda e me concentro nas grandes ações, pois as diferenças entre o varejo e o atacado são enormes. Falo, pois, do conluio entre grandes empresas e governantes na contratação de obras públicas; das benesses ilegais a parlamentares, venham de onde vierem; dos desvios de verbas públicas para bolsos privados e de toda uma série de delitos que fazem parte do pão nosso de cada dia.

Uma percepção corrente aponta a eternidade da corrupção em nosso país, invocando as raízes da formação ibérica, em que imperaram as relações sociopolíticas patrimonialistas e, portanto, a indistinção do patrimônio público e do privado. Uma decorrência dessa perspectiva é o fatalismo que tende a acompanhá-la. Se esse e outros problemas graves do País estão inscritos no seu DNA, as possibilidades de superá-los seriam remotas, na melhor das hipóteses.

Mas não se pode entender a corrupção dos dias de hoje sem levar em conta a perspectiva histórica. Não se trata de desconsiderar as raízes da nossa formação, mas de ir além delas, pois as instituições, as percepções culturais, a própria definição do que constitui corrupção se movem ao longo do tempo.

Passo a uma recorrente pergunta. Vivemos numa época em que a corrupção chegou a níveis impensáveis no passado ou apenas ela se tornou mais conhecida, pela atuação da mídia e pelos esforços das autoridades para reprimi-la? Não tenho dúvidas de que tudo cresceu; a corrupção, que ganhou formas e alcance inéditos, assim como sua denúncia e repressão.

Num sumaríssimo percurso da História do País, tomando como época inicial a Primeira República (1889-1930), observo que a elite política da época raramente foi acusada de práticas corruptas. Exemplo extremo, o último dos presidentes do período, Washington Luís, depois de deposto, partiu para o exílio, vivendo no exterior com crescentes dificuldades financeiras. Porém, ao mesmo tempo, quase todas as figuras políticas da época foram coniventes com a fraude eleitoral - um signo aberrante de corrupção política, combatido pelas frágeis forças de oposição.

Após a Revolução de 1930 e a chegada ao poder de Getúlio Vargas, a corrupção começou a ganhar força e novas formas, para isso concorrendo as possibilidades abertas pelo processo de industrialização. Mas o maior salto e a nítida transformação do problema se deram a partir da construção de Brasília. De um lado, pelos arranjos, nada transparentes, entre o governo e as grandes construtoras, cujo crescimento vem dessa época. De outro, o isolamento dos Poderes da República no Planalto Central facilitou a emergência de um mundo de fantasia e a formação de um clube misto de oligarcas e de arrivistas, distintos dos "homens comuns", guardadas as exceções de sempre. Depois, os tempos recentes da financeirização da vida econômica introduziram um quadro facilitador de toda sorte de manobras especulativas, algumas delas ilegais, às vezes com o beneplácito de agentes público.

Do ângulo da população, é frequente ouvir dizer que a grande massa é indiferente a práticas condenáveis se seu bolso estiver um pouco menos vazio do que habitualmente acontece. O quadro atual alicerça, em parte, a veracidade dessa percepção, mas só em parte. Quem primeiro associou a moralização do governo e da sociedade com práticas populistas foi Jânio Quadros, cuja vassoura simbólica lhe proporcionou uma rápida ascensão, sustentada pelo voto popular. Fernando Collor saiu do anonimato com o anúncio da caça aos marajás e as acusações de irregularidades do então presidente Sarney. Que ambos tenham desiludido, estrepitosamente, a grande maioria dos eleitores ajuda a compreender as inclinações mais recentes da massa popular, alheia aos escândalos de toda sorte, às alianças políticas mais espúrias, desde que obtenha benefícios em suas limitadas condições de vida.

Seria equivocado negar os avanços institucionais e das medidas repressivas. A fraude eleitoral tornou-se praticamente coisa do passado; os esforços no sentido de apurar a responsabilidade das redes de corrupção são evidentes; a lavagem de dinheiro, obtido de forma ilícita, tornou-se bem mais complicada, etc.

Mas os avanços ocorrem em ritmo lento, enquanto a atividade corruptora segue em alta velocidade. Denúncias e processos se multiplicam, enquanto as punições são raras ou tardias. Sem entrar em propostas específicas no sentido de enfrentar esse quadro, lembro alguns objetivos amplos. Em primeiro lugar, o fortalecimento das instituições públicas, tornando-as cada vez mais estáveis e não tão dependentes deste ou daquele governo. Na outra ponta, a noção de responsabilidade social dos dirigentes das grandes empresas, que pouco a pouco se vai firmando.

Ao mesmo tempo, a luta pela construção de uma sociedade em que a prática da corrupção seja limitada (em algum grau ela sempre existirá) depende de uma combinação de fatores. Um deles é a repressão e a punição eficazes, que teriam um efeito extraordinário no conjunto da vida social. Outro é o da transformação da nossa cultura transgressora, indispensável tarefa de longo prazo.

Boris Fausto, historiador, presidente do Conselho Acadêmico do Grupo de Conjuntura Internacional (Gacint-USP), é autor, entre outros livros, de História do Brasil (Edusp)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Troca de e-mails serve como prova na Justiça do Trabalho

Um trabalhador da Nokia conseguiu que nossos Tribunais aceitassem a troca de e-mails como prova do excesso de trabalho à que era submetido. A decisão é da lavra do juiz Gustavo Farah Corrêa, da 54ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, condenando a empresa a pagar uma série de benefícios para o trabalhador, além de indenização por danos morais. Cabe recurso da decisão.


Para o juiz Farah, se não há comprovação de que o autor da ação alterou os dados dos e-mails, o juiz não pode descartar as mensagens como meio de prova. Ele lembrou da modernização do Judiciário. Se a informatização já é usada para beneficiar as partes e seus advogados, não há motivo para ignorar as formas de comunicação por meio da internet, disse.

…Se o e-mail é aceito pela corte mais alta na esfera trabalhista para a interposição de recurso de revista, por que não será como meio de prova? […]…Em pleno século XXI, sendo a reclamada uma transnacional do ramo das comunicações, das maiores, senão a maior fabricante de celulares do planeta, como fechar os olhos para as inovações tecnológicas, quando a todo momento nossos lares são invadidos com mensagens comerciais da Nokia, noticiando novas ferramentas para ‘facilitar’ a vida do usuário de seus equipamentos…[…] “Inicialmente, estamos falando em Brasil, de prestação de serviços realizada sob a legislação trabalhista vigente, ou seja, sendo ou não a reclamada uma empresa ‘moderna’, com conceitos novos de flexibilização (engraçado não ser moderna e não adotar tais conceitos na aceitação da validade dos e-mails) deve cumprir a regra do artigo 74, parágrafo segundo, da CLT, o que, com absoluta certeza não cumpria à época”.

O juiz Gustavo Farah considerou fartas as provas de que havia um “volume insuportável de trabalho com dificuldades para o desempenho com eficiência de seu mister”. Condenou a Nokia a pagar, além dos benefícios a que o ex-funcionário tem direito, como hora-extra e férias, indenização por danos morais no valor de R$ 30 mil.

Fonte: http://palavrassussurradas.net/?p=472

terça-feira, 14 de julho de 2009

França: trabalhadores ameaçam explodir fábrica

Cerca de 360 trabalhadores ameaçam fazer explodir as instalações da fábrica New Fabris, em Châtellerault, na região centro de França. A ameaça é feita aos principais clientes daquela produtora de peças para automóveis – a Renault e a PSA Peugeot-Citröen -, dos quais exigem uma indemnização de 30 mil euros por cada trabalhador despedido.

Os cerca de 360 trabalhadores da New Fabris, uma fábrica de componentes para automóveis em França, ameaçam fazer explodir as instalações do complexo fabril se não receberem uma indemnização dos seus principais clientes. O prazo dado por estes trabalhadores, que ocupam a fábrica de forma permanente, é o próximo dia 31 de Julho e os destinatários são a Renault e a PSA Peugeot-Citröen.

Este processo tem origem em Abril, quando se iniciou o processo de insolvência da New Fabris. A falência foi consumada a 16 de Junho. Forçados ao despedimento colectivo e temendo nunca virem a receber as indemnizações correspondentes, os operários exigem agora 30 mil euros por cada trabalhador que fica sem emprego.

“As botijas de gás estão na fábrica. Está tudo previsto para a explosão”, garantiu o sindicalista da Confederação Geral do Trabalho Guy Eyermann, que explica a forma de luta adoptada pelos trabalhadores: “não vamos deixar que a PSA e a Renault aproveitem os meses de Agosto e de Setembro para recuperar as peças em stock e as máquinas ainda na fábrica. Se nós não temos nada então eles não podem ficar com tudo”.

No total, estima-se que o valor das peças e máquinas em causa ronde os 4 milhões de euros. Os trabalhadores já queimaram algumas peças, como forma de protesto e demonstração da sua revolta.

Os representantes da Renault e da PSA Peugeot-Citröen já vieram dizer que não se podem responsabilizar por esta indemnização aos trabalhadores e que isso só poderia acontecer por decisão judicial. A direcção da PSA diz ainda que “não se pode substituir aos accionistas ou ao Estado”.

Os trabalhadores têm encontro previsto com representantes do Governo para o próximo dia 20, por forma a tentar chegar a uma solução. No entanto, o ministro francês da Indústria, Christian Estrosi, já afirmou que não irá receber os operários se estes mantiverem a ameaça de fazer explodir a fábrica.

Assista o vídeo.


Fonte: www.esquerda.net

Notícias da África.

Guiné Conacri em alto estado de alerta

O governo militar da Guiné Conacri diz ter descoberto planos de um ataque contra o país e colocou o exército de alerta em todas as fronteiras.

Segundo um comunicado lido na rádio nacional grupos de homens armados estão a concentrar-se nas fronteiras com a Guiné-Bissau e o Senegal no norte, e Libéria a sul.

A mesma fonte acrescenta que se suspeita que por detrás destes planos estejam cartéis da droga.

A Guiné Conacri tem sido um importante ponto de passagem das drogas em trânsito das Américas para a Europa.

Quando a junta militar liderada pelo capitão Moussa Camara tomou o poder há cerca de 7 meses, prometeu fazer do combate ao tráfico de drogas uma das suas grandes prioridades.

Vários suspeitos importantes foram detidos e aguardam julgamento mas o regime ganhou com isso inimigos poderosos.

O comunicado dizia que o ministério da Defesa foi informado pelos serviços de segurança e outras fontes credíveis que se preparava um ataque armado a partir da fronteira com a Guiné-Bissau e a região de Casamance, no Senegal.

Esta situação surge numa altura em que o governo militar está a ser alvo de pressões cada vez maiores de políticos e de grupos da sociedade civil e também da comunidade internacional para que realize eleições.

O capitão Camara já disse que se retira depois da realização de eleições livres e justas que deverão ter lugar no final deste ano.

A União Africana suspendeu a Guiné-Conacri na sequência do golpe militar que se seguiu à morte do presidente Lansana Conté.

Muitos guineenses reagiram positivamente ao golpe militar que consideraram que iria pôr fim a longos anos de desgovernação.

A Guiné-Conacri possui mais de um terço das reservas mundiais de bauxite e tem também importantes reservas de ouro, diamantes, ferro e níquel.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Para entender o golpe em Honduras
Por Elaine Tavares - jornalista

01.07.2009 - De repente, um pequeno país da América Central, cuja capital poucos conseguem pronunciar o nome, Tegucigalpa, virou notícia mundial. Uma velha e conhecida história ali se repetia, quando mais ninguém acreditava que isso pudesse ser possível. Um golpe de estado contra um presidente que não é nenhum revolucionário de esquerda, pelo contrário, é um bem comportado político do partido liberal. O motivo do golpe é pueril: a decisão do presidente de fazer uma consulta popular sobre a possibilidade de uma Constituinte. Em Honduras, ouvir o povo é considerado um ato de lesa pátria. Nada poderia ser mais anacrônico nestes tempos de particpação protagônica das gentes.

A história

Honduras é um pequeno país da América Central cuja história é muito peculiar. Primeiro, porque foi o berço de uma das mais incríveis civilizações desta parte do mundo: os maias. E segundo, porque durante as guerras de independência que tomaram conta da américa espanhola, foi ali que se criou a República Federal das Províncias Unidas da América Central, um ensaio da pátria grande, tão sonhada por Bolívar. Os maias foram dizimados e a proposta de federação não resistiu ao sonhos de grandeza de alguns e, em 1838, a região da América Central também balcanizou. Honduras virou um estado independente e acabou entrando no diapasão das demais repúblicas da região: dominada por caudilhos e fiel serviçal das grandes potências da época, tais como a Inglaterra, a Alemanha e a nascente nação dos Estados Unidos.

As ligações perigosas

Como era comum naqueles dias, a elite governante se digladiava entre liberais e conservadores. Com o fim da idéia de federação e a morte do liberal Francisco Morazón, considerado o mártir de Tegucigalpa, que morreu em 1842 ainda lutando pela unificação da América Central, os conservadores assumiram o comando e o país virou prisioneiros da dívida externa, conforme conta o historiador James Cockcroft, no livro América Latina e Estados Unidos. Os liberais só voltaram ao poder no final do século XIX, mas já totalmente catequisados para viverem de maneira dependente dos países centrais. No início dos século XX chegaram as bananeiras estadunidenses e com elas o processo de super-exploração. A United Fruit Company, a Standart Fruit e a Zemurray´s Cuyamel Fruit passaram a comandar os destinos das gentes. E quando estas tentaram se rebelar, foi a marinha estadunidense quem desembarcou no país para aplastar as mobilizações. Honduras virou, desde então, um país ocupado. Os camponeses trabalhavam nas piores condições e as bananeiras ditavam as leis, financiando os dois partidos políticos locais.

Nos anos 30, quando uma grande depressão agitou o país, o governante de plantão, General Carías, submeteu o país, com a ajuda armada estadunidnese, a 16 anos de lei marcial. E, como é comum, quando ficou obsoleto, foi retirado do poder por um golpe.

Em 1950, depois da segunda guerra, as bananeiras exigiram mudanças e o Banco Mundial foi chamado para promover a "modernização" de Honduras. Gigantesgas greves de trabalhadores – como a dos plantadores de banana que parou o país por 69 dias - e de estudantes foram aplastadas em nome do desenvolvimento. E tudo o que eles queriam era o direito de ter um sindicato. Havia eleições mas, na verdade, eram os militares quem davam as cartas e foram eles, apavorados com os avanços dos trabalhadores, que assinaram um acordo com os Estados Unidos para que este país pudesse ter bases militares no território hondurenho.

O medo de mais revoltas populares fez com que o governo realizasse uma espécie de reforma agrária nos anos 60 e 70 que acabou freando as mobilizações no campo, embora o benefício não tenha chegado a um décimo dos camponeses. Ao longo dos anos 70 os escândalos envolvendo generais no governo e as bananeiras se sucederam, causando mais mobilização nas cidades e nos campos, onde ostrabalhadores já se organizavam de modo mais sistemático. Mas, os anos 80 trarão um nova ocupação estadunidense que acabou subordinando a vida das gentes outra vez.

Os sandinistas e os EUA

Os anos 80 são tempos de guerra fria. Os Estados Unidos insistem na luta contra Cuba e também contra a Nicarágua que busca sua autonomia através da revolução sandinista. E, assim, com o mesmo velho discurso de combater o comunismo, Jimmy Carter manda para Honduras os seus "boinas verdes", para ajudar na defesa das fronteiras, uma vez que o país faz limite com a Nicarágua. Além disso, os EUA abocanham mais de três milhões de dólares pela venda de armas e alugel de helicópteros. Na verdade, lucram e ainda usam o exército hondurenho para realizar numerosas matanças de refugiados salvadorenhos e nicaraguenses. É ali, em Honduras, que, com o apoio da CIA, se leva a cabo o treinamento dos contras que, por anos, assolaram a revolução sandinista e o próprio governo revolucionário. Era o tempo em que um batalhão especial liderado por um general hondurenho anti-comunista, promoveu massacres contra lideranças da esquerda de toda a região. E assim, durante toda a década, apesar dos escândalos políticos e mudanças de mando, a "ajuda" estadunidense aos generias de plantão sempre se manteve impávida com milhões de dólares sendo investidos nos acampamentos dos contras, que somavam mais de 15 mil soldados.

Nos anos 90, a situação em Honduras era tão crítica que até a conservadora igreja católica passou a apoiar os militantes dos direitos humanos que denunciavam estar o país a beira de uma guerra. A derrota dos sandinistas na Nicarágua refreou os ânimos, mas ainda assim, seguiram as denúncias de assassinatos e violações. No final da década, os governos neoliberais já haviam destruido as cooperativas de trabalhadores e devolvido terras às companhias estadunidenses. Nada mudava no país.

Zelaya

Manuel Zelaya foi eleito presidente em 2005, pelo Partido Liberal, mas esteve em cargos importantes durantes os últimos governos. Era, portanto, um homem do sistema. Seus problemas com os Estados Unidos começaram em 2006, quando decidiu reduzir o custo do petróleo, passando a discutir com Hugo Chávez, da Venezuela, a possibilidade de negócios conjuntos, o que acabou culminando, em janeiro de 2008, com a entrada de Honduras na órbita da Petrocaribe, um acordo de cooperação energética que busca resolver as assimetrias no acesso aos recursos energéticos. Este acordo incluiu Honduras na lógica da ALBA, a Alternativa Bolivariana para as Américas, projeto de Chávez em contraposição à ALCA, que tentava se impor a partir dos Estados Unidos. A proposta de Chávez foi a de vender o petróleo a Honduras, com pagamento de apenas 50%, sendo a outra metade paga em 25 anos, com um juro pífio, permitindo assim que Honduras investisse em áreas sociais. O plano, apesar de bom para o país, foi duramente criticado pela classe política. E os Estados Unidos perderam um parceiro de TLC (os mal fadados acordos de livre comércio), o que provocou tremendo mal estar em Washington.

Assim, quando o presidente Zelaya decidiu fazer um plebiscito, consultando a população sobre a possibilidade de uma Assembléia Nacional Constituinte, e não apenas de uma mudança para um novo mandato como dizem alguns veículos de informação, o mundo veio abaixo. Entre os direitistas de plantão e amigos da política estadunidense, isso era influência de Chávez. O próprio partido Liberal reacinou contra a medida, considerada "progressita" demais. Afinal, uma nova Constituinte colocaria o país num rumo bastante diferente do que vinha sendo trilhado nas últimas décadas. Mesmo assim o presidente levou adiante a proposta de ouvir a população e acabou exonerando o chefe do Estado Maior, general Romeo Vásquez Velásquez, quando este se recusou a distribuir as cédulas para a votação. A Corte Suprema votou contra a consulta popular e exigiu que o presidente reconduzisse o general ao seu posto, o que foi negado. Por conta disso, no dia da votação, domingo, dia 28, os militares prenderam Zelaya, o sequestraram e o levaram para Costa Rica, coincidentemente seguindo os mesmos trâmites do golpe perpetrado contra Chávez em 2001. O Congresso hondurenho chegou a discutir até a sanidade mental do presidente e, no dia do golpe, se prestou a ler uma fictícia carta de renúncia, imediatamente desmentida pelo próprio presidente desterrado. Ainda assim, o Congresso decidiu instituir o presidente da casa, Roberto Micheletti, como presidente da nação. Este, nega que esteja assumindo num momento de golpe. "Foi perfeitamente legal a ação do Congresso", dizia, e, enquanto isso, mandava suspender os sinais de televisão e os telefones.

Reação Popular

Agora estão jogados os dados. O presidente Zelaya disse que volta a Honduras nesta quinta-feira e vai acompanhado de presidentes de nações livres e amigas, tais como Equador e Argentina. O mundo inteiro repudiou o golpe e nenhum país reconheceu o governo golpista. A população deflagrou greve geral no país e, aos poucos, as grandes cidades estão parando. A proposta de Zelaya é reassumir e terminar o seu mandato. Não se sabe se ele vai insistir na consulta popular para uma nova Constituição, tudo vai depender da correlação de forças. Se a sua volta se der a partir da mobilização popular, haverá condições objetivas de apresentar esta proposta aos hondurenhos, além de purgar toda a camarilha que buscou reavivar um passado que as gentes de Honduras não querem mais. Há rumores de que políticos da direita estejam alinhavando um acordo, permitindo a volta do presidente, mas exigindo que ninguém seja punido. Se assim for, a volta será derrota.

O cenário mais provável é que, configurado o apoio popular e também o apoio da comunidade internacional, o presidente Zelaya coloque para correr os golpistas e inaugure um novo tempo em Honduras. Caso seja assim, enfraquece o domínio dos Estados Unidos na região e cresce o fortalecimento da Aliança Bolivariana dos Povos de Nuestra América.

Fonte: http://www.iela.ufsc.br/

Pra não ser esquecido!


Hector Pieterson (196416 de junho de 1976) tornou-se um símbolo do levante em Soweto a partir de uma fotografia feita por Sam Nzima que circulou por todo o mundo.

Hector Pieterson foi um garoto sul-africano de 13 anos morto nos braços de uma colega que fugia da carga policial durante os confrontos ocorridos em Soweto, durante a época do Apartheid na África do Sul. Posteriormente Hector tornar-se-ia a face do massacre numa fotografia que viria a ser publicada por todo o mundo no dia seguinte à tragédia. Os mundialmente conhecidos levantes de Soweto custaram a vida de mais de 100 menores (segundo dados extra-oficiais, o número real seria de mais de 300 vítimas), entre eles Hector Pieterson (cuja foto, ensangüentado nos braços do seu irmão, deu a volta ao mundo e transformou-se num dos símbolos da luta contra o apartaide).


Hoje há na África do sul um memorial que leva seu nome. O Hector Pieterson Museum, que foi construído em 1976, fica em Soweto, na Hector Pieterson Square, e é hoje um local obrigatório de passagem para todos os que visitam pela primeira vez o bairro do Soweto, onde vivem mais de dois milhões de pessoas.

Fonte: www.wikipedia.com

FUNK CARIOCA


O batidão entre a perseguição e a resistência

Por Marcelo Salles



Um ano após a Lei estadual 5.265, que dificulta a realização de bailes funk, profissionais denunciam a repressão policial a cantores, compositores e até a quem simplesmente gosta de ouvir o ritmo popularizado nas favelas do Rio de Janeiro. Na outra ponta, surge a Associação dos Profissionais e Amigos do Funk, cujo objetivo é unificar e politizar a categoria que leva para as pistas centenas de milhares de jovens todos os fins de semana.

Cidade de Deus, domingo, 14 de junho. Chego à rua GG, que na verdade é um espaço vazio, de terra batida, entre cinco ou seis edifícios. Circundado por bares e mercearias, o lugar deve ter o tamanho de uma quadra poliesportiva, talvez um pouco maior. São três da tarde, faz sol e as crianças se divertem. Brincam de pula-pula e de bola. Não resisto e acabo jogando altinha com eles. De repente, a bola cai na lama, suja pouco, quase nada. Mesmo assim um pequeno a toma pela mão e diz: “Peraí, tio”. O menino, magrinho, uns 12 anos, esfrega a bola no meio-fio e completa: “Pra não sujar sua calça”.

Olho pra trás e vejo um policial militar se aproximando. Daí a dez minutos aparece uma blazer da PM, que promove um escândalo inominável: com fuzis – que são armas de guerra - apontados para fora, o carro faz uma ronda passando por vezes muito perto das crianças que ali brincavam.

Enquanto isso a turma montava a aparelhagem de som no final da rua. Ainda era dia quando o sargento Alcântara foi até o DJ e afirmou: “Dez horas tem que acabar”. Com um fuzil semi-automático a tira-colo, ele fazia cumprir a ordem do comando da polícia, que se baseia numa lei (ver quadro) que na prática inviabiliza a realização de bailes funk – a autoria é do ex-chefe de Polícia Civil e ex-deputado estadual Álvaro Lins (PMDB), cassado e preso sob acusações de formação de quadrilha, facilitação de contrabando e lavagem de dinheiro.

Na verdade, o DJ nem ficou tão aborrecido com o policial. Este era o primeiro evento de funk realizado na CDD, berço desse ritmo no Brasil, desde a ocupação policial, em novembro do ano passado. Aqui nasceram letras como “O povo tem a força, só precisa descobrir / se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui” – verdadeiro hino da classe trabalhadora –, escrita por Kátia e Julinho Rasta e popularizada pelos MCs Cidinho e Doca. Neste domingo, por insistência da Associação de Profissionais e Amigos do Funk (APAFunk), o comando da PM autorizou a realização de uma Roda de Funk, prestigiada por gente de todas as idades, incluindo meu parceiro de altinha.

A Lei 5.265, de junho de 2008, encerrou – direta ou indiretamente – bailes em pelo menos 60 casas no estado, segundo Tojão, dono da equipe de som Espião Choque de Monstro. Isso dificulta muito a vida de quem vive do funk – cerca de 10 mil pessoas no Rio de Janeiro, segundo as contas da APAFunk. São DJs, MCs, dançarinos, compositores e empresários, mas também técnicos de som, motoristas, auxiliares e toda uma gama de trabalhadores que, na década de 1980, segundo o antropólogo Hermano Vianna em seu livro “O mundo funk carioca”, mobilizavam mais de um milhão de jovens (cerca de 20% da população da capital fluminense) em 700 bailes todos os finais de semana em torno dessa mistura de soul (música negra estadunidense, cujo maior representante foi James Brown), miami bass (batida eletrônica) e percussão africana. O resultado é o batidão que hoje está entranhado na cultura do Rio de Janeiro, sobretudo nos espaços populares.

A professora Adriana Facina, do Departamento de História da UFF, acompanhou de perto o funk carioca durante um ano e meio para sua pesquisa de pós-doutorado. Entrevistou mais de cem pessoas, esteve em duas dezenas de favelas e foi a bailes da zona sul à zona norte. Após todo esse trabalho de campo, ela acredita que o que existe é uma perseguição à população afro-descendente. “Os que hoje querem proibir o funk são herdeiros históricos daqueles que, no passado, quiseram calar os batuques que vinham das senzalas”. A propósito, o brasão da Polícia Militar do RJ ainda ostenta os ramos de cana e café, produtos que sustentaram a economia brasileira – movida a trabalho escravo – num passado não muito distante.

“Como é comum acontecer numa sociedade de herança de três séculos de escravidão, a música diaspórica, elemento fundamental de identidade negra, forma comunicacional principal dos modos de vida, dos valores e de denúncia da população afro-descendente, é vista com grande desconfiança pelas elites”, complementa Adriana.

Além da dificuldade para a realização de bailes, o que termina por concentrar os eventos nas grandes casas de show ou por marginalizar os pequenos produtores, a perseguição ao funk extrapolou para a violência contra o cidadão favelado. Naquele domingo, na Cidade de Deus, ouvi denúncias como a proibição de jovens pintarem o cabelo de determinada cor ou de ouvirem funk dentro de suas próprias casas.

Um cantor e compositor com quem estive, e que prefere não se identificar por medo de represália, contou que um dia estava reunido com amigos numa esquina da favela. Chegou uma guarnição da polícia e perguntou o que estavam fazendo. “Compondo”, respondeu. “Então eles mandaram a gente dispersar e tomaram o CD com a batida de fundo”, disse entre irritado e envergonhado pela humilhação sofrida.

O tenente-coronel Luigi Gatto, comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar, afirma que desconhece a proibição sobre a tinta no cabelo; em relação à música dentro das casas, diz que a polícia atua baseada na lei do silêncio e quando algum vizinho reclama. Quanto à proibição dos bailes, declara: “Não conheço baile funk em comunidade que não tenha tráfico de drogas, porte ilegal de armas, corrupção de menores e apologia ao crime”, mas afirma que se o evento for realizado dentro da lei 5.265 ele não se opõe.

O comandante da PM faz uma avaliação positiva da ocupação da favela: “Hoje a Cidade de Deus já está inserida no bairro de Jacarepaguá, os serviços públicos (luz, dragagem, coleta de lixo) estão funcionando, o espaço público foi devolvido pras pessoas que moram ali. Isso tudo era domínio do tráfico. Hoje em dia não há mais estado de exceção, a ordem pública foi restaurada”.

Organização do movimento funkeiro

Foi com o objetivo de enfrentar as dificuldades que MC Leonardo decidiu fundar a Associação dos Profissionais e Amigos do Funk. O compositor, nascido e criado na Rocinha, ganhou projeção nacional ao lado de seu irmão, MC Júnior, com letras como “Rap das Armas” e “Endereço dos Bailes”. “O Funk é uma das poucas diversões com preços acessíveis, criada dentro da favela, pelos favelados. O funk está sendo proibido de tocar no Rio de Janeiro!”, denuncia Leonardo.

Além de criticar muito a lei 5.265, o cantor relata outras formas de perseguição a quem gosta de ouvir o ritmo. “No interior do Rio a polícia está pegando e quebrando CDs de quem escuta funk”. Leonardo também rebate as acusações de que o ritmo é pornográfico. “O mercado pornográfico é o que mais cresce no mundo, dizer que o funk é o responsável por isso é no mínimo estranho. Uma parte do funk é o reflexo disso, não o espelho”. Mr. Catra, que tem feito até cinco shows por dia no Rio de Janeiro mas segue invisível aos olhos das corporações de mídia, também respondeu a estas acusações contra o funk no documentário “Sou feia, mas to na moda”: “Sacanagem é o coroa comendo a criancinha na novela das oito”.

O MC da Rocinha defende a unificação do movimento em torno da conscientização política. “Eu cobro dos artistas que eles usem a sua arte como ferramenta de mudança contra as injustiças que eles sofrem. O funk é preto, favelado, discriminado e por isso deveria ter um discurso mais engajado que todas as outras artes”, afirma. Muitas vezes as pessoas julgam o funk por aquilo que ouvem na mídia comercial, sem saber que ali prevalece o funk comercial, despolitizado, do jeito que o sistema capitalista gosta. Leonardo tem corrido os gabinetes da Assembléia Legislativa em busca de apoio para revogar a Lei 5.265 e aprovar um novo texto que reconheça e valorize o caráter cultural do funk.

Outro nó apontado por Leonardo é o duopólio exercido pelos empresários Rômulo Costa e DJ Marlboro, que segundo as contas da APAFunk controlam mais de 90% do mercado. Os dois possuem as maiores produtoras, editoras e equipes de som. E mais: mantêm programas em rádios (FM ODIA e 98FM, respectivamente) onde, segundo Leonardo, só divulgam seus próprios artistas. “Usam concessão pública em benefício próprio”, acusa. O MC também critica o modelo de contrato feito com os artistas. “Pagam 150 reais ao garoto e mais nada”. E pra aumentar o volume do batidão, dispara: “Estão sempre ao lado dos governos, fazem campanha, fizeram campanha para o [governador] Sérgio Cabral (PMDB)”.

Rômulo Costa não respondeu ao recado deixado em seu telefone celular. DJ Marlboro se defende: “Meu contrato artístico é igual ao de todas as editoras no mundo. O autoral é 75% do autor e 25% da editora. O artístico, que não exige obrigatoriedade, varia de 4 a 10%. Na produção, eu pego o garoto que recebe 50 reais na favela pra fazer a montagem com um computador e levo para o estúdio, dou oportunidade a ele de aprender com equipamento profissional, coloco o nome dele no direito conexo e ainda pago 150 reais, três vezes mais do que ele recebe na favela. Agora, tem produtores que são mais caros, a gente vive no capitalismo, cada um recebe de acordo com o retorno que dá. A música é um negócio”, diz. Marlboro também discorda da existência de um duopólio. “Ninguém é obrigado a assinar contrato comigo ou com o Rômulo. Tem vários meios, o cara pode ir pro meio da praça, para a internet... Agora, eu não vou colocar no meu programa de rádio artista de outras gravadoras, ninguém faz isso. Monopólio é quando não tem escolha. A gente não proíbe ninguém de ter iniciativa”. Sobre as idéias dos MCs Júnior e Leonardo, ele declara: “Eles acham que tem que ser comunismo, que todo mundo tem que ganhar igual. Querem o funk socialista”.
Talvez isso explique porque o Rap da Igualdade tenha sido declinado por Marlboro, que, segundo Leonardo, não quis divulgá-lo com o seguinte argumento: “Não é a hora de malhar a elite”.

Burocracia do preconceito

A lei estadual 5.265, de junho de 2008, determina que festas rave e bailes funk devem ser informadas com 30 dias de antecedência à Secretaria de Segurança Pública mediante a apresentação dos seguintes documentos: contrato social; CNPJ; comprovante de tratamento acústico; anotação de responsabilidade técnica das instalações de infra-estrutura do evento, expedida por autoridade municipal; contrato da empresa de segurança autorizada pela Polícia Federal; comprovante de instalação de detectores de metal e câmeras; comprovante de previsão de atendimento médico e nada a opor da Delegacia Policial, do Batalhão de Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e do Juizado de Menores.
Além disso, o pedido de autorização deve informar a expectativa de público, o número de ingressos postos à venda, o nome do responsável pelo evento, a capacidade da área de estacionamento e previsão de horário de início e término do evento, que não poderá exceder 12 horas. Banheiros deverão ser disponibilizados na proporção de dois (um masculino e um feminino) para cada grupo de cinqüenta pessoas.
São exigências que tornam alto demais o custo de realização de um baile e impõem uma burocracia que inviabiliza o trabalho dos pequenos produtores.

Eu só imploro a igualdade pra viver, doutor
No meu Brasil (que o negro construiu)
Eu só imploro a igualdade pra viver, doutor
No meu Brasil

A injustiça vem do asfalto pra favela
Há discriminação à vera
Chega em cartão postal
Em outdoor a burguesia nos revela
Que o pobre da favela tem instinto marginal
E o meu povo quando desce pro trabalho
Pede a Deus que o proteja
Dessa gente ilegal, doutor
Que nos maltrata e que finge não saber
Que a guerra na favela é um problema social

(Trecho do Rap da Igualdade, MC Dolores)

Fonte: www,carosamigos.com.br